Matéria para exame de História a 12º Ano



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Matéria para exame de História A 12º Ano


Um novo equilíbrio global

Após o fim da Primeira Guerra Mundial houve a Conferência de Paz em Paris (janeiro de 1919), na qual participaram a França, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, em que se acordaram diversos tratados de paz, como o Tratado de Versalhes que impôs à Alemanha o pagamento de indemnizações pela guerra, a perda de todas as colónias, a cedências de territórios e a redução do exército e do armamento. Devido aos acordos estabelecidos, verificaram-se efeitos políticos e efeitos económicos. Os efeitos políticos foram, a criação de uma nova geografia política e de uma nova ordem internacional, enquanto os efeitos económicos passaram pelo declínio da Europa e pela ascensão dos Estados Unidos.



A geografia política após a Primeira Guerra Mundial

Relativamente à nova geografia política, os impérios autocráticos e imperiais desapareceram, como o império Otomano que perdeu o domínio que tinha sobre o Médio Oriente, o império Russo que perdeu territórios, o império Austro-Húngaro que foi desmembrado e o império Alemão que sendo responsável pela guerra e devido ao Tratado de Versalhes foi obrigado a abandonar as suas colónias e territórios. Desta forma, reajustaram-se as fronteiras, nomeadamente da França, de Itália e da Grécia e formaram-se novos Estados, como a Hungria, a Áustria, a Turquia e a Finlândia.



A Sociedade das Nações e a nova ordem internacional

A Sociedade das Nações foi criada com o objetivo de desenvolver a cooperação entre as nações, garantindo assim a paz e a segurança, a independência territorial e a proteção das minorias nacionais. Neste contexto, os países fundadores comprometeram-se a manter relações francas e abertas e criaram o Tribunal Permanente de Justiça Internacional para resolver as discordâncias entre os estados. Era ainda previsto o desarmamento dos estados e seriam definidas sanções para os países que não respeitassem os acordos. Com os objetivos que a constituíam, a sociedade das nações foi um instrumento de esperança para que a primeira guerra mundial não se repetisse. Contudo, a SDN não foi eficaz, uma vez que a nova ordem internacional estabelecida era ameaçada pelos próprios países da SDN, que não tinha capacidade para manter a ordem entre os Estados. Assim, a paz entre os países não foi totalmente estabelecida, pois os países vencidos sentiram-se humilhados e os acordos elaborados pelos países vencedores foram-lhes simplesmente impostos sem qualquer oportunidade de reformulação. Para além disso, alguns países ficaram descontentes com a distribuição do dinheiro relativo às reparações da guerra, começaram a surgir novamente rivalidades hegemónicas entre os países vencedores, nomeadamente entre Inglaterra e França, e, por fim, os EUA decidiram não integrar-se na Sociedade das Nações.



A difícil recuperação económica da Europa

Após a guerra, a situação económica e financeira da Europa ficou bastante abalada. Em primeiro lugar, a guerra resultou num número elevado de mortos, o que reduziu a população ativa, ou seja, a mão de obra, ficando a Europa com uma elevada população envelhecida e maioritariamente feminina, o que resultou num setor produtivo insuficiente e desorganizado, isto é, na baixa produção. Para além disso, para financiar a guerra, foi necessário recorrer à inflação, com o aumento da massa monetária, o que provocou uma desvalorização monetária. Assim, a balança comercial era deficitária e como era necessário reconstruir a economia e ter acesso a matérias-primas, recorreu-se a empréstimos junto dos Estados Unidos, o que levou à acumulação de dívidas e, inevitavelmente, à dependência face aos Estados Unidos.



A dependência em relação aos Estados Unidos

Em oposição à Europa, a economia dos EUA teve resultados propícios para a sua ascensão. Em contraste com o que se verificou nos países europeu, os EUA não sofreram grandes perdas demográficas ou destruições. Para além disso, durante a guerra forneceram à Europa alimentos, matérias-primas e armas e mesmo após a guerra acabar, continuaram a fornecer empréstimos para a reconstrução europeia, concentrando-se nos Estados Unidos uma grande parte da riqueza mundial, que se tornou o principal centro financeiro do Mundo. Neste contexto, os EUA eram os principais credores da Europa, aumentado cada vez mais a dependência europeia face à americana. Neste seguimento, para intensificar o desenvolvimento industrial e comercial, foi necessário adotar o taylorismo, com a racionalização do trabalho com o trabalho em cadeia e linha de montagem e, por fim, recorreram à concentração de empresas. Foi assim a Era da Prosperidade Americana caracterizada por grandes progressos tecnológicos.



A implantação do marxismo-leninismo na Rússia

A construção do modelo soviético

Na Rússia, Czar continua a governar de forma autocrática, com o apoio da Igreja e do Exército. Para além disso, reforçou a censura, a polícia política e reprimiu a oposição violentamente. Devido a tais medidas, cresceu uma grande contestação social e política e surgiram novos partidos, o Partido Constitucional Democrata, formado pela burguesia e pela nobreza liberal, o Partido Operário Social-Democrata Russo, formado por Mencheviques/Bolcheviques, marxistas que defendiam a tomada do poder pelo operariado, e os Socialistas-Revolucionários, apoiado por camponeses. Neste contexto politico, no ano de 1917 a Rússia viveu duas revoluções.

A Revolução de fevereiro para além de ter motivos políticos teve também motivos económicos, nomeadamente o atraso económico vivido, em que a agricultura era a atividade dominante, a indústria era atrasada e a economia estava dependente de outros países. Assim, a população revoltou-se contra a política autocrática do Czar e sentiu-se crescer no país o desejo de reformas, a oposição dos partidos e a desmoralização face às derrotas militares. Para além disso, as más condições económicas e sociais tinham vindo o piorar cada vez mais, devido à participação na Primeira Guerra Mundial, que aumentou a inflação. Desta forma, a revolução de fevereiro caracterizou-se por manifestações populares, motins e greves de operários. Foi liderada por soldados, pelos Sovietes de Petrogrado, por operários e pela burguesia liberal, que exigia o fim do regime. A revolução resultou na queda do czarismo, a Rússia tornou-se numa República, e o poder foi entregue a um Governo Provisório para governar o país até às eleições. O Governo Provisório foi liderado por Lvov e, depois, por Kerensky e caracterizava-se por um modelo democrático parlamentar. Assim, decreta o estabelecimento das liberdades públicas, a amnistia para os presos políticos, as 8 horas de trabalho diário, a separação entre a Igreja e o Estado, o sufrágio universal e o voto das mulheres. Contudo, o Governo Provisório mantém a Rússia na Primeira Guerra Mundial e é apoiado pela Burguesia liberal, que tinha ganho mais poder após a queda do czarismo e que começava a sofrer contestações revolucionárias. Neste contexto, os Sovietes opunham-se ao Governo Provisório, que defendiam ainda a distribuição de terras e o aumento de salários. Desta forma, Sovietes e Bolcheviques liderados por Lenine defendiam uma revolução como forma de levar ao poder o operariado, de retirar o país da guerra e de pôr fim ao governo provisório.

A Revolução de outubro teve o principal propósito de se instaurar a ditadura do proletariado e, para tal, marinheiros revolucionários liderados por Lenine e Trotsky ocuparam lugares estratégicos na cidade e os Guardas Vermelhos assaltaram o Palácio de inverno, o que resultou na queda do Governo Provisório e na passagem do poder para um Conselho de Comissários do Povo. O Conselho era constituído por bolcheviques e liderado por Lenine, Trotsky assume a Pasta da Guerra e Estaline assume a Pasta das Nacionalidades. Contudo, no mesmo ano, são realizadas eleições para a Assembleia Constituinte, em que os bolcheviques perdem.

Durante a construção da sociedade socialista, foram emitidos quatro decretos revolucionários. O decreto sobre a paz, para retirar a Rússia da Guerra, o decreto sobre o controlo operário, para os operários gerirem as fábricas, o decreto sobre a terra, para se eliminar a grande propriedade fundiária e se entregarem as terras aos sovietes camponeses, e, por fim, o decreto sobre as nacionalidades, para acabar com as desigualdades no país.

Em consequência, deu-se a Guerra Civil em 1918. Consistiu na oposição entre o Exército Branco, opositores aos bolcheviques, e o Exército Vermelho, bolcheviques e sovietes. Neste contexto, o líder do exército vermelho implanta o comunismo de guerra e acaba por ganhar, instalando o centralismo democrático. Lenine toma a decisão de dissolver a Assembleia e transferir todo o poder para o Congresso dos Sovietes. Para além disso, o único partido permitido era o Partido Comunista, formado por bolcheviques, nacionalizou-se as terras, as fábricas e o comércio, proibiram-se as greves e os opositores tinham de enfrentar a polícia politica e os campos de concentração. O centralismo democrático consistia num sistema de sufrágio universal exercido de baixo para cima. Dominava então o Marxismo-Leninismo, que consistia no poder ser democrático e exercido pelo povo, havendo apenas um partido, que centralizava o poder. Assim, os diferentes níveis de poder eram obrigados a respeitar a hierarquia e deviam obedecer aos níveis superiores do partido.

Em 1920, a economia russa estava em ruina, uma vez que o sistema produtivo apresentava níveis baixos, havia muita miséria e muita fome e a política do país também não favorecia o seu desenvolvimento industrial e económico. Assim Lenine substituiu o Comunismo de guerra pela Nova Politica Económica (NEP), com o propósito de garantir a independência económica e repor os níveis de produção. A NEP permitiu a exploração privada das terras, os camponeses passaram a poder produzir e a vender os seus excedentes no mercado, a desnacionalização das empresas mais pequenas e o investimento estrangeiro. A Rússia conseguiu aumentar os níveis de produtividade e modernizou-se, conseguindo assim a recuperação da economia.

Mutações nos comportamentos e na cultura

As transformações da vida urbana

No século XX a vida urbana sofreu grandes transformações. Verificou-se um grande crescimento das cidades, principalmente devido à concentração de indústrias, comércio e serviços que atraiam a população do campo. Neste contexto, as cidades são centros de atividade poderosas, relacionadas com a política, com o comércio, com a administração, com a indústria e com os serviços públicos essenciais. Com o crescimento populacional a estrutura urbana teve necessariamente de mudar, ou seja, surgiram novos centros urbanos, construíram-se bairros elegantes, bairros operários e bairros degradados.



A nova sociabilidade urbana

A mudança vivida nas cidades levou inevitavelmente a uma mudança nos padrões de vida tradicionais. Verifica-se o desenraizamento das pessoas, uma vez que as grandes cidades estão cheias de pessoas que vieram de outras localidades e que assim não conhecem ninguém, dominando o anonimato e o individualismo. Desta forma, verifica-se igualmente a desagregação das solidariedades tradicionais, pois o individualismo vivido nas cidades leva à falta de solidariedade nas pessoas. Depois constata-se a desumanização do trabalho, em que o trabalho operário passou a ser dominado pela utilização da máquina de montagem, ou seja, pelo trabalho em série que explorava fortemente o trabalhador. Para além disso, surge nas cidades novos comportamentos, como o consumismo, as maneiras semelhantes de vestir, as atitudes semelhantes e as novas maneiras de passar os tempos livres, havendo a cultura do lazer. Por fim, a estrutura familiar também sofre mudanças, pois legaliza-se o divórcio, o casamento passa a ser algo pouco estável e com o desenvolvimento de métodos contracetivos verificou-se uma redução da natalidade.



A crise dos valores tradicionais

A Europa proporcionava prosperidade económica e social que trouxe ao povo europeu um sentimento de confiança e otimismo. Porém, quando se iniciou a primeira guerra mundial, esses mesmo sentimento deixou se existir. A guerra resultou em inúmeras mortes, em desequilíbrios sociais e na perda de poder da Europa, o que provocou nos europeus um sentimento de pessimismo e medo em relação ao futuro da Europa. O pessimismo vivido mudou a forma de pensar das pessoas e a ciência foi posta em causa, tal como o casamento, o papel da mulher, a arte, a política democrática, o cristianismo e a lei. Desta maneira, construiu-se um clima de anomia social, em que não havia regras ou normas morais.



Os movimentos feministas

Durante a primeira guerra mundial, as mulheres ganharam mais poder, pois tinham de substituir os homens enquanto estes estavam na guerra, passando a mulher a ser utilizada na indústria, que apesar de proporcionar salários muito baixos, permitiu à mulher ganhar a independência financeira que até ai não possuía. Apesar de a mulher ter conseguido poder financeiro, anda não possuía poder social ou político e, com o fim de lutar pela liberdade e pela igualdade de direitos, surgiram movimentos feministas. Assim, as mulheres conseguiram ter acesso a uma maneira de vestir mais ousada, a liberdade de movimentação, frequentar locais de divertimento, o direito de voto, o acesso a profissões melhores e uma vida social mais intensa.



As novas conceções científicas e a descrença no pensamento positivista

Surgem também novas perspetivas sobre o conhecimento que retiram crença no pensamento positivista. Max Planck provou que não é possível obter-se um conhecimento exato das partículas de matéria, sendo impossível prever o que irá acontecer. Enquanto Einstein deu início à teoria da relatividade, que negava a característica absoluta do espaço e do tempo, afirmando que dependiam um do outro, eram relativos. Ambas as teorias modificaram completamente o conhecimento que se tinha até aí sobre o universo, pois passou a haver a consciência de que a certeza era impossível. Tornou-se assim necessário abandonar o racionalismo, a certeza positivista e adotar o relativismo e a incerteza, em que o conhecimento passou a ser subjetivo. Freud contrariou a ideia de que o homem apenas obedecia à razão e que era capaz de controlar todos os seus impulsos através da vontade. Criou a psicanálise, isto é, um método de pesquisa que incide na análise de sonhos e de pensamentos, chegando à conclusão que os comportamentos humanos eram comandados por impulsos inconscientes, que resultavam da história de vida, nomeadamente de recordações e de pensamentos.



As vanguardas: ruturas com os cânones das artes e da literatura

Por influência das novas conceções científicas, dão-se também transformações na arte e na literatura, época do modernismo caracterizada pelo rompimento com a arte tradicional e por levar a arte a todos os domínios da atividade humana. Já não se copia a realidade tal e qual como é, recusa-se os modelos clássicos com o ideal da Natureza e do Homem, abandonam-se os temas religiosos e históricos, dá-se mais importância à cor e a arte insere-se nas habitações, nos espaços urbanos, nos objetos normais do dia a dia, criando assim, o design, uma estética nova. Surge então o movimento das vanguardas.



As inovações na pintura

Fauvismo: Surge em França, dá grande importância às cores intensas e brilhantes, às tonalidades contrastantes e à aplicação das cores de forma livre. Como pintores temos Matisse e Vlaminck e a cor no fauvismo servem para os artistas se exprimirem.

Expressionismo: Surge na Alemanha com o grupo Die Brücke, que era contra o conservadorismo, sendo símbolo de revolta individual. As obras eram carregadas de simplicidade e, por influência africana, de primitivismo. Para além disso, eram obras que transmitiam emoção em temas que demonstravam os dramas da sociedade, como a solidão, a morte e a miséria, denunciando assim o ambiente vivido no mundo real e os dramas que marcavam a população. De forma a transmitir a angústia vivida, muitas vezes as imagens eram deformadas, havendo uma mistura de cores intensa que contrastavam umas com as outras.

Cubismo: Surge em França com Picasso e Braque. O Cubismo utiliza a geometria, como cones, esferas e cilindros, destrói as leis da perspetiva e da representação, dando várias perspetivas do objeto que proporcionam diferentes realidades, tendo também influências da arte africana. O cubismo poder ser analítico ou sintético. O cubismo analítico dá mais ênfase aos objetos criados a partir de formas geométricas, ignora as cores e não tem ligação com a natureza. Por sua vez, o cubismo sintético evolui para uma realidade mais lógica, em que já se utilizam cores e materiais essenciais para acentuar a realidade.

Abstracionismo: Surge em Munique com Kandinsky e Mondrian. Nesta arte, os objetos desaparecem, caracterizando-se a obra de arte por linhas e cores que representam a emoção do pintor, mostrando assim o seu mundo. O abstracionismo pode ser sensível ou geométrico. O sensível consiste na obra de arte que expressa o que o pintor sente, tornando-se a obra original e com misturas de cores fortes. Por sua vez, o geométrico procura expressar uma verdade universal com a utilização de linhas retas e de cores primárias, que formam um certo equilíbrio e harmonia capazes de originar reações diferentes nas pessoas.

Futurismo: Surge em França com Marinetti, desenvolvendo depois em Itália com Balla, e caracteriza-se por não recorrer à imitação, abandonando os temas do passado e representando apenas a vida atual transformada pelas novas tecnologias. Neste contexto, dominavam temas associados à velocidade e à mudança, como cidades, luzes, máquinas e multidões que glorificavam o futuro. De forma a criar a sensação de movimento recorre à sobreposição de vário planos com a repetição de formas e de cores.

Surrealismo: Surge em França com Salvador Dalí e caracteriza-se pela expressão do inconsciente, que é considerado verdadeiramente real, opondo-se à logica e ao raciocínio. Assim, reivindica a autonomia da imaginação, do sonho e do desejo, representando universos estranhos, objetos enigmáticos e alucinações.

Dadaísmo: Surge na Suíça com diversos intelectuais e caracteriza-se pela negação da verdade e das normas, ou seja, na negação dos conceitos de técnica artística, de forma a chocar o público. Assim, era utilizada a troça, o insulto, o sarcasmo e a ironia, como modo de destruir a ordem e estabelecer o caos.



As inovações na literatura

Na literatura, devido ao fim da primeira guerra mundial, os temas tratados têm uma grande carga psicológica e critica, em que os escritores transparecem o pessimismo e a miséria humana, abordando temas de crise e de guerra.



Portugal no primeiro pós-guerra

Após a primeira guerra mundial, Portugal viveu uma grande instabilidade económica, social e política, resultado da participação na guerra e da crise internacional.



As dificuldades económicas e financeiras

Quando Portugal entrou na guerra, a instabilidade económica acentuou-se e o descontentamento social aumentou bastante. A economia portuguesa dependia da agricultura, que neste caso não era desenvolvida, verificando-se no Norte do país pequenas propriedades onde não era possível haver investimentos, enquanto no Sul do país havia grandes propriedades com o solo esgotado, o que resultou numa grande escassez de bens. Para além disso, verificou-se uma queda na produção industrial que provocou um aumento no défice da balança comercial. O governo ia ficando cada vez mais com menos receitas e com mais despesas e, para resolver a situação, foi necessário multiplicar o dinheiro em circulação, medida que teve efeitos muito negativos, porque desvalorizou a moeda, aumentou a inflação e a dívida do país ficou cada vez maior. A inflação, por sua vez, aumentou o custo de vida dos portugueses, agravando a fome com o aumento constante dos preços.



A instabilidade política e social

A política era baseada nas oposições dentro do próprio Partido Republicano, pois todos queriam ter mais poder, o que resultou na desagregação do partido em pequenas fações, continuando a haver divergências politicas. Neste contexto, os republicanos foram ficando cada vez mais divididos, sendo que nunca se verificaram maiorias parlamentares, que seriam necessárias para a estabilização politica. Assim, devido aos desentendimentos dentro da política Portugal teve inúmeros governos que duraram muito pouco tempo e que quando caiam davam lugar ao seguinte que também iria durar pouco, pois não se verificava um trabalho conjunto entre as diferentes fações republicanas.

Devido à situação económica e aos sucessivos falhanços do governo, começou a verificar-se contestações sociais, pois não havia competência da parte do governo para estabilizar a situação do país. A classe média, com salário baixos, protestava contra os impostos e o aumento do custo de vida, pois não conseguiu manter o poder de compra que anteriormente usufruía e a classe operária vivia na miséria e muitas vezes encontrava-se em situação de desemprego. Verificou-se então uma agitação social muito violenta, com manifestações, greves e atentados bombistas, onde o governo devido à sua incompetência não conseguia impor ordem, o que também prejudicou a imagem do regime português no estrangeiro.

A falência da 1ª República

Como o governo não dava sinais de conseguir controlar a agitação social ou os problemas financeiros e económicos, crescia pelo país a vontade de um governo, que possibilitasse a instalação da ordem e da estabilidade económica. Neste contexto, as características económicas, sociais e políticas contribuíram para enfraquecer o regime republicano em Portugal e para o tornar mais vulnerável a golpes militares. Desta forma, ocorreu o golpe militar de 28 de maio de 1926, dirigido pelo General Gomes da Costa, que teve como resultado a queda da Primeira República e a instalação de um regime de ditadura militar, em que o novo governo termina com as liberdades individuais, impondo ordem no país.



Tendências culturais: entre o naturalismo e as vanguardas

Enquanto as vanguardas se desenvolviam no resto da Europa, Portugal permanecia com a literatura classicista e com a pintura académica, abordando temas de realismo popular e de naturalismo. Porém, com a agitação social vivida, começaram a surgir movimentos de vanguardas pelo país. Surgiu o modernismo que foi divulgado em revistas e exposições.

O modernismo na literatura teve dois momentos. O primeiro modernismo foi praticado pela revista Orpheu, que o introduziu no país com a publicação de poemas de contestação à antiga ordem literária, de Almada Negreiros, Fernando Pessoa, entre outros e com a publicação de pinturas futuristas. A revista foi considerada um escândalo e acabou por ser proibida a sua publicação, pois continha gostos e padrões culturais que o regime não aprovava. Depois, o segundo modernismo foi praticado pela revista Presença, que continuou o trabalho da revista Orpheu, na luta pela liberdade da crítica e contra o academismo. Esta revista recebeu igualmente críticas.

Ao mesmo tempo, verificou-se o modernismo na pintura, na escultura e na arquitetura. A pintura era divulgada em exposições independentes e consistiam em caricaturas da sátira social e política e cenas boémias. Tal como na literatura, a pintura foi igualmente criticada e considerada escandalosa. A escultura não teve muito sucesso e acabou por ser também proibida pelo regime. Por fim, a arquitetura caracterizou-se pelo uso de vidro nos terraços, de betão armado e da linha reta sobre a curva.



As opções totalitárias

Entre a primeira guerra mundial e a segunda, Itália e Alemanha adotaram o regime totalitário, isto é, um sistema político no qual o poder se concentra no Estado, que tem o controlo da vida social e individual, opondo-se aos interesses individuais e à liberdade. Sendo assim a base para o fascismo italiano, para o nazismo alemão e para o estalinismo na Rússia.



Os fascismos: teoria e práticas

Os regimes nazi-fascistas rejeitam o individualismo, pois em primeiro lugar estava os interesses do Estado, a igualdade, pois impõem a ideia de que existem raças superiores e raças inferiores, o liberalismo económico, pois privilegia os n interesses individuais, os comportamentos baseados na razão, o sistema parlamentar, pois é uma forma de manifestar as fraquezas do poder, a democracia, pois é um regime considerado fraco e incapaz de contribuir para o bem do estado e, por fim, o comunismo e o socialismo, por conduzirem a divisões na sociedade que prejudicam a afirmação internacional do estado. Por outro lado, os regimes nazi-fascistas defendem o militarismo, pois a violência impõem ordem e respeito, o nacionalismo, pois consideram a Nação como um bem supremo, o corporativismo, pois é fundamental para ultrapassar as dificuldades socioeconómicas, a autarcia, ao defenderem que o Estado deve ser autossuficiente, o culto do chefe da Nação e, por fim, o racismo.

Os regimes nazi-fascistas atuavam de diversas maneiras de forma a impor os seus ideais. Neste contexto, as milícias armadas e polícias políticas intervinham na repressão das greves e manifestações, ocorriam manifestações de força e ordem, em que militares divulgavam os ideais de orgulho nacional e de culto ao chefe da nação, cativando assim a população, eram ensinados aos jovens as regras do Estado e do chefe, a guerra e os valores impostos, com o principal objetivo de formar potenciais servidores do regime e a propaganda ia sendo cada vez mais intensa, controlando as pessoas, ao impor a sua ideologia e os seus valores, prometendo ordem e estabilidade, prometendo o fim da agitação social, apelando à superioridade da raça e prometendo emprego e prosperidade económica. Para além disso, havia ainda a repressão da inteligência, sendo que se controlavam as publicações, a rádio, o cinema, os jornais e até se perseguiam os intelectuais.

Como referido anteriormente, o modelo económico dos regimes nazi-fascistas foi a autarcia, com o propósito de tornar a nação autossuficiente e de resolver o nível de desemprego. Para tal, foram adotadas políticas económicas de grande intervenção que respondiam às necessidades do estado:

Em Itália, o Estado passou a intervir mais na economia, em que as corporações ajudavam na planificação mais detalhada da aquisição de matérias, da quantidade de produção e dos salários. Para além disso, foram divulgadas campanhas que mostravam os trabalhadores a serem explorados para conseguirem um nível elevado de produção. Assim, aumentou-se a produção, o que fez diminuir as importações e o défice, aumentando o número de exportações e ajudando na evolução de indústrias menos desenvolvidas.

Na Alemanha, Hitler chegou ao poder com promessas de inverter a situação de desemprego e de tornar a Alemanha independente dos empréstimos estrangeiros. Para tal, foram tomadas políticas de grandes as obras públicas, com o desenvolvimento de setores, com o relançamento da indústria militar e com a reconstituição do exército e da força aérea, de forma a preparar o país para a guerra. No geral, a Alemanha tornou-se autossuficiente, a indústria desenvolveu-se e houve uma diminuição do desemprego.

Mais particularmente, o fascismo instaurado por Mussolini em Itália e o nazismo instaurado por Hitler na Alemanha diferiam nalguns aspetos:

O fascismo instaurado por Mussolini em Itália apostou muito no corporativismo, que tinha como propósito ultrapassar as dificuldades industriais sem prejudicar o desenvolvimento de outros setores, ou seja, é permitida a propriedade privada, porém é necessário haver a intervenção do Estado de forma a haver uma organização nacional da produção. Para tal, criaram-se corporações de patrões e trabalhadores que promovem a colaboração e conciliam os seus interesses. Com as corporações, o Estado tem o poder de planificar a produção e de dispensar os sindicatos, havendo assim um único sindicato nacional, que tinha a responsabilidade de resolver eventuais conflitos que surgissem e de proibir greves.

Por outro lado, o nazismo instaurado por Hitler na Alemanha apostou muito no culto da violência e na negação dos direitos humanos, uma vez que as milícias exerciam grande violência, espancando e torturando pessoas e, mais tarde, a polícia política passou a exercer um controlo ainda maior sobre a população. Assim, foi intensificado o racismo, pois Hitler defendia que os povos superiores eram os arianos. A raça ariana, a que pertencia o povo alemão, era considerada superior a todas as outras e, como tal, deveria manter-se pura, eliminando as raças inferiores, consideradas impuras. Os nazis fomentaram assim a natalidade entre arianos com boas qualidades e eliminaram deficientes e idosos. Para além disso, perseguiram judeus, com o objetivo de os exterminar, pois consideravam que os males da sociedade provinham dessa raça inferior. Para esse fim, proibiu-se o trabalho a judeus, foram privados de ter nacionalidade, foram confiscados os seus bens, foram destruídos os seus locais de culto e, por fim, muitos foram levados para os campos de concentração onde foram explorados e mortos. Neste contexto, Hitler, contrariando o Tratado de Versalhes, instituiu o serviço militar obrigatório, reforçou o exército e a aviação militar, lançando-se contra os países europeus. As tropas alemãs entraram na Roménia, na Áustria e na Checoslováquia e a 1 de setembro de 1939, Hitler invadiu a Polónia dando início à Segunda Guerra Mundial.

O estalinismo

Após a morte de Lenine, Estaline foi o seu sucessor e tinha como principais objetivos a construção irreversível da sociedade socialista e a transformação da URSS numa grande potência mundial. Para tal, foi necessário tomar medidas, nomeadamente, a coletivização e planificação da economia e a instauração de um Estado totalitário.

Relativamente à coletivização e planificação da economia, Estaline reforçou o centralismo económico, nacionalizando todos os setores da economia, ou seja, aboliu toda a propriedade privada, passando o Estado e possuir tudo o que iria dar lucros ao país, nomeadamente com a coletivização dos campos, que era necessária para se desenvolver a indústria, pois iria fornecer alimentos e mão de obra para outros trabalhos. Assim, retirou aos kulaks todas as suas terras, ação que não foi bem vista, provocando oposição que levou à repressão da população, acabando com a população morta ou a ser explorada em campos de trabalho forçado. O Estado implantou também a planificação económica, tanto no setor agrícola como no setor industrial. No setor agrícola, as terras de cultivo foram organizadas em quintas coletivas chamadas Kolkhozes, em que as terras eram cultivadas em conjunto pelos camponeses. Assim, uma parte da produção ficava para o Estado e a restante era dividida pelos camponeses, registando-se um aumento da produção agrícola, nomeadamente na produção do trigo e na produção do algodão. O setor industrial funcionava de acordo com os planos quinquenais, o que proporcionou o desenvolvimento da Rússia. O 1º plano teve como principal objetivo o desenvolvimento da indústria pesada, de forma a garantir a independência económica do país. O 2º plano deu prioridade à indústria alimentar, de forma a proporcionar à população produtos de consumo a baixo preço, para elevar o nível de vida. Por fim, o 3º plano pretendia desenvolver a energia e a indústria química, mas foi interrompido devido ao início da segunda guerra mundial.

Relativamente à instauração de um Estado totalitário, Estaline tomou esta medida como forma de impor ordem no país, pois só um poder central dotado de autoridade ilimitada poderia manter a unidade pretendida pelo chefe da Nação. Neste contexto, Estaline transforma o centralismo democrático na ditadura do Partido Comunista, que eliminou todas as oposições ao poder, impôs o culto ao chefe e cultivou a violência e a negação dos direitos humanos.



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