Materiais para dia de oração pela santificação do sacerdote =carta do presidente da cmovic (Anexo) =decálogo do sacerdote



Baixar 124,39 Kb.
Encontro20.08.2017
Tamanho124,39 Kb.
Materiais para dia de oração pela santificação do sacerdote
=CARTA DO PRESIDENTE DA CMOVIC (Anexo)
=DECÁLOGO DO SACERDOTE (Klaus Hermmele – Wilhelm Breuning)


  1. É mais importante a minha vivência de sacerdote do que as coisas que faço enquanto sacerdote.

  2. É mais importante as coisas que Cristo realiza através de mim do que aquilo que eu faço.

É mais importante que eu viva a unidade no presbitério em vez de lançar-me sozinho com grande empenho no trabalho pastoral.

  1. É mais importante o serviço da oração e da Palavra do que o “serviço das coisas”.

  2. É mais importante seguir espiritualmente os colaboradores do que fazer eu mesmo e sozinho o maior número de atividades.

  3. É mais importante estar presente em poucos, mas nos centrais setores operativos, com uma presença que irradia vida do que estar em todos os lugares com pressa e pela metade.

  4. É mais importante agir em unidade com os colaboradores do que sozinho, apesar de minhas capacidades; ou seja, é mais importante a comunhão do que a ação.

  5. É mais importante, porque mais fecunda, a cruz, do que os resultados, muitas vezes, aparentes, frutos de qualidade e esforços humanos.

  6. É mais importante o íntimo aberto ao conjunto (comunidade, diocese, Igreja universal) do que preocupado com interesses particulares, mesmo se podem parecer interessantes.

  7. É mais importante que seja testemunhada a todos a fé do que satisfazer às exigências habituais.

  8. É mais importante que seja testemunhada a todos a fé do que satisfazer às exigências habituais.


=CANÇÃO CINQUENTENÁRIA (cf. gravação, em anexo)
Dom Pedro Brito Guimarães


  1. Hoje minh’alma decanta,

Bendiz e louva o Senhor

Por tantas coisas bonitas

Que Ele fez em meu favor.

Pois, desde o seio materno

Eu escutei seu chamado,

E quanto mais eu crescia,

Mais Ele estava ao meu lado.
E neste cinqüentenário (aniversário),

Marco extraordinário

Na vida de um operário

Do teu roçado, Senhor,

Quero fazer a memória

Daquele dia de glória,

Quando o Senhor da história

Me ungiu e me enviou.


  1. E assim me fiz sacerdote,

Profeta itinerante.

E desde que disse “sim”

Não sosseguei um instante.

No coração do teu povo

A minha tenda armei,

Remei, com fé e coragem,

O barco da tua grei.


  1. A tua santa palavra

Com minha vida anunciei,

Teus sacramentos de vida

Com gratidão celebrei.

Sede e fome senti,

Mas por amar tua lei,

Renunciei a mim mesmo

E a tua cruz carreguei.


  1. Hoje repasso os anos,

Desde que dei o meu sim,

Posso dizer piamente:

Nunca esqueceste de mim.

Ouro e prata não tenho,

Mas o que tenho te dou:

Um coração por inteiro,

Pobre, mas rico de amor.

=65ª JORNADA DE SANTIFICAÇÃO SACERDOTAL
DIA DO SAGRADO Coração de Jesus (7 de junho de 2013)
Uma celebração significativa e oportuna
A Festa do Coração de Jesus, que celebraremos no dia 7 de junho próximo, convida e motiva mais uma vez os padres da Igreja toda a se unirem nos presbitérios para viver o Dia de Santificação Sacerdotal. É uma celebração que se tornou tradicional.

A proposta foi feita pela primeira vez (em 1948) aos bispos da Igreja toda por um simples e humilde padre de Trento (Itália) Pe. Mário Venturini, fundador da Congregação de Jesus Sacerdote. Desde o começo Pio XII, e depois todos os Papas que seguiram, apoiaram a iniciativa e estimularam sua celebração com mensagens específicas. Em 1995 o Bem Aventurado João Paulo II quis que a Santa Sé assumisse e promovesse diretamente a iniciativa, dando à mesma um particular significado eclesial.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com fraterna atenção, deseja apresentar seu convite a todas as dioceses de nossa Igreja para que assumam e celebrem com fervor esta oportuna iniciativa, que se tornou tradicional entre nós. Sentimos viva a necessidade que nossos padres sejam mais santos, mais unidos entre si e com os próprios bispos pelo vinculo precioso da fraternidade sacramental, e sempre mais abertos no serviço generoso ao povo a ele confiado.

O Coração de Jesus, modelo e fonte do ministério sacerdotal, quer que todos os padres estejam sempre mais unidos a Ele, para participar dos seus anseios mais profundos e viver com Ele uma amizade toda particular. À luz desta amizade podem compreender seu chamado e atingir motivação e força na missão a eles confiada. Desta comunhão profunda e da presença viva do Espírito esperamos as intuições melhores e o entusiasmos necessário pela nova evangelização.

Nossa missão não é fácil. Em comunhão com a Igreja toda, sofremos as tantas dificuldades que o mundo cria a quem assume o serviço do Evangelho. Temos a impressão de perder sempre mais em estima e significância na nossa sociedade. O padre se torna uma presença incômoda para quem quer construir um futuro sem Deus e não aceita ser condicionado por preocupações morais.

Todos nós sofremos as limitações do número e das forças. Olhando no futuro, tememos que a crise vocacional torne os nossos seminários sempre mais vazios. Não é fácil resistir à tentação de deixar cair os braços, ou de continuar a fazer obsessivamente as mesmas coisas do passado, ou deixar-nos levar pela onda que desestabiliza a todos...

Não tenhais medo, eu venci o mundo” (Jo 16,33), “Vinde a mim, vós todos, que estais cansados... aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,28-29): as palavras de Cristo ressoam no nosso coração como alívio ao nosso desânimo e como promessa que renova nossos corações e infunde esperança.

Estávamos acostumados, até alguns anos atrás, a receber de Roma, na Jornada de Santificação sacerdotal, uma indicação específica, que nos servia de meditação e de revisão pessoal. O Papa mesmo, continuando a tradição precedente, enviava aos padres uma mensagem rica de estímulos espirituais. João Paulo II, a certo ponto, pensou oportuno convidar os padres a fazer objeto de aprofundamento, na Jornada de Santificação, sua homilia da missa dos Óleos na Quinta Feira santa. Pensava, com razão, que os mesmos não tivessem conseguido fazê-lo antes.

Para o Dia de Oração pela Santificação dos Sacerdotes deste ano, um ano sem dúvida “atípico” na história da Igreja, temos como atuais duas indicações importantes: o compromisso do ano da Fé e as reflexões que o Papa Francisco apresentou aos padres na Missa dos Óleos.
Edificados sobre a nossa santíssima fé”(Jd 20)
1. O Ano da fé encontrou em nós padres uma ressonância particular. Tendo atravessado, pela graça do Senhor, a “porta da fé”, temos certeza e consciência de ter percorrido um caminha significativo. Tivemos a graça de encontrar Cristo. O Senhor olhou em nós com um olhar de amor (cfr. Mc 10,21), nos convidou a deixar tudo e a segui-Lo. Guardamos gravados no coração os momentos fortes desta caminhada, as experiências que nos encheram de entusiasmo, como, também, os momentos de dificuldades, os obstáculos superados em nome da fé, do nosso amor a Cristo. Sentimos de acreditar Nele e de desejar sinceramente de “abandonarmos progressivamente nas mãos deste amor”.(Porta fidei 7)

2. O perigo maior seria perceber que a nossa fé perca de vitalidade, de força. Não motive mais, como antes, nossa vida espiritual e, em consequência, as palavras e os gestos do nosso serviço pastoral. Se é verdade que um padre sem fé não tem sentido, é inevitável que um padre com pouca fé tenha pouco sentido e pouca eficácia apostólica. Nós, primeiros, “somos chamados a fazer brilhar com a nossa vida no mundo a Palavra de verdade que o Senhor nos deixou”(Pf 6) e a tornar atual no meio dos nossos fiei seus gestos de amor e de santificação.

3. O nosso ministério nos apresenta setores específicos que comprometem nossa fé:

A: O serviço da Palavra. Somos chamados a transmitir a Palavra de Deus ao nosso pequeno rebanho e, também, àqueles, e são muitos, que não fazem parte do mesmo. As palavras com as quais o bispo na ordenação diaconal nos entregava o Evangelho permanecem para nós inesquecíveis: “Recebe o evangelho de Cristo, do qual foste constituído mensageiro, transforma em vida o que lês, ensina aquilo que crês e procura realizar o que ensinas. A Palavra nos apresenta exigências específicas: intimidade e diálogo pessoal (a lectio divina), testemunho de vida, preparação “honesta” das nossas homilias, capacidade de enriquecer com Ela as nossas celebrações, as diferentes e numerosas reuniões e os nossos diálogos pessoais.

B: Os gestos sacramentais. Entre eles destacamos a Celebração Eucarística e o ministério do perdão. São momentos que pedem a nós padres uma fé profunda. Nós, primeiros, somos chamados a acreditar naquilo que celebramos e a viver pessoalmente os nossos encontros com Cristo, Pão da Vida e Mediador do perdão do Pai. Os nossos fieis, que muitas vezes nos edificam e nos superam com sua fé simples, mas viva, têm necessidade de ver o exemplo de fé dos seus padres, uma fé que os ajude a vencer o perigo da repetitividade, do cansaço, da tentação do funcionalismo.

C: O nosso serviço pastoral. É um trabalho que vale e dá fruto na medida em que conseguimos identificar-nos com Cristo Bom Pastor. Somos seus representantes e instrumentos para cuidar do rebanho de Deus, não constrangidos, mas com toda disponibilidade, não por interesse material, mas por livre doação, não como quer dominar, mas que, antes de tudo, procura ajudar com seu exemplo (cfr. 1Pe 5,2-3). Só vivendo uma profunda comunhão de fé com Cristo conseguimos vencer as tantas dificuldades, as frustrações, o fácil ativismo, muitas vezes resposta instintiva e obsessiva à nossa profunda insatisfação. Conseguir no nosso ministério perceber, à luz do Espírito, o bem que o divino Agricultor vai semeando nos nosso campo, saber alegrarmos em descobri-lo e não deixarmos tentar pelo pessimismo, é fruto de uma fé autêntica.

O dia de Santificação poderia ser uma boa ocasião pare refletir sobre estes aspectos, e para questionar-nos em que medida “professamos, celebramos, vivemos e rezamos nossa fé” de padres.
Pastores com cheiro de ovelhas
Na homilia da Missa Crismal na Quinta Feria Santa, Papa Francisco falou aos sacerdotes. Foi sua primeira missa celebrada com o seu clero. Nela, provavelmente, não pensava ao nosso Dia de Santificação, mas pode ser oportuno nesta ocasião, retomar suas passagens mais significativas, para fazê-las objeto de reflexão e de revisão de vida. Como estamos aprendendo a conhecê-lo, o novo Papa fala sobretudo com as imagens e os gestos; gestos e imagens que transmitem com eficácia a riqueza e originalidade da sua reflexão e a força das suas indicações.

Vale a pena voltar a refletir sobre algumas indicações preciosas.

A: A unção que recebemos na ordenação não foi “para nos perfumar a nós mesmos”, para “guardá-la num frasco”, com o perigo que se torne um óleo “rançoso e... o coração amargo”.

A nossa unção “destina-se ao povo fiel de Deus, de quem somos servidores, a nossa unção “é para os pobres, os presos, os oprimidos”.

O papa não podia destacar melhor a finalidade do nosso ministério, como serviço ao povo sacerdotal. Temos que ter consciência de que o óleo, que recebemos, é uma riqueza preciosa a ser colocá-la à disposição dos irmãos. Só neste serviço podemos experimentar todo o valor de nossa vida e a alegria do nosso ministério.

B: O óleo, como para Aaron, não só perfuma a nós, mas “espalha-se e atinge as periferias” É a mesma missão que Jesus declarava de assumir na sinagoga de Nazaré. O Papa nos convida a chegar sempre mais às “periferias”, onde o povo fiel “está mais exposto”. Temos que “partilhar com ele a realidade que vive, intuir suas angustias, suas esperanças”. Sem perder tempo nem confiando demais nos nossos métodos pastorais. O Papa chega a uma alerta inesperada: temos que acreditar no poder e na eficácia da nossa unção, “vencendo o perigo de viver nossa vida sacerdotal passando de um curso para outro, de método em método”. O convite não é, evidentemente, a menosprezar uma qualificação teológica e pastoral, mas a colocar os mesmos a serviço do Espírito, o único que pode dar eficácia ao nosso ministério. “No nosso mundo – afirma o Papa com convicção – vale só a unção, não a função”.

C: Sair de se mesmo, lançar as redes. É a exortação da última parte da homilia. Se não conseguirmos colocar em jogo “a pele e o próprio coração” nos condenamos a serem “padres tristes”, à procura de inúteis compensações. E o Papa apresenta uma imagem inédita, onde o olfato se torna significativo: padres com cheiro de ovelhas. E insiste: “isto vo-lo peço: sede pastores com o cheiro de ovelhas”... Nós poderíamos completar, “e de peixe”, aproveitando da nossa maior experiência nisso e justificados pela exortação que Papa Francisco coloca logo em seguida: “fazermos ao largo, no nome do Senhor e lançar as redes. Em nome d’Aquele em que pusemos nossa confiança: Jesus”.

Unidos nos nossos Presbitérios e em comunhão com todos os padres do mundo nos estreitamos ao redor do Coração de Cristo, Coração profundamente sacerdotal Pedimos que não cesse de rezar pelos seus padres, como o fez na Ultima Ceia ao Pai pelos seus Apóstolos: “Pai, guarda-os em teu nome... Não peço que os tire do mundo, mas que os guarde do maligno. Eles não são do mundo como eu não sou do mundo. Santifica-os na verdade” (Jo 17). Pedimos, em fim, que realize o anseio do nosso novo Papa: ”Que o povo sinta que somos discípulos do Senhor; sinta que estamos revestidos com os seus nomes e não procuramos outra identidade; e que possa receber, através de nossas palavras e obras, este óleo de alegria, que nos veio trazer Jesus, o Ungido. Amém”


ALGUMAS INDICAÇÕES PRÁTICAS

para a celebração da Jornada de santificação Sacerdotal e de oração pelos Padres
No Presbitério
Marcar o Dia do encontro do Presbitério diocesano com a presença do seu Bispo

(possivelmente na Festa do Coração de Jesus - 7 de Junho).


Programar e preparar o encontro, que normalmente contempla 3 momentos:
A: Uma reflexão comunitária sobre o tema: que pode prever uma dinâmica específica (colocação - diálogo em grupos - plenário).

B: Momento Eucarístico diante do SSmo. exposto.

C: Almoço de confraternização.
Para os fiéis:

Anunciar e motivar o dia de Oração pela Santificação dos padres O dia pode ser o mesmo da festa do Sagrado Coração, (ou, se por motivos pastorais se achar mais oportuno, no domingo seguinte)


Prever:

- A solene Celebração Eucarística em honra do Sagrado Espirito Coração.

- Um Momento Eucarístico pela santificação dos padres da Igreja.

=CARTA DO PREFEITO DA CONGREGAÇÃO PARA O CLERO
Caríssimos irmãos no sacerdócio e amigos!

Por ocasião da próxima solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, em 7 de junho de 2013, na qual celebramos a Jornada Mundial de Oração pela santificação dos Sacerdotes, saúdo cordialmente a todos e a cada um de vós e agradeço ao Senhor pelo inefável dom do sacerdócio e pela fidelidade ao amor de Cristo.

Se é verdade que o convite do Senhor a “permanecer no seu amor” (Gv 15,9) é valido para todos os batizados, na festa do Sagrado Coração de Jesus isso ressoa com uma nova força em nós sacerdotes. Como nos recordou o Santo Padre na abertura do Ano Sacerdotal, citando o Santo Cura d’Ars, “o sacerdócio é o amor do Coração de Jesus” (cfr. Homilia na celebração das Vésperas da Solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, 19 de junho de 2009). Desse Coração – e não podemos esquecer jamais – resulta o dom do ministério sacerdotal.

Temos a experiência de que o fato de “permanecer no seu amor” nos impulsiona com força rumo à santidade. Uma santidade - sabemos bem - que não consiste em fazer ações extraordinárias, mas em permitir que Cristo aja em nós e em fazer nossas as suas atitudes, os seus pensamentos, os seus comportamentos. O nível da santidade é dado a partir do nível em que Cristo nos alcança, a partir de quanto, com o vigor do Espírito Santo, modelamos toda a nossa vida.

Nós, presbíteros, fomos consagrados e enviados para tornar atual a missão salvífica do Divino Filho encarnado. A nossa função é indispensável para a Igreja e para o mundo e requer de nós fidelidade plena a Cristo e incessante união com Ele. Assim, servindo humildemente, somos guias que conduzem à santidade os fiéis confiados ao nosso ministério. Desse modo, reproduz-se em nossa vida o desejo expresso por Jesus mesmo, na oração sacerdotal, depois da instituição da Eucaristia: “Eu peço por eles; não peço pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus (...). Não te peço para tirá-los do mundo, mas para guardá-los do Maligno (...). Consagra-os com a verdade, (...) em favor deles eu me consagro, a fim de que também eles sejam consagrados com a verdade” (Jo 17,9.15.17.19).

No Ano da Fé
Tais considerações assumem uma relevância especial em relação à celebração do Ano da Fé – organizado pelo Santo Padre Bento XVI com o Motu proprio Porta Fidei (11 de outubro de 2011) – iniciado em 11 de outubro de 2012, no quinquagésimo aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, e que terminará na solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, no próximo 24 de outubro. A Igreja, com os seus Pastores, deve estar a caminho de conduzir os homens fora do “deserto”, rumo à comunhão com o Filho de Deus, que é Vida para o mundo (cfr. Jo 6,33).

Em tal perspectiva, a Congregação para o Clero remete esta carta a todos os sacerdotes do mundo para ajudar cada um a reavivar o empenho em viver o evento de graça ao qual somos chamados, de modo particular a ser protagonistas e animadores diligentes para uma redescoberta da fé na sua integridade e em todo o seu fascínio, estimulados, portanto, a considerar que a nova evangelização está voltada exatamente para a genuína transmissão da fé cristã.

Na Carta Apostólica Porta Fidei, o Papa interpreta os sentimentos dos sacerdotes de não poucos países: “no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas” (n. 2).

A celebração do Ano da Fé se apresenta como uma oportunidade para a nova evangelização, para superar a tentação do desestímulo, para deixar que os nossos esforços se movam cada vez mais sob o impulso e a condução do atual Sucessor de Pedro. Ter fé significa principalmente estar certos de que Cristo, vencendo a morte na sua carne, tornou possível também a quem crê n’Ele compartilhar o destino de glória e de satisfazer o anseio a uma vida e a uma alegria perfeita e eterna, que está no coração de cada homem. Por isso, “a Ressurreição de Cristo é a nossa maior certeza; é o tesouro mais precioso! Como não compartilhar com os outros este tesouro, esta certeza? Não é somente para nós, devemos transmiti-la, comunicá-la aos outros, compartilhá-la com o próximo. Consiste precisamente nisto o nosso testemunho” (Papa Francisco, Audiência Geral, 3 de abril de 2013).

Como sacerdotes, devemos nos preparar para guiar os outros fiéis rumo a um amadurecimento da fé. Sintamos que os primeiros a dever abrir mais os corações somos nós. Recordemos as palavras do Mestre no último dia da festa das Tendas, em Jerusalém: “Jesus ficou de pé e gritou: ‘Se alguém tem sede, venha a mim, e aquele que acredita em mim, beba. É como diz a Escritura: 'Do seu seio jorrarão rios de água viva'.’ Jesus disse isso, referindo-se ao Espírito que deveriam receber os que acreditassem nele. De fato, ainda não havia Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado” (Jo 7,37-39). Também a partir do sacerdote, alter Christus, podem jorrar rios de água viva, na medida em que ele bebe com fé as palavras de Cristo, abrindo-se à ação do Espírito Santo. Da sua “abertura” a ser sinal de instrumento da graça divina depende, por fim, não só a santificação do povo confiado a ele, mas também o orgulho da sua identidade: “O sacerdote que sai pouco de si mesmo, que unge pouco - não digo ‘nada’, porque, graças a Deus, o povo nos rouba a unção –, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. A diferença é bem conhecida de todos: o intermediário e o gestor ‘já receberam a sua recompensa’. É que, não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração; e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de colecionadores de antiguidades ou então de novidades, em vez de serem pastores com o ‘cheiro das ovelhas’ - isto vo-lo peço: sede pastores com o ‘cheiro das ovelhas’, que se sinta este –, serem pastores no meio do seu rebanho, e pescadores de homens.” (Idem, Homilia da S. Missa crismal, 28 de março de 2013).
Transmitir a Fé
Cristo confiou aos Apóstolos e à Igreja a missão de pregar a Boa Notícia a todos os homens. São Paulo ouve o Evangelho como “força de Deus para a salvação de todo aquele que acredita” (Rm 1, 16). O próprio Jesus Cristo é Evangelho, a “Boa Notícia” (cfr. 1Cor 1,24). O nosso dever é ser portadores da força do Amor sem limites de Deus, manifestado em Cristo. A resposta à generosa Revelação divina é a fé, fruto da graça nas nossas almas, que requer a abertura do coração humano. “Só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus” (Porta Fidei, n. 7). Depois de anos de ministério sacerdotal, com frutos e com dificuldades, que o presbítero possa dizer com São Paulo: “Levei a cabo o anúncio do Evangelho de Cristo!” (Rm 15,19; 1Cor 15, 1-11; etc.).

Colaborar com Cristo na transmissão da fé é dever de todo cristão, na característica cooperação orgânica entre fiéis ordenados e fiéis leigos na Santa Igreja. Esse feliz dever implica dois aspectos unidos profundamente. O primeiro, a adesão a Cristo, que significa encontrá-lo pessoalmente, segui-lo, ter amizade com Ele, crer n’Ele. No contexto cultural atual, mostra-se especialmente importante o testemunho da vida – condição de autenticidade e de credibilidade –, que faz descobrir como a força do amor de Deus torna eficaz a sua Palavra. Não devemos esquecer que os fiéis procuram no sacerdote o homem de Deus e a sua Palavra, a sua Misericórdia e o Pão da Vida.

Um segundo ponto do caráter missionário da transmissão da fé se refere à feliz acolhida das palavras de Cristo, as verdades que nos ensina, os conteúdos da Revelação. Nesse sentido, um instrumento fundamental será exatamente a exposição ordenada e orgânica da doutrina católica, ancorada na Palavra de Deus e na Tradição perene e viva da Igreja.

Em particular, devemos nos empenhar para viver e fazer viver o Ano da Fé como uma ocasião providencial para compreender que os textos deixados como herança dos Padres conciliares, segundo as palavras do beato João Paulo II, “não perdem o seu valor nem a sua beleza. É necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja. Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa” (João Paulo II, Carta Ap. Novo millennio ineunte, 6 de janeiro de 2001, 57: AAS 93 [2001], 308, n. 5).


Os conteúdos da fé
O Catecismo da Igreja Católica – resultado do Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985, como instrumento a serviço da catequese e realizado mediante a colaboração de todo o Episcopado – ilustra aos fiéis a força e a beleza da fé.

O Catecismo é um autêntico fruto do Concílio Ecumênico Vaticano II, que torna mais fácil o ministério pastoral: homilias atraentes, incisivas, profundas, sólidas; cursos de catequese e de formação teológica para adultos; a preparação dos catequistas, a formação das diversas vocações na Igreja, de modo especial nos Seminários.

A Nota com indicações pastorais para o Ano da fé (6 de janeiro de 2012) oferece uma ampla variedade de iniciativas para viver tal tempo privilegiado de graça muito unidos ao Santo Padre e ao Corpo episcopal: as peregrinações dos fiéis à Sede de Pedro, à Terra Santa, aos Santuários marianos, à próxima Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, no iminente mês de julho; os simpósios, convênios e reuniões, também em nível internacional, e em particular aqueles dedicados à redescoberta dos ensinamentos do Concílio Vaticano II; a organização de grupos de fiéis para a leitura e o aprofundamento comum do Catecismo com um renovado empenho por sua difusão.

No atual clima relativístico, parece oportuno evidenciar o quanto é importante o conhecimento dos conteúdos da nossa autêntica doutrina católica, inseparável do encontro com atraentes testemunhos de fé. Sobre os primeiros discípulos de Jesus em Jerusalém, conta-se nos Atos que “eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações” (At 2,42).

Nesse sentido, o Ano da Fé é uma ocasião especialmente propícia para uma acolhida mais atenta das homilias, das catequeses, das alocuções e das outras intervenções do Santo Padre. Para muitos fiéis, ter à disposição as homilias e os discursos das audiências será de grande ajuda para transmitir a fé aos outros.

Trata-se de verdade da qual se vive, como diz Santo Agostinho quando, em uma homilia sobre a redditio symboli, descreve a oração do Creio: “Vós, portanto, o recebestes e transmitistes, mas na mente e no coração deveis tê-lo sempre presente, deveis repeti-lo nos vossos leitos, repensá-lo nas praças e não esquecê-lo durante as refeições: e também quando dormirdes com o corpo, deveis vigiar nele com o coração”. (Agostinho de Hipona, Discurso 215, sobre a Redditio Symboli).

Na Porta Fidei, traça-se um percurso para fazer compreender de modo mais profundo os conteúdos da fé e a ação com a qual nos confiamos livremente a Deus: a ação com o qual se crê e os conteúdos aos quais damos o nosso consentimento são marcados por uma profunda unidade (cfr. n. 10).
Crescer na fé
O Ano da fé representa, portanto, um convite à conversão a Jesus único Salvador do mundo, a crescer na fé como virtude teologal. No prólogo do primeiro volume de Jesus de Nazaré, o Santo Padre escreve sobre as consequências negativas se Jesus for apresentado como uma figura do passado, da qual pouco se sabe ao certo: “Uma situação similar é dramática para a fé, porque torna incerto o seu autêntico ponto de referência: a íntima amizade com Jesus, do qual tudo depende, ameaça procurar no vazio” (p.8)

Vale a pena meditar mais vezes sobre estas palavras: “a íntima amizade com Jesus, do qual tudo depende”. Trata-se do encontro pessoal com Cristo. Encontro de cada um de nós e de cada um dos nossos irmãos e irmãs na fé, a quem servimos com o nosso ministério.

Encontrar Jesus, como os primeiros discípulos – André, Pedro, João – como a samaritana ou como Nicodemos; acolhê-lo na própria casa como Marta e Maria; escutá-lo lendo muitas vezes o Evangelho; com a graça do Espírito Santo, este é o caminho seguro para crescer na fé. Como escreveu o Servo de Deus Paulo VI: “A fé é o caminho através do qual a verdade divina entra na alma” (Ensinamentos, IV, p. 919).

Jesus convida a sentir que somos filhos e amigos de Deus: “Eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai. Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês. Eu os destinei para ir e dar fruto, e para que o seu fruto permaneça. O Pai dará a vocês qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome.” (Jo 15,15-16).


Meios para crescer na Fé. A Eucaristia
Jesus convida a pedir com plena fé, a rezar com as palavras “Pai nosso”. Propõe a todos, no discurso das Beatitudes, uma meta que aos olhos humanos parece uma loucura: “Sejam perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está no céu” (Mt 5,48). Para exercitar uma boa pedagogia da santidade, capaz de adaptar-se às circunstâncias e aos ritmos de cada pessoa, devemos ser amigos de Deus, homens de oração.

Na oração aprendemos a carregar a Cruz, aquela Cruz aberta ao mundo inteiro, para sua salvação, que, como revela o Senhor a Ananias, acompanhará também a missão de Saulo, recém-convertido: “Vá, porque esse homem é um instrumento que eu escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. Eu vou mostrar a Saulo quanto ele deve sofrer por causa do meu nome.” (At 9,15-16). E aos fiéis da Galácia, São Paulo fará esta síntese de sua vida: “Fui morto na cruz com Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. E esta vida que agora vivo, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim (Gal 2,19-20).

Na Eucaristia, atualiza-se o mistério do sacrifício da Cruz. A celebração litúrgica da Santa Missa é um encontro com Jesus que se oferece como vítima por nós e nos transforma n’Ele. “Com efeito, por sua natureza a liturgia possui uma eficácia pedagógica própria para introduzir os fiéis no conhecimento do mistério celebrado. Por isso mesmo, na tradição mais antiga da Igreja, o caminho formativo do cristão - embora sem descurar a inteligência sistemática dos conteúdos da fé - assumia sempre um caráter de experiência, em que era determinante o encontro vivo e persuasivo com Cristo anunciado por autênticas testemunhas. Neste sentido, quem introduz nos mistérios é primariamente a testemunha” (Bento XVI, Exort. Ap. Sacramentum caritatis, 22-II-2007, n. 64). Não surpreende, portanto, que na Nota com indicações pastorais para o Ano da fé se sugira intensificar a celebração da fé na liturgia e em particular na Eucaristia, onde a fé da Igreja é proclamada, celebrada e reforçada (cfr. n. IV, 2). Se a liturgia eucarística é celebrada com grande fé e devoção, os frutos são assegurados.
O Sacramento da Misericórdia que perdoa
Se a Eucaristia é o Sacramento que edifica a imagem do Filho de Deus em nós, a Reconciliação é aquilo que nos faz experimentar a força da misericórdia divina, que libera a alma dos pecados e a faz saborear a beleza do retorno a Deus, verdadeiro Pai apaixonado por cada um de seus filhos. Por isso, o sagrado ministro em primeira pessoa deve estar convencido de que “só se nos comportarmos como filhos de Deus, sem nos desencorajarmos por causa das nossas quedas e dos nossos pecados, sentindo-nos amados por Ele, a nossa vida será nova, animada pela serenidade e pela alegria. Deus é a nossa força! Deus é a nossa esperança!” (Papa Francisco, Audiência geral de 10 de abril de 2013).

A partir dessa presença misericordiosa, o sacerdote deve ser ele mesmo sacramento no mundo: “Jesus não tem uma casa porque a sua casa é o povo, somos nós, a sua missão consiste em abrir as portas de Deus para todos, em ser a presença de amor de Deu” (Idem, Audiência geral de 27 de março de 2013). Não podemos, portanto, enterrar esse maravilhoso dom sobrenatural, nem distribuí-lo sem ter os mesmos sentimentos d’Ele, que amou os pecadores até o auge da Cruz. Neste sacramento, o Pai nos doa uma ocasião única para ser, não só espiritualmente, mas nós mesmos, com nossa própria humanidade, a mão suave que, como o Bom Samaritano, derrama o óleo que dá alívio às chagas da alma (Lc 10, 34). Sentimos nossas estas palavras do Pontífice: “O cristão que se fecha em si próprio, que esconde tudo o que o Senhor lhe deu é um cristão... não é cristão! É um cristão que não dá graças a Deus por tudo o que recebeu! Isto diz-nos que a espera da volta do Senhor é o tempo da ação - nós vivemos no tempo da ação - o tempo no qual frutificar os dons de Deus, não para nós mesmos, mas para Ele, para a Igreja, para os outros, o tempo no qual procurar fazer crescer sempre o bem no mundo. (...) Estimados irmãos e irmãs, nunca tenhamos medo de olhar para o Juízo final; ao contrário, que ele nos leve a viver melhor o presente. Deus oferece-nos este tempo com misericórdia e paciência, a fim de aprendermos todos os dias a reconhecê-lo nos pobres e nos pequeninos, de trabalharmos para o bem e de sermos vigilantes na oração e no amor. Que no final da nossa existência e da história o Senhor possa reconhecer-nos como servos bons e fiéis” (Idem, Audiência geral de 24 de abril).

O sacramento da Reconciliação é, portanto, também o sacramento da alegria: “Quando ainda estava longe, o pai o avistou, e teve compaixão, saiu correndo, o abraçou, e o cobriu de beijos. Então o filho disse: 'Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço que me chamem teu filho'. Mas o pai disse aos empregados: 'Depressa, tragam a melhor túnica para vestir meu filho. E coloquem um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Peguem o novilho gordo e o matem. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado'. E começaram a festa” (Lc 15,11-24). Cada vez que nos confessamos, encontramos a alegria de estar com Deus, porque experimentamos a sua misericórdia, talvez tantas vezes quando manifestamos ao Senhor as nossas faltas devido à indiferença e a mediocridade. Assim se reforça a nossa fé de pecadores que amam Jesus e são amados por Ele: “Quando alguém é convocado pelo juiz ou tem uma causa, a primeira coisa que faz é procurar um advogado para que o defenda. Nós temos um, que nos defende sempre, defende-nos das insídias do diabo, defende-nos de nós mesmos e dos nossos pecados! Caríssimos irmãos e irmãs, temos este advogado: não tenhamos medo de o procurar para pedir perdão, para pedir a bênção, para pedir misericórdia! Ele perdoa-nos sempre, é o nosso advogado: defende-nos sempre! Não esqueçais isto!” (Idem, Audiência geral de 17 de abril de 2013).

Na adoração eucarística, podemos dizer a Cristo presente na Hóstia Santa, com São Tomás de Aquino:



Plagas sicut Thomas non intúeor

Deum tamen meum Te confiteor

Fac me tibi semper magis crédere

In Te spem habére, Te dilígere.

E também com o apóstolo Tomé podemos repetir com o nosso coração sacerdotal, quando Jesus é nas nossas mãos: Dominus meus et Deus meus!

Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu” (Lc 1,45). Com essas palavras, Isabel saudou Maria. A Ela que é Mãe dos sacerdotes e que nos precedeu no caminho da fé, recorramos a fim de que cada um de nós cresça na Fé do seu divino Filho e, assim, levemos ao mundo a Vida e a Luz, o calor, do Sacratíssimo Coração de Jesus!
Mauro Card. Piacenza

Prefeito
+ Celso Morga Iruzubieta

Secretário
=SUGESTÕES DE CELEBRAÇÃO
Propõe-se a seguir algumas sugestões para um momento de oração pelo Bispo e pelo presbitério, a ser organizado como Vigília de preparação para a Jornada, ou a ser realizada no mesmo dia.
Adoração Eucarística
Canto de entrada
Saudação litúrgica do Bispo. Segue a oração.
Oremos: Pai santo e misericordioso, tu que fizeste fiéis os apóstolos na confissão do seu nome, conforta-nos com a graça do teu Espírito e concede a nós, teus servos, permanecer arraigados na integridade da fé e resplandecer em sabedoria e santidade de vida no serviço assíduo à tua Igreja. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Evangelho (pode-se escolher entre os textos a seguir: Mc 16,15-20; Lc 5,1-11;10,1-9; Jo 10,11-16;15,9-17; 21,1-14).
Homilia
Renovação das promessas sacerdotais como na Missa crismal.
Neste momento, segue a exposição do SS. Sacramento. Canto (Adoro te devote)
Adoração silenciosa. Durante a oração pessoal, podem ser meditados alguns textos como os seguintes.
Concilio Ecumênico Vaticano II: Decreto “Presbyterorum Ordinis” sobre a vida dos presbíteros, n. 3: O ministério dos presbíteros no mundo:

“Os presbíteros, tirados dentre os homens e constituídos a favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecerem dons e sacrifícios pelos pecados, convivem fraternalmente com os restantes homens. Assim também, o Senhor Jesus, Filho de Deus, enviado pelo Pai como homem para o meio dos homens, habitou entre nós e quis assemelhar-se em tudo aos seus irmãos, menos no pecado. Já os Apóstolos o imitaram, e S. Paulo doutor das gentes, “escolhido para anunciar o Evangelho de Deus” (Rm: 1,1) atesta que se fez tudo para todos, para salvar a todos. Os presbíteros do Novo Testamento, em virtude da vocação e ordenação, de algum modo são segregados dentro do Povo de Deus, não para serem separados dele ou do qualquer homem, mas para se consagrarem totalmente à obra para que Deus os chama. Não poderiam ser ministros de Cristo se não fossem testemunhas e dispensadores duma vida diferente da terrena, e nem pode riam servir os homens se permanecessem alheios à sua vida e às suas situações. O seu próprio ministério exige, por um título especial, que não se conformem a este mundo; mas exige também que vivam neste mundo entre os homens e, como bons pastores, conheçam as suas ovelhas e procurem trazer aquelas que não pertencem a este redil, para que também elas ouçam a voz de Cristo e haja um só rebanho e um só pastor. Para o conseguirem, muito importam as virtudes que justamente se apreciam no convívio humano, como são a bondade, a sinceridade, a fortaleza de alma e a constância, o cuidado assíduo da justiça, a delicadeza, e outras que o Apóstolo Paulo recomenda quando diz: “Tudo quanto é verdadeiro, tudo quanto é puro, tudo quanto é justo, tudo quanto é santo, tudo quanto é amável, tudo quanto é de bom nome, toda a virtude, todo o louvor da disciplina, tudo isso pensai” (Fil. 4,8).


=Papa Francisco, Homilia da S. Missa do Crisma (28 de março de 2013)
Amados irmãos e irmãs,

Com alegria, celebro pela primeira vez a Missa Crismal como Bispo de Roma. Saúdo com afecto a todos vós, especialmente aos amados sacerdotes que hoje recordam, como eu, o dia da Ordenação.

As Leituras e o Salmo falam-nos dos “Ungidos”: o Servo de Javé referido por Isaías, o rei David e Jesus nosso Senhor. Nos três, aparece um dado comum: a unção recebida destina-se ao povo fiel de Deus, de quem são servidores; a sua unção “é para” os pobres, os presos, os oprimidos… Encontramos uma imagem muito bela de que o santo crisma “é para” no Salmo 133: “É como óleo perfumado derramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba, a barba de Aarão, a escorrer até à orla das suas vestes” (v. 2). Este óleo derramado, que escorre pela barba de Aarão até à orla das suas vestes, é imagem da unção sacerdotal, que, por intermédio do Ungido, chega até aos confins do universo representado nas vestes.

As vestes sagradas do Sumo Sacerdote são ricas de simbolismos; um deles é o dos nomes dos filhos de Israel gravados nas pedras de ónix que adornavam as ombreiras do efod, do qual provém a nossa casula actual: seis sobre a pedra do ombro direito e seis na do ombro esquerdo (cf. Ex 28, 6-14). Também no peitoral estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel (cf. Ex 28, 21). Isto significa que o sacerdote celebra levando sobre os ombros o povo que lhe está confiado e tendo os seus nomes gravados no coração. Quando envergamos a nossa casula humilde pode fazer-nos bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires, que são tantos neste tempo.


Depois da beleza de tudo o que é litúrgico – que não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado –, fixemos agora o olhar na acção. O óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, não se limita a perfumá-lo a ele, mas espalha-se e atinge “as periferias”. O Senhor dirá claramente que a sua unção é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados. A unção, amados irmãos, não é para nos perfumar a nós mesmos, e menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso... e o coração amargo.

O bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo; temos aqui uma prova clara. Nota-se quando o nosso povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, “as periferias” onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé. As pessoas agradecem-nos porque sentem que rezámos a partir das realidades da sua vida de todos os dias, as suas penas e alegrias, as suas angústias e esperanças. E, quando sentem que, através de nós, lhes chega o perfume do Ungido, de Cristo, animam-se a confiar-nos tudo o que elas querem que chegue ao Senhor: “Reze por mim, padre, porque tenho este problema”, “abençoe-me, padre”, “reze para mim”… Estas confidências são o sinal de que a unção chegou à orla do manto, porque é transformada em súplica - súplica do Povo de Deus. Quando estamos nesta relação com Deus e com o seu Povo e a graça passa através de nós, então somos sacerdotes, mediadores entre Deus e os homens. O que pretendo sublinhar é que devemos reavivar sempre a graça, para intuirmos, em cada pedido - por vezes inoportuno, puramente material ou mesmo banal (mas só aparentemente!) -, o desejo que tem o nosso povo de ser ungido com o óleo perfumado, porque sabe que nós o possuímos. Intuir e sentir, como o Senhor sentiu a angústia permeada de esperança da hemorroíssa quando ela Lhe tocou a fímbria do manto. Este instante de Jesus, no meio das pessoas que O rodeavam por todos os lados, encarna toda a beleza de Aarão revestido sacerdotalmente e com o óleo que escorre pelas suas vestes. É uma beleza escondida, que brilha apenas para aqueles olhos cheios de fé da mulher atormentada com as perdas de sangue. Os próprios discípulos – futuros sacerdotes – não conseguem ver, não compreendem: na «periferia existencial», vêem apenas a superficialidade duma multidão que aperta Jesus de todos os lados quase O sufocando (cf. Lc 8, 42). Ao contrário, o Senhor sente a força da unção divina que chega às bordas do seu manto.

É preciso chegar a experimentar assim a nossa unção, com o seu poder e a sua eficácia redentora: nas «periferias» onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus. Não é, concretamente, nas auto-experiências ou nas reiteradas introspecções que encontramos o Senhor: os cursos de auto-ajuda na vida podem ser úteis, mas viver a nossa vida sacerdotal passando de um curso ao outro, de método em método leva a tornar-se pelagianos, faz-nos minimizar o poder da graça, que se activa e cresce na medida em que, com fé, saímos para nos dar a nós mesmos oferecendo o Evangelho aos outros, para dar a pouca unção que temos àqueles que não têm nada de nada.

O sacerdote, que sai pouco de si mesmo, que unge pouco – não digo “nada”, porque, graças a Deus, o povo nos rouba a unção –, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de activar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. A diferença é bem conhecida de todos: o intermediário e o gestor “já receberam a sua recompensa”. É que, não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração; e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de coleccionadores de antiguidades ou então de novidades, em vez de serem pastores com o “cheiro das ovelhas” – isto vo-lo peço: sede pastores com o “cheiro das ovelhas”, que se sinta este -, serem pastores no meio do seu rebanho, e pescadores de homens. É verdade que a chamada crise de identidade sacerdotal nos ameaça a todos e vem juntar-se a uma crise de civilização; mas, se soubermos quebrar a sua onda, poderemos fazer-nos ao largo no nome do Senhor e lançar as redes. É um bem que a própria realidade nos faça ir para onde, aquilo que somos por graça, apareça claramente como pura graça, ou seja, para este mar que é o mundo actual onde vale só a unção - não a função - e se revelam fecundas unicamente as redes lançadas no nome d’Aquele em quem pusemos a nossa confiança: Jesus.

Amados fiéis, permanecei unidos aos vossos sacerdotes com o afecto e a oração, para que sejam sempre Pastores segundo o coração de Deus.

Amados sacerdotes, Deus Pai renove em nós o Espírito de Santidade com que fomos ungidos, o renove no nosso coração de tal modo que a unção chegue a todos, mesmo nas “periferias” onde o nosso povo fiel mais a aguarda e aprecia. Que o nosso povo sinta que somos discípulos do Senhor, sinta que estamos revestidos com os seus nomes e não procuramos outra identidade; e que ele possa receber, através das nossas palavras e obras, este óleo da alegria que nos veio trazer Jesus, o Ungido. Amém.


Os ritos de reposição eucarística podem ser precedidos pela Oração universal.
C: Irmãos caríssimos, unidos na oração como os Apóstolos no cenáculo, peçamos a Deus Pai, por meio do seu Filho Jesus Cristo, que acolha as nossas súplicas, por nós, pela santa Igreja e pelo mundo inteiro. Por isso, digamos com fé: Pai, torna-nos testemunhas autênticas e solícitas do teu amor.

  1. Pelo Santo Padre Francisco, por nosso Bispo N. e por todos os Pastores da Igreja: para que possam ser bons e sábios guias e, firmes na fé, deem a todos testemunho heroico de fidelidade à Palavra de salvação transmitida a eles pelos Apóstolos. Rezemos.

  2. Por todos os sacerdotes: para que as dificuldades do seu ministério não os desencorajem, mas, em vez disso, os estimulem a terem o olhar sempre fixo sobre Aquele que fez da Cruz instrumento de amor da misericórdia divina que transforma o coração de cada homem. Rezemos.

  3. Por todos aqueles que são chamados por Jesus a segui-lo para continuar no mundo a sua obra de salvação: para que, fortes diante das seduções do maligno, respondam com generosidade ao convite do divino Mestre, aprendendo, como os Apóstolos sobre o Tabor, a experimentar a beleza de estar com Ele. Rezemos.

  4. Pelos Reitores dos Seminários e por aqueles que são chamados a formar os candidatos ao ministério sagrado: para que desenvolvam sempre o seu dever com amor paterno, encorajando e ajudando cada jovem a crescer em sabedoria, idade e graça, e a construir sobre os bons talentos que Deus colocou nos seus corações em benefício de todos. Rezemos.

  5. Por todos os fiéis cristãos: para que, em espírito de comunhão e colaboração com todos os ministros, saibam ver neles a misteriosa presença de Jesus Bom Pastor, que chama continuamente a Si as suas ovelhas, e os apoiem constantemente com a oração, a fim de que possam ser para eles, a cada dia, exemplo e segura referência para viver de modo autêntico a fé no Filho de Deus. Rezemos.

  6. A sagrada unção sacramental torna o sacerdote ungido para sempre: para que todos os sacerdotes defuntos possam continuar, juntos a Cristo ascendido à direita do Pai e em união ao Seu santo Sacrifício, a oferta de amor de si mesmos, e preparar assim um lugar ao lado d’Ele na glória a todos aqueles que escutam a Sua voz. Rezemos.

C: Pai, a tua obra de salvação, realizada através de teu Filho, por meio do Espírito, é reflexo do mistério trinitário, que é mistério de amor. Acolhe as nossas orações e ajuda-nos a permanecer sempre fiéis a ti. Nós te pedimos por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Bênção eucarística, Aclamações e reposição do Santíssimo. Canto: Laudate Dominum.
Ao final da celebração, recita-se o ato de confiança e consagração dos sacerdotes à Santíssima Virgem, segundo a fórmula usada por Bento XVI na conclusão do Ano Sacerdotal.
Mãe Imaculada,
neste lugar de graça,
convocados pelo amor do vosso Filho Jesus,
Sumo e Eterno Sacerdote, nós,
filhos no Filho e seus sacerdotes,
consagramo-nos ao vosso Coração materno,
para cumprirmos fielmente a Vontade do Pai.

Estamos cientes de que, sem Jesus,


nada de bom podemos fazer (cf. Jo 15, 5)
e de que, só por Ele, com Ele e n’Ele,
seremos para o mundo
instrumentos de salvação.

Esposa do Espírito Santo,


alcançai-nos o dom inestimável
da transformação em Cristo.
Com a mesma força do Espírito que,
estendendo sobre Vós a sua sombra,
Vos tornou Mãe do Salvador,
ajudai-nos para que Cristo, vosso Filho,
nasça em nós também.

E assim possa a Igreja


ser renovada por santos sacerdotes,
transfigurados pela graça d'Aquele
que faz novas todas as coisas.

Mãe de Misericórdia,


foi o vosso Filho Jesus que nos chamou
para nos tornarmos como Ele:
luz do mundo e sal da terra
(cf. Mt 5, 13-14).

Ajudai-nos,


com a vossa poderosa intercessão,
a não esmorecer nesta sublime vocação,
nem ceder aos nossos egoísmos,
às lisonjas do mundo
e às sugestões do Maligno.

Preservai-nos com a vossa pureza,


resguardai-nos com a vossa humildade
e envolvei-nos com o vosso amor materno,
que se reflete em tantas almas
que Vos são consagradas
e se tornaram para nós
verdadeiras mães espirituais.

Mãe da Igreja,


nós, sacerdotes,
queremos ser pastores
que não se apascentam a si mesmos,
mas se oferecem a Deus pelos irmãos,
nisto mesmo encontrando a sua felicidade.
Queremos,
não só por palavras mas com a própria vida,
repetir humildemente, dia após dia,
o nosso “eis-me aqui”.

Guiados por Vós,


queremos ser Apóstolos
da Misericórdia Divina,
felizes por celebrar cada dia
o Santo Sacrifício do Altar
e oferecer a quantos no-lo peçam
o sacramento da Reconciliação.

Advogada e Medianeira da graça,


Vós que estais totalmente imersa
na única mediação universal de Cristo,
solicitai a Deus, para nós,
um coração completamente renovado,
que ame a Deus com todas as suas forças
e sirva a humanidade como o fizestes Vós.

Repeti ao Senhor aquela


vossa palavra eficaz:
“não têm vinho” (Jo 2, 3),
para que o Pai e o Filho derramem sobre nós,
como que numa nova efusão,
o Espírito Santo.

Cheio de enlevo e gratidão


pela vossa contínua presença no meio de nós,
em nome de todos os sacerdotes quero,
também eu, exclamar:
“Donde me é dado que venha ter comigo
a Mãe do meu Senhor?” (Lc 1, 43).

Mãe nossa desde sempre,


não Vos canseis de nos visitar,
consolar, amparar.
Vinde em nosso socorro
e livrai-nos de todo o perigo
que grava sobre nós.
Com este ato de entrega e consagração,
queremos acolher-Vos de modo
mais profundo e radical,
para sempre e totalmente,
na nossa vida humana e sacerdotal.

Que a vossa presença faça reflorescer o deserto


das nossas solidões e brilhar o sol
sobre as nossas trevas,
faça voltar a calma depois da tempestade,
para que todo o homem veja a salvação
do Senhor,
que tem o nome e o rosto de Jesus,
refletida nos nossos corações,
para sempre unidos ao vosso! Assim seja!

Canto final: Salve Rainha.


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal