Materiais lúdicos – Cultura e folclore da Região Sudeste jongo



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Encontro20.08.2018
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Materiais lúdicos – Cultura e folclore da Região Sudeste
JONGO

Também conhecido como caxambu, o jongo é uma dança coletiva afro-brasileira executada ao som de instrumentos de percussão, principalmente tambores. A dança foi trazida ao Brasil colonial por africanos da etnia banto, que provavelmente viviam em Angola, e se espalhou entre as pessoas escravizadas que trabalhavam nas fazendas de cana-de-açúcar e café da região Sudeste. Hoje, o jongo ainda é praticado nessa região, principalmente no estado do Rio de Janeiro.

Seja em regiões urbanas, seja em regiões rurais, os jongueiros se reúnem em datas festivas diversas, inclusive as religiosas. Para dançar ao som dos tambores (um deles se chama caxumbu), as pessoas se organizam em roda e cantam em coro, sempre respondendo a um puxador, que antecipa os versos das cantigas. Como grande parte das danças folclóricas, o jongo apresenta variações nos passos e, muitas vezes, inclui o elemento coreográfico da umbigada, movimento de um dançarino batendo o próprio ventre contra o ventre de outro dançarino. Os jongueiros usam roupas confortáveis (as mulheres vestem saias rodadas) e alguns dançam descalços.

Trechos cifrados na letra das cantigas de jongo são outra característica dessa manifestação cultural. Na época da escravatura, esses trechos eram um tipo de adivinha, funcionando como um sistema de comunicação secreto entre as pessoas escravizadas, que transmitiam entre si mensagens incompreensíveis para os capatazes das fazendas e o proprietário delas.

Segundo alguns historiadores, o jongo está nas raízes do samba. Em função de sua importância para a cultura brasileira, foi proclamado, em 2005, Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Proposta pedagógica
Explorar com as crianças algumas possibilidades expressivas do jongo e compartilhar com elas informações sobre a origem dessa dança podem promover ricos momentos de integração da turma e de valorização da cultura afro-brasileira.
Primeira etapa
Selecione previamente imagens, vídeos e cantigas sobre o jongo e peça às crianças que se sentem no chão formando uma roda. Se desejarem e se você ou a escola não se opuserem, elas podem tirar os calçados e as meias. Pergunte a elas se sabem o que é jongo e exiba algumas das imagens que selecionou e/ou trechos de vídeos que selecionou e escolheu. Caso alguma criança tenha repertório sobre o tema, incentive-a a relatar suas vivências para os colegas.

Convide as crianças, ainda na formação de roda, a dançar e a cantar ao som de uma cantiga de jongo. Se as crianças estiverem descalças, assegure-se de que nada no chão pode machucá-las. Você pode propor à turma a seguinte dinâmica: uma criança vai para o centro da roda e dança livremente no ritmo da cantiga enquanto as outras batem palmas. Depois, ela chama um colega para ficar no seu lugar, no centro da roda, e os dois trocam de posição – e assim sucessivamente, até que todas as crianças tenham dançado no centro da roda. Para que a dinâmica fique um pouco mais complexa, você pode desafiar as crianças a chamar os colegas por meio de uma leve umbigada. Outra possibilidade é trabalhar o centro da roda com duas crianças, e não apenas uma, para que cada integrante da dupla que estiver dentro da roda dance olhando para o colega e/ou interagindo com ele de algum outro modo.

Depois desses momentos de exploração, retome a roda de conversa e pergunte às crianças o que acharam da música e da dança, se o ritmo lembra o de alguma outra música, e ouça os comentários que surgirem. Então, conte um pouco sobre a origem do jongo para elas, mencionando a vinda de africanos para a região Sudeste do Brasil colonial, e enfatize que o ritmo e a dança do jongo revelam um pouco da cultura desses povos que ajudaram a construir o país.
Dica

Mostre à turma, em um globo terrestre, a localização da África e de países africanos, como Angola – de onde provavelmente vieram as pessoas que difundiram o jongo no Brasil colonial –, e a localização do Brasil. Depois, em um mapa político do Brasil, você pode indicar às crianças quais são os estados que compõem a região Sudeste e onde está o estado onde elas vivem.


Segunda etapa
Reúna a turma e retome a conversa sobre a origem do jongo. Conte às crianças que, na época da escravatura, as cantigas criadas pelas pessoas de origem africana costumavam falar sobre o que acontecia na vida delas e, muitas vezes, continham charadas. Desafie a turma a explicar por que haveria charadas nas cantigas e explique que essa era uma das formas de as pessoas escravizadas se comunicarem sem que os capatazes e os donos de fazenda entendessem o que elas estavam dizendo.

Com a ajuda de um tambor (ou de uma lata ou um balde), proponha uma brincadeira de charadas às crianças. Peça a elas que se sentem diante de você e, antes de dizer as charadas, produza sons ritmados com o tambor. As charadas podem dizer respeito às próprias crianças ou a alguns objetos disponíveis no ambiente, por exemplo:

  • “Venha agora tocar o tambor quem estiver de tênis todo azul!”;

  • “Bata palmas três vezes quem está de camiseta de manga comprida!”;

  • “O que é, o que é? Tem quatro pernas, mas não sabe andar. (a mesa)”.

Em um primeiro momento, comande a dinâmica apresentado as charadas às crianças. Considerando que elas ainda são muito novas, as charadas que demos como exemplo não são complexas: ora são adivinhas que exigem raciocínio (caso da que tem mesa como resposta), ora são frases que se referem a crianças em particular da turma, que estejam usando vestimentas específicas naquele momento; tais frases convidam a turma a observar o ambiente para decifrar de quem se está falando (casos em que se menciona alguém que está de tênis azul ou de camiseta de manga comprida). Prossiga apresentando adivinhas igualmente simples.

Depois de trabalhar com as charadas que apresentou, deixe que as crianças troquem de lugar com você e proponham as charadas também. O tambor, nesses momentos, terá de ser deslocado entre a turma, pois, antes de dizer uma charada, será sempre necessário tocá-lo de modo ritmado, em uma referência ao jongo.

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