Marisa monte encerra turnê e lança disco jotabê Medeiros



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Encontro20.08.2017
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MARISA MONTE ENCERRA TURNÊ E LANÇA DISCO

Jotabê Medeiros

O Estado de São Paulo / Setembro de 1996

A cantora se apresenta até o dia 29 no Palace e usa desenhos do cartunista Carlos Zéfiro na programação visual do novo CD, que chegará às lojas dentro de 15 dias.

Os quadrinhos eróticos do cartunista carioca Carlos Zéfiro (codinome do funcionário público Alcides Caminha, que publicou cerca de 700 histórias entre 1955 e 1970 sob esse pseudônimo), trouxeram dissabores para a cantora Marisa Monte. A Prefeitura de São Paulo mandou colocar tarjas pretas nos seios das pin-ups de Zéfiro, usadas nos outdoors de divulgação do show de Marisa, que já teve mais de 200 apresentações pelo país.

A argumentação é a mesma que levou à restrição nos cartazes da revista Playboy, que chegou a ser multada por exibir suas garotas da capa em outdoors: a Prefeitura informou que as pin-ups desconcentram os motoristas, causando acidentes de trânsito. “É uma grande tolice”, diz a cantora, contrariada.

Apesar das tarjas, Marisa Monte começa amanhã os shows de encerramento da turnê Cor-de-Rosa e Carvão , que teve início há dois anos. Os quadrinhos de Zéfiro são uma das referências do novo trabalho da cantora. Seu novo disco, Barulhinho Bom, que será lançado em 15 dias, tem garotas nuas de Zéfiro nas capas e no material de divulgação, com trabalho gráfico de Gringo Cárdia.

Além da arte gráfica de Zéfiro, Marisa vê uma aproximação entre o alcance popular da obra do cartunista e a música brasileira (uma das coisas que a cantora persegue). Zéfiro/Caminha, além de fazer os mais famosos “catecismos” da década de 60, foi também compositor – é dele a letra de A Flor e o Espinho , em parceria com Nelson Cavaquinho.

“Ele conhecia a estética popular brasileira e era sofisticado à sua maneira”, disse Marisa, que teve a assessoria do cartunista Ota (diretor da Mad nacional) nos assuntos “zefiricos”.

A cantora lança o disco e depois vai ficar fora dos palcos durante um ano. Além do CD duplo, um com gravações ao vivo e outro em estúdio, ela faz também um homevideo com encontros com parceiros como Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, as cantoras da Velha Guarda da Portela e os Novos Baianos.

Com Brown e Antunes ela compôs uma música inédita, feita à moda de um repente, Tem Batom no Dente (“Tem batom no dente/onde tem agudo tem grave/onde tem barriga tem ventre”). Também reuniu, pela primeira vez desde os anos 70, os Novos Baianos para uma performance – Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Dadi e Jorginho Gomes.

Ela gravou ainda Cérebro Eletrônico , canção de Gilberto Gil feita na prisão, em 1967. “O assunto, o fato de que a sensibilidade humana continua insubstituível apesar da tecnologia, continua absolutamente atual”, pondera. Outras preciosidades do repertório: Quantas Lágrimas , de Manacéia, e Para Ver As Meninas , com Paulinho da Viola e Raphael Rabello (esta foi aproveitada de uma gravação, feita antes da morte do violonista).

Além disso, ela gravou três canções de Carlinhos Brown ( Magamalabares, Maracá e Arrepio ) e resgatou umpoema dopoeta mexicano Octávio Paz, que musicara há dez anos: Me Vejo no Que Vejo , com percussão de Naná Vasconcelos. “Eu me identifico com os versos de Paz, que dizem: ‘me vejo no que vejo/é minha criação isso que vejo'”, diz Marisa. “Sou uma pessoa exposta, preciso ter em mente que as pessoas fazem o juízo da gente com seus olhos, seus conceitos”.

A música cujo verso dá nome ao disco é Chuva no Brejo , do primeiro disco de Moraes Moreira. A produção é de Arto Lindsay e de Marisa e a banda inclui os músicos americanos Bernie Worell, tecladista, e Melvin Gibbs, baixista.



Já o show, segundo a cantora, embora tenha a mesma estrutura dos dois últimos anos, terá repertório “60% renovado” em relação ao último show que fez em São Paulo, no final do ano. Ela canta, entre outras coisas, Que Beleza , de Tim Maia e Se Você Pensa , de Roberto Carlos.

O figurino, de Rita Murtinho, que foi definido como “ripongo” na primeira fase da turnê, está mudado. “Continua com cor e brilho”, diz Marisa, que já não vai mais usar sua trança oriental nem as batinhas. Os ingressos para esse final de semana já estão esgotados, o que levou à abertura de um show extra na segunda-feira. A temporada se estende até o dia 29.


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