Manual de Primeiros Socorros 2003 Ministério da Saúde



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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
Quando um acidentado perde o movimento voluntário de alguma
parte do corpo, geralmente ela também perde a sensibilidade no local.
Muitas vezes, porém, o movimento existe, mas o acidentado reclama de
dormência e formigamento nas extremidades. É muito importante o
reconhecimento destas duas situações, como um indício de que há lesão
na medula espinhal. É importante, também, nestes casos tomar muito
cuidado com o manuseio e transporte do acidentado para evitar o
agravamento da lesão. Convém ainda lembrar que o acidentado de histeria,
alcoolismo agudo ou intoxicação por drogas, mesmo que sofra acidente
traumático, pode não sentir dor por várias horas.
A verificação rápida e precisa dos sinais vitais e dos sinais
de apoio é uma chave importante para o desempenho de
primeiros socorros. O reconhecimento destes sinais dá
suporte, rapidez e agilidade no atendimento e salvamento
de vidas.
Asfixia
Introdução
Asfixia pode ser definida como sendo parada respiratória, com o
coração ainda funcionando.
É causado por certos tipos de traumatismos como aqueles que
atingem a cabeça, a boca, o pescoço, o tórax; por fumaça no decurso de
um incêndio; por afogamento; em soterramentos, dentre outros acidentes,
ocasionando dificuldade respiratória, levando à parada respiratória.
Nesse caso, a identificação da dificuldade respiratória pela respiração
arquejante nas vitimas inconscientes, pela falta de ar de que se queixam
os conscientes, ou ainda, pela cianose acentuada do rosto, dos lábios e
das extremidades (dedos), servirá de guia para o socorro à vítima.
Se as funções respiratórias não forem restabelecidas
dentro de 3 a 4 minutos,as atividades cerebrais  cessarão
totalmente, ocasionando a morte.O oxigênio é vital para o
cérebro.
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○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

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Principais Causas
A. Bloqueio da passagem de ar.
Pode acontecer nos casos de afogamento, secreções e espasmos
da laringe, estrangulamento, soterramento e bloqueio do ar causado por
ossos, alimentos ou qualquer corpo estranho na garganta.
B.  Insuficiência de oxigênio no ar.
Pode ocorrer em altitudes onde o oxigênio é insuficiente, em
compartimentos não ventilados, nos incêndios em compartimentos
fechados e por contaminação do ar por gases tóxicos (principalmente
emanações de motores, fumaça densa).
C.  Impossibilidade do sangue em transportar oxigênio.
D.  Paralisia do centro respiratório no cérebro.
Pode ser causada por choque elétrico, venenos, doenças, (AVC),
ferimentos na cabeça ou no aparelho respiratório, por ingestão de grande
quantidade de álcool, ou de substâncias anestésicas, psicotrópicos e
tranqüilizantes.
E.  Compressão do corpo.
Pode ser causado por forte pressão externa (por exemplo,
traumatismo torácico), nos músculos respiratórios.
O sinal mais importante dessa situação é a dilatação das
pupilas.
Primeiros Socorros
· A primeira conduta é favorecer a passagem do ar através da boca
e das narinas
· Afastar a causa.
· Verificar se o acidentado está consciente
· Desapertar as roupas do acidentado, principalmente em volta do
pescoço, peito e cintura.
· Retirar qualquer objeto da boca ou da garganta do acidentado,
para abrir e manter desobstruída a passagem de ar.
· Para assegurar que o acidentado inconsciente continue respirando,
coloque-a na posição lateral de segurança.
· Iniciar a respiração de socorro (conforme relatado a frente), tão
logo tenha sido o acidentado colocado na posição correta. Lembrar que
cada segundo é importante para a vida do acidentado.
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   Capítulo I Geral

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
· Repetir a respiração de socorro tantas vezes quanto necessário,
até que o acidentado de entrada em local onde possa receber assistência
adequada.
· Manter o acidentado aquecido, para prevenir o choque.
· Não dar líquidos enquanto o acidentado estiver inconsciente.
· Não deixar o acidentado sentar ou levantar. O acidentado deve
permanecer deitado, mesmo depois de ter recuperado a respiração.
· Não dar bebidas alcoólicas ao acidentado. Dar chá ou café para
beber, logo que volte a si.
· Continuar observando cuidadosamente o acidentado, para evitar
que a respiração cesse novamente.
· Não deslocar o acidentado até que sua respiração volte ao nor-
mal.
· Remover o acidentado, somente deitado, mas só em caso de ex-
trema necessidade.
· Solicitar socorro especializado mesmo que o acidentado esteja
recuperado.
Ressuscitação   cardío-respiratória
Introdução
A ressuscitação cardío-respiratória (RCR) é um conjunto de medidas
utilizadas no atendimento à vítima de parada cardío-respiratória (PCR). O
atendimento correto exige desde o início, na grande maioria dos casos, o
emprego de técnicas adequadas para o suporte das funções respiratórias
e circulatórias.
A RCR é uma técnica de grande emergência e muita utilidade.
Qualquer interferência ou suspensão da respiração espontânea constitui
uma ameaça à vida. A aplicação imediata das medidas de RCR é uma das
atividades que exige conhecimento e sua execução deve ser feita com
calma e disposição. A probabilidade de execução da atividade de RCR é
bem pequena, porém se a ocasião aparecer, ela pode representar a diferença
entre a vida e a morte para o acidentado.
Podemos definir parada cardíaca como sendo a interrupção
repentina da função de bombeamento cardíaco, que pode ser constatada
pela falta de batimentos do acidentado (ao encostar o ouvido na região
anterior do tórax do acidentado), pulso ausente (não se consegue palpar
o pulso) e ainda quando houver dilatação das pupilas (menina dos olhos),
e que, pode ser revertida com intervenção rápida, mas que causa morte
se não for tratada.

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Chamamos de parada respiratória o cessamento total da respiração,
devido à falta de oxigênio e excesso de gás carbônico no sangue.
Principais Causas
A parada cardíaca e a parada respiratória podem ocorrer por diversos
fatores, atuando de modo isolado ou associado. Em determinadas
circunstâncias, não é possível estabelecer com segurança qual ou quais os
agentes que as produziram. Podem ser divididas em dois grupos, e a
importância desta classificação é que a conduta de quem está socorrendo
varia de acordo com a causa.
· Primárias
A parada cardíaca se deve a um problema do próprio coração,
causando uma arritmia cardíaca, geralmente a fibrilação ventricular. A causa
principal é a isquemia cardíaca (chegada de quantidade insuficiente de
sangue oxigenado ao coração).
São as principais causas de paradas cardíacas em adultos que não
foram vítimas de traumatismos.
· Secundárias
A disfunção do coração é causada por problema respiratório ou por
uma causa externa. São as principais causas de parada cardío-respiratória
em vítimas de traumatismos.
a)Oxigenação deficiente: obstrução de vias aéreas e doenças
pulmonares.
b)Transporte inadequado de oxigênio: hemorragia grave, estado
de choque, intoxicação por monóxido de carbono.
c)Ação de fatores externos sobre o coração: drogas e descargas
elétricas.
No ambiente de trabalho deve-se dedicar especial atenção a trabalhos
com substâncias químicas, tais como o monóxido de carbono, defensivos
agrícolas, especialmente os organofosforados, e trabalhos em eletricidade,
embora o infarto do miocárdio ou um acidente grave possa ocorrer nas
mais variadas situações, inclusive no trajeto residência-trabalho-residência,
ou mesmo dormindo.
A rápida identificação da parada cardíaca e da parada respiratória é
essencial para o salvamento de uma vida potencialmente em perigo. Uma
parada respiratória não resolvida leva o acidentado à parada cardíaca devido
a hipóxia (falta de ar) cerebral e do miocárdio.
Se o coração para primeiro, as complicações serão maiores, pois a
chegada de oxigênio ao cérebro estará instantaneamente comprometida:
os músculos respiratórios perdem rapidamente a eficiência funcional;
ocorre imediata parada respiratória podendo ocorrer lesão cerebral
irreversível e morte.
  Capítulo I Geral

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
A Figura 3 dá uma noção da relação entre o lapso de tempo decorrido
entre a identificação de parada cardío-respiratória e a possibilidade de
sobrevivência, com a instituição dos métodos de suporte básico de vida.
1 min: 98 %                3,5 min: 25%               5 min: 5%
Figura 3 - Probabilidade de Recuperação
Identificação  de  PCR
A parada cardío-respiratória é o exemplo mais expressivo de uma
emergência médica. Somente uma grande hemorragia externa e o edema
agudo de pulmão devem merecer a primeira atenção antes da parada
cardíaca. A identificação e os primeiros atendimentos devem ser iniciados
dentro de um período de no máximo 4 minutos a partir da ocorrência,
pois os centros vitais do sistema nervoso ainda continuam em atividade. A
partir deste tempo, como já vimos, as possibilidades de recuperação
tornam-se escassas. A eficácia da reanimação em caso de parada cardíaca
está na dependência do tempo em que for iniciado o processo de
reanimação, pois embora grande parte do organismo permaneça
biologicamente vivo, durante algum tempo, em tais condições,
modificações irreversíveis podem ocorrer no cérebro, em nível celular. Se
a PCR for precedida de déficit de oxigenação, este tempo é ainda menor.
A ausência de circulação do sangue interrompe a oxigenação dos
órgãos. Após alguns minutos as células mais sensíveis começam a morrer.
Os órgãos mais sensíveis à falta de oxigênio são o cérebro e o coração. A
lesão cerebral irreversível ocorre geralmente após quatro a seis minutos
(morte cerebral). Os acidentados submetidos a baixas temperaturas
(hipotermia) podem suportar períodos mais longos sem oxigênio, pois o
consumo de oxigênio pelo cérebro diminui.
No atendimento de primeiros socorros, durante a aproximação,
devemos observar elementos como imobilidade, palidez e os seguintes

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sinais que identificarão efetivamente uma parada cardío-respiratória, a fim
de iniciarmos o processo de ressuscitação, do qual dependerá a reabilitação
ou não do acidentado. Ao iniciar o atendimento devemos verificar o nível
de consciência, tentando observar as respostas do acidentado aos estímulos
verbais: "Você está bem?". Se o acidentado não responder, comunicar
imediatamente ao atendimento especializado. Posicionar o acidentado em
decúbito dorsal, sobre superfície plana e rígida.
Os seguintes elementos deverão ser observados para a determinação
de PCR:
·Ausência de pulso numa grande artéria (por exemplo: carótida).
Esta ausência representa o sinal mais importante de PCR e determinará o
início imediato das manobras de ressuscitação cardío-respiratória.
·Apnéia ou respiração arquejante. Na maioria dos casos a apnéia
ocorre cerca de 30 segundos após a parada cardíaca; é, portanto, um
sinal relativamente precoce, embora, em algumas situações, fracas
respirações espontâneas, durante um minuto ou mais, continuem a ser
observada após o início da PC. Nestes casos, é claro, o sinal não tem valor.
·Espasmo (contração súbita e violenta) da laringe.
·Cianose (coloração arroxeada da pele e lábios).
·Inconsciência. Toda vítima em PCR está inconsciente, mas várias
outras emergências podem se associar à inconsciência. É um achado
inespecífico, porém sensível, pois toda vítima em PCR está inconsciente.
·Dilatação das pupilas, que começam a se dilatar após 45 segundos de
interrupção de fluxo de sangue para o cérebro. A midríase geralmente se
completa depois de 1 minuto e 45 segundos de PC, mas se apresentar em
outras situações. Deste modo, não utilizar a midríase para diagnóstico da PCR
ou para definir que a vítima está com lesão cerebral irreversível. A persistência
da midríase com a RCR é sinal de mau prognóstico. É um sinal bastante tardio
e não se deve esperar por ele para início das manobras de RCR.
Ressuscitação cardío-respiratória
A - Abertura das vias aéreas
B - Ventilação artificial
C - Suporte circulatório
Apresentamos no Quadro VII e na Figura 4, a seguir, a seqüência de
suporte básico de vida em um adulto, para orientação do pessoal que fará
os primeiros atendimentos emergenciais em casos de acidentes.
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○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
   Capítulo I Geral

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
Quadro VII -  Seqüência de suporte básico de vida em adulto

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   Capítulo I Geral
Figura 4 - Instruções gerais

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
Limitações da Ressuscitação cardío-respiratória
A ressuscitação cardío-respiratória não é capaz de evitar a lesão ce-
rebral por períodos prolongados. Com o tempo (minutos) a circulação
cerebral obtida com as compressões torácicas vai diminuindo
progressivamente até se tornar ineficaz. Durante a ressuscitação cardío-
respiratória a pressão sistólica atinge de 60 a 80 mmHg, mas a pressão
diastólica é muito baixa, diminuindo a perfusão de vários órgãos entre os
quais o coração. As paradas por fibrilação ventricular só podem ser
revertidas pela desfibrilação.
O suporte básico da vida sem desfibrilação não é capaz de manter
a vida por períodos prolongados. A reversão da parada cardío-respiratória
na maioria dos casos também não é obtida, deste modo é necessário se
solicitar apoio ao atendimento especializado com desfibrilação e recursos
de suporte avançado.
Posicionamento para a Ressuscitação cardío-respiratória
a)Do acidentado:
· Posicionar o acidentado em superfície plana e firme.
· Mantê-lo em decúbito dorsal, pois as manobras para permitir a
abertura da via aérea e as manobras da respiração artificial são mais bem
executadas nesta posição.
· A cabeça não deve ficar mais alta que os pés, para não prejudicar
o fluxo sangüíneo cerebral.
· Caso o acidentado esteja sobre uma cama ou outra superfície macia
ele deve ser colocado no chão ou então deve ser colocada uma tábua sob
seu tronco.
· A técnica correta de posicionamento do acidentado deve ser
obedecida utilizando-se as manobras de rolamento.
b)Da pessoa que esta socorrendo:
· Este deve ajoelhar-se ao lado do acidentado, de modo que seus
ombros fiquem diretamente sobre o esterno do acidentado.
Primeiros  Socorros
A conduta de quem socorre é vital para o salvamento do acidentado.
Uma rápida avaliação do estado geral do acidentado é que vai determinar
quais etapas a serem executadas, por ordem de prioridades. A primeira
providência a ser tomada é estabelecer o suporte básico da vida, para tal
o acidentado deverá estar posicionado adequadamente de modo a permitir
a realização de manobras para suporte básico da vida.

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Adotar medidas de autoproteção colocando luvas e máscaras.
O suporte básico da vida consiste na administração de ventilação
das vias aéreas e de compressão torácica externa. Estas manobras de apoio
vital básico constituem-se de três etapas principais que devem ser seguidas:
· desobstrução das vias aéreas;
· suporte respiratório e
· suporte circulatório.
O reconhecimento da existência de obstrução das vias aéreas pode
ser feito pela incapacidade de ouvir ou perceber qualquer fluxo de ar pela
boca ou nariz da vítima e observando a retração respiratória das áreas
supraclaviculares, supra-esternal e intercostal, quando existem movimentos
espontâneos. A obstrução poderá ser reconhecida pela incapacidade de
insuflar os pulmões quando se tenta ventilar a vítima.
A ventilação e a circulação artificiais constituem o atendimento
imediato para as vítimas de PCR. A ventilação artificial é a primeira medida
a ser tomada na RCR. Para que essa ventilação seja executada com sucesso
é necessária à manutenção das vias aéreas permeáveis, tomando-se as
medidas necessárias para a desobstrução.
Nas vítimas inconscientes a principal causa de obstrução é a queda
da língua sobre a parede posterior da faringe.
Como causa ou como conseqüência da PR, pode ocorrer oclusão
da hipofaringe pela base da língua ou regurgitação do conteúdo gástrico
para dentro das vias aéreas. Observar prováveis lesões na coluna cervical
ou dorsal, antes de proceder às recomendações seguintes.
Para manter as vias aéreas permeáveis e promover sua desobstrução,
para tanto colocar o acidentado em decúbito dorsal e fazer a hiper-extensão
da cabeça, colocando a mão sob a região posterior do pescoço do
acidentado e a outra na região frontal. Com essa manobra a mandíbula se
desloca para frente e promove o estiramento dos tecidos que ligam a
faringe, desobstruindo-se a hipofaringe.
Em algumas pessoas a hiper-extensão da cabeça não é suficiente
para manter a via aérea superior completamente permeável. Nestes casos
é preciso fazer o deslocamento da mandíbula para frente. Para fazer isso é
necessário tracionar os ramos da mandíbula com as duas mãos. Por uma
das mãos na testa e a outra sob o queixo do acidentado. Empurrar a
mandíbula para cima e inclinar a cabeça do acidentado para trás ate que o
queixo esteja em um nível mais elevado que o nariz. Desta maneira
restabelece-se uma livre passagem de ar quando a língua é separada da
parte posterior da garganta. Mantendo a cabeça nesta posição, escuta-se
e observa-se para verificar se o acidentado recuperou a respiração. Em
caso afirmativo, coloque o acidentado na posição lateral de segurança.
Em outras pessoas, o palato mole se comporta como uma válvula,
provocando a obstrução nasal expiratória, o que exige a abertura da boca.
  Capítulo I Geral

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
Assim, o deslocamento da mandíbula, a extensão da cabeça e a
abertura da boca são manobras que permitem a obtenção de uma via
supraglótica, sem a necessidade de qualquer equipamento. Além disso,
pode ser preciso a limpeza manual imediata da via aérea para remover
material estranho ou secreções presentes na orofaringe. Usar os próprios
dedos protegidos com lenço ou compressa.
Duas manobras principais são recomendadas para a desobstrução
manual das vias aéreas:
a)Manobra dos Dedos Cruzados
Pressionar o dedo indicador contra os dentes superiores e polegar -
cruzado sobre o indicador - contra os dentes inferiores (Figura 5).
Figura 5 - Varredura digital
b) Manobra de Levantamento da Língua / Mandíbula
Deve ser feita com o acidentado relaxado. Introduzir o polegar
dentro da boca e garganta do acidentado. Com a ponta do polegar, levantar
a base da língua. Com os dedos segurar a mandíbula ao nível do queixo e
trazê-la para frente.
Outra forma prática de desobstruir as vias aéreas é o uso de
pancadas e golpes que são dados no dorso do acidentado em sucessão
rápida. As pancadas são fortes e devem ser aplicadas com a mão em con-
cha entre as escápulas da vítima. A técnica deve ser feita com o paciente
sentado, deitado ou em pé.
Algumas vezes a simples execução de certas manobras é suficiente
para tornar permeáveis as vias aéreas, prevenir ou mesmo tratar uma parada
respiratória, especialmente se a PR, é devida a asfixia por obstrução e esta
é removida de imediato. Em muitos casos, porém, torna-se necessário a
ventilação artificial.

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Suporte  Respiratório
A ventilação artificial é indicada nos casos de as vias aéreas estarem
permeáveis e na ausência de movimento respiratório.
Os músculos de uma pessoa inconsciente estão completamente
relaxados. A língua retrocederá e obstruirá a garganta. Para eliminar esta
obstrução, fazer o que foi descrito anteriormente.
Constatada a permeabilidade das vias aéreas e a ausência de
movimento respiratório, passar imediatamente à aplicação da respiração
boca a boca.
Lembrar de que quando encontrarmos um acidentado inconsciente,
não tentar reanimá-lo sacudindo-o e gritando.
1. Respiração  Boca  a  Boca
Universalmente a ventilação artificial sem auxílio de equipamentos
provou que a respiração boca a boca é a técnica mais eficaz na
ressuscitação de vítimas de parada cardío-respiratória. Esta manobra é
melhor que as técnicas de pressão nas costas ou no tórax, ou o
levantamento dos braços; na maioria dos casos, essas manobras não
conseguem ventilar adequadamente os pulmões.
O ar exalado de quem está socorrendo contém cerca de 18% de
oxigênio e é considerado um gás adequado para a ressuscitação desde
que os pulmões da vítima estejam normais e que se use cerca de duas
vezes os volumes correntes normais.
Para iniciar a respiração boca a boca e promover a ressuscitação
cardío-respiratória, deve-se obedecer a seguinte seqüência:
·Deitar o acidentado de costas.
·Desobstruir as vias aéreas. Remover prótese dentária (caso haja),
limpar sangue ou vômito.
·Pôr uma das mãos sob a nuca do acidentado e a outra mão na
testa.
· Inclinar a cabeça do acidentado para trás ate que o queixo fique
em um nível superior ao do nariz, de forma que a língua não impeça a
passagem de ar, mantendo-a nesta posição.
·Fechar bem as narinas do acidentado, usando os dedos polegar e
indicador, utilizando a mão que foi colocada anteriormente na testa do
acidentado.
·Inspirar profundamente.
·Colocar a boca com firmeza sobre a boca do acidentado, vedando-
a totalmente (Figura 6).
·Soprar vigorosamente para dentro da boca do acidentado, até notar
que seu peito está levantando.
  Capítulo I Geral

42
Manual
 
de Primeiros
 Socorros
Figura 6 - Ventilação boca a boca
·Fazer leve compressão na região do estômago do acidentado, para
que o ar seja expelido.

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