Manifesto do movimento estratégico pelo estado laico: em defesa do Estado laico, das liberdades e das lutas pela democracia no Brasil



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MANIFESTO DO MOVIMENTO ESTRATÉGICO PELO ESTADO LAICO:



em defesa do Estado laico, das liberdades e das lutas pela democracia no Brasil

O Movimento Estratégico pelo Estado Laico, tendo se reunido em seminário nacional realizado em Brasília nos dias 26, 27 e 28 de agosto, vem a público se manifestar sobre os desafios a serem enfrentados no marco do Estado democrático brasileiro. Compõem o presente Movimento grupos da sociedade civil de defesa dos direitos humanos compostos por mulheres, população negra, população LGBT, acadêmicos, grupos e organizações religiosas, organizações de ateus e agnósticos, e outros atores sociais legítimos e que devem ser escutados em suas próprias crenças e reivindicações por direitos humanos.

Defendemos a Laicidade por compreender que o respeito à diversidade e à liberdade religiosa, de crença e de consciência só é possível em um Estado Laico, e que esta liberdade seja garantida tanto quanto o combate às intolerâncias. Somente o Estado laico possibilita garantir e proteger tanto a pluralidade de religiões como o direito à manifestação de grupos e indivíduos que não apresentam vínculos com religiões, tais como ateus e agnósticos. A democracia é fortalecida no Estado laico.

No contexto brasileiro, este é um processo ainda em construção. Nesse sentido, o MEEL repudia o avanço, no atual cenário político nacional, de grupos intolerantes que pregam o discurso de discriminação e ódio. Esses grupos, com o objetivo de realizar seus projetos de poder, muitas vezes se revestem do discurso religioso fundamentalista para imprimir sua face racista, machista, homo/lesbo/transfóbica, patriarcal, classista e violenta na disputa de consciências, sentidos e conceitos. Desde uma posição auto-atribuída de superioridade moral, tais grupos deslegitimam a vivência de outros e cometem violações sistemáticas aos direitos de diversos segmentos sociais, se não com a contribuição direta, contando com a conivência do Estado.

Denunciamos ainda o processo de criminalização e os retrocessos no campo dos direitos humanos empreendidos pela atuação da bancada religiosa fundamentalista, aliada, quando convém, aos ruralistas e outras forças conservadoras do Congresso, que minam garantias democráticas já conquistadas por lutas históricas de movimentos sociais. Esses grupos atuam com violência sobre povos de terreiro, promovem o genocídio da população negra e indígena e interferem em liberdades individuais, exercem controle sobre os corpos e a sexualidade das mulheres, em particular no que diz respeito ao aborto e o exercício da orientação sexual e identidade de gênero e tem afetado negativamente a resposta a epidemia de HIV/AIDS.

Levando em consideração este cenário, o MEEL vem alertar a sociedade brasileira e manifestar sua opinião sobre as seguintes iniciativas em curso no âmbito dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário:

- pela aprovação do PLC 122/2006 da criminalização da homo/lesbo/transfobia;

- pela descriminalização do aborto;

- pela liberdade de crença e fim da intolerância e violência contra manifestações religiosas;

- pela implementação integral da Lei nº 10.639 (ensino da história africana e afrobrasileira) e da Lei nº 11.645 (ensino da história dos povos indígenas) e pela criação de políticas públicas de combate e prevenção à homo/lesbo/transfobia nas escolas públicas e privadas;

- pelo julgamento favorável no STF da ação direta de inconstitucionalidade nº 4439, que questiona o ensino religioso nas escolas públicas;

- pelo fim da venda de grade de programação das emissoras de rádio e TV e da concessão de outorgas para confissões religiosas;

- pelo fim da utilização de recursos públicos para o proselitismo e imposição religiosa nas áreas de saúde e educação.

Defendemos a ampla discussão de iniciativas legislativas com a sociedade civil, no contexto de uma reforma política que seja ampla, popular e democrática, de modo que a legislação não represente a visão religiosa e doutrinária de seus legisladores, mas pautando-se nos direitos humanos e na diversidade e pluralidade de concepções de mundo.

Por fim, diante do processo eleitoral em curso no país, vemos com extrema preocupação a proliferação de plataformas baseadas na reprodução de morais religiosas impositivas e discriminatórias. Assim, conclamamos a população brasileira a demonstrar nas urnas seu compromisso com as conquistas no campo dos direitos humanos e em defesa do Estado Laico.

Brasília, 28 de agosto de 2014.

AMB

ABGLT


ABRAWICCA e IBWB

Ação Educativa

CAFLD-Coletivo Autônomo Leila Diniz

Comissão da Verdade UNB

Comunidade Baha’i

Coletivo de Entidades Negras-CEN

Marcha Mundial de Mulheres

Católicas Pelo Direito de Decidir

Coletivo InterVozes

Observatório da Laicidade-OLÉ

Fórum Paranaense das Religiões de Matrizes Africanas

Conselho Federal de Psicologia-CFP

Conectas Direitos Humanos

ANCED


CEDECA-DF

Projeto Legal

CESE

ABIA


H.BOLL

Via Campesina

Coletivo Quilombo

Terreiro Axé Abassá de OguN



MNDH

PLATAFORMA DHESCA



Movimento Pró-Saúde Mental/DF


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