Luz na vida de um jovem: frassati



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Encontro23.01.2017
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Luz entre os homens

LUZ NA VIDA DE UM JOVEM: FRASSATI

Ao falar da luz que deve brilhar diante dos homens, Jesus diz que para isso ela é colocada sobre o alqueire ou no candelabro para poder iluminar um espaço mais amplo. E diz que uma cidade situada sobre o monte não se pode esconder, está muito visível. Um jovem italiano do século XX era amante das montanhas, gostava de alpinismo. Por isso, adoptou como lema da sua vida a frase: “Para o alto”, símbolo do seu empenho em viver para Deus e de amar e ajudar com obras e palavras os outros.

Pier Giorgio Frassati nasceu em Turim (Itália) em 1901, numa família rica. A mãe, Adelaide, era pintora e o pai, Alfredo, foi o fundador de um jornal ainda hoje existente, senador do reino e embaixador da Itália em Berlim. Desde novo, Frassati absorveu o dom da fé que a Igreja lhe oferecia e tornou-se membro activo da comunidade cristã. Embora rico, desfazia-se dos seus bens pessoais para ajudar os outros de modo que tinha sempre pouco dinheiro.

Mesmo contra vontade de seus pais, inseriu-se na Conferência de S. Vicente de Paulo e começou a amar e servir os pobres, nos arredores da sua cidade natal, sem medo de que pudesse ser contagiado com alguma doença das pessoas que visitava. A um amigo que lhe perguntava como podia aguentar os maus cheiros das casas pobres e dos doentes, dizia: “Não te esqueças de que mesmo sendo a casa miserável, tu estás a aproximar-te de Cristo. No meio dos doentes e desafortunados, vejo uma luz peculiar, uma luz que não temos”. Para ele ir a casa dos pobres era visitar Jesus.

Aos 20 anos, inscreveu-se num partido politico que se reclamava dos ideais da democracia cristã. Uma das suas máximas de vida era: “A caridade não é suficiente: precisamos de reformas sociais”. De facto, procurou difundir os ensinamentos sociais do papa Leão XIII, especialmente na sua encíclica “Rerum Novarum” (1891). Escolheu os seus estudos universitários movido pela fé e a caridade: engenharia de minas. O motivo vinha-lhe da observação que fez na Alemanha das graves condições de trabalho dos mineiros: “Quero ajudar o povo nas minas, ser mineiro entre os mineiros”, dizia. Explicava esta sua razão a Luise Rahner, mãe do célebre teólogo alemão Karl Rahner, em casa de quem foi hóspede por algum tempo. A quem, na universidade, lhe observou que ele era “um beato” respondeu com firmeza: “Não, sou cristão!”

Enamorou-se de uma jovem de condição humilde, mas devido aos preconceitos da família e ao risco de divórcio dos pais acabou por renunciar a esse amor convicto de que não poderia destruir uma família para formar outra. Era também um desportista. Praticava especialmente o alpinismo. Utilizava o desporto para convidar outros jovens e partilhar com eles o dom do evangelho. Nas montanhas encontrava especiais condições para reflectir e rezar. Dizia: “Quanto mais alto formos, melhor nós ouviremos a voz de Cristo”.

Entretanto, contraiu uma doença que, não descoberta e tratada a tempo, acabou por o conduzir à morte em 1925, quando tinha apenas 24 anos. Um deputado escreveu sobre ele no próprio diário: “O melhor homem do mundo está morto”. No funeral, participaram milhares de pessoas, de tal modo que os pais ficaram espantados por verem o seu filho tão querido e conhecido de tanta gente. Foi beatificado em 1990. João Paulo II denominou-o o “homem das oito bem-aventuranças” e nomeou-o padroeiro dos desportistas.

Numa das suas cartas, escreveu o resumo do que procurou na sua vida: "Nós - que, por graça de Deus, somos católicos - não devemos gastar os anos mais belos da nossa vida como desgraçadamente fazem tantos jovens infelizes que se preocupam em gozar os bens terrenos e não produzem nada de bom, mas que apenas fazem frutificar a imoralidade da nossa sociedade moderna. Devemos treinar-nos, a fim de estar prontos para travar as lutas que, seguramente, teremos de combater pela realização do nosso programa e para assim darmos à nossa Pátria, num futuro não muito longínquo, dias mais alegres e uma sociedade moralmente sã. Mas para tudo isto é preciso: a oração contínua para obter de Deus a graça sem a qual as nossas forças são vãs; organização e disciplina para estarmos prontos para a acção no momento oportuno e, finalmente, o sacrifício das nossas paixões e de nós mesmos, porque sem isso não se pode atingir o objectivo."

O jovem Frassati encontrou ajuda para o crescimento espiritual, a acção apostólica e o empenho social e político na Acção Católica e nas várias organizações católicas de que se fez membro. Santificou-se na vida quotidiana, nas suas exigências e actividades, deixando-se iluminar e mover pela fé cristã e elo amor evangélico.

P. Jorge Guarda



Este artigo pode ser encontrado também no meu blog, no seguinte endereço: http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt


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