Literatura brasileira professora: ana claudia duarte



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CALL- ESCOLA DE PORTUGUÊS

LITERATURA BRASILEIRA

PROFESSORA: ANA CLAUDIA DUARTE

1-(PUC-SP) Em Memórias de um sargento de milícias, considerado como um todo, há uma forte caracterização dos tipos populares entre os quais destaca-se a figura de Leonardo filho. Indique a alternativa que contém dados que caracterizam essa personagem:

A) Narrador das peripécias relatadas em forma de memórias, conforme vem sugerido no título do livro, torna-se exemplo de ascensão das camadas sociais menos privilegiadas.

B) Anti-herói, malandro e oportunista, espécie de pícaro pela bastardia e ausência de uma linha ética de conduta.
C) Herói de um romance sem culpa, representa as camadas populares privilegiadas dentro do mundo da ordem.

D) Representante típico da fina flor da malandragem, ajeita-se na vida, porque protegido do Vidigal, permanece imune às sanções sociais e em momento algum é recolhido à cadeia.

E) Herói às avessas que incorpora a exclusão social, porque, não tendo recebido amparo de nenhuma espécie, não alcança a patente das milícias e se priva de qualquer tipo de herança.

Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-se-me uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim, que é possível crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te.

Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplastro anti hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção do governo para esse resultado, verdadeiramente cristão. Todavia, não neguei aos amigos as vantagens pecuniárias que deviam resultar da distribuição de um produto de tamanhos e tão profundos efeitos. Agora, porém, que estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo: o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas, e enfim nas caixinhas do remédio, estas três palavras: Emplasto Brás Cubas. Para que negá-lo? Eu tinha a paixão do arruído, do cartaz, do foguete de lágrimas. Talvez os modestos me arguam esse defeito; fio, porém, que esse talento me hão de reconhecer os hábeis. Assim, a minha ideia trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra para mim. De um lado, filantropia e lucro; de outro lado, sede de nomeada. Digamos: — amor da glória.

Um tio meu, cônego de prebenda inteira, costumava dizer que o amor da glória temporal era a perdição das almas, que só devem cobiçar a glória eterna. Ao que retorquia outro tio, oficial de um dos antigos terços de infantaria, que o amor da glória era a coisa mais verdadeiramente humana que há no homem, e, conseguintemente, a sua mais genuína feição. Decida o leitor entre o militar e o cônego; eu volto ao emplasto.

Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Globo, 1997, p. 3-4.
2--A partir da leitura do texto acima, assinale a opção correta, considerando as características do Realismo no Brasil.

A) A análise crítica da sociedade da época, em destaque no texto, é marcada por acentuada idealização.

B) O diálogo com o leitor, característico dos textos machadianos, presta-se, nesse texto, a indicar o modo como o leitor deve ler o parágrafo imediatamente anterior e fornece orientações específicas a respeito da mudança na situação narrada.

C) A invenção do emplasto denota o cientificismo de Machado de Assis, que constrói personagens tipificados.

D) Machado de Assis, ao contrapor, com ironia, as opiniões do cônego e do militar, revela a crítica à ideia de “amor à glória” do defunto-autor.

E) A incógnita mencionada no primeiro parágrafo refere-se ao problema encontrado na fórmula para a composição do emplasto.

(UFRN-adaptada) As questões 3 e 4 referem-se ao fragmento abaixo, retirado do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis.

Abane a cabeça, leitor; faça todos os gestos de incredulidade. Chegue a deitar fora este livro, se o tédio já não o obrigou a isso antes; tudo é possível. Mas, se não o fez antes e só agora, fio que torne a pegar do livro e que o abra na mesma página, sem crer por isso na veracidade do autor. Todavia, não há nada mais exato. Foi assim mesmo que Capitu falou, com tais palavras e maneiras.”


3- Pode-se afirmar corretamente que

A) o relato de Bentinho, sendo a manifestação de um ser passível de falhas, comprova o equívoco do narrador ao interpretar os fatos.

B) o leitor admite que a narrativa é uma confissão da qual não deve duvidar, uma vez que o autor escreve sobre sua própria vida.

C) as considerações do narrador eliminam a possibilidade de ele estar enganado sobre o fato que o levou a desconfiar de Capitu.

D) o foco narrativo em 1ª pessoa tanto pode levar o leitor a crer no que diz o narrador quanto a duvidar dos fatos narrados.

E) a narrativa em 1ª pessoa torna-se fechada, sem deixar espaço para dúvidas , pois não há ninguém para contestá-la.

4- São dois traços do estilo machadiano presentes no fragmento:

A) metalinguagem – coloquialismo.

B) coloquialismo – intertextualidade.

C) diálogo com o leitor – metalinguagem.

D) intertextualidade – diálogo com o leitor.

E) diálogo com o leitor e digressão.

5-(UFR-RJ)

O despertar do cortiço


Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente, uma aglomeração tumul­tuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas das mãos. As portas das latrinas não descansavam...

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço, São Paulo: Martins, 1968, p. 43.


São características desse texto, consideradas típicas do Naturalismo, entre outras:

A) o idealismo, o comportamento determinista.

B) a ênfase no aspecto material da vida, o comportamento sofisticado.

C) as comparações dos seres humanos com animais, a promiscuidade.

D) a representação objetiva da vida, o endeusamento do ser humano.

E) a fuga à realidade, o positivismo exacerbado.

Leia o fragmento de texto abaixo para responder à questão 6.

Linha reta e linha curva

Feliz Azevedo! À hora em que começa essa narrativa é ele um marido feliz, inteiramente feliz. Casado de fresco, possuindo por mulher a mais formosa dama da sociedade, e a melhor alma que ainda se encarnou ao sol da América, dono de algumas propriedades bem situadas e perfeitamente rendosas, acatado, querido, descansado, tal é o nosso Azevedo, a quem por cúmulo de ventura coroam os mais belos vinte e seis anos.

Deu-lhe a fortuna um emprego suave: não fazer nada. Possui um diploma de bacharel em direito; mas esse diploma nunca lhe serviu; existe guardado no fundo da lata clássica em que o trouxe da faculdade de São Paulo. De quando em quando Azevedo faz uma visita ao diploma, aliás ganho legitimamente, mas é para não o ver mais senão daí a longo tempo. Não é um diploma, é uma relíquia.

ASSIS, Machado de. Contos fluminenses. São Paulo: Editora Martin Claret, 2006, p.137.

Apesar da presença de traços comuns ao Romantismo, na caracterização do personagem Azevedo e de seu mundo, o teor romântico é substituído pelo olhar do narrador machadiano caracterizado por

A) ambiguidade

B) pessimismo.

C) ceticismo.

D) cinismo.

E) ironia.


7- Textos

A um poeta (fragmento) – Olavo Bilac

Longe do estéril turbilhão da rua,


Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!


Mas que na forma de disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.”

(...)


Poética(fragmento) Manuel Bandeira

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas


(...)

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
Os dois textos poéticos em análise se contrapõem, ao declararem metalinguisticamente a maneira da composição artística de cada estilo. Sendo assim, percebe-se em

A) “Poética”, a recusa à correção da Lígua Portuguesa, inclusive utilizando coloquialismos inaceitáveis na arte até então.

B)” A um poeta”, um trabalho de ornamento linguístico , estrutural e temático, de maneira que os versos sejam apreciados pelo seu requinte e conteúdo.

C) “A um poeta”, o enclausuramento do poeta – seu afastamento da realidade – a fim de dar ao seu trabalho a perfeição almejada.

D)”Poética”, o desvairismo dos versos e do ensejo de uma linguagem mais coloquial, porém afastada de qualquer estrangeirismo, devido ao caráter nacionalista objetivado.

E) “ A um poeta”, um requinte estrutural que não está em conformidade com o desleixo da linguagem apresentada.


8-(UEMS) Considere o texto pictórico “Invenção Coletiva”, para responder à questão de 8.

René Magritte, Invenção Coletiva, 1935. http://tee.blogs.sapo.pt/tag/ti.

Em análise ao texto pictórico “Invenção Coletiva”, considerando como referência o Surrealismo, pode-se afirmar que esse movimento

A) se faz por meio de obras de arte consideradas pelos artistas como manifestações do subconsciente, absurdas e ilógicas, como por exemplo, as imagens dos sonhos e das alucinações.

B) é regido por dois princípios: a simplificação das formas das figuras, que são apenas sugeridas, e o uso de cores puras e irreais.

C) retrata, em suas pinturas, as formas da natureza como cones, esferas, cilindros e que, ao decomporem os objetos, os artistas não se preocupam em apresentar fielmente a aparência real desses objetos.

D) de tentar interpretar as angústias do homem do início do século XX por meio de linhas e cores, procura expressar as emoções humanas.

E) tem a preocupação de apenas produzir sensações de luz e cor, não se importando com sentimento humano ou com problemática da sociedade moderna.

9-Leia o poema e responda



Momento num café

Quando o enterro passou

Os homens que se achavam no café

Tiraram o chapéu maquinalmente

Saudavam o morto distraídos

Estavam todos voltados para a vida

Absortos na vida

Confiantes na vida

Um, no entanto, se descobriu num gesto largo e demorado

Olhando o esquife longamente

Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade

Que a vida é traição

E saudava a matéria que passava

Liberta para sempre da alma extinta.

Manuel Bandeira

O poema acima foi extraído da obra Estrela da Manhã (1936) de Manuel Carneiro de Souza Bandeira (1886-1968), poeta modernista brasileiro, e traz nos seus versos características de seu movimento literário e obra. Qual alternativa expressa adequadamente as referidas características?

A) emprego do verso livre, aproveitamento de temática cotidiana, poesia simples e direta.

B) linguagem popular, temática política, sensualidade expressa nas escolhas lexicais.

C) temática espiritualizada, consciência da morte, ironia refinada e elaborada.

D) estrutura de um soneto clássico, rimas intercaladas, temas do dia-a-dia.

E) uso da linguagem coloquial, vocabulário rebuscado, versos rimados.



Texto VI

Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é mentira... se é verdade

Tanto horror perante os céus?...

Ó mar! por que não apagas

Co’a esponja de tuas vagas

De teu manto este borrão?...

Astros! noites! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados,

Que não encontram em vós,

Mais que o rir calmo da turba

Que excita a fúria do algoz?...

Quem são? Se a estrela se cala,

Se a vaga à pressa resvala

Como um cúmplice fugaz,

Perante a noite confusa...

Dize-o tu, severa Musa!

Musa libérrima, audaz!

São os filhos do deserto

Onde a terra esposa a luz,

Onde vive em campo aberto

A tribo dos homens nus...

São os guerreiros ousados,

Que com os tigres mosqueados

Combatem na solidão...

Ontem simples, fortes, bravos...

Hoje mísero escravos

Sem ar, sem luz, sem razão...

In: O navio negreiro Castro Alves.


10-É próprio da poesia de Castro Alves tratar do tema da escravidão. Clamando em verso pelos oprimidos, recebeu o epiteto de “O poeta dos escravos”. Tal alcunha justifica-se no poema por meio da linguagem

A) conotativa, que evidencia o aspecto de crônica do cotidiano presente no texto.

B) hiperbólica, para sensibilizar o leitor para a urgência do tema e denunciar as autoridades pela inércia diante da escravidão.

C) referencial, para fazer o leitor assimilar a necessidade de reformas liberais através de uma poesia condoreira.

D) conotativa, que mescla versos ora exclamativos, ora interrogativos, ora reticentes para exprimir ideais libertários.

E) rebuscada de adjetivos macabros que evidenciam elementos próprios do mundo romântico à época do “mal-do-século”.


GABARITO

1-B

2-D

3-D

4-C

5-C

6-E

7-C

8-A

9-A

10-D


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