Liberdade: um conceito efêmero



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Encontro02.08.2017
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LIBERDADE: UM CONCEITO EFÊMERO

O que é liberdade? A possibilidade de não se preocupar com o ato de governar e se entregar as paixões privadas e egoístas? Ou seria o poder de usufruir de seus interesses como consumidor?

Para muitas pessoas envolvidas no cotidiano das comemorações e do tempo livre das férias de verão, a liberdade é a possibilidade de ir e vir, entrar em qualquer lugar e obter recursos financeiros suficientes para não precisar pensar em dinheiro. Ou seja, ser livre seria manter os rituais e as metas da rentabilidade, ano após ano, seguindo regulamentações e obedecendo a prescrições de credibilidade e dos ciclos inevitáveis da vida em sociedade. Mas, qual o limite para o pensamento livre e desarticulador? Viver na zona de conforto é usufruir da liberdade?

Para a filósofa Hannah Arendt [1906-1975] o conceito de liberdade está intimamente ligado aos exercícios das atividades públicas. A razão de ser da política e o seu exercício é a liberdade. Caso mulheres e homens não tivessem a potencialidade de estabelecer sua própria realidade, a política não teria sentido algum. A concepção de liberdade como uma conquista individual pelo livre-arbítrio é um obscurecimento herdado do cristianismo. Enquanto a ideia de liberdade através da conquista da propriedade privada e dos direitos civis é uma naturalização do liberalismo. Por conta disso, tanto a tradição cristã quanto a liberal reforçam a ideia de que a liberdade humana está fora da política. E este aspecto compromete a maneira como o ser humano possa se transformar em sujeitos autônomos, diante da apreensão da realidade onde está inserido.

“O primeiro passo em direção à liberdade não é só mudar a realidade para que ela se encaixe nos seus sonhos. É mudar o modo como você sonha. E, mais uma vez, isso dói, porque todas as satisfações que nós temos vêm dos nossos sonhos” - [Texto de Slavoj Zizek a partir do filme ”Guia Pervertido da Ideologia”, dirigido por Sophie Fiennes].

Durante a revisão dos planos para o ano novo, cabe mantermos uma visão crítica do momento presente. No percurso do esclarecimento, devemos questionar o que nós somos neste contexto de estruturas sociais, desarticulações políticas, mecanismos econômicos e ações particulares enquanto indivíduos. E podemos também procurar novas formas de subjetividade, recusando o tipo de individualidade convencional, através de relações e reconhecimentos interpessoais não restritos à racionalidade e os discursos totalizadores. Quem sabe, um processo de aprendizado para a compreensão de que a liberdade é uma conquista sempre recorrente.



Referência

ARENDT, Hannah. O que é Liberdade? In: Entre o Passado e o Futuro. São Paulo, 2000.



BERLIN, Isaiah. Quatro Ensaios Sobre a Liberdade. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1969, pp. 133-175.


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