Lesados, até quando?



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Encontro20.11.2017
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Lesados, até quando?
Até final dos anos 80 o cidadão quando queria adquirir um carro, dirigia-se a uma concessionária, escolhia aquele que melhor se adequasse ao seu gosto e, principalmente ao seu bolso, preenchia a papelada e saia da concessionária com seu carro novinho e com tudo que tinha direito.
No início dos anos 90 alguém disse que nossos carros não passavam de carroças.
Pronto! Foi o suficiente para nos condenar a um suplício eterno.
A partir de então, os fabricantes deixaram de ser fabricantes, passaram a ser montadoras; os carros deixaram de ser carros e passaram a ser veículos; deixaram de vir completos e passaram a ser montados conforme o bolso do “pato” (no caso, nós).
Até os valores são montados!
Antes, o valor era fixo. Agora, o preço é a partir de.
Você pode adquirir um veículo básico; um básico com ar condicionado; um básico com tintura perolada ou com pintura básica ou, ainda, o básico completo.
Pode adquirir um intermediário com freios ABS, volante esportivo, ar condicionado, direção hidráulica ou um intermediário completo, ou um intermediário básico.
Ainda tem o de luxo e o top de linha.
Para adquirir um top de linha, com tudo que os outro tem e ainda pode escolher a cor e sair da concessionária crente que foi ele quem escolheu seu veículo.
Na realidade todas essa baboseira não passa de subterfúgio das montadoras para ludibriar os “patos”, a receita federal e, principalmente, o Ministério Público que a tudo assiste e nada faz em defesa do consumidor. Aliás, nem deles mesmos que são tão “patos” quanto todos nós!
O “pato” nem percebe que continua a comprar as mesmas carroças fabricadas aqui e que a única coisa que mudou foi que, ele “pato”, paga por uma carroça o preço de um veículo fabricado no país da montadora.
Não sabe ele que “aquilo” que ele chama de seu carro e a montadora de veículo não passa de uma carcaça que se fosse vendido na país de origem da montadora teria um preço pelo menos três vezes mais barato do que os “patos” pagam.
Afinal, caso essas carroças nacionais fossem vendidas na Europa ou na América, teriam de ser acrescidos, pelo menos, cerca de 300 itens e o preço deveria ser, no mínimo, um terço mais barato.
“Carros populares vendidos no Brasil e na América Latina estão 20 anos atrasados, em termos de segurança, em relação aos comercializados na Europa e nos Estados Unidos, segundo testes feitos pelo Latin NCAP. A notícia repercutiu em diversos sites noticiosos estrangeiros, como “The Washington Post” e “Financial Times1


Os mais mal avaliados

Nota*

Chevrolet Celta sem airbag

1

Fiat Novo Uno Evo sem airbag

1

Volkswagen Gol Trend 1.6 sem airbag

1

Peugeot 207 Compact 5p 1.4 sem airbag

1

Ford Ka Fly Viral sem airbag

1




0

* Nota de 0 a 5 para segurança de passageiro adulto

Fonte: Latin NCAP




“Quando pensamos sobre os altíssimos preços dos carros no Brasil, o principal culpado que vem em mente são os tributos. Todo mundo sabe que a carga tributária brasileira é muito elevada e, sem dúvida alguma, compromete o preço dos automóveis.

Entretanto existem alguns indícios sugerindo que a culpa por esse valor ser tão alto é do lucro das montadoras no Brasil. Em nenhum lugar do mundo, que possua um PIB relevante, as montadoras lucram tanto quanto em nosso país.

O intuito deste artigo é mostrar porque o Brasil tem o carro mais caro do mundo e que a culpa não é apenas da carga tributária, e comparar preços de carros no Brasil e nos países vizinhos (Argentina e Chile).

Brasil tem o carro mais caro do mundo

Por quê? Os principais argumentos das montadoras para justificar o alto preço do automóvel vendido no Brasil são a alta carga tributária e a baixa escala de produção. Outro vilão seria o “alto valor da mão de obra”, mas os fabricantes não revelam quanto os salários – e os benefícios sociais – representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por lei.

Alta carga tributária?!

De 1997 até agora, o carro popular teve um acréscimo de 0,9 ponto percentual na carga tributária, enquanto nas demais categorias o imposto diminuiu: o carro médio a gasolina paga 4,4 pontos percentuais a menos. O imposto da versão álcool/flex caiu de 32,5% para 29,2%. No segmento de luxo, o imposto também caiu: 0,5 ponto no carro e gasolina (de 36.9% para 36,4%) e 1 ponto percentual no álcool/flex.

Enquanto a carga tributária total do País, conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, cresceu de 30,03% no ano 2000 para 35,04% em 2010, o imposto sobre veículo não acompanhou esse aumento.

Isso sem contar as ações do governo, que baixaram o IPI (retirou, no caso dos carros 1.0) durante a crise econômica. A política de incentivos durou de dezembro de 2008 a abril de 2010, reduzindo o preço do carro em mais de 5% sem que esse benefício fosse totalmente repassado para o consumidor.

Baixa escala de produção?!

O Brasil fechou 2010 como o quinto maior produtor de veículos do mundo e como o quarto maior mercado consumidor, com 3,5 milhões de unidades vendidas no mercado interno e uma produção de 3,638 milhões de unidades.

Algumas perguntas pertinentes: Três milhões e meio de carros não seria um volume suficiente para baratear o produto? Quanto será preciso produzir para que o consumidor brasileiro possa comprar um carro com preço equivalente ao dos demais países?

A culpa é da margem de lucro das montadoras!

As montadoras têm uma margem de lucro muito maior no Brasil do que em outros países. Uma pesquisa feita pelo banco de investimento Morgan Stanley, da Inglaterra, mostrou que algumas montadoras instaladas no Brasil são responsáveis por boa parte do lucro mundial das suas matrizes e que grande parte desse lucro vem da venda dos carros com aparência fora-de-estrada.

Derivados de carros de passeio comuns, esses carros ganham uma maquiagem e um estilo aventureiro. Alguns têm suspensão elevada, pneus de uso misto, estribos laterais. Outros têm faróis de milha e, alguns, o estepe na traseira, o que confere uma aparência mais esportiva.

Estima-se que o custo de produção desses carros, como o CrossFox, da Volks, e o Palio Adventure, da Fiat, é 5 a 7% acima do custo de produção dos modelos dos quais derivam: Fox e Palio Weekend. Mas são vendidos por 10% a 15% a mais.

Comparação de preços de carros no Brasil, Argentina, México e Chile

A ACARA, Associación de Concessionários de Automotores De La Republica Argentina, divulgou no congresso dos distribuidores dos Estados Unidos (N.A.D.A), em São Francisco, em fevereiro deste ano, os valores comercializados do Corolla em três países: No Brasil o carro custa US$ 37.636,00, na Argentina US$ 21.658,00 e nos EUA US$ 15.450,00.

Outro exemplo de causar revolta: o Jetta é vendido no México por R$ 32,5 mil. No Brasil esse carro custa R$ 65,7 mil.

Quer mais? O Gol I-Motion com airbags e ABS fabricado no Brasil é vendido no Chile por R$ 29 mil. Aqui custa R$ 46 mil.

O Kia Soul, fabricado na Coréia, custa US$ 18 mil no Paraguai e US$ 33 mil no Brasil. Não há imposto que justifique tamanha diferença de preço.

Conclusão

Esse artigo, de forma alguma, vem defender a carga tributária brasileira. Independente do preço final, 30% de tributação é muito alto para um automóvel. Entretanto não faz sentido o preço que pagamos por automóveis no Brasil.

E, pelo visto, a culpa é nossa! Há muito tempo que os preços não são definidos pelo custo do produto. É mercado consumidor quem define o preço. Por que as montadoras baixariam os preços dos carros se continuamos pagando uma fortuna por eles?

Dentre os vários exemplos que dei, o que mais me marcou foi o Gol I-Motion. Se as montadoras dizem que a culpa do alto preço final é dos custos de produção, como pode um carro fabricado no Brasil ser vendido no Chile por um preço 36% menor que no Brasil?!

É difícil deixar de comprar para baixar esses preços, pois muita gente precisa de um carro. Mas é possível passar um ou dois anos a mais com seu automóvel antes de trocá-lo. Ou até, quando for comprar outro veículo, opte por um semi-novo. Além de ajudar seu bolso, ainda pressionará as montadoras a baixar os preços dos carros novos.

Por fim, recomendo a leitura dos textos que foram as principais fontes para este artigo: “Lucro Brasil faz o consumidor pagar o carro mais caro do mundo” e “Por que o carro é mais barato na Argentina e no Chile?2.




1 www.brasileconomico.com.br/

2 Por que o Brasil tem o carro mais caro do mundo?Publicado em 30.06.2011 por Rafael Seabra em Economia




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