Jura em prosa e verso



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Encontro23.08.2017
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JURA EM PROSA E VERSO

MINHAS REFLEXÕES

MINHAS REFLEXÕES SOBRE MINHA VISITA AO MUSEU DA GUERRA

José Jurandi Brito dos Santos


Como vocês podem comprovar pela leitura de outras reflexões publicadas neste site, eu Jura em Prova e Verso vivi dezenas de experiências interessantes. Vejam só esta:
Quarta à Tarde, a turma do 7º ano do Colégio Nobre (Sim, porque eu, o Jura em Prosa e Verso, sendo um nobre, não poderia frequentar outro Colégio), iria visitar o museu. A empolgação e a curiosidade dominava a todos, menos a mim.
Nunca gostei de museu, que para mim era apenas “depósito de coisas velhas”, e com um pouco mais de imaginação poderia definir o museu também como “depósito de assombrações”. Só de entrar em um já dava para sentir um clima carregado na atmosfera.
Mesmo assim entramos, guiados pelo Professor e nos dirigimos para a sala da segunda guerra mundial. Comecei a me sentir pior. Ao bater os olhos nos objetos dos soldados eu já comecei a ver as cenas de horror dos campos de batalha.
Nunca consegui entender a necessidade das guerras. Atirar e matar o soldado inimigo anônimo, que você nem conhece, que nunca lhe fez mal, e até talvez seja uma boa pessoa, um bom pai de família, só para cumprir ordens dos superiores, me parece atitude um tanto incoerente e até doentia.
Tão logo iniciamos a visita à sala da segunda grande guerra mundial, e o professor começou a dar explicações sobre os exércitos que se enfrentavam, comecei a me rebelar:

-Vamos embora, -disse, interrompendo o professor -. Eu não estou me sentindo muito bem. Professor, quero sair deste lugar...


Todos mostraram-se surpresos e desolados com a interrupção, mas o Professor, notando a palidez do meu rosto e minha aflição, resolveu levar-me até o jardim lá fora para respirar um pouco de ar puro.

Entretanto, quando nos dirigíamos para a saída, após todos e o professor saírem, a porta subitamente se fechou e fiquei preso sozinho. Tudo ficou cinza. Ao meu redor só ficaram os bonecos de cera com uniformes camuflados e a artilharia pesada apontada para mim.


-Ei, não me deixem aqui sozinho. Cadê vocês?


Fiquei forçando a porta, em desespero para fugir, quando uma voz disse às minhas costas:


-Covarde! Desertor! Aonde pensa que vai?


Virei-me para ver quem havia dito aquilo, prevendo ser algum amigo me assustando, e um soldado estava ali, em pé, com várias perfurações pelo corpo e sangue coagulado na roupa. Segurava uma metralhadora e parte de seu rosto estava com terríveis queimaduras.


Eu corri para a outra porta, mas ela também estava trancada. O soldado continuou a me ameaçar:


-Não pense em fugir! Vamos fazer aqui e agora um Conselho de Guerra. Você será julgado pelos crimes de traição e deserção, e se for condenado, será sumariamente fuzilado.


Ele vinha em minha direção apontando a arma, e desesperado eu gritava para que alguém me salvasse.


-Salvar você?


Dava para sentir o cheiro de carne queimada apodrecida conforme ele chegava mais perto.


-Você não me salvou quando podia, soldado. Eu morri por sua causa!


-Não! - gritei. -Eu sou só um menino, nunca lutei em nenhuma guerra. Por favor me deixe ir...


Ele ainda insistiu:


-Você não lembra, mas eu sim. Era você quem devia me cobrir para me proteger do fogo inimigo, mas ficou parado lá, como um covarde e em seguida fugiu do local, enquanto eles me acertavam com vários tiros e bombas incendiárias. Você vai pagar por isso!

Por trás do soldado que me acusava ouvi rufar de tambores, vi que militares de todas as patentes, em farrapos, iam aparecendo feridos, sanguinolentos, clamando vingança e justiça contra o traidor e desertor, é claro, eu.
Foi então que me lembrei de alguns sonhos que eu tinha constantemente, sobre abandonar um amigo à morte em um campo de guerra.

Fui acometido por uma pavorosa crise de pânico e terror.


De repente tudo ficou escuro e desmaiei. Acordei com o professor sobre mim, me reanimando, enquanto meus colegas riam e faziam piadinhas.


-Você está bem? O que aconteceu?




Eu estava caído exatamente ao lado da foto em preto e branco de um soldado sorridente exibindo sua arma. Havia uma frase escrita à caneta sobre o papel fotográfico: "Aos heróis a glória! Aos traidores e covardes a morte!".


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