José Renato Ferraz da Silveira (Relações Internacionais-Universidade Federal de Santa Maria) Palavras-chave



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Entre o terror e o medo:

o cinismo americano e a criação do inimigo
José Renato Ferraz da Silveira (Relações Internacionais-Universidade Federal de Santa Maria)
Palavras-chave: Terror. Medo. Televisão. Governos. Estados Unidos.

RESUMO

Este trabalho problematiza a intricada relação entre o terrorismo e os veículos de comunicação, em especial a televisão, e as ações governamentais, legitimando-se a partir da veiculação midiática dos atentados terroristas. Se a estratégia do terrorismo é buscar espalhar o pânico entre a população, a instabilidade social e a desmoralização das forças políticas e militares às quais se opõe, as iniciativas governamentais como negar o oxigênio da publicidade, tanto quanto possível, deveriam ser a atitude padrão e inteiramente racional dos governos. Aliada a esta constatação, ressalta-se a descoberta pelos terroristas – um dos sinais infelizes de barbarização dos nossos tempos – de que o assassinato em massa de homens e mulheres e a veiculação nas telas do mundo têm um valor mais provocador de manchetes do que todos os outros alvos da bomba. Como alerta Hobsbawm (2007, p131), o alcance universal da televisão, desde então, fez com que as ações politicamente mais efetivas não fossem as que visavam os dirigentes políticos, e sim as que buscavam o máximo impacto na divulgação. Daí se extrai a sentença criar o pânico é o desejo implícito de todos os terroristas. O objetivo político deles não é atingido pelo ato de matar, mas mediante a publicidade dada aos seus atos, pois quebra a moral dos cidadãos. Porém, a inquietação neste estudo é esclarecer a razão por que os governos – principalmente o norte-americano, durante a administração George Walker Bush (2001-2009), e a imprensa televisiva, em vez de negarem a publicidade dos atos terroristas, sobretudo nas grandes metrópoles do Ocidente, empenharam-se em gerar um ambiente de alerta total na população. Partimos do pressuposto de que foi para alcançar outros propósitos. Assim, a hipótese do presente trabalho, utilizando-se de pesquisa bibliográfica e de metodologias discursivas – teoria pós-moderna/pós-estruturalista – é identificar os paradoxos, contradições e a articulação da situação de perigo em que o governo estadunidense tenta reviver os terrores apocalípticos da Guerra Fria, quando o singular momento histórico, dos tempos atuais, parece não oferecer possibilidade de criação – invenção – de inimigos; no entanto, presenciamos o articulado discurso da política externa dos Estados Unidos, amparada na lógica dicotômica eu-bem/outro-mal e, por conseguinte, a legitimação da expansão do império global.



1 INTRODUÇÃO
Segundo o pensador Jean-Paul Sartre (1905-1980), todos os homens têm medo. Todos. Aquele que não tiver medo não é normal. Na realidade, não escolhemos ter medo e, menos ainda, ter muito medo. Ora, não temos culpa pelos nossos grandes medos, os medos excessivos, incontroláveis, como também não temos culpa por sermos alérgicos, diabéticos ou asmáticos. De fato, todos podemos sentir medo, na presença de um perigo ou diante de iminência de sua ocorrência.
1.1 O medo e o terror

O medo, como pondera Cristophe André (2007), é uma emoção, por assim dizer, fundamental, ou seja, universal, inevitável e necessária:


Como todas as espécies animais, o ser humano está programado pela natureza e pela evolução para experimentar medo na presença de certas situações. Temos necessidade do medo, pois ele é um sinal de alarme destinado a facilitar nossa vigilância ante os perigos e aumentar assim nossas chances de sobrevivência (ANDRÉ, 2007, p. 13).
Além disso, muitas vezes, o homem teme aquilo que não pode ver ou aquilo que não entende ou não quer entender. O medo provoca o surgimento de diversas outras emoções: ansiedade, angústia, susto, pânico. “Os teóricos consideram que tais fenômenos psicológicos pertencem à família do medo e que devem ser compreendidos em relação a ele” (ANDRÉ, 2007, p. 25).

O pânico, o terror, o susto, são medos cuja característica é a extrema intensidade que os acompanha. Conforme André (2007), esses medos podem advir na ausência de qualquer perigo, simplesmente pela sua lembrança ou pela previsão de que alguma coisa aconteça.

As tenebrosas e sombrias imagens dos atentados de 11 de setembro de 2001 no World Trade Center, em Nova York, resgatam a lembrança de insegurança e impotência frente ao terrorismo.
Os atentados de 11 de setembro teriam provocado uma crise orgânica ao desestabilizarem os significados e as representações que davam sentido à realidade e aos indivíduos. A experiência de perda de sentidos estaria na origem de um trauma coletivo: Noções elementares do tipo “quem somos nós?”, “que mundo é este?” e “para onde vamos?” foram perdidas. A superação do trauma exigiu a reestabilização dos sistemas de significação rompidos em 2001, em especial aqueles que davam sentido à realidade da coletividade. Nesse sentido, interpretamos a “Guerra ao Terror” como uma tentativa de recompor os sentidos de americanidade, razão pelo qual suas articulações seriam autorreferentes (RESENDE, 2011, p. 35).
Nesse sentido, estabelecemos como objetivo promover estudo propedêutico buscando esclarecer e corroborar a seguinte ideia: o medo provocado pelos atentados terroristas e veiculado pelas repetidas imagens sob diversos ângulos – o espetáculo midiático produzido pela TV – reforça o ponto de vista de que criar o pânico é o desejo implícito de todos os terroristas. A constatação com que nos deparamos é a de que o plano deles não é atingido pelo ato de matar, mas por meio da publicidade dada aos seus atos que acaba por quebrar a moral dos cidadãos.

Desta forma, analisamos por que os governos – sobretudo o norte-americano – e a imprensa televisiva, após o 11 de setembro, em vez de negar a publicidade dos atos terroristas, sobretudo nas grandes metrópoles do Ocidente, empenharam-se em gerar um clima de angústia na população. Será para alcançar seus próprios propósitos de legitimar o imperialismo norte-americano? E, paralelamente, criar um novo inimigo? Neste último questionamento, lembramo-nos de Schmitt (1972), para quem a oposição entre amigo e inimigo constitui a essência da política, razão pela qual o discurso constrói seu respectivo regime de verdade em oposição ao do inimigo.

Conforme Resende (2011, p. 46), “a ‘Guerra ao Terror’, ao construir o ‘Outro’ como força antagonista, assegura e legitima o significado da identidade nacional com base em estratégias de disseminação de medo e ansiedade quanto a este mesmo ‘Outro’”.

De certa forma, o Eu americano, para ser restaurado após os atentados, exigiu a construção do Outro não-americano.


2 DESENVOLVIMENTO
Os atentados de 11 de setembro de 2001 perpetrados contra os Estados Unidos, promovidos pela Al Qaeda, provocaram mudanças na agenda internacional, e a temática do terrorismo internacional ganhou relevância sem precedentes.
O 11 de setembro provou que o terrorismo constitui-se em um fator incontrolável, uma força histórica irresistível, mas camuflada e perversa, preparando, na sombra, novos eventos de abominável violência, que não se sabe onde vão explodir, se numa região distante, ou ao nosso lado. Em última instância, é nesse caráter incontrolável e ubíquo (os terroristas agem por toda a parte) que reside a universalidade do terrorismo (KUJAWSKI, 2003, p. 10).
2.1 A guerra ao terror e a redefinição da política externa norte-americana
Se, até então, o terrorismo era tido por muitos como fator esporádico nas relações internacionais, os ataques de 11 de setembro expuseram a vulnerabilidade da superpotência solitária a esses tipos de ato e obrigaram os Estados Unidos a reverem os termos de sua política externa, novamente centrada no tema da segurança internacional: Guerra ao Terror. Como pondera Lozzano (2007, p. 98), “como é que, em 10 de setembro de 2001, não existia uma Guerra ao Terror, mas logo depois, a partir de 11 de setembro de 2001, já existia uma Guerra ao Terror?” Nasser (2009, p. 85) também assinala “a reação americana aos atentados de 11 de setembro – a autoproclamada ‘guerra ao terror’ – deflagrou dois processos simultâneos e indissociáveis”.

De um lado, no âmbito interno, a crescente concentração de poderes discricionários, que o presidente se atribuiu na condição de Comandante em Chefe, em tempos de guerra e em nome da Constituição, embora com a finalidade de operar por cima dela e das garantias de direitos e dos contrapoderes instituídos, alcançou uma escalada de decisões secretas e arbitrárias, referidas ao uso da coerção estatal, que avançaram em direção a um Estado de exceção não declarado, porém efetivo. Conforme caracterização de Gaddis (2002, p. 50), a “mais dramática mudança de macroestratégia norte-americana desde o início da Guerra Fria”.

Por outro lado, no âmbito externo, a colocação em execução de uma estratégia de reposicionamento hegemônico e de revisão unilateral profunda da ordem internacional pós-1945, sustentada pelo predomínio da força militar e não do consenso, infringe o direito internacional e dá as costas às organizações, às práticas multilaterais e até as tradicionais alianças atlânticas.

Os Estados Unidos exerceram o poder global de suspender a lei, os Direitos Humanos e as instituições jurisdicionais internacionais, introduzindo tanto a categoria de combatente inimigo ilegal para os suspeitos de terrorismo quanto o castigo de sua detenção indefinida – ou seja, sem acusação nem julgamento – além de afirmar a supremacia militar permanente e o direito exclusivo de anunciar guerras preventivas sem ameaça de ataque iminente.


O discurso da ‘Guerra ao Terror’ construiu as condições de possibilidade para a legitimação das normas, instituições, costumes e comportamentos até então inconcebíveis. As mudanças políticas que se seguiram foram aceitas como legítimas, naturais e fruto do senso comum devido à rearticulação dos sentidos de americanidade. Mais precisamente, foram percebidas como as únicas aceitáveis. Trata-se, portanto, de poder em sua forma mais pura: o poder que determina o que é possível, que exclui as alternativas das fronteiras de possibilidade da ação humana (RESENDE, 2011, p. 50).
2.2 O terrorismo: a espetacularização da mídia e a criação do outro
Um marco ligado ao terrorismo atual é que ele busca estar na audiência. Conforme vimos enfatizando, criar o pânico é o desejo de todos os terroristas, já que o objetivo político deles não é atingido pelo ato de matar, e sim pela publicidade maciça de seus atos, derrubando a moral dos cidadãos.

Adverte Nye Jr. (2009) que os eventos chocantes são destinados a chamar a atenção, polarizar e provocar reações exageradas em seus alvos. Da mesma forma que na arte marcial do jiu-jítsu, o terrorista é como o lutador mais fraco que consegue a vitória usando a própria força do lutador mais poderoso contra ele mesmo. Em maio de 2004, um vídeo chocante de um ativista da Al Qaeda, Abu Musab Al Zarqawi, decapitando Nicholas Berg no Iraque, foi baixado milhões de vezes pela internet e estimulou a imitação de decapitações por outros grupos.

Hobsbawm (2007) afirma que o perigo real do terrorismo não está no risco causado por alguns punhados de fanáticos anônimos, e sim no medo irracional que suas atividades provocam e que hoje é encorajado tanto pela imprensa quanto por governos insensatos. Este é um dos maiores perigos do nosso tempo, certamente maior do que o dos pequenos grupos terroristas. Vale ressaltar que recente estudo sobre o terrorismo global, feito pelo Departamento de Estado americano em 2005, enumera – 7500 ataques terroristas no mundo inteiro, com 6600 vítimas, o que sugere que muitos dos agressões falharam.

Qual a conclusão que temos a partir desses dados e que racionalmente levaria a uma postura de não veiculação das imagens, ou seja, a uma posição independente e crítica sobre a mídia televisiva e a não oxigenação e publicidade dos atentados terroristas?

Na realidade, o que observamos é que a mídia televisiva tornou-se aliada do Estado norte-americano, porta-voz, principalmente durante os primeiros anos da administração Bush (2001-2009), ou pós 11 de setembro, ao contribuir para a criação de um ambiente de instabilidade, paranoia, “baseado em representações e significados regidos por relações dicotômicas, cujos polos positivos são sempre atribuídos à América e aos americanos” (RESENDE, 2011, p. 46).

Numa situação de anormalidade, perigo, adversidade, o discurso de Guerra ao Terror conforta, dá alívio e certeza ao conclamar os cidadãos para ação, vigilância e zelo e, ao mesmo tempo, intensifica esse clima de medo, ao veicular imagens de atentados terroristas e suposições de novos atentados, propiciando estado de alerta e temor sempre presentes.


A intensa competição por quotas de audiência gera uma obsessão em relação à crise do momento, apresentada geralmente como um drama moral onde se enfrentam o bem e o mal, como um desfecho específico raramente mostrado em termos de desafios históricos de longo prazo. Quando a torrente de excitação acalma, os meios de informação mudam para novos temas de sensação (KISSINGER, 2002, p. 23).
Segundo Resende (2011), é preciso destacar como a Guerra ao Terror representa a América como ator benevolente em um mundo maléfico em essência. De acordo com Hughes (2003, p. 154), trata-se do culto da inocência característico do discurso político norte-americano, que se torna particularmente evidente na política externa. Somam-se a isso identidade, interesses e comportamentos dos americanos apresentados como autoevidentes, quando colocados em relação aos seus opostos necessários: terroristas, tiranos, ditadores, bárbaros e o mal. Como reitera Resende (2011, p. 46): “Vemos, portanto, um discurso autorreferente: um discurso articulado por americanos sobre a América e os americanos em oposição a tudo que não seja não-América e não-americano”.

A mídia televisiva norte-americana reforça a reprodução do discurso autorreferente – atribuindo significado à própria coletividade e a seus membros – reforçando a representação de que a sociedade americana foi vítima de ataques covardes e atos maléficos. Isto nos remete, de forma inescapável, a construções maniqueístas opondo uma nação inocente e vítima ao terrorismo necessariamente culpado e mau. É a famosa representação dicotômica de regaste e adaptação das antigas narrativas e símbolos sobre o confronto entre mocinhos e bandidos, lógica tão evidente nos filmes de faroeste.


Na clássica representação da luta entre o “bem” e o “mal”, a linguagem é empregada para marcar uma linha clara entre o “Eu” americano e o “Outro” terrorista. A representação dos americanos como essencialmente “puros”, “inocentes” e “altruístas” transforma os terroristas em necessariamente “corrompidos”, “vilões”, “maus” e “egoístas”. A estratégia produz a significação de que tudo que os americanos e a América fazem é moralmente certo e bom, enquanto que, devido à oposição àquilo que é “bom”, tudo que os terroristas e o terrorismo fazem é errado e mau. Como consequência, temos uma realidade que não admite explicações alternativas para o comportamento dos terroristas senão sua natureza “má” (RESENDE, 2011, p. 47).
A postura dependente e a disciplina da mídia televisiva em relação ao Estado dão a ele a ideia de protagonismo e exclusividade ao representar a comunidade nacional num incessante processo de produção de diferenças frente ao Outro externo. Em pesquisa sobre a Guerra Fria, Campbell (1998) já havia observado que os textos de política externa norte-americana da época, sobretudo os documentos elaborados e circulados no âmbito do National Security Council, reproduziam uma representação da realidade muito específica. Ele observou a recorrência de articulações como uma América livre e pacífica, ameaçada por uma conspiração internacional e que buscava destruir dignidade, liberdade e valores sagrados do indivíduo, valores concedidos por Deus e que estariam na raiz da civilização ocidental, entre outros significados.

O sistema linguístico empregado na Primeira e Segunda Guerra Mundial, na Guerra Fria e na Guerra ao Terror é o mesmo. Um conjunto de significados, representações, símbolos, mitos e metáforas na linguagem discursiva de política externa, tão eficaz no controle e na disciplinarização do corpo social que sua prática foi institucionalizada. Para Campbell (1998), o Estado, por ser entidade inacabada, engaja-se em um processo permanente de reprodução, buscando situações em que seus problemas estejam expostos ao de fora, ao externo, ao estrangeiro, ao outro, para que possam reafirmar aquilo que pertence ao de dentro/interno/nacional/eu.

Na concepção de Resende (2011, p. 45), pela política externa, nessa arena privilegiada de contatos entre fronteiras, o Estado emprega discursos de medo para converter o externo em ameaça e, assim, reafirmar suas fronteiras morais e espaciais, estabilizando sua própria identidade. Nas palavras de Campbell (1998, p. 13): “a articulação constante do perigo através da política externa é, portanto, não uma ameaça para a identidade ou a existência do Estado, mas sim sua própria condição de possibilidade”.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste estudo, sistematizamos informações compiladas, por meio de pesquisa bibliográfica, em obras do período de 1998-2011, sobre a ênfase midiática norte-americana abordando os atentados terroristas, caracterizando o terrorismo como obra do mal, para que não só os americanos, como também o restante do mundo aceitasse como – pelo menos – razoáveis as atitudes políticas nefastas dos horrores praticados contra esse inimigo tão audaz.

Os eventos do 11 de setembro e a era das relações internacionais inauguraram um novo modo de os Estados Unidos exercerem sua hegemonia, apresentando ao mundo ocidental uma atmosfera de incerteza e instabilidade.

O presente estudo busca, então, revelar que os atentados terroristas, frequentemente, em vez de negar a publicidade de seus atos, sobretudo nas grandes metrópoles do Ocidente, por meio da imprensa televisiva, pareceu empenhar-se em gerar ambiente de alerta total na população, para alcançar seus próprios propósitos de, direta e/ou indiretamente, legitimar a ação imperialista norte-americana.

Nossa análise também sugere que o governo norte-americano buscou reviver os terrores apocalípticos da Guerra Fria, quando o singular momento histórico dos tempos atuais parece não oferecer possibilidade de criação – invenção – de inimigos. Nesse sentido, ratificamos o articulado discurso da política externa norte-americana amparada na lógica dicotômica eu-bem/outro-mal. Trata-se de um discurso que constrói como inevitável um confronto global entre o bem e o mal.

Defendemos com Campbell (1998) que a relação entre identidade e política externa resulta da própria noção de segurança, pois que a questão do perigo não se trata de condição objetiva, mas sim sofreu efeitos de interpretação devidos à divulgação midiática maciça e, por que não dizer, insensata, fantasiosa.

Se nem todos os riscos são iguais, nem podem ser interpretados como perigo, fica evidente o papel da subjetividade na articulação desse mesmo perigo. Ou seja, a criação de uma atmosfera de medo, causada pela imprensa televisiva, reforçou as condições de possibilidade para a legitimação de normas, instituições, costumes e comportamentos até então inconcebíveis, mas que foram percebidas como as únicas aceitáveis.

Sem dúvida, a Guerra ao Terror é resultado de uma nova realidade internacional na qual os Estados Unidos estão diante de um desafio em que não podem ser identificados os adversários principais, e a própria distinção entre amigos e adversários encontra-se nos mais diversos e longínquos rincões.

Concluímos que – por meio do uso abusivo e inconsequente das informações veiculadas – mais uma vez os Estados Unidos fortaleceram seu papel imperialista diante do mundo, intensificado pelo alardeamento do medo, estabilizando sua própria identidade.


REFERÊNCIAS
ANDRÉ, C. Psicologia do medo: como lidar com temores, fobias, angústias e pânicos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.
CAMPBELL, D. Writing security. United States foreign policy and the politics of identity. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1998.
GADDIS, J. L. A grand strategy of transformation, Foreign Policy, New York v. 133, p. 50-57, Nov/Oct., 2002.
HOBSBAWM, E. Globalização, democracia e terrorismo. São Paulo: Cia das Letras, 2007.
HUGHES, R.T. Myths America lives by. Chicago: University of Illinois Press, 2003.
KISSINGER, H. Precisará a América de uma política externa?: uma diplomacia para o século XXI. Lisboa: Gradiva, 2002.
KUJAWSKI, G. de M. Império e terror. São Paulo: Ibrasa, 2003.
LOZZANO, B. J. Sovereign in the state: an essay on trauma and the decision of the war on terror. 2007, Santa Cruz. f. Tese (Doutorado em Ciência Política). University of California, Santa Cruz, CA, EUA, 2007.
NASSER, R (org). Conflitos internacionais em múltiplas dimensões. São Paulo: Editora Unesp: Programa San Tiago Dantas de Pós Graduação, 2009. pp.67-88.
NYE, S. Jr. Conflito e cooperação nas relações internacionais. Trad. Henrique Amat Rego Monteiro. São Paulo: Gente, 2009.
RESENDE, E. S. A. As condições de possibilidade da guerra ao terror: americanidade e puritanismo nas práticas discursivas da política externa norte americana no pós onze de setembro, Século XXI: revista de Relações Internacionais, Porto Alegre, v. 2, n. 2, p. 31-54, jul/dez. 2011.



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