Israel belo de azevedo



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heart) e "mente" (head). 
   
O conceito de razão foi assim reinterpretado a partir de duas percepções. De acordo 
com a primeira, os protestantes aceitam a razão, mas não de modo absoluto, já que ela 
também está condenada pelo pecado. Só com a razão o homem não pode alcançar a salvação. 
Backus o exprimiu muito bem: "os homens freqüentemente colocam o conhecimento 
humano no lugar da fé salvadora no Filho de Deus". [368] 
   
Na segunda, ela foi instrumentalizada, para se tornar utilitária, no sentido que 
William James captaria: a razão deve ser um instrumento e não resposta aos enigmas. A 
razão passa a ser vista como devendo ter um valor prático. [369] 
   
Isto não é propriamente anti-racionalismo ou antiintelectualismo. [370]Antes, é 
apenas uma razão subjugada, que, talvez, não é mais razão. O fato de a teologia americana 
não ter se desenvolvido como aconteceu com as ciências, é porque a ênfase à decisão pessoal 
diante de Cristo tornava a especulação "pura" uma atividade pouco útil. Em certo sentido, a 
apreensão da doutrina, iluminada pela Bíblia, é resultado da ação do Espírito Santo no 
coração do crente. A ênfase era à presença de Deus no coração e não à teorias acerca dele. 
[371] 
   
No entanto, nada mais racional, quase deísta, do que a idéia do pacto. As regras de 
Deus já foram colocadas. Estão no contrato. Estão na Bíblia. Basta segui-las. Este 
seguimento, no entanto, está condicionado à reta interpretação desta Bíblia, o que geraria 
posteriormente o fundamentalismo nas denominações, que não é outra coisa senão a recusa a 
um tipo de racionalismo, baseada na liberdade absoluta, e a afirmação de outro, fundado na 
aceitação de que a verdade está dada.   
   
  
   
. exacerbação da doutrina da natureza espiritual da missão da igreja 
   
Durante o drama da escravidão, o protestantismo precisou se defender das lutas 
intradenominacionais. Neste momento, ele se preparava precisamente para se lançar à obra 
missionária no exterior. Da proibição de discutir o assunto passou-se à restauração da 
teologia patrística, especialmente a de Tertuliano, segundo o qual só os assuntos espirituais 
interessam aos cristãos. 
   
Uma questão intrigante é como os batistas, "revolucionários" na Inglaterra e 
"militantes" na América puritana na defesa de seus princípios se tornaram tão absenteístas, 
assumindo como exclusivamente espiritual a sua tarefa. 
   
É preciso de novo voltar-se ao drama da escravidão, que dividiu praticamente todas 
as denominações. O caso batista, no entanto, ilustra bem a restauração da teologia patrística, 
especialmente a de Tertuliano. 
   
Em 1833, os batistas de Londres enviaram uma carta aos seus irmãos de Boston para 
dizer que a escravidão era "anticristã", "degradante" e gerava miséria, injustiça, crueldade e 
infelicidade. O texto conclamava os batistas americanos a lutar para mudar esse estado de 

coisas. Esses batistas (do norte [372]) responderam, lembrando que a escravidão fôra 
instituída pelos britânicos, contra a expressa vontade dos colonos, e que, como não havia um 
Estado federativo, a nação ficava exonerada da acusação de sustentar a escravidão, que só 
poderia ser extinta pela vontade dos escravagistas. Assim mesmo, havia um grau de união 
entre os batistas nos EUA, que não deveria ser ferida, sob pena de prejuízo para a obra 
missionária. 
   
  
   
"Irmãos de todas as partes do país estão unidos à nossa Convenção Geral e cooperam 
no envio do evangelho aos pagãos. Nossos irmãos sulistas são liberais e zelosos na promoção 
de todo empreendimento santo para a extensão do evangelho. Esses ministros e pessoas 
geralmente têm escravos, não porque todos pensam que a escravidão é certa, mas porque ela 
está firmemente arraigada antes de nascerem e porque crêem que a escravidão não pode ser 
abolida de imediato. Estamos certos de que uma larga parte de nossos irmãos no sul se 
alegrarão em ver algum esquema exeqüível para livrar o país da escravidão". [373] 
   
  
   
Na tradição de Allen, [374]um grupo de batistas não ficou satisfeito e enviou outra 
resposta, não com a assinatura de um "Board", mas de 118 participantes de uma convenção, 
realizada também em Boston, em 1835: 
   
  
   
"Nós não tentamos exonerar a nação da culpa de sustentar a escravidão. (...) Nós 
somos verdadeiramente uma nação culpada diante de Deus, ao ferir os direitos inalienáveis 
de muitos de nossos patrícios. (...) É nosso propósito trabalhar, não com as armas da carne 
mas com o poder de Deus para vencer esta e outras obras da impiedade". [375] 
   
  
   
Na tentativa de evitar a divisão, que veio virulenta assim mesmo, em 1844, a Home 
Mission Society decidiu que discutir o assunto da escravidão era "uma contravenção direta 
da letra e do espírito" dos estatutos da Convenção e, mais, era uma "desnecessária agitação". 
[376] 
   
Esboçava-se aí a teoria da natureza espiritual da igreja, tão estranha à história anterior 
americana. Em 1845, operada a divisão entre os batistas, a Southern Baptist Convention 
estabeleceu: 
   
  
   
"Nossos objetivos, então, são a extensão do reino do Messias e a glória de nosso 
Deus, não a desunião com algum do seu povo, não a manutenção de qualquer forma de 
administração humana ou direitos civis, mas a glória de Deus o crescimento do reino de 
Messias, na promoção do qual não encontraremos necessidade para abrir mão de nossos 
direitos civis. Nós nunca interferiremos com o que é de César. Nós nunca comprometeremos 
o que é de Deus". [377] 
   
  
   
Assim, a motivação religiosa da militância batista determinou sua adesão à teoria da 
natureza espiritual da igreja. A luta pela liberdade religiosa infundira neles a convicção da 
corrupção do Estado (especialmente no caso das colônias, onde os perseguidos ingleses se 
transformaram em perseguidos americanos). Tudo o que queriam, como ensinou Backus, era 
dar a César o que lhe pertencia, o que significa "não incomodar e não ser incomodado". [378] 
   
Agora, que a liberdade estava garantida, a bandeira podia ser arriada. 
   
Todos estes valores se aplicam de modo cabal aos batistas, cuja reflexão e prática 
decorre da mesma já referida entronização do princípio da liberdade religiosa. Afinal, eles 

mesmo se autodefiniram como "um povo que ama o Evangelho e que prega o Evangelho" e 
cuja "missão é manter a espiritualidade, a liberdade da alma e a simplicidade religiosa". [379] 
   
Falta, no entanto, repetir que os batistas nasceram puritanos na Inglaterra e 
continuaram puritanos nos Estados Unidos. O neopietismo, por exemplo, apenas reforçou 
este puritanismo que, evidentemente, também se transformou, para ficar no mesmo lugar. 
   
 
 
   

   
  
   
O MODO PROTESTANTE BRASILEIRO DE PENSAR 
   
  
   
O protestantismo nasceu da liberdade da consciência individual, cuja conseqüência 
política é a liberdade religiosa; do protestantismo é filha a instrução popular, que constitui a 
grande característica, o principal instrumento e a necessidade vital da civilização moderna; 
ao protestantismo está associada (...) uma exuberância de prosperidade industrial, luxuriante 
e vigorosa como a vegetação dos trópicos, em contraste com os países onde os processos de 
governos católicos, aplicados em seu rigor, cansaram as almas e esgotaram a energia moral 
do povo.   
   
(RUI BARBOSA [380]) 
   
  
   
 
Como os primeiros Reformadores europeus, que queriam restaurar o mundo e a igreja, 
reiniciando-os numa nova era de liberdade e progresso, e os primeiros colonos 
norte-americanos, que queriam construir uma civilização sobre a colina abençoada por Deus, 
os primeiros protestantes brasileiros almejavam a conversão de todos os cidadãos como porta 
de entrada para a civilização, contra a barbárie do atraso. 
   
O Brasil foi pensado como tendo sido forjado pela ausência criada pela presença de 
uma Roma distante. A chegada do protestantismo foi interpretado como uma ação do espírito 
de Deus sobre esta cultura, para redimi-la e impulsioná-la ao progresso. 
   
Assim, o nascimento do protestantismo no Brasil faz parte também de um movimento 
histórico, por fatores independentes ligados à descoberta do(s) continente(s) 
latino-americano(s), como natureza a ser explorada, terra a ser cultivada, economia a ser 
perifericizada, cultura a ser dominada e povo a ser convertido. 
   
  
   
PARA UMA TIPOLOGIA GENÉTICA DO PROTESTANTISMO 
   
Por isto, pode-se pensar na introdução do protestantismo no Brasil como fruto de 
cinco aproximações. [381] 
   
A primeira entrada, ocorrida nos séculos 16 e 17, bem poderia caracterizar um certo 
protestantismo de piratas, já que foi contemporânea dos primeiros esforços colonizatórios, 
quando cobiçaram nossas costas navios inlusos, inclusos neles piratas europeus, muitos deles 
protestantes; [382]viajantes, alguns dos quais (como Hans Staden, Alexander von Humboldt, 
Carlos F. P. von Martius, entre outros) protestantes, interessados em estudar 
(cientificamente) a fauna (a humana -- indígena -- inclusive) e a flora da terra; e membros de 
empreendimentos colonizadores heterodoxos: os huguenotes da "França antártica" (1555) e 
os calvinistas da Igreja Evangélica Holandesa do Nordeste (1630-1645). Esses protestantes, 
calvinistas (quase) todos, talvez certos da in-predestinação natural dos trópicos, não 
deixaram qualquer vestígio de comunicação de sua fé. 

   
A segunda, já no século 19, foi um protestantismo de estrangeiros desenvolvido por 
técnicos, funcionários de missões diplomáticas, marinheiros, colportores, etc., para quem era 
providenciado serviço religioso em suas línguas. [383] 
   
O terceiro decorreu na imigração para o Brasil a partir do século 19. Este 
protestantismo de imigração surgiu como uma conseqüência direta do esforço colonizatório, 
por meio do incentivo à vinda de mão-de-obra da Europa para cultivar o solo brasileiro. Esses 
imigrantes eram (muitos) protestantes: ingleses anglicanos (1810) espalhados pela região 
costeira, [384]suíços luteranos no Rio de Janeiro (1824) e alemães luteranos (1863) 
principalmente no sul, nos primórdios; [385]norte-americanos batistas (1870) em São Paulo 
[386]e letos em Santa Catarina (1892) . [387] 
   
Esses protestantes (bem como os estrangeiros), congregados em colônias (muitas 
delas ainda existentes) fechadas ou semi-fechadas, tinham na fé um elemento de sua 
formação, trazendo-a para cá e cultivando-a aqui; [388] conquanto isto pudesse acontecer, 
não a comunicaram aos brasileiros, embora tenham contribuído, só por sua presença, para 
uma aceitação de outra forma de protestantismo posteriormente. 
   
Por certo, devido também a alguma influência do movimento migratório, teve início a 
partir da segunda metade do século 19, um novo tipo de protestantismo, novo não quanto à 
doutrina, mas quanto ao projeto para o Brasil. Este protestantismo de missão estabelecida 
surgiu, portanto, como fruto da iniciativa das sociedades missionárias estabelecidas, que 
enviam e assalariam missionários. Vieram agentes congregacionais (Robert R. Kalley, em 
1855, no Rio de Janeiro), presbiterianos (Ashbel G. Simonton, em 1859, no Rio de Janeiro), 
metodistas (John J. Ranson, em 1878, no Rio de Janeiro), batistas (William B. Bagby e 
Zachary C. Taylor, em 1882, na Bahia) e episcopais (Lucien L. Kinsolving e Watson Morris, 
em 1890, no Rio Grande do Sul). 
   
A última etapa do estabelecimento protestante no Brasil se inicia ainda na República 
Velha, com a chegada de missionários estrangeiros sem um suporte institucional estrangeiro 
regular e, por isto, dispostos a viver "pela fé". [389]Eles acabaram formando igrejas como as 
pioneiras Congregação Cristã no Brasil (fundada por Luigi Francescon, em 1910, no Paraná) 
e Assembléia de Deus (iniciada por Daniel Berg e Gunnar Vingren, em 1910, no Pará). O 
movimento se desenvolveria consideravelmente a partir dos anos 30, com ramificações e 
sub-ramificações. 
   
O estatuto jurídico do protestantismo foi se alterando aos poucos, tendo sido 
permitido no Reinado, tolerado no Império e livre na República. 
   
No final do período colonial, o artigo XII do Tratado do Comércio e Navegação, 
assinado em 1810 por Portugal e Inglaterra, oferecia aos súditos britânicos e aos outros 
estrangeiros uma 
   
  
   
"perfeita liberdade de consciência e licença para assistirem e celebrarem o serviço 
divino em honra do Todo-Poderoso Deus, quer seja dentro de suas casas particulares, quer 
nas suas igrejas e capelas, (...) contanto porém que as sobreditas igrejas e capelas sejam 
construídas de tal modo que externamente se assemelhem a casas de habitação; e também 
que o uso dos sinos não lhes sejam permitido para o fim de anunciarem publicamente as 
horas do serviço divino, [comprometendo-se todos a] se conduzirem com ordem, decência e 
moralidade e de modo adequado aos usos do país, e ao estabelecimento religioso e político". 
[390] 
   
  
   
A Constituição de 1824, para garantir a religião (católica) do Estado, manteve a 

tolerância de 1810. O Código Criminal buscava defender até os cultos acatólicos, proibindo 
que se viesse a "abusar ou zombar de qualquer culto estabelecido" e a se "propagar (...) 
doutrinas que diretamente destruam as verdades fundamentais da existência de Deus e da 
imortalidade da alma", [391]pechas que não se lhe podiam imputar. 
   
O decreto 119-A do governo provisório estabelecia em 1890 que a todas as confissões 
religiosas pertencia "por igual a faculdade de exercerem o seu culto, regerem-se segundo sua 
fé e não serem contrariados nos atos particulares ou públicos", a todos cabendo "o pleno 
direito de se constituírem e viverem coletivamente, segundo o seu credo e a sua disciplina, 
sem intervenção do poder público". [392] 
   
O protestantismo de missão estabelecida (descartadas, pois, as outras formas 
permanecentes: protestantismos de imigração e de missão de fé) viveu uma crise perene de 
identidade, em duas direções: numa, o ser cristão; noutra, o ser brasileiro. 
   
Para simplificar, o Brasil conhece, quanto à matriz motriz, alguns protestantismos: 
   
  
   
. o luteranismo (que são dois: o germano/brasileiro e o 
germano/norte-americano/brasileiro); 
   
. o anglicanismo (que é a Igreja Episcopal do Brasil); 
   
. o presbiterianismo (que são muitos, entre os quais: Igreja Presbiteriana do Brasil, 
Igreja Presbiteriana Independente, Igreja Presbiteriana Renovada, Igreja Presbiteriana 
Unida); 
   
. o congregacionalismo (que é a Igreja Fluminense); 
   
. o movimento batista (em várias convenções, entre as quais a Brasileira e a 
Nacional), e 
   
. o metodismo (na Igreja Metodista do Brasil e outras). 
   
  
   
  
   
Para se desenvolver, o protestantismo organizou a sua pedagogia em torno de quatro 
espaços: o templo (o centro da vida religiosa), a escola (extensão para servir de meio: a 
educação, para a colimação de um fim: a conversão), a praça (palco a partir de onde se atrai 
para a mensagem e para o templo) e o prelo (para a auto e para a hetero-evangelização). 
   
O interesse aqui se centrará neste último meio, através do qual, evidentemente, esses 
protestantismos (exceção para o anabatismo, cuja permanência praticamente se resume ao 
menonismo, presente também no Brasil) ofereceram uma leitura da vida brasileira. Antes, 
porém, é preciso ver os contornos desta ótica, toda (exceto para os casos do luteranismo, e do 
episcopalismo e do anabatismo) urdida no seio do calvinismo euro-americano. 
Presbiterianos, batistas, metodistas e pentecostais (os grupos numericamente mais 
significativos) bebem no mesmo balde de um calvinismo transformado e no qual não há lugar 
real para a teologia da dupla predestinação, mas há para a de um mundo como teatro da glória 
de Deus, que dirige a história fundado em sua soberania. 
   
  
   
LOCUS DO PENSAMENTO PROTESTANTE BRASILEIRO 
   
Embora, de certo modo, o pensamento dos protestantes brasileiros esteja menos nos 
livros dos seus teólogos e mais nos hinos que (muitos) cantam e nos jornais que (poucos) 
lêem, será preciso, para entendê-lo, dirigir o esforço primeiro no sentido da reflexão 
sistematizada e, depois, para a prática desta teologia. 
   
A história da editoração evangélica se confunde com a história do próprio 
protestantismo brasileiro. O início das atividades editoriais coincide com a chegada dos 

primeiros missionários. Esses estrangeiros encontravam em livros, folhetos e jornais o meio 
pelo qual, além de evangelizar e doutrinar, podiam se apresentar ao público brasileiro. O 
paradigma foi sempre o mesmo. A primeira estratégia foi escrever para os jornais regulares já 
existentes. A segunda foi fundar os seus. A terceira foi publicar folhetos e livros. As revistas 
(para uso interno) vieram depois. [393] 
   
Neste século e meio de protestantismo brasileiro, o cenário editorial foi pontuado 
pelo esforço missionário. A produção editorial continua sendo um campo de missão. 
Seguindo o desenvolvimento das denominações, o primeiro momento foi dominado por 
casas editoriais dirigidas por missionários e a serviço das denominações. A Juerp 
(primeiramente Casa Publicadora Batista) é o exemplo típico disto e é a maior editora 
evangélica do país. Num segundo momento, a partir dos anos 60, surgiram missões 
específicas de produção editorial, de que são exemplos as editoras Betânia e Vida, que não 
estão ligadas a nenhuma denominação. Ao mesmo tempo, começaram a aparecer editoras de 
propriedade individual, de que é exemplo a Bom Pastor, de São Paulo. Todas, daquelas a 
estas, afirmam-se existir com a missão de servir às igrejas. 
   
O crescimento editorial ensejou que em 1988 essas publicadoras se organizassem 
numa associação para fins cooperativos. A Associação Brasileira de Editores Cristãos 
(Abec), que só aceita editoras evangelicistas, [394]em 1994, tinha 30 filiados, responsáveis 
por manter em circulação 2.313 livros, além de revistas, jornais e folhetos.   
   
  
   
Essas editoras podem ser assim classificadas: 
   
  
   
  
   
Tabela 1 
   
ORIGEM DAS EDITORAS EVANGÉLICAS 
   
  
   
TIPO                 QUANTO À PROCEDÊNCIA               TÍTULOS 
   
11                              Denominacionais de origem 
estrangeira                              1.171               50,6 
   
  1                              Denominacionais de origem 
brasileira                                    6                   0,2 
   
10                              Interdenominacionais de origem 
estrangeira                                    952               41,2 
   
  4                              Interdenominacionais de origem 
brasileira                                   57               2,5 
   
  5                              Interdenominacionais de propriedade 
individual               127               5,5 
 
 
31                                                                                          TOTAL                             
2.313               100 
   
FONTE: CATÁLOGO ABEC 1994 
   
  
   
Por essa quantificação, verifica-se que 50,9% da produção editorial brasileira é 
controlada por editoras a serviço de denominações. Elas surgiram como fruto da atividade 
missionária, mas hoje são dirigidas por suas denominações, tendo alcançado relativa 
autonomia editorial e plena independência financeira. O segundo grupo é formado por uma 
igreja que surgiu no Brasil e depois constituiu uma editora. O terceiro grupo (41,2%) é 

constituído por editoras de missão, entendidas como filiais de editoras americanas ou como 
estabelecidas no Brasil por entidades estrangeiras. Há um certo grau de autonomia nelas 
também, dependendo de cada situação. No quarto grupo contam-se as editoras nascidas no 
Brasil, mantidas por missões de fé. No quinto grupo, encontram-se as editoras de propriedade 
individual de protestantes.   
   
  
   
Este quadro é útil para se entender as ênfases e a procedência dos títulos. Ao todo, as 
30 editoras ligadas à Abec ofereciam em 1994, afora publicações periódicas, 2.313 títulos 
diferentes. [395]Uma comparação com a produção disponível em 1979, com dados até 1975, 
[396]revela realidades merecedoras de consideração. 
   
  
   
Tabela 2 
   
BIBLIOGRAFIA TEOLÓGICA BRASILEIRA 
   
    COMPARAÇÃO DA PROCEDÊNCIA DOS AUTORES (1979 X 1994) 
   
  
   
PROCEDÊNCIA                              1979                              1994 
   
                                                            Títulos                 %               Títulos                 % 
   
Estrangeiros traduzidos               917               54,2               1.370               59,2 
   
Estrangeiros radicados               215               12,7               110               4,8 
   
Brasileiros                                             561               33,1               764                 33,0 
   
Diversos                                             -               -               69               3,0 
   
TOTAL                                             1.693               100               2.313               100 
   
Fontes: BIBLIOGRAFIA TEOLÓGICA 1979 (ASTE) e CATÁLOGO ABEC (1994) 
   
  
   
Nesses 20 anos, a correlação de origens dos títulos se manteve inalterada, com ligeiro 
crescimento para as traduções. A única mudança foi a redução dos autores estrangeiros 
radicados no Brasil, explicável pelo processo de autonomização dos campos missionários. 
[397]Em 1975, foi possível notar-se que os títulos ligados à teologia (doutrinas e estudos 
bíblicos) eram, em sua grande maioria (79,5%), traduções. Nos outros títulos, o predomínio 
foi menor (63,8%).[398]Em geral, portanto, a produção teológica não passa de traduções 
e/ou adaptações de manuais norte-americanos sem qualquer reflexão nacional, pressuposta a 
supranacionalidade do pensamento. [399] 
   
Na categoria "teologia", os títulos de tratamento bíblico (comentários, introduções, 
etc), que respondem por 49% da produção, estão quantitativamente no mesmo plano dos de 
sistematização teológica (doutrinas gerais e específicas), que representam 48%. Os livros 
voltados para a ética (incluídos os de interpretação da realidade brasileira) são apenas 2,9% 
na categoria. 
   
Os livros devocionais são aqueles voltados para instrução da vida cristã no plano 
individual. Na categoria "educação", estão os livros de orientação sobre o ministério docente 
das igrejas. O total é aparentemente pequeno porque as revistas são o meio por excelência da 
educação religiosa no interior das denominações. 
   
Na categoria "entretenimento" (14,2% do total) estão livros de música, geralmente 
partituras para uso litúrgico (34% na categoria) e infantis (42%), bem como livros de poesia 
(8,5%) e ficção (15,4%). Na categoria "história" estão biografias (64%) e histórias 
denominacionais. 
   
Os livros de auto-ajuda respondem pela imensa maioria dos livros do item 
"psicologia". No levantamento publicado em 1979, todo o item tinha pouco mais de dez 

títulos. Em 1994, eram 271. 
   
  
   
Tabela 3 
   
PRODUÇÃO TEOLÓGICA PROTESTANTE (1994) 
   
     CLASSIFICAÇÃO POR ÁREA DE CONHECIMENTO 
   
ÁREA               TÍTULOS               % 
   
Teologia               824               35,6 
   
Devoção               492               21,3 
   
Educação               16               17,0 
   
Entretenimento               330               14,3 
   
História               170               7,3 
   
Psicologia               271               11,7 
   
Práticos               65               2,8 
   
TOTAL               2.313               100 
   
Fonte: CATÁLOGO DA ABEC 1994 
   
  
   
De qualquer modo, a partir de 1975, o que se nota são comportamentos diferentes a 
partir da extração do grupo religioso. Os mais diretamente preocupados com o social, tanto 
teórica quanto praticamente, são os luteranos da IECLB, os metodistas e os anglicanos. Essas 
denominações são exatamente aquelas caracterizadas por um desenvolvimento teológico 
mais "escolástico", em que os catecismos parecem representar selos finais em longas 
discussões teológicas. Isto, provavelmente, tem tido o efeito de liberar seus teólogos para 
outros vôos. 
   
Todavia, não se pode esquecer que, dadas as condições infra-estruturais 
(especialmente econômicas) da inserção dessas denominações no Brasil, o fazer teológico 
não pode ser circunscrito à produção livresca. Destarte, quem quiser ver a teologia 
protestante no Brasil terá que assistir às aulas ministradas nos seminários, ouvir os sermões 
dominicais e os estudos de meio-de-semana, ler as revistas de treinamento para grupos 
etários específicos e os jornais doutrinário-noticiosos e cantar as canções que aparecem nos 
hinários. 
   
Na primeira parte dos anos 90, havia nos seminários confessionais evangélicos mais 
de seis mil alunos sendo treinados, para atividades pastorais que incluem reflexão teológica, 
por professores formados no Brasil e no exterior, alguns dos quais exclusivamente dedicados 
a este labor. 
   
Nos púlpitos está aquela teologia informal, nascida das necessidades (pelo menos 
imaginadas) concretas das congregações e acompanhada por hinos (alguns) entoados há mais 
de um século a partir de hinários, como "Salmos e Hinos" (congregacional), "Hinário 
Evangélico" (presbiteriano), "Cantor Cristão" (batista) e "Harpa Cristã" (pentecostal), entre 
outros, sem contar as inúmeras canções anônimas e informais que circulam de boca em boca. 
   
E na imprensa, seja nas revistas de treinamento que devem atingir hoje mais de dois 
milhões de exemplares dirigidos, seja nos jornais cuja circulação deve superar os 800 mil, 
está a grande árvore do pensamento teológico, mesmo que, muitas vezes, acidental e 
geralmente assistemática. 
   
  
   
MOMENTOS DA TEOLOGIA PROTESTANTE NO BRASIL 
   
A reflexão teológica dos protestantes no Brasil, levada a cabo por brasileiros e/ou 
missionários no afã de uma autodefinição, pode ser vista como experimentando quatro 

momentos que não se seguem no tempo, mas se interpenetram. 
   
Na teologia protestante brasileira não se pode periodizar, e sim tematizar, porque as 
fases convivem tranqüilamente. Por isto, só didaticamente balizamos cronologicamente a 
tendência, certos de seu não-rigor. 
   
Em termos de ênfase, um quadro acerca dessa produção poderia ser o seguinte: 
   
  
   
Quadro 8 
   
MOMENTOS DA TEOLOGIA PROTESTANTE BRASILEIRA 
   
  
 
 
AUTOCOMPREENSÃO               TEÓLOGO               PRÁTICA                            
  LIVRO                              ANO 
   
Fonte de progresso               Fletcher               Distribuição de Bíblias               Brazil 
and Brazilians               1866 
   
Verdadeiro cristianismo               EC Pereira               Abertura de escolas               O 
problema religioso da A.L.               1920 
   
Fator de mobilização               Shaull               Institutos para 
jovens               Alternativa ao Desespero               1942 
   
Objeto de estudo científico               R. Alves               Pesquisa 
científica               Protestantismo e Repressão               1979 
   
  
   
  
   
Os primeiros pregoeiros das verdades protestantes (apologistas todos de confissão e 
colportores a maioria por profissão) apresentaram-nas como capazes de levar o Brasil ao tão 
desejado progresso social, político e econômico, a partir da disseminação da Bíblia e da 
implantação da pedagogia escolar norte-americana. 
   
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