Israel belo de azevedo



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O Peregrino, de John Bunyan, este intercâmbio se dá numa caminhada áspera, 
marcada por várias outras possibilidades (tentações). Para esse autor, o agir do cristão deve 
ter supremacia sobre o falar da fé. Certo modo, o céu tem que ser conquistado na luta. Como 
diz a personagem principal do romance "a alma da religião é a parte prática". [145]No 
entanto, não se pode esquecer o que Bunyan escreveu sobre Lutero, depois de ler seu 
Comentário de Lutero a Gálatas: 
   
  
   
"Encontrei minha condição em sua experiência de um modo tão amplo e profundo 
como se seu livro tivesse sido escrito direto para o meu coração. Isto me impressionou. (...) 
Eu prefiro este livro de Martim Lutero sobre os Gálatas, afora a própria Bíblia Sagrada, mais 
que todos os livros que tenho visto, como o mais adequado para a consciência quebrantada". 
[146] 
   
  
   
Em geral, na vida privada e comunitária, permanecia o princípio calvinista da busca 
da glória de Deus. Na síntese weberiana, para o calvinista em geral e para o puritano em 
particular, 
   
"o mundo existe para a glorificação de Deus, e somente para este fim. O cristão eleito 
está no mundo apenas para aumentar esta glória, cumprindo seus mandamentos ao máximo 

de suas possibilidades. Mas, Deus requer obras sociais do cristão, porque Ele deseja que a 
vida social seja organizada segundo seus mandamentos, de acordo com aquela finalidade. A 
atividade social do cristão no mundo é primeiramente uma atividade "in majorem gloriam 
Dei". Este caráter é assim partilhado pelo labor especializado em vocações, justificado em 
termos de "amor ao próximo". O que era ele, entretanto, permaneceu uma sugestão 
puramente intelectual, incerta, tornou-se para os calvinistas um elemento característico de 
seu sistema ético. O amor ao próximo desde que só podia ser praticado para a glória de Deus 
e não em benefício da carne -- é expresso, em primeiro lugar, no cumprimento das tarefas 
diárias dadas pela "lex naturae", assumindo então um caráter peculiarmente objetivo e 
impessoal -- aquele de serviço em prol da organização racional do nosso ambiente social. 
Essa organização e o arranjo maravilhosamente cheio de objetivos deste cosmos, tanto 
segundo a Bíblia como para uma intuição natural, são evidentemente destinados por Deus a 
servir à utilidade da raça humana. Isto faz com que o labor a serviço dessa utilidade social 
impessoal surja como promotor da glória de Deus e, portanto, como desejada por Ele". [147] 
   
  
   
Esta meta rege também a eclesiologia e a teoria política puritanas. A eclesiologia 
ficou mais clara com os desdobramentos posteriores, quando se perceptível a distinção de 
propostas, como ilustrado no diagrama a seguir: [148] 
   
 
IGREJA ALTA 
   
  
   
ANGLICANISMO 
   
  
   
CONFORMISTAS 
   
  
   
PURITANOS 
   
  
   
NÃO-SEPARATISTAS 
   
  
   
NÃO-CONFORMISTAS 
   
  
   
BARROWISTAS 
   
  
   
SEPARATISTAS 
   
  
   
BATISTAS 
   
  
   
Os conformistas intentaram inicialmente fazer uma reforma purificadora no interior 
da própria igreja anglicana. Mesmo com as dificuldades posteriores, aceitavam a idéia de 
uma igreja nacional, conceito que tiveram que abandonar pela recusa anglicana. Sua visão foi 
consubstanciada pela Confissão de Fé de Westminster: 
   
"A Igreja Católica, ou Universal, que é invisível, consiste de todo o número de 
eleitos. (...) A Igreja visível, que é também Católica ou Universal sob o evangelho (...), 
consiste de todos os que, através do mundo, professam a verdadeira religião, juntamente com 
seus filhos, e é o reino do Senhor Jesus Cristo, a casa e família de Deus, fora da qual não há 
possibilidade regular de salvação. Esta Igreja Católica tem sido às vezes mais, às vezes 
menos visível. E as igrejas particulares -- que são membros daquela -- são mais ou menos 

puras, de acordo com a doutrina ensinada e esposada. (...) Não há outra cabeça da Igreja 
senão Jesus Cristo; nem pode o papa de Roma ser a sua cabeça em nenhuma hipótese; antes, 
ele é aquele Anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se eleva na Igreja 
contra Cristo e contra tudo que é chamado Deus". [149] 
   
  
   
Os não-conformistas exigiam igrejas locais independentes, formadas por cristãos 
puros, conceito que, depois, seria transformado em exigência de experiência pessoal de 
conversão. Cada congregação deveria escolher e remunerar seus líderes. Alguns chegavam a 
negar a necessidade de alguma forma de clero formal à parte da massa dos crentes, 
[150]preferindo que um leigo bem preparado pregasse no domingo depois de seis dias 
regulares de trabalho. [151]A profissão de fé era um pré-requisito para a admissão na igreja. 
A idéia de pacto estava presente aqui também. [152] 
   
  
   
Entre outros aspectos, defendiam a tolerância para todos os grupos protestantes, razão 
pela qual repeliam a censura eclesiástica e todas as formas de jurisdição eclesiástica. A 
disciplina devia ser mantida internamente às congregações, sem qualquer aval de sanção 
coercitiva externa. Como os puritanos em geral, atribuíam pouca ou nenhuma importância a 
muitos dos sacramentos tradicionais da Igreja. Realmente, se levado a cabo literalmente, o 
que não aconteceu, porque derrotado, cooptado ou alterado, seu programa, como avalia Hill, 
destruiria a Igreja nacional, por deixar a cada congregação a responsabilidade de seus 
próprios negócios. Vitoriosas estas propostas, a Igreja da Inglaterra não teria mais condições 
de moldar a opinião segundo um padrão único, para punir o "pecado" ou para proibir a 
"heresia". [153] 
   
Embora Robert Browne (1550-1633) tenha retornado à Igreja Anglicana oficial, seu 
"Treatise of reformation", de 1582, indicava, entre outras propostas, que os crentes devem se 
unir um ao outro por um pacto voluntário e que nenhuma igreja local deveria ter jurisdição 
sobre a outra. [154] 
   
Uma das primeiras confissões batistas de fé, firmada em Londres em 1644, seguia o 
espírito de Browne, ao estabelecer que 
   
  
   
"igreja é uma companhia de santos visíveis, chamados e separados do mundo pela 
palavra e pelo Espírito de Deus, para a profissão visível de fé do Evangelho, sendo batizados 
para esta fé. (...) Cada igreja tem poder que lhe é dado por Cristo para seu bem-estar, a fim de 
escolherem entre eles pessoas capazes. (...) Ninguém tem o poder de lhes impor estes ou 
aqueles". [155] 
   
  
   
A idéia de congregações locais autônomas aparece também na Declaração de Savoy, 
de 1658, que recusa a idéia de qualquer outra igreja além das comunidades particulares. [156] 
   
Essa visão seria levada ao extremo entre os batistas do sul dos Estados Unidos num 
movimento que ficou conhecido sob o nome de landmarkismo. [157] 
   
A partir desses conceitos, a teoria política dos puritanos também variava de tom. 
[158]Os conformistas não pensavam numa separação entre igreja e estado, mas numa 
cooperação, preservada a liberdade de consciência, conquanto os que ameaçassem a "paz 
externa" e "a ordem de Cristo" poderiam ser chamados a prestar contas ao "magistrado civil". 
A esses magistrados, a Confissão de Westminster autorizava "convocar sínodos, estar 
presente a eles e providenciar para que tudo o que neles seja feito o seja conforme o espírito 
de Deus". [159] 

   
Os não-conformistas queriam uma separação do Estado, inicialmente de modo menos 
radical que os anabatistas alemães e holandeses. Os batistas, no entanto, contribuíram para 
solidificar o princípio da liberdade religiosa. A primeira confissão da nascente corrente dizia 
que o Estado não devia se intrometer em questões religiosas, já que Deus "deu leis e regras 
suficientes, nas suas palavras, para o seu culto". Assim, "acrescentar qualquer outra coisa é 
censurar a Cristo por falta de sabedoria ou fidelidade". 
   
Nesta linha, estabelecia a tarefa do Estado: 
   
  
   
"É dever do magistrado proteger a liberdade das consciências (...) Sem elas, todas as 
outras liberdades nem merecem ser mencionadas. (...) Nem podemos impedir que seja feito o 
que nosso entendimento e consciência nos obriga a fazer. E se os magistrados nos obrigassem 
a fazer de modo diferente, deveríamos comportar-nos de modo passivo perante seu poder. 
(...) É assim que queremos dar a Cristo o que é seu. (...) Se qualquer homem impuser sobre 
nós aquilo que não vemos ser mandado por nosso senhor Jesus Cristo, preferimos morrer (...) 
mil mortes a fazer qualquer coisa (...) contra a luz de nossa consciência". [160] 
   
  
   
Assim, os puritanos parecem ter levado o princípio do sacerdócio de todos os crentes 
a outras conseqüências, especialmente por lhe associaram a doutrina da predestinação ao 
princípio da justificação pela fé, numa diferente valorização da natureza das obras. [161]Em 
termos práticos, como salienta Hill para o protestantismo em geral, mas que se aplica melhor 
aos puritanos, 
   
"os eleitos compreendem os propósitos de Deus e colaboram com eles, e essa 
convicção de uma intimidade com o governante do universo dá-lhes uma tal confiança, uma 
certeza interna, que pode capacitá-los a prosperar neste mundo tanto quanto a conquistar o 
Reino dos Céus". [162] 
   
  
   
Embora atualizando-o, essas concepções continuaram uma parte integrante do 
calvinismo. É bastante problemática a conclusão, a que chegou Hill, de que o sistema 
calvinista faliu completamente no século 16, "como se ele tivesse esgotado sua tarefa 
histórica ao instaurar uma sociedade dominada pela ética protestante". [163] 
   
Tomados os princípios básicos do calvinismo, nota-se que eles continuaram de pé. A 
teologia do pacto era-lhe mais uma adaptação do que um contraponto. 
   
Mesmo o arminianismo, que esmigalhou uma das colunas do edifício calvinista, com 
uma reformulação da doutrina da predestinação, não conseguiu derrubar o prédio todo, 
mesmo porque não o pretendia. 
   
O protestantismo que chegou aos Estados Unidos era calvinista, menos segundo uma 
ortodoxia original e mais segundo a interpretação puritana, que incorporou sem pejo a 
descoberta de Armínio (1560-1609). [164] 
   
Uma comparação sintética entre os ensinos calvinistas e os arminianos ajuda a 
perceber como foi possível esta fusão. 
   
  
   
Quadro 3 
   
EIXOS DO CALVINISMO PURITANO E DO ARMINIANISMO [165] 
   
SÍNTESE               CALVINISMO PURITANO               ARMINIANISMO 
   
SÍNTESE               soberania de Deus               livre-arbítrio 
   
FONTE               Bíblia como extensivamente normativa               regra para a 
teologia e para a vida 

   
ANTROPOLOGIA               incapacidade humana de receber a 
graça               capacidade humana de receber a graça 
   
SOTERIOLOGIA               predestinação experimentada               predestinação 
condicional (infralapsarianismo) 
   
MORALIDADE               taborismo                                             taborismo 
   
ECLESIOLOGIA               igreja como comunidade bíblica da fé               igreja 
como comunidade dos que crêem 
   
TEORIA POLÍTICA               estado como subordinado a Deus               estado como 
subordinado a Deus 
   
  
   
Em síntese, em sua antropologia e soteriologia, Armínio aceitava a idéia da soberania 
de Deus, mas sem o determinismo do calvinismo. Não aceitava, portanto, que Deus 
determina os atos dos seres humanos, que são livres. Deus também era acessível à capacidade 
humana, já que o ser humano reteve a autodeterminação. A prova disso é que criou o homem 
à sua imagem, revelando-se de vários modos até à plenitude por meio de Jesus Cristo. Esta 
revelação é uma indicação de sua boa vontade para com os homens e da capacidade receptiva 
destes. 
   
Assim, a dupla predestinação não pode proceder de Deus, porque lhe rebaixa à 
condição de criatura. Infralapsarianamente, Armínio aceitava uma predestinação 
condicional, o que significa dizer que Deus só predestinou após a queda, a partir da sua 
presciência. Em outras palavras: Deus sabia que o homem iria cair. Deste modo, a 
predestinação decorria do ato humano e nunca de um decreto divinamente pré-estabelecido 
por Deus. Ficava, assim, destacada a responsabilidade da criatura, já que Deus não era o 
autor do pecado. Como era livre e senhor do seu destino, o homem merece o castigo de sua 
escolha. Deus, portanto, podia pedir contas dos seus atos. 
   
Segundo Armínio, o homem salva-se não porque foi eleito, e sim ao contrário; isto é: 
ele se torna eleito por aceitar a Cristo como Salvador. Assim, a eleição é uma decorrência da 
identificação do pecador redimido com a obra do Filho eterno de Deus. [166]Sobre o valor 
das Sagradas Escrituras, Armínio, numa carta, as considerava como "a única regra de pensar 
e falar". Por isto, garantia nunca ter escrito algo contra a palavra de Deus, à qual as igrejas 
deviam submeter sua fé. [167] 
   
A mais perfeita síntese da doutrina arminiana está nos chamados "cinco artigos" dos 
"Remonstrants", de 1610, que, entre outras asserções, afirmavam:   
   
  
   
". Por um eterno e imutável plano em Jesus Cristo", [Deus], "antes que fossem postos 
os fundamentos dos mundo, determinou salvar (...) aqueles que pela graça do Santo Espírito 
crerem neste seu Filho e que pela mesma graça perseverarem na mesma fé e obediência da fé 
até o fim", bem como "deixar sob o pecado e a ira os contumazes e descrentes, e de 
condená-los como alheios a Cristo. (...) 
   
. Jesus Cristo (...) morreu por todos e cada um dos homens, de modo que obteve para 
todos, por sua morte na cruz, reconciliação e remissão dos pecados; contudo (...) ninguém é 
participante desta remissão senão os crentes. 
   
. O homem não possui por si mesmo graça salvadora, nem as obras de sua própria 
livre vontade, de modo que em seu estado de apostasia e pecado para si mesmo e por si 
mesmo não pode pensar nada que seja bom. (...) É necessário que, por Deus em Cristo e 
através de seu Santo Espírito, [ele] seja gerado de novo e renovado em entendimento, 
afeições e vontade e em todas as suas faculdades, para que seja capacitado a entender, pensar 

querer e praticar o que é verdadeiramente bom, segundo a Palavra de Deus. 
   
. A graça não é irresistível". [168] 
   
  
   
Diferentemente, para os puritanos, ainda calvinistas, totalmente depravado (desde o 
pecado de Adão), o homem não pode cooperar para a sua regeneração. Os arminianos 
aceitavam o pressuposto, mas não a sua conseqüência, pelo que insistiam que, apesar de sua 
condição, o homem pode cooperar para a sua regeneração. 
   
Se, para os calvinistas, a eleição era incondicional e não dependia dos méritos 
humanos e a expiação limitada aos predestinados, para os arminianos, o homem caminha 
para Deus e Deus vem ao seu encontro, já que Cristo morreu por todos, pelo que todos podem 
se beneficiar de sua obra de redenção. 
   
Longe deles estava a idéia de aceitar que o homem não consegue resistir à graça de 
Deus. Também recusavam a doutrina calvinista da perseverança dos salvos, assumindo que 
esta perseverança não depende de Deus, por seus decretos, mas dos homens, por suas 
atitudes. 
   
O homem reformado inglês e holandês se movia entre o calvinismo e o calvinismo, 
porque o arminianismo ainda era calvinismo, apesar de seu desvio em alguns pontos. Os 
batistas também eram calvinistas. 
   
  
   
A EXPERIÊNCIA BATISTA 
   
Por pouco conhecida, faz-se útil recordar a história do desenvolvimento dos batistas, 
geralmente provenientes de estratos pobres da sociedade inglesa [169]para entender-lhes o 
pensamento. 
   
Sua gênese e primeiros desenvolvimentos se deram numa Inglaterra 
pré-revolucionária e revolucionário e em meio a uma feroz guerra civil, filha de uma 
compreensão pré-moderna de liberdades públicas. O período que antecedeu a garantia da 
liberdade religiosa (1689) viu o puritanismo, na sua forma presbiteriana, apropriar-se da 
máquina da igreja estatal [170]e do Estado mesmo. No entanto, a Inglaterra teve que 
conviver com transformações que "explodiram o velho puritanismo em muitos fragmentos", 
[171]chocando os ingleses, especialmente em função de algumas idéias políticas e religiosas, 
consideradas avançadas. Neste ambiente, nem sempre era possível distinguir claramente 
independentes, batistas (que eram muito poucos), diggersfamilistsfifth-monarquians
levellersquakersranters e seekers, para horror dos puritanos presbiterianos, liderados 
principalmente por Thomas Cartwright, e queriam (conseguindo-a por um período) uma 
igreja de eclesiologia presbiteriana e não episcopal. Calvinistas na teologia, propunham um 
sistema presbiteriano de governo em que a igreja ficaria sob o controle de um presbitério 
formado por bispos/anciãos com funções espirituais cada igreja local escolheria seus 
ministros. [172] 
   
Os puritanos congregacionais, liderados por Henry Jacob, queriam outro tipo de 
avanço, numa direção mais (agora se pode dizer) democrática. Por isto, pretendiam que cada 
congregação fosse livre da igreja oficial para escolher seu pastor, determinar sua conduta e 
administrar seus negócios. Jacob, por exemplo, foi um dos subscritores da "Petição 
Milenária" (1603) ao rei James II, por mudanças no episcopado. A assinatura custou-lhe 
emigrar para a Holanda, onde foi ministro aos exilados ingleses. Ao voltar, pastoreou uma 
congregação independente em Londres, fundada em 1616. 
   
Ainda mais radicais, os puritanos separatistas recusavam qualquer vínculo com a 
igreja anglicana. Constituídos em duas facções, apareceram ao final do reinado de Elizabeth 

I. Seguindo Robert Browne, os congregacionais sustentavam que os crentes deviam se unir a 
Cristo e uns aos outros para uma aliança voluntária, que os oficiais da igreja deviam ser 
escolhidos pelos membros e que nenhuma congregação deveria ter autoridade sobre outra. 
Por essas idéias, Browne fugiu (1582) para a Holanda, mas, ao regressar, reconciliou-se com 
a igreja oficial e se fez seu ministro, em 1584. 
   
Pouco depois, surgiu outra congregação separatista (1587), liderada por John 
Greenwood, Henry Barrow e John Penry, que também emigrou para a Holanda, onde teria 
Francis Johnson como pastor. Muitos desses barrowistas voltaram depois para a Inglaterra. 
Seus líderes em Londres (Barrow, Greenwood e Penry), tomados como ameaça, foram 
enforcados em 1593. 
   
Mais um grupo apareceu em Gainsborough e Scrooby (1606), liderado por John 
Smyth (c. 1561-1612) [173]e John Robinson (c. 1575-1625), respectivamente. A maioria dos 
de Scrooby emigrou, pastoreada por Robinson, para os EUA (os pioneiros "Pilgrim Fathers") 
no Mayflower (1620). 
   
De Gainsborough, o grupo, pastoreado por John Smyth e que se entendia como "povo 
livre do Senhor", foi perseguido e em 1608 emigrou para Amsterdam, provavelmente com 
recursos de Thomas Helwys (c. 1550-c. 1616). Eles queriam liberdade civil e religiosa, já que 
o momento britânico era de prosperidade na economia. [174]Chegaram em 1608/1609. O 
ex-ministro anglicano, ex-puritano e agora separatista batista concluiu que uma congregação 
só pode ser formada por crentes adultos, batizados segundo a consciência. [175]Por isto, 
sugeriu a Helwys que batizasse a congregação. Com a recusa, o pastor desincumbiu-se da 
tarefa: primeiro, aspergiu-se a si mesmo e depois aos outros membros, inclusive Helwys. Lá, 
encontraram outros grupos separatistas, mas mantiveram sua identidade. 
   
Sobre esses passos, Smyth escreveu, apologeticamente: 
   
  
   
"Que nós deixamos a profissão do puritanismo para o brownismo e do brownismo 
para o verdadeiro batismo cristão não mal ou reprovável em si mesmo, exceto se ficar 
provado que nós deixamos a verdadeira religião. Se nós, entretanto, estando anteriormente 
enganados no caminho do pedobatistério, agora abraçamos a verdade no verdadeiro batismo 
cristão apostólico, então que nenhum homem nos impute isto como erro". [176] 
   
  
   
O grupo original de Gainsborough se dividiu. Desde o início, os imigrantes ficaram 
turbados pela decisão de terem deixado a Inglaterra [177]A maioria do grupo (cerca de 14 
homens e 17 mulheres no primeiro pedido), liderada por Smyth, procurou se unir aos 
menonitas e o conseguiu cinco anos depois, em 1615, menos seu pastor, que foi recusado e 
morreu em 1612. Provavelmente, neste mesmo ano (ou em 1611), sob a influência de Helwys 
(cerca de dez pessoas), o grupo dissidente voltou para a Inglaterra. Antes de regressar, 
preparou uma declaração de fé, em que afirmava o batismo como uma manifestação exterior 
da morte com Cristo e novidade de vida, pelo que não deveria ser ministrado a criança, e 
defendia a independência entre a consciência e lei. Assim, os dissidentes, todos arminianos 
como Smyth, constituíram uma igreja (1612), em Stapfields (nos arredores de Londres), 
considerada a primeira igreja batista em solo inglês, embora batizasse por aspersão. 
   
Esta igreja, dirigida exclusivamente por leigos, sustentava que Cristo morreu 
propiciatoriamente por todos os homens e não apenas para os eleitos (conforme a proposta 
calvinista). Por isto, receberam o nome de batistas gerais (conforme a sugestão arminiana). 
Preso e morto Helwys, a liderança passou para John Murton, defensor também da liberdade 
de consciência. A congregação, que em 1626, tinha quatro outras coirmãs, teve uma vida 

ininterrupta até o final do século 19. As igrejas gerais depois se multiplicaram e se 
caracterizam por uma centralização administrativo-eclesiástica, diferentemente dos batistas 
particulares. Os poucos simpatizantes de 1612 chegaram a 150 em 1626 em cinco igrejas, 
número que chegou a 40 em 1644 e 131 em 1660. [178] 
   
O surgimento dos batistas calvinistas tem uma história mais incerta 
documentalmente. Em 1616, organizou-se em Southwark (Londres) uma congregação 
independente puritana não-separatista, pastoreada por Henry Jacob (1563-1624) até 1622, 
que também fora imigrante em Leyden durante seis anos sob a direção de Robinson. Pouco 
depois, mudou-se definitivamente para os EUA. Seu sucessor, John Lathrop, junto com 30 
membros da igreja, também emigrou em 1634. No seu lugar, ficaram Praise-God Barebone 
(membro do Parlamento de Cromwell) e Henry Jessey (1601-1633). A igreja conheceu várias 
divisões, duas das quais devido ao problema do batismo infantil. Em 1633, Samuel Eaton 
liderou uma delas. Em 1638, John Spilbury, a outra. A dificuldade da primazia pode ser 
resumida no seguinte parágrafo de John Shakespeare: 
   
  
   
"Em 1638, surgiu a primeira igreja batista calvinista, com John Spilbury como pastor, 
tendo Samuel Eaton, Mark Lucar e outros. Ou (...) No mesmo ano, havia duas igrejas batistas 
calvinistas em Londres, uma sob [a liderança] de John Spilbury e a outra sob [a liderança] de 
Samuel Eaton". [179] 
   
  
   
Nas duas igrejas, o batismo, embora de adultos, ainda se fazia por aspersão. Qual a 
melhor forma de o fazer, porém? Um membro da igreja particular (Richard Blunt), certo de 
que a imersão era o modelo neotestamentário, começou a procurar alguém que o imergisse: 
não o encontrando na Inglaterra, viajou para a Holanda, onde um grupo de dissidentes do 
menonismo ("Collegiants") agia assim. Batizado em 1641, voltou à Inglaterra, imergiu a 
Blacklock, mestre da igreja, e ambos batizaram a 51 outros em 1642. Adotada a prática, 
passou para a primeira Confissão de Fé dos batistas particulares, de 1644. Logo, os gerais 
também adotaram a imersão como única forma legítima de se ministrar o batismo. Eles se 
expandiram, formando 47 comunidades em 1644 e 115 em 1660. [180] 
   
Certamente, alguns fatores contribuíram para a solidificação dos grupos batistas. Um 
deles foram os debates em torno da liberdade religiosa (garantida só em 1689), 
transformados numa espécie de estratégia de expansão. Contribuíram para este crescimento. 
Ademais, não se pode esquecer que a maioria provinha de estratos pobres da sociedade. 
[181]Deve ser mencionada aqui também que a perseguição de que foram vítimas também 
contribuiu para forjar sua teoria política de separação entre igreja e estado. Outro fator foi a 
participação no exército e no governo de Cromwell, envolvimento que gerou muita disputa 
no próprio meio batista, vez que alguns consideravam esta proximidade com o poder 
prejudicial à causa da liberdade e enquanto viam-na como uma garantia para ela. [182] 
   
Outro fator para esta expansão e marca distintiva dos batistas, explicativa de parte da 
sua coesão, foi a organização em associações voluntárias de igrejas. [183] 
   
A partir delas se desenvolveu uma consciência propriamente denominacional, 
posteriormente fortalecida nos Estados Unidos. 
   
Assim, por volta de 1655, o título "associação" era bem reconhecido entre os batistas. 
Em 1660, uma Assembléia Geral, ou reunião anual, das igrejas de todas as associações de 
igrejas batistas gerais da Inglaterra foi organizada em Londres. [184] 
   
Resumidos os primeiros momentos dos batistas na Inglaterra, pode-se agora chegar 
ao seu pensamento, como expresso por Smyth, Helwys e as primeiras confissões de fé. 

   
Por volta de 1644, as linhas básicas já estavam definidas, titubeando entre o 
calvinismo e o arminianismo. Em resumo, a teologia batista deste período era 
puritano-calvinista, exceto quanto ao problema da predestinação, área em que não havia 
unanimidade. 
   
Os primeiros batistas eram arminianos. Demonstram-no os ensinos de Smyth, 
expostos numa longa confissão, com mais de 100 artigos, que preparou na Holanda. 
   
Sobre a natureza do homem, cria Smyth que Deus o criou com livre-arbítrio. Ele 
também não aceitava a doutrina da predestinação para a morte, embora Deus tenha previsto o 
caminho da salvação (que "consiste em Cristo") e o da perdição (que "consiste em 
infidelidade e impeninente"). É o sacrifício de Cristo na cruz que nos reconcilia com Deus e 
não o contrário, já que Deus nunca nos odiou nem foi nosso inimigo. Smyth criticava o termo 
"pecado original", por entender que Deus ameaçou com a morte apenas a Adão e não a sua 
posteridade; por isto, o homem é concebido e gerado sem pecado, pelo que as crianças que 
morrerem são salvas. 
   
A igreja visível, na qual não existe sucessão, consiste das pessoas que crêem em 
Cristo, os quais dão frutos dignos de arrependimento. Todos os crentes fiéis são irmãos na 
comunhão da igreja visível onde quer que estejam. Todos devem participar do batismo e da 
Ceia do Senhor, que não conferem graça ou regeneração, mas servem para apoiá-los no 
arrependimento e na fé. São dois os oficiais da igreja: pastores (mestres ou anciãos) e 
diáconos. 
   
Sua teoria política o aproximava dos anabatistas, ao sustentar que o ofício de 
magistrado é uma ordenança permitida por Deus para o bem da humanidade e para que a 
justiça seja preservada entre os homens, mas não é um cargo que um cristão deve exercer. 
Ademais, todos os membros da igreja de Cristo não devem procurar a lei diante dos 
magistrados civis, mas resolver suas disputas entre si. Ele foi um dos primeiros, na língua 
inglesa, a levantar sua voz em defesa da liberdade religiosa plena: 
   
  
   
"Cremos que o magistrado não deve em função do seu ofício imiscuir-se em religião 
ou assuntos de consciência para forçar e compelir os homens a esta ou aquela forma de 
religião, mas deixar a religião cristã livre para as consciências dos homens e tratar apenas de 
transgressões civis, ofensas e erros dos homens contra o homem, como assassinato, adultério, 
roubo, etc., pois apenas Cristo é o rei e o legislador da igreja e da consciência". [185] 
   
  
   
Helwys concordava com Smyth. O título de um dos seus livros sintetiza bem a 
essência do seu pensamento: "A short and plaine proofe, by the Word and Works of God, that 
Gods decree in not the cause of anye mans sinne ou condenmnation: e that all men are 
redeemed by Christ; as also that no infants are condemned" [186] (
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