Israel belo de azevedo



Baixar 4.8 Kb.
Pdf preview
Página16/28
Encontro26.03.2020
Tamanho4.8 Kb.
1   ...   12   13   14   15   16   17   18   19   ...   28
a priori teológico está na escolha do texto bíblico, que 
confirma a formulação. A autoridade da igreja tem que se subordinar ao texto sagrado. Essa 
tensão explica a diversidade interna que, por vezes, se externaliza com a formação de um 
novo grupo religioso, como é típica do protestantismo. 
   
A regra de fé é também regra de prática, o que implica em dizer que ela contém todas 
as orientações para a vida. Aqui, no entanto, a autoridade da igreja é maior do que o do texto 
bíblico. Como colocar em prática hoje as práticas comuns aos profetas ou apóstolos? As 
decisões a serem tomadas hoje nem sempre encontram um exemplo da experiência bíblica. A 
igreja, então, formula seus preceitos morais e os sustenta na Bíblia, a partir de uma 
interpretação. A formulação é apriorística. 
   
Embora se diga que seja assim, como fazer valer só o que está autorizado 
explicitamente pela Bíblia, se ela não é explícita sobre muitos problemas contemporâneos? O 
problema, presente na controvérsia entre taboritas e utraquistas do século 14, tem sido 
resolvido pelos teólogos batistas do seguinte modo: 
   
  
   
"Imitar os traços culturais do povo bíblico -- seus hábitos alimentares ou vestuário -- 
atinge a aparência, mas não a essência da Bíblia. A tarefa do leitor da Bíblia é chegar à 
essência da mensagem bíblica e aplicá-la as realidades atuais". [715] 
   
  
   
Esta afirmação põe na conta da autonomia do indivíduo a tarefa da aplicação da 
verdade bíblica. No entanto, por que o aprendeu ou por alguma outra razão, o leitor batista 
espera que a Bíblia lhe seja clara, sem dele exigir este esforço de descoberta do princípio por 
trás da prática. Por isto, abre mão de sua autonomia e espera que, heteronomamente, a igreja 
lhe diga qual é este princípio.   
   
Trata-se, evidentemente, de uma recusa a ser moderno. Os puritanos não tinham as 
suas blue laws? A cultura de massa ocidental não é igualmente heterônoma, mesmo quando 
"vende" a liberdade? Os modernos, religiosos ou seculares, não são tão modernos assim. 
   
Contudo, nada é tão moderno e tão antimoderno quanto a antropologia 
puritano-batista, ao afirmar, na tradição agostiniana, que o homem é completamente incapaz 
de receber a graça, já que está totalmente depravado desde o pecado original. O discurso 
moderno é outro e já fora antecipado por Pelágio. Dos batistas ingleses aos batistas 
brasileiros, a afirmação é a mesma que está em Agostinho e Calvino. 
   
Não estaria isto em desacordo com o princípio da competência do indivíduo? A 
conciliação é possível. Para além desses pais-teólogos e conquanto a formulação não seja 
muito explícita, no pensamento batista, essa competência explica a queda, que foi uma 
conseqüência daquela. No entanto, a queda não foi suficiente para tirar do homem a 

capacidade de responder, afirmativa ou negativamente, ao chamado de Deus para a salvação. 
Como ensina um missionário recente, "a pregação do evangelho conduz as almas a Cristo, 
mas a decisão de aceitá-lo] fica com o indivíduo". [716]A incompetência e a competência do 
indivíduo são afirmadas e negadas, ao mesmo tempo. 
   
É na inteligência da natureza da salvação que o problema se torna mais agudo. Para 
afirmarem a soberania de Deus, Calvino e os puritanos precisaram colocar o homem numa 
posição antipodal. Sua salvação era uma decisão inquestionável e misteriosa da vontade 
divina, por meio do recurso da predestinação e independentemente da ação humana. Neste 
ponto, não estavam interessados em ser modernos; antes: eram antimodernos. Na direção 
contrária, Armínio condicionou a salvação ao desejo de ser salvo. [717]Além disso, ele 
relacionava a eleição divina com a sua presciência da história humana, feita de decisões 
livres. 
   
Desde o início, os batistas titubearam e se inscreveram primeiro na rota arminiana e 
ao mesmo tempo na calvinista. Contra Smyth, o calvinismo triunfou. Aos poucos, porém, a 
dificuldade de harmonizar o esforço evangelizador com essa visão levou-os a uma 
proposição conciliatória acerca da predestinação. Preocupado, o inglês Charles H. Spurgeon 
(1834-1892), um dos maiores pregadores batistas de todos os tempos, tardiamente teve que 
protestar: 
   
  
   
"Gosto imensamente de proclamar essas antigas e vigorosas doutrinas, que são 
conhecidas pelo cognome de calvinismo, mas que, por certo e verdadeiramente, são a 
verdade são a verdade de Deus, a qual nos foi revelada em Jesus Cristo. Por meio dessa 
verdade da eleição, faço uma peregrinação ao passado, e, enquanto prossigo, contemplo pai 
após pai da igreja, confessor após confessor, mártir após mártir levantarem-me e virem 
apertar minha mão. Se eu fosse um defensor do pelagianismo, ou acreditasse na doutrina do 
livre-arbítrio humano, então eu teria de prosseguir sozinho por séculos e mais séculos em 
minha peregrinação ao passado. Aqui e acolá, algum herege, de caráter não muito honrado, 
talvez se levantasse e me chamasse de irmão. Entretanto, aceitando como aceito essas 
realidades espirituais como o padrão de minha fé, contemplo a Pátria dos antigos crentes 
povoada por numerosíssimos irmãos; posso contemplar multidões que confessam as mesmas 
verdades que defendo, multidões que reconhecem que essa é a religião da própria Igreja de 
Deus. [718] 
   
(...) 
   
Possuir uma natureza má é tanto minha culpa como minha calamidade. É um pecado 
que será sempre cobrado do homem. Quando eles não vêm a Cristo é o pecado que os 
mantém afastados. Aquele que não prega isso, duvido que seja fiel a Deus e à sua 
consciência". [719] 
   
  
   
Não sem tensões, como o indica a preocupação de Spurgeon, os batistas se 
mantiveram calvinistas, exceto na doutrina da predestinação, que afirmam negando. No seu 
ensino só há lugar para a predestinação para a salvação; quanto aos outros, a perdição é 
conseqüência da sua recusa: não é resultado da vontade Deus. Diante dele, todos os homens 
são culpados, já que são, como já estava posto em 1610, por "livre escolha" os "autores 
originais" do pecado e, por isto mesmo, "dignos de castigo". Por isto, ensina um autor de 
hoje, "ninguém pode escapar", mesmo que seja "um bom pai, um bom cidadão, um bom 
filho", já que não é pela moral que alguém é salvo, mas pela fé em Cristo. [720]A maioria dos 
autores batistas não tem dificuldade em aceitar a predestinação única, para a salvação. Desde 

1611 é assim, quando se declara que "Deus, antes da fundação do mundo, predestinou todos 
os que crêem nele para serem salvos". A mesma confissão recusava a hipótese de uma 
predestinação "para a danação". A ênfase sempre foi, como está nas confissões de 1644 e 
1677, que Deus predestina alguns "para a vida eterna", deixando os outros na condenação 
que escolheram. 
   
Mais ainda: ao subordinarem, arminianisticamente, a predestinação ao conhecimento 
prévio de Deus, os batistas subordinaram seus decretos, na linguagem dos clássicos 
calvinistas, à vontade humana. Isto quer dizer: Deus não decreta a salvação ou a perdição. 
Decreta-na o homem. 
   
O homem, porém, só tem o livre-arbítrio para escolher entre a salvação e a perdição, 
mas esta opção só se faz uma vez e num só sentido: é irreversível. Embora nos primórdios do 
pensamento batista, isto ainda se discutisse, [721]logo a visão calvinista predominou. Não se 
perde a salvação. Uma vez tendo entrado no estado da graça, o crente nele permanecerá "até 
o fim de sua vida": "o verdadeiro crente não abandona para sempre o evangelho", que um dia 
aceitou. [722]O claro ensino é que o verdadeiro crente, "guardado pelo poder de Deus", 
jamais perderá   sua salvação. [723] 
   
Desse modo, a maioria dos batistas nega a doutrina estrita da predestinação, mas nega 
parcialmente também a do livre-arbítrio. O que restou, como poderia parecer, não é um 
castelo de dúvidas. Apesar disso ou por isto, resolve-se o problema da certeza da salvação, 
que angustiou um dos pais da modernidade (Lutero). Na visão batista, típica de um 
calvinismo mitigado, não há lugar para a dúvida e para a ansiedade. Eleito irreversivelmente 
por Deus, com base em sua presciência, o crente pode ter a certeza de que irá fruir sua 
salvação no presente e na eternidade. A razão é cativa da certeza. 
   
Isto poderia trazer sérias conseqüências no plano da moralidade, mas não traz. Desde 
os primeiros moralistas, afirma-se que Deus, que tem propósitos morais para o mundo, exige 
dos seus adeptos "amor e santidade". "Não podemos ser levianos com um Deus moral". [724] 
   
Viver de acordo com esses propósitos significa pôr em prática um programa que 
busque conhecer "os verdadeiros valores cristãos", "viver segundo os padrões divinos" e 
"transmitir aos descendentes os valores cristãos". A certeza é que a sociedade precisa, para a 
solução das suas crises, de "uma volta aos valores morais, sociais e sobretudo aos espirituais" 
cristãos. [725] 
   
O voluntarismo é fundado numa visão conversionista. A partir da conversão, os 
indivíduos têm sua vida modificada "em todas as suas dimensões": "os sentimentos, os 
relacionamentos, os atos, os pensamentos etc, são todos atingidos pela transformação". 
Trata-se da santificação, na qual o indivíduo "não precisa agir por esforço próprio", porque 
tem o auxílio do Espírito Santo para conduzir sua vida". [726] 
   
Para que santificar-se? No quadro do calvinismo, a resposta é clara: para glorificar a 
Deus. Os modernos só veriam sentido na santificação se ela resultasse em felicidade. O 
"Termo de Kentucky" (1801) relaciona como duas as tarefas da comunidade cristã: a 
felicidade dos crentes e a honra de Deus. Essa felicidade tem sido interpretada como estando 
na renúncia própria; [727]está em colocar os "interesses" de Deus em primeiro lugar. 
   
Como orienta um pastor brasileiros aos seus fiéis, 
   
  
   
"uma vida no Espírito requer renúncia, dedicação, zelo, confiança, abnegação. É o 
preço que precisamos pagar para uma vida dirigida pelo Espírito Santo de Deus. (...) O andar 
no Espírito nos afastará das coisas que dizem respeito à carne e suas concupiscências". [728] 
   
  

   
Neste caso, há espaço para a autonomia? Na perspectiva dos modernos, não. Trata-se, 
antes, de uma "moral de escravos", como epitetaria Nietzsche, e não de uma moral de pessoas 
livres. Contudo, a ênfase na responsabilidade individual não pode ser vista como uma 
negação do indivíduo, mas como uma afirmação. 
   
O problema é ver como isto se realiza na prática comunitária. Se a igreja se erige 
formuladora dos preceitos morais, pratica uma eclesionomia que nega o princípio da 
competência do indivíduo. Se a igreja põe tão somente os princípios, sem engessá-los em 
normas, mantém a autonomia. No caso batista, os escritos dos doutrinadores em geral estão 
mais voltados para os princípios; a interpretação desses escritos no plano local, no entanto, 
muitas vezes resvala para a normatização. 
   
Um doutrinador recente escreveu, talvez sem nunca ter lido Langston, que a 
responsabilidade individual não pode ser vista como isolamento. 
   
  
   
"Mesmo com responsabilidade individual diante de Deus, ainda mantemos nossa 
dimensão coletiva, como a família, a igreja, a sociedade. Responsabilidade individual não é o 
mesmo que individualismo. [729]Este leva ao isolamento do indivíduo. Deus está falando 
quanto à culpa pelo pecado. Muitos pensam que não têm que dar contas a ninguém de seu 
convívio. Mas os nossos atos refletem diretamente sobre as outras pessoas". [730] 
   
  
   
A forma mais eloqüente de glorificar a Deus é proclamar o seu amor. 
   
  
   
"Graças a ele, somos amigos, 
   
graças a ele somos irmãos, 
   
graças a ele fomos feitos 
   
membros um dos outros 
   
para o louvor da sua glória. 
   
Porque nos amou, amou primeiro, 
   
e nos ensinou também a amar, 
   
deu-nos o poder de sermos 
   
chamados filhos de Deus". [731] 
   
  
   
Por isto, toda a tarefa da igreja é resumida a este verbo, geralmente tornado 
intransitivo. A proclamação é uma missão individual, para a qual a igreja capacita. Em outras 
palavras, nela o crente aprende a proclamar. Nela o crente aprende que é um cidadão do céu 
no mundo. Nela o crente é constantemente recordado que precisa ser "sal e luz", vivência que 
exige paciência, sustentada pela graça de Deus. [732] 
   
Que a "a missão primordial da igreja é proclamar" vem sendo repetido desde a 
renovação pietista nos EUA. Ao proceder assim, ela que é uma comunidade local de 
regenerados, se projeta. Assim, toda a sua atividade em relação ao mundo deve ser exercida à 
luz da proclamação, que consiste em mostrar o que está errado e "apontando o caminho certo: 
Jesus". [733]Note-se que o doutrinador recente apõe um adjetivo à missão ("primordial"), o 
que implica poder ter ela outras missões. A partir do "movimento de Lausanne", os 
evangelicistas em geral passaram a falar de uma "missão integral", que foi resumida assim 
por um batista: 
   
  
   
"Devemos ter uma visão integral da missão. Estamos no mundo para cumprir uma 
missão que leve em conta o homem na sua totalidade. O homem todo é importante para Deus, 

e não somente sua alma. É preciso que sejamos instrumentos nas mãos de Deus para que a 
fome seja mitigada, a sede saciada, a alma ferida curada, os escravos dos pecado libertos etc. 
A igreja proclamará o evangelho que muda radicalmente a vida do homem". [734] 
   
  
   
Esta visão, no entanto, encontra-se longe de se constituir uma unanimidade. Antes, 
em todo o itinerário batista, a missão da igreja é exclusivamente de proclamação. As 
influências modernas da teologia social norte-americana de W. Rauschenbuch do século 19 e 
das teologias latino-americanas da Responsabilidade Social da Igreja e da Libertação, bem 
como da teologia européia da Missão Integral, no século 20, dificilmente poderão determinar 
uma ruptura na tradição, conquanto o discurso possa sofrer algumas adaptações 
terminológicas. Não mais que isso. O solipsismo, fundado numa metafísica neoplatônica da 
história, mesmo implicando na aceitação de uma responsabilidade social da igreja, é mais 
forte que qualquer outra leitura dos evangelhos. 
   
De 1611, na Inglaterra, a 1994, no Brasil, a compreensão da natureza da igreja é a 
mesma. A visão básica é aquela que Locke intuiu a partir da experiência dos 
não-conformistas em geral. Segundo o autor da "Carta sobre a tolerância", 
   
  
   
"uma igreja é uma sociedade voluntária de homens que se reúnem por vontade 
própria para o culto público a Deus, do modo que acreditam ser aceitável por Ele e eficaz 
para a salvação de suas almas". [735] 
   
  
   
A idéia da associação voluntária percorre todo o ideário batista, mesmo no 
landmarkismo. Em 1611, os batistas já a definiam como sendo "a companhia das pessoas 
fiéis, separadas do mundo pela palavra e Espírito de Deus", consistindo de "congregações 
particulares". A declaração brasileira de 1986 ratifica-na como "uma congregação local de 
pessoas regeneradas e batizadas após profissão de fé". 
   
No entanto, o território onde o princípio da competência individual se radicalizou foi 
mesmo o da teoria política, mas só num setor: o das relações entre igreja e estado. A 
concepção básica se desenvolveu a partir da teoria medieval das esferas temporal 
("magistratura civil", conforme a confissão de 1644, o "poder da espada", nos termos da de 
1677) e espiritual ("espada de Cristo", segundo a declaração de 1611), explicitada na 
declaração norte-americana de Plymouth: "o governo da igreja deve ser totalmente pelas leis 
de Cristo, exercitado em seu nome e não pelo braço secular". Locke disse a mesma coisa: "o 
cuidado das almas não pertence ao magistrado civil, porque seu poder consiste apenas na 
força externa". [736] 
   
Uma síntese das confissões batistas inglesas primitivas acerca do Estado pode ser 
assim expressa diacronicamente: 
   
. O Estado é estabelecido por Deus para o bem público, com recompensa aos bons e 
castigo aos maus; 
   
. Os crentes devem obedecer aos governantes e por eles orar; [737] 
   
. A resistência às ordens do Estado é possível apenas quando ele extrapola a sua 
esfera e invade a de Deus; [738] 
   
. Os crentes devem pagar os impostos; 
   
. Os crentes não devem exercer cargos públicos, embora os governantes possam ser 
membros da igreja. 
   
Desses valores deriva a máxima liberal batista, de 1677, segundo a qual só Deus "é o 
Senhor da consciência", razão pela qual crer "fora da consciência" é uma traição à 

"verdadeira liberdade de consciência". Locke disse-o de outra forma: "a religião verdadeira e 
salvadora consiste na persuasão interna da mente, sem a qual nada pode ser aceitável a 
Deus". [739]Por essa razão, as igrejas devem ser "sociedades livres". [740] 
   
Depois destas postulações originárias pouco mudou, indicando que os batistas 
conseguiram teorizar e praticar a separação proposta, em termos que podem ser considerados 
liberais. Deste modo, pelo menos com relação a eles, não procede a crítica de Troeltsch, de 
que os protestantes não fizeram o que prometeram, não tendo separado suas igrejas do 
Estado. 
   
  
   
UM MODO DE PENSAR 
   
Pode-se agora reunir os dados para a demonstração das hipóteses enunciadas no 
início desta análise e que orientaram a pesquisa. 
   
Procurou-se demonstrar basicamente que os batistas brasileiros organizam seu 
pensamento a partir do grande movimento liberal europeu (incluído aí o protestantismo em 
geral) da sua interação com a experiência colonizatória norte-americana e do seu embate 
contra o catolicismo no Brasil. A experiência religiosa individual é vista como balizadora da 
vida como um todo e se torna aferidora da reflexão e da ação. 
   
Isto significa dizer que o ideário batista é articulado sobre uma base liberal e em 
consonância com a experiência protestante em geral de que é tributário. A primeira parte 
desta afirmação precisa ser desenvolvida, e o será a algumas páginas daqui. 
   
A segunda já foi demonstrada, cabendo agora apenas recordar que os batistas fazem 
parte do protestantismo, primeiro europeu, depois norte-americano e também brasileiro. Não 
é possível entender suas propostas sem entender o percurso do protestantismo. 
Evidentemente, cada denominação privilegia algumas vertentes do corpus teológico do 
movimento protestante. Não é diferente com os batistas, conquanto vários dos seus 
pensadores, especialmente aqueles que escrevem para o público das igrejas, recusem a 
companhia. 
   
Alguns teólogos batistas fazem uma distinção muito útil para se entender este 
pertencimento à cosmovisão protestante. Eles dizem que as doutrinas e as ações batistas se 
assentam sobre princípios batistas, que interpretam como sendo específicos do seu modo de 
pensar. Todos são pensados como complementares ou aperfeiçoadores dos três postulados 
fundamentais da Reforma (justificação pela fé, autoridade normativa da Bíblia e sacerdócio 
de todos os crentes). 
   
Quais são estes princípios? 
   
Além das listas, já discutidas, de Mullins, Langston e Soren, John Landers resume 
esses princípios a seis: 
   
. a autoridade normativa das Escrituras; 
   
. a competência plena do indivíduo; 
   
. a livre interpretação das Escrituras; 
   
. a salvação pela graça; 
   
. a presença do Espírito Santo em cada crente, e 
   
. a igreja como associação voluntária. [741] 
   
  
   
O próprio autor acaba por re-resumi-los a dois: 
   
  
   
. a autoridade da Bíblia regra única de "fé e prática" [742](autoridade normativa das 
Escrituras) e 

   
. competência individual para responder perante Deus. [743] 
   
  
   
Que é o primeiro princípio senão a "sola scriptura" reformada? Que é o segundo 
princípio senão uma derivação do princípio do sacerdócio universal de todos crentes, como 
formulado por Lutero? 
   
  
   
Se é verdade que os batistas os radicalizaram, nem por esses princípios deixam de ser 
universalmente protestantes. Nenhum batista o nega, por mais que alguns queiram buscar 
uma anterioridade apostólica ou medieval em sua experiência. Essas idéias-forças são 
modernas e integram o edifício protestante. 
   
Com isto, pode-se agora discutir cada uma das hipóteses corolárias aventadas no 
início deste itinerário. 
   
  
   
Eixos da reflexão batista 
   
A primeira hipótese corolária pode ser organizada em três segmentos, o primeiro 
supervalorizando a experiência (de conversão), o segundo supervalorizando o papel da igreja 
local e o terceiro hierarquizando a produção teológica como uma produção secundária. 
   
  
   
a. Por se verem primeiramente como batistas, depois como cristãos e por último como 
cidadãos, os batistas atribuem à sua fé, a partir de uma experiência preferencialmente 
dramática de conversão, o papel regulador da vida pessoal, responsável pela aquisição de 
uma perspectiva que deve tomar a biografia de cada crente como um espaço da missão, 
entendida como mandato divino e que se realiza na adesão do outro ao oferecimento da 
salvação. 
   
Em seu discurso, aqui apreendido, os batistas se autopercebem primeiramente como 
batistas. A frase escrita na pasta do jovem paranaense ("EU NÃO SOU CRENTE BATISTA. 
EU SOU BATISTA CRENTE") é reveladora de uma percepção. A leitura dos teólogos 
brasileiros pode não ter a mesma contundência, mas não discrepa muito desta perspectiva. 
Entre os principais pensadores batistas, W.C. Taylor e D.S. Lima insistem que os batistas são 
os únicos depositários das verdades apostólicas. Os outros, ao insistirem nos princípios 
batistas, subentendem, conquanto não o digam, a superioridade destes mesmos princípios. 
   
O repto final do landmarkista S.H. Ford subjaz à autocompreensão batista no século 
19 e também contemporaneamente, embora não se ouse tanto ênfase: 
   
  
   
"
Baixar 4.8 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   12   13   14   15   16   17   18   19   ...   28




©bemvin.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Prefeitura municipal
santa catarina
Universidade federal
prefeitura municipal
pregão presencial
universidade federal
outras providências
processo seletivo
catarina prefeitura
minas gerais
secretaria municipal
CÂmara municipal
ensino fundamental
ensino médio
concurso público
catarina município
Dispõe sobre
Serviço público
reunião ordinária
câmara municipal
público federal
Processo seletivo
processo licitatório
educaçÃo universidade
seletivo simplificado
Secretaria municipal
sessão ordinária
ensino superior
Relatório técnico
Universidade estadual
Conselho municipal
técnico científico
direitos humanos
científico período
pregão eletrônico
espírito santo
Curriculum vitae
Sequência didática
Quarta feira
conselho municipal
prefeito municipal
distrito federal
nossa senhora
língua portuguesa
educaçÃo secretaria
Pregão presencial
segunda feira
recursos humanos
Terça feira
educaçÃO ciência
agricultura familiar