Israel belo de azevedo



Baixar 4.8 Kb.
Pdf preview
Página15/28
Encontro26.03.2020
Tamanho4.8 Kb.
1   ...   11   12   13   14   15   16   17   18   ...   28
O Jornal Batista, em 1978, por ocasião de uma visita do 
presidente Jimmy Carter ao Brasil: 
   
  
   
"Os batistas não são mesmo de procurar autoridades. Um dos nossos princípios mais 
caros é o da separação entre igreja e estado, de modo que nosso relacionamento com pessoas 
investidas do poder político se caracteriza pela discrição. 
   
Com relação a Jimmy Carter, o que temos de fazer é o que temos feito: orar por ele, 
em virtude de ser um nosso irmão, a fim de que Deus lhe conceda sabedoria nas decisões que 
tiver de tomar e nos passos que tiver de dar. Sua visita ao Brasil tinha objetivos políticos: 
quais esses objetivos, na sua essência, não soubemos nem sabemos e nem neles nos 
imiscuimos. Não é essa a nossa esfera de atuação. Nosso Reino é outro". [689] 
   
  
   
Em termos práticos, então, só num momento os batistas entenderam que o Estado 
estava indo contra Deus. Assim mesmo, sua reação se deu no plano da discussão das idéias. 
Foi por ocasião da introdução do ensino religioso facultativo nas escolas, no primeiro 
governo Vargas. [690] 
   
  
   
PARA UMA SÍNTESE 
   
Pode-se agora resumir o pensamento batista no Brasil. Primeiramente, duas sínteses 
preparadas por eles mesmos serão úteis. 
   
Uma delas ensina que 
   
"do princípio da responsabilidade individual da criatura humana diante de Deus 
derivam os demais princípio que balizam a vida do crente batista: 
   
. o livre exame da Palavra de Deus; 
   
. a liberdade de consciência; 
   
. a responsabilidade pessoal para com a igreja local e outras co-irmãs; 
   
. a responsabilidade civil para com o Estado; 
   
. a separação entre a igreja e o Estado; e 
   
. o amor, que gera conduta e respeito para com o próximo, testemunho e ação no 
mundo". [691] 
   
  
   
A outra, mais longa e mais antiga, informa que as "ênfases batistas no cristianismo" 
são: 
   
  
   
". a absoluta soberania de Jesus Cristo sobre a consciência cristã: é monarca sobre seu 
povo, único Senhor das suas igrejas, manda em sua casa, define sua própria doutrina e revela 
sua própria vontade no Novo Testamento; 
   
. a espiritualidade do cristianismo genuíno: batismo de crentes, igrejas compostas 
unicamente dos regenerados, cerimônia bíblicas para testemunho simbólico das 
fundamentais verdades da redenção, mas não para transmitir ou selar a graça divina, um 
ministério oficial para servir mas não para "ter domínio", separação entre a autoridade civil e 

a autoridade eclesiástica e acatamento a ambas nas suas respectiva esferas
   
. a competência da alma humana perante Deus e sob o Espírito de Deus, sem nenhum 
sacerdócio oficial nas igrejas e sem outro Mediador senão Jesus, e sem outro sacrifício senão 
sua morte vicária no Calvário; 
   
. o espírito missionário: é dever de todos os crentes crer e obedecer toda a verdade e 
testemunhar a mesma para todos os seres humanos -- o mesmo único cristianismo de Cristo 
para todos os séculos e todos os povos, "até os confins da terra"; 
   
. a democracia e voluntariedade como base da vida cristã, organizada segundo a 
norma apostólica, as igrejas sendo congregacionais, autônomas, com a livre eleição de seus 
oficiais e responsáveis pela disciplina de seus membros, sendo que estas igrejas cooperam 
com outras da mesma fé e ordem por meio de "mensageiros" -- "os mensageiros das Igrejas, a 
glória de Cristo"; 
   
. demonstração de amor de Cristo e do amor fraternal, por guardar as palavras de 
Jesus e do Novo Testamento, para ter em nossas mentes o mesmo sentido que tinham na boca 
de Jesus e nas penas dos autores do Novo Testamento: batismo-imersão; 
bispo-pastor-presbítero; igreja-assembléia democrática, organizada segundo Novo 
Testamento; um cristianismo sem as tradições dos homens acrescentadas à Palavra de Deus 
por papas, reformadores ou concílios eclesiásticos, sem sacramentos, sem oligarquias ou 
autocracias para usurpar as liberdades e os deveres do ministério e das igrejas de Deus; 
   
. o evangelho guardado e transmitido na sua pureza: Cristo antes da igreja; a salvação 
antes do batismo; o sangue remidor antes da água ou do calix; a fé antes das obras; a salvação 
pela graça mediante a fé, não pelas obras mas para as obras que Deus preparou para que 
andássemos nelas". [692] 
   
  
   
Vista num quadro, a teologia batista no Brasil pode ser assim representada: 
   
  
   
Quadro 14 
   
PRINCÍPIOS DA TEOLOGIA BATISTA BATISTA BRASILEIRA 
   
SÍNTESE               radical afirmação da competência do indivíduo 
   
FONTE               Bíblia como regra infalível para a fé e para a prática 
   
ANTROPOLOGIA               depravação total do homem a partir da queda 
   
SOTERIOLOGIA               predestinação a partir da presciência de Deus 
   
MORALIDADE               taborismo (ênfase na santificação) 
   
ECLESIOLOGIA               igreja como comunidade local de regenerados (batismo 
por imersão) 
   
TEORIA POLÍTICA               radical separação entre Estado e igreja 
   
  
   
PRIMEIRA CONCLUSÃO 
   
O pensamento batista no Brasil é um pouco diferente do norte-americano. Não se 
pode falar, rigorosamente, em teologia batista brasileira, já que o que se produziu mais se 
reproduziu. 
   
Assim mesmo, fica evidente que o landmarkismo foi incorporado à eclesiologia, 
embora com algumas adaptações e sem prejuízo do desenvolvimento do trabalho cooperativo 
entre as igrejas. 
   
De igual, o anticatolicismo foi reforçado e passou a nutrir todos os arcanos da 
produção teológica, da trinitologia à teoria política, passando pela moralidade. 
   
Em linhas gerais, pode-se dizer mais. 

   
  
   
1. O discurso batista no Brasil se inscreve, na maioria dos tópicos que lhe interessa, 
na tradição liberal clássica, entendida como a valorização da livre expressão da 
personalidade individual, a aceitação da capacidade humana em tornar essa expressão em 
algo útil para o indivíduo e a sociedade e a defesa das instituições e práticas que protejam e 
nutram a livre expressão e a confiança nesta liberdade, decorrendo daí uma hostilidade a toda 
autoridade que cerceie a sua manifestação. [693] 
   
O liberalismo influencia-lhe todas as áreas de pensamento, inclusive aquela de 
característica intrinsecamente dogmática, como é o caso do batismo de crianças, que não é 
admitido. A justificativa é a seguinte: 
   
  
   
"Este ato além de ser um abuso de poder e, portanto, despótico, compromete o 
indivíduo, de maneira que não pode agir mais tarde sem ser de alguma maneira tolhido na sua 
liberdade por este ato praticado por outrem, ato de que ele é inconsciente. Praticar este ato é 
enfraquecer o indivíduo, afim de fortalecer a igreja, a qual se compõem de indivíduos. 
Também a igreja por este ato rouba ao indivíduo indefeso, a sua liberdade". [694] 
   
  
   
A própria facilidade de inserção do movimento batista no Brasil é atribuída ao fato de 
o século 19 brasileiro ser um século liberal, especialmente pela liberdade religiosa que 
preconizava. [695] 
   
Os batistas propõem na vida da igreja uma democracia representativa de caráter 
congregacional, onde todos são iguais. Uma reunião de caráter deliberativo, por exemplo, é 
regida por aquilo que chamam de "regras parlamentares". Um dos primeiros livros 
publicados no Brasil (o de Ford) já trazia essas regras, elaboradas para garantir a livre 
representação. [696] 
   
Sem modéstia, Langston garantia que "a democracia, que se baseia no respeito pela 
liberdade do indivíduo, é o verdadeiro gênio e valor da denominação batista". [697]Em 
outras palavras, esta democracia interna deve alcançar a sociedade, como antevia Mullins, ao 
falar da proximidade da era batista, por estar o mundo se "aproximando da era do triunfo da 
democracia". [698] 
   
2. Os batistas do Brasil fazem uma radical afirmação do indivíduo. Essa afirmação 
começa na soteriologia, ao estabelecer a competência exclusiva da alma para aceitar o 
oferecimento divino. Como insiste Watson, "é o indivíduo que Deus salva". Por isto, este 
indivíduo é responsável por sua perdição, "se não aceitar a salvação que Deus lhe oferece". 
[699] 
   
O individualismo, visto como originado no próprio Novo Testamento, [700]tem 
como conseqüência a defesa da liberdade de consciência, circunscrita ao território da 
liberdade de culto, motivação maior para a afirmação do princípio de separação entre igreja e 
estado. Neste ponto, quando se entendeu haver ameaças à liberdade de culto, especialmente 
ao seu, os batistas se moveram por defendê-la. Seu sistema teológico se erige exclusivamente 
em função dessa necessidade. Assim, a competência pessoal é interpretada como "a liberdade 
de escolher, a liberdade de ler e interpretar a Bíblia, a liberdade de chegar em adoração e 
serviço ao trono de Deus e até a liberdade de renunciar a Deus e morrer". [701]A crítica que 
Coriolano Costa Duclerc faz à república decorre da preocupação religiosa: "Certos elementos 
estranhos, nocivos, fatais mesmo, introduziram-se sorrateiramente no corpo 
político-nacional, aviltando, degenerando, abastardando os princípios republicanos 
emanados da forma de governo que adotamos, parecendo assim que estamos mais sob o 

domínio de uma oligarquia nacional que sob o de uma república democratizada". [702] 
   
Com esta limitação, o cerceamento da liberdade de expressão nunca foi propriamente 
objeto de preocupação. Neste caso, o princípio da competência radical cedia terreno para a 
teoria dos dois reinos. O cerceamento da liberdade geral era vista como se dando na esfera 
temporal e lhes cabia obedecer às autoridades. 
   
Há uma outra área em que este individualismo não foi levado às suas últimas 
conseqüências. Trata-se da área da moralidade. Neste sentido, o indivíduo ficou limitado à 
comunidade eclesial, no sentido de que ela determina as decisões éticas do indivíduo, 
mesmo, às vezes, contra a liberdade. Esta extrodeterminação por parte da comunidade local, 
é bem verdade, não é exclusiva da perspectiva batista; nesse caso, porém, é de se perguntar se 
a prática não deveria ser coerente com o princípio, em que se afirme a responsabilidade 
individual das decisões, que, no entanto, devem caber ao indivíduo. 
   
A moral do "em seus passos, o que faria Jesus?" não deixa muito lugar para o 
indivíduo. 
   
3. A produção teológica no Brasil é basicamente apologética. Neste sentido, Taylor 
tinha uma clareza meridiana acerca da função da teologia, ao dizer que "a erudição batista 
está animada de paixão evangelizadora". [703] 
   
Assim, só pensou aquilo que tinha uma finalidade de defesa do grupo religioso e de 
expansão do ideal cristão na sua perspectiva. Por essa razão, é um pensamento que se cinge 
na dimensão da recusa ao cristianismo católico, recusa que permeia toda a construção do seu 
pensar. 
   
De igual modo, o pensamento batista no Brasil está eivado de um certo messianismo, 
não de natureza política, mas de natureza estritamente religiosa. O grupo se vê a si mesmo 
como detentor (em alguns autores, exclusivo) das verdades cristãs, atribuindo-se o papel de 
disseminador desse ideário pelo país e pelo mundo. 
   
 
 
   

   
  
   
ESSE LIBERALISMO BATISTA 
   
  
   
"Os batistas são um povo que tem a coragem das suas convicções. Crêem num 
indivíduo livre, numa igreja livre, num estado livre; crêem na competência de cada alma 
tratar diretamente com Deus da sua própria salvação; crêem nos direitos iguais para todos e 
privilégios especiais para ninguém; crêem numa democracia política, religiosa, social, 
econômica e educativa; crêem que foram salvos para servir e não para serem servidos. 
   
(A. B. LANGSTON [704]) 
   
  
   
  
   
 
Neste ponto do itinerário, pode-se passar a interpretar o pensamento batista, especialmente o 
brasileiro, pressuposto que difere pouco daquele encontrado na Inglaterra e nos Estados 
Unidos. 
   
Para tanto, esta análise começará por uma síntese dos passos dessa reflexão ao longo 
dos séculos, cotejada com alguns excertos da visão como encontrados no material consumido 
pelas igrejas brasileiras. A seguir, intentar-se-á demonstrar as hipóteses formuladas. Por 
último, procurar-se-á expandir as primeiras conclusões apresentadas ao pé de cada capítulo 

precedente. 
   
  
   
  
   
NO MESMO LUGAR 
   
O que mudou no pensamento batista desde suas primeiras formulações inglesas? 
Essencialmente, quase nada. Se é verdade, como ensinou H. Richard Niebuhr, que as 
"doutrinas e práticas mudam com as mutações da estrutura social, não o contrário", 
[705]como entender que, tendo mudado a estrutura social, mudaram pouco as doutrinas 
batistas? 
   
O fato é que isto se deu, como se verifica pelo quadro a seguir e sua explicitação. 
   
  
   
Quadro 15 
   
QUADRO COMPARATIVO DAS CRENÇAS BATISTAS 
   
  
   
EIXO               CALVINISMO 
PURITANO               ARMINIANISMO               BATISTAS 
AMERICANOS               BATISTAS BRASILEIROS 
   
  
   
SÍNTESE               soberania de 
Deus                              livre-arbítrio               competência exclusiva do 
indivíduo               radical afirmação da competência do indivíduo 
   
FONTE               Bíblia como normativa               regra para a teologia e para a 
vida               regra infalível para a fé e para a prática               regra infalível para a fé e para a 
prática 
   
ANTROPOLOGIA               incapacidade humana de receber a 
graça               capacidade humana de receber a graça               depravação total do 
homem               depravação total do homem 
   
SOTERIOLOGIA               predestinação experimentada               predestinação 
condicional               compromisso entre predestinação e livre-arbítrio               predestinação 
a partir da presciência de Deus 
 
 
MORALIDADE                              taborismo                              taborismo                  
            taborismo                                             taborismo 
   
ECLESIOLOGIA               comunidade bíblica da fé               comunidade dos que 
crêem               comunidade local de regenerados               comunidade local de regenerados 
   
TEORIA POLÍTICA               estado como subordinado a Deus               estado como 
subordinado a Deus               radical separação entre Estado e igreja               radical 
separação entre Estado e igreja 
   
  
   
Fica cristalino que a teologia batista se desenvolve no quadro do calvinismo puritano. 
Numa imagem, pode-se dizer que a pintura foi se apagando com o tempo, mas ainda é 
possível ver-se todos os contornos essenciais originários; além disso, a tela e a moldura são 
os mesmos. Se fosse o caso, uma restauração seria possível. Uma comparação das afirmações 
batistas dos séculos 16 ao 20 demonstra claramente como isto vem se dando. 
   
Quanto às ênfases básicas, o puritanismo tomava como centro da sua meditação a 
soberania absoluta de Deus. Os batistas não pensaram diferentemente disto, embora nem 
sempre tenham posto nessa verdade o peso maior de suas formulações. Na realidade, essa 

soberania é dada como um pressuposto, como testemunha um hino recente: 
   
  
   
"Ele [Deus] é dono da chuva, do sol e do ar; 
   
é Senhor da alegria, da dor, do chorar; 
   
ele é dono dos montes, do céu e do mar. 
   
É Senhor das crianças, das preces, dos hinos, 
   
ele é meu e também tem Senhor". 
   
(Hino 202 do Hinário para o Culto Cristão) 
   
  
   
Mesmo os arminianos aceitavam a formulação calvinista, neste sentido, mas 
julgavam que essa soberania seria mais valorizada se fosse destacado o fato do livre-arbítrio 
do homem. A ênfase dos batistas também não recai sobre essa liberdade absoluta, igualmente 
pressuposta. Sua ênfase se põe sobre a competência exclusiva dos indivíduos, ênfase que no 
Brasil é radicalizada pelos missionários. 
   
No entanto, é emblemático que, ao orarem, particular e publicamente, os batistas 
seguem um paradigma que obedece três regras básicas. A primeira parte da oração é dedicada 
à exaltação da pessoa de Deus, atualizando-se a certeza de que ele é o Senhor soberano. [706] 
Com esta exaltação, conclui-se a oração, sempre feita "em nome de Jesus", de novo uma 
outra maneira de afirmar essa soberania, de quem se depende. Quando se faz propriamente o 
pedido, ele é condicionado à soberania de Deus, que deve atender a petição "se for da sua 
vontade". 
   
Encontrada na prática dos crentes, essa instrução está clara no ensino recente de um 
teólogo jovem, para quem, a partir do "Pai Nosso", na oração "primeiro vem Deus e seus 
interesses", para, em segundo, virem "as nossas necessidades". [707]Escreveu esse pensador 
ainda, mais explicitamente: 
   
  
   
"A oração deve reconhecer Deus como Soberano acima de todas as coisas. Ele é a 
fonte inesgotável de todas as bênçãos celestiais em Cristo Jesus, por meio de quem temos 
acesso a graça de Deus (Rm 5.2)". [708] 
   
  
   
Ao pensarem assim, os batistas permaneceram fiéis ao espírito do puritanismo, na 
gênese do liberalismo, por mais paradoxal que seja, e o é. Não resta dúvida de que um cotejo 
do pensamento dos pais do protoliberalismo inglês, como Locke e Hobbes, [709]com o dos 
primeiros pensadores batistas, como Smyth, Helwys e Milton, e com as primeiras confissões 
inglesas, indica enormes semelhanças. A razão é simples: essas meditações são frutos de uma 
mesma época... puritana. 
   
Nela, a fonte, tanto da teologia quanto da religião e da moral, é a Bíblia, tomada desde 
cedo como normativa e única, como está na confissão inglesa de 1611, para dirigir os crentes 
em todas as coisas. Diferentemente, os deístas, Hobbes em particular, entendiam que as leis 
de Deus são apresentadas por meio da razão, da revelação imediata ou por visão, modos que 
"expressam a tríplice palavra de Deus". [710]A confissão de 1677 assevera que "todo o 
conselho de Deus acerca de todas as coisas necessárias para sua própria glória, salvação dos 
homens, fé e vida, está expressamente estabelecido ou necessariamente contido na Escritura 
Sagrada, nada devendo a ela ser acrescentado, seja uma nova revelação do Espírito ou 
tradições de homens". 
   
Tendo essas asserções como horizonte, a confissão batista de 1677 reafirmou a Bíblia 
como "única regra suficiente, certa e infalível de todo conhecimento, fé e obediência para a 

salvação". Mais que isto, lembrou que ainda que "a luz da natureza e as obras da criação e 
providência manifestem a bondade, sabedoria e poder de Deus, não são suficientes para dar 
este conhecimento de Deus e sua vontade, necessário para a salvação". 
   
Na mesma linha, mas sem a preocupação apologética, uma autora recente diz que o 
Novo Testamento é o código de ética do cristão. [711]A experiência prática fez com que o 
princípio básico protestante, sobre o livre-exame das Escrituras, perdesse sua radicalidade. 
Isto não quer dizer que cada indivíduo não possa interpretá-las. Pode. No entanto, com o 
surgimento do denominacionalismo, o critério hermenêutico precisou de um crivo objetivo 
paralelo à razão, sob o risco de autodissolução do grupo religioso, que precisa se preservar. 
Este crivo voltou a ser a interpretação oferecida pela igreja, mas de um modo diferente do 
que acontece com a Igreja Católica. Conquanto a declaração de 1677 tenha explicitado que 
há uma "regra infalível de interpretação" -- "a própria Escritura" -- cabe um papel 
hermenêutico à igreja. Assim, a autoridade não está mais baseada no magistério (formado por 
uma hierarquia), mas no ensino (contido na letra impressa) da igreja. Trata-se, pois, na 
experiência batista, da educação religiosa, que existe para garantir a coesão doutrinária. [712] 
   
  
   
É preciso recordar, porém, que no início, quando as formulações teológicas estavam 
no seu embrião, os batistas cunharam inúmeras confissões de fé, cuja função era mais de 
autodefinição do que propriamente de definição. Em outras palavras, era uma reflexão em 
voz alta, pela qual ninguém deveria ser julgado. A regra continua sendo a Bíblia. 
   
Aqui se faz necessário observar que o papel das confissões não é tema de pouco 
debate. Dois exemplos servem para ilustrar o problema. O discurso majoritário afirma que 
elas pretendem apenas uma interpretação sistematizadora das Escrituras. O pastor João 
Filson Soren, várias vezes presidente da Convenção Batista Brasileira, a propósito da 
escritura da Confissão batista de 1982, assinalou que ela apareceu na contingência de uma 
auto-definição, especialmente num contexto católico-romano e espírita como o Brasil. Foi 
feita, então, "para identificação externa, comemorativa do valor e da significação dos 
princípios" que os batistas abraçam, aceitam, pregam e procuram praticar. Conta ele que, 
   
  
   
"a princípio houve necessidade de se definir o que nós pretendíamos. O primeiro 
documento que tínhamos que discutir foi um documento provisório elaborado por uma 
comissão e que começava todos os artigos com esta expressão: "Cremos...". Lembro-me de 
ter levantado uma restrição ao enunciado para simplesmente entrar no assunto do que nós 
cremos: Deus. Quem é Deus, o que é Deus, o que significa, o que a Revelação ensina sobre 
Deus, a igreja, a salvação... Assim, eliminamos o "cremos" para dizer qual é o nosso 
princípio, ou qual é a verdade que esposamos, representamos e proclamamos. E assim foi até 
o fim. E o que é mais: todos estes capítulos são escorados em passagens bíblicas profusas, 
alguns deles escorados em mais de 20 referências bíblicas, o que coloca nossa Declaração 
Doutrinária solidamente sobre o fundamento da Palavra de Deus". [713] 
   
  
   
Darci Dusilek, no entanto, acha que a tendência de escrever confissões para 
sistematizar o ensino da Bíblia "está em processo de reversão". Para ele, cada vez mais, 
   
  
   
"a confissão de fé é utilizada como fonte de recorrência para atestar a fidelidade de 
um líder (pastor) ou igreja. Fala-se mesmo de vincular a confissão de fé à própria escritura da 
propreidade para se evitar perda do patrimônio por desvio doutrinal". 
   
  

   
Aos poucos, no entanto, as confissões foram abandonadas. Ao ler a primeira versão 
deste texto, Darci Dusilek observou ação. Como já se viu, os batistas no Brasil só tiveram 
duas. A primeira, uma tradução da de New Hampshire, teve ampla divulgação. A segunda, de 
elaboração nacional, ficou no olvido. 
   
Trata-se, portanto, de uma perspectiva renascentista: é indispensável voltar-se 
sempre à fonte, no caso, a Palavra de Deus mesma, que imprescinde das sistematizações 
humanas. Ela é a regra de "fé e prática", como está nos manuais e nas confissões. [714] 
   
A expressão se tornou um jargão batista, mas quer dizer que a Bíblia é a base da 
fundamentação teológica da fé, o que quer dizer que qualquer formulação doutrinária tem 
que estar explicitamente autorizada pelas Escrituras. De certo modo, pode-se dizer que na 
Escola Bíblica Dominical não se estuda doutrina, mas a Bíblia. Há formulações doutrinárias, 
mas elas vêm após a exegese. O 
Baixar 4.8 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   11   12   13   14   15   16   17   18   ...   28




©bemvin.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Prefeitura municipal
santa catarina
Universidade federal
prefeitura municipal
pregão presencial
universidade federal
outras providências
processo seletivo
catarina prefeitura
minas gerais
secretaria municipal
CÂmara municipal
ensino fundamental
ensino médio
concurso público
catarina município
Dispõe sobre
Serviço público
reunião ordinária
câmara municipal
público federal
Processo seletivo
processo licitatório
educaçÃo universidade
seletivo simplificado
Secretaria municipal
sessão ordinária
ensino superior
Relatório técnico
Universidade estadual
Conselho municipal
técnico científico
direitos humanos
científico período
pregão eletrônico
espírito santo
Curriculum vitae
Sequência didática
Quarta feira
conselho municipal
prefeito municipal
distrito federal
nossa senhora
língua portuguesa
educaçÃo secretaria
Pregão presencial
segunda feira
recursos humanos
Terça feira
educaçÃO ciência
agricultura familiar