Israel belo de azevedo



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History of the English Baptists from 
the Reformation to the Beginning of the Reign of King George I, de 1738-1740, indicou a 
existência de uma sucessão espiritual. Ele procura rechaçar a acusação de que os anabatistas 
surgiram com a Reforma, especialmente com Müntzer. Por isto, ele começou com Wycliffe, 
mas não se interessa em provar que certos grupos do passado eram batistas. 
   
Enquanto Rob Robinson rejeitou uma rígida sucessão, mas chamou de batistas a 
certos anabatistas do século 15 e 16, os cronistas do período, como Joshua Thomas, Morgan 
Edwards e Isaac Backus não traçaram qualquer linha sucessória, seja histórica, seja 
teológica. 
   
No século 19, houve um incremento historiográfico decorrente do crescimento dos 
batistas e da polêmica. A teoria da sucessão nasceu explicitamente na primeira metade desse 
século. David Benedict entendia que "alguns sentimentos peculiares" aos batistas "sempre 
existiram e se mantiveram" entre diferentes seitas do passado, mas foi G.H. Orchard quem 
delineou uma linha intata de batistas desde a era apostólica. Seu livro (A Concise History of 
Foreign Baptist) foi publicado por Graves, que fez da sucessão o conceito-chave do 
landmarkismo. 
   
A teoria ficou assentada no pensamento batista. Seguida ao pé da letra por uns e 
modificada por outros, competiu com outra, que lhe é próxima: a teoria do parentesco 
espiritual com os anabatistas. A força do argumento ficou, como o demonstra um episódio 
ocorrido ao final do século 19, nos EUA. 
   
Em 1896, William H. Whitsitt, então professor do Seminário de Louisville 
(Kentucky), estava na contramão e publicou um livro (depois de ter veiculado as mesmas 
informações pela imprensa) sobre o surgimento do imersionismo. Sua conclusão era que os 
batistas ingleses só descobriram a imersão em 1641 na igreja de Henry Jacob em Southwark 
e que só a partir desta data se pode falar realmente em batistas. Embora tenha praticamente se 
retratado, teve que renunciar ao professorado e à presidência do Seminário, para a qual fora 
indicado. 
   
No Brasil, a sucessão chegou muito cedo, com a publicação do livro de Ford. [538]O 
prefácio do tradutor, o missionário Z.C. Taylor, foi enfático: 
   
  
   
"Os nomes dos verdadeiros discípulos de Cristo têm sido muitas vezes mudado. 
Cristo gostava de chamá-los "discípulos"; depois da morte de Cristo se chamavam "crentes"; 
em Antioquia começaram os inimigos aplicar-lhes o nome de "cristãos"; por alguns foram 
chamados "nazarenos"; do século terceiro em diante deram-lhes sucesssivamente os nomes 
de Novacianos, Donatistas, Paulicianos, Albigenses, Valdenses, Anabatistas, e por 
derradeiro batistas. 
   
Pode ser que alguns fiquem indignados contra os batistas, sabendo que eles reclamam 
sua descendência dos Anabatistas, Valdenses, Paulicianos e Novacianos, porque estas 
pessoas têm lido ou ouvido tanta calúnia e maldade, amontoadas sobre estes nomes. Façamos 

uma comparação. Ao ouvirmos um inimigo dos batistas descrevê-los nesta época, o que diria 
ele? Não é bem conhecida qual a descrição que eles receberiam? Pois se eles hoje nos 
representam mal e nos caluniam, quando está ao alcance de todos desmentir estas acusações 
pessoalmente, como é que se deve receber as calúnias amontoadas sobre os Anabatistas, 
Valdenses e Novacianos?" [539] 
   
  
   
Taylor baseia seu argumento em dois itens eclesiológicos: "a forma de governo" 
("independente ou republicana, que Cristo mesmo instituiu e que se acha revelada no Novo 
Testamento" [540]) e a forma da ministração do batismo. 
   
Ford é igualmente incisivo: 
   
  
   
"Se o batismo somente de crentes professadamente convertidos, e administrado por 
submersão, com o governo da Igreja independente e democrático, constituem Igrejas 
Batistas, então as Igrejas primitivas eram Igrejas batistas". [541] 
   
  
   
A descrição da fundação da primeira igreja batista é bastante viva: 
   
  
   
"Nas margens do Jordão, atropelado com os cidadãos admiradores de Jerusalém, e 
pelas multidões que afluíam da Judéia, o precursor do Messias anunciou o levantamento do 
reino de Jesus -- a instituição da Igreja de Cristo. 
   
(...) 
   
E então naquelas águas, consagradas por mil recordações sagradas, Jesus foi 
batizado, enquanto dos céus abertos veio a voz de aprovação do Pai, e o símbolo da unção do 
Espírito Santo. 
   
Foi assim e foi ali que nossa Igreja teve sua origem. Nem pode a sabedoria ou a 
ingenuidade apontar outro lugar, nem outro período". [542] 
   
  
   
A conclusão inevitável de Taylor é: 
   
  
   
"Os batistas não fizeram parte, nem saíram da Igreja Romana, ou outra qualquer; por 
isso não são protestantes. São Protestantes os Judeus? Certamente não, porque não saíram de 
outra igreja, ou organização. Pela mesma razão, os batistas não são Protestantes: eles têm sua 
origem de Cristo, e sua sucessão separada e independente de toda outra igreja ou sociedade". 
[543] 
   
  
   
A partir de 1940, começou a circular outro livro, que passou a ser referência 
obrigatória em qualquer trabalho de matiz histórico. Trata-se de O rasto de sangue, do 
norte-americano J.M. Carrol. [544]O livro se tornou, junto com o "Dicionário Bíblico", de 
John Davis, uma presença obrigatória nas estantes batistas. 
   
O próximo livro a tratar das origens foi o de J. Reis Pereira, o primeiro (Mesquita e 
Crabtree, que escreveram a história geral dos batistas brasileiros, eram especialistas em 
Velho Testamento) entre os batistas a se preocupar majoritariamente com a história da 
denominação. Sua Breve história dos batistas enumera as três teorias possíveis (como 
sintetizadas por Vedder: [545]JJJ, anabatismo e separatismo inglês) e prefere deixar a 
decisão para os leitores. No entanto, ele começa seu livro com a descrição da igreja 
apostólica... 
   
A presença da concepção sucessionista se mostra também num episódio recente. Em 

1980, a revista "Mocidade Batista" publicou um artigo com o seguinte título: "São os batistas 
protestantes? São." [546]O autor insistia em mostrar que a origem dos batistas não era uma 
questão teológica, mas histórica, e, nesta linha, narrava a saga batista a partir do separatismo 
inglês. Houve protesto dos leitores. Um deles enviou, indignado, uma xerocópia de quase 
todo o livro de Carrol, que pretendeu dois subtítulos para seu opúsculo, escrito em 1931: 
"Seguindo os cristãos através dos séculos, desde os dias de Jesus até o tempo presente, ou 
para dizer, ainda mais expressivamente: A historia das doutrinas, como ensinadas por Cristo 
e seus apóstolos e aqueles que têm sido leais a elas". [547] 
   
O propósito de Carrol é escrever uma história do cristianismo desde o período 
apostólico, traçando "através da história verossímil, mas principalmente através da história 
verdadeira e infalível, palavras e característicos da verdade divina", [548]representada pelos 
batistas. Apesar do erro, sempre houve quem não se lhe dobrasse (daí o "rasto de sangue" do 
martírio). O próprio Carrol sintetiza sua visão: 
   
  
   
". "Durante todo o período da Idade Media, muitos cristãos e muitas igrejas locais, 
independente, algumas das quais com data contemporânea aos apóstolos, as quais nunca em 
qualquer tempo se ligara à Igreja Católica"; 
   
. "Tais cristãos foram sempre objeto de amarga e continua perseguição"; 
   
. "Aqueles cristãos, durante esses muitos séculos de trevas, foram tratados por muitos 
e diferente nomes. (...) Anabatista é o mais antigo nome denominacional da História"; 
   
. "Essa designação especial foi aplicada a muitos dos cristãos que tinham recebido 
outros apelidos [como] donatistas, paulicianos, albigenses, antigos valdenses e outros. Nos 
séculos subseqüentes, essa designação passou a ser aplicada a um grupo distinto. Estes eram 
simplesmente chamados Anabatistas e gradualmente todos os outros nomes foram caindo do 
uso. Muito cedo no século 15, antes ainda da origem da Igreja Luterana, a primeira de todas 
as Igrejas Protestantes, a palavra "ana" foi entrando em desuso e eles foram simplesmente 
chamados batistas". CARROL, J.M., op. cit., p. 55. Grifo nosso. É curioso que, na sua síntese 
da teologia batista, Carrol anote que suas "leis e doutrinas dos batistas estão no Novo 
Testamento" e que "seu governo é uma pura democracia. Executiva somente, não 
legislativa". 
   
 

   
  
   
UM DISCURSO QUASE LIBERAL 
   
  
   
O princípio por excelência em que se aprofundam a vida e o pensamento batista é o 
princípio do individualismo. Toda a sua vida e todo o seu pensamento advêm deste princípio. 
   
(...) 
   
O individualismo (...) quer dizer a liberdade, competência e responsabilidade do 
indivíduo em todas as relações da vida. 
   
(...) 
   
O homem é um soberano dentro dos limites da sua própria alma. Esta soberania 
define o termo liberdade. (...) No centro mais íntimo do eu somente o homem domina. É ele o 
único agente dentro de si mesmo. É ele o mestre. [É ele] quem determina o seu próprio 
destino. Liberdade é o reinado do homem dentro da própria alma. É a soberania do homem 
dentro do centro dos centros da sua personalidade. 
   
(A. B. LANGSTON [549]) 

   
  
   
  
   
 
O pensamento batista no Brasil é o pensamento batista norte-americano reproduzido nas suas 
linhas gerais. Assim, o anticatolicismo e o laicismo do Estado foram reforçados e o 
landmarkismo resultou presente mas mitigado. 
   
Do problema da predestinação passou-se praticamente ao largo, embora reafirmado 
no tópico da perseverança dos santos. A teologia do pacto ficou subentendida, sem qualquer 
novo desenvolvimento, e não poderia ser diferente: minoritários numa sociedade 
majoritariamente católica, os batistas só poderiam ser um projeto para si mesmo, nunca para 
o a nação. Aqui não houve espaço para uma doutrina da religião civil, porque a religião civil 
é propriedade de outra igreja. Nem por isto, porém, deixaram os batistas de ter sua teoria 
política. 
   
O pensamento batista no Brasil nasce sob a pretensão da diferença, porque eivado de 
verdade, especialmente diante do catolicismo, a matriz do erro. Os debates foram travados 
tanto com os católicos e mais em função deles, porque raramente houve propriamente debate. 
Em relação aos outros grupos evangélicos, os debates também foram escassos. 
   
De qualquer modo, não houve mudanças nas linhas gerais percebidas no contorno 
norte-americano. Se houve algum foco novo foi na ética dos costumes, particularmente em 
relação ao tabagismo, fortemente condenado pelos brasileiros, mas não pelos missionários. 
   
O quadro geral de referência é o do liberalismo clássico, especialmente no que se 
refere à afirmação da liberdade individual e da separação entre igreja e estado. 
   
  
   
A AFIRMAÇÃO DA DIFERENÇA 
   
Há, enfim, alguma especificidade no pensamento batista diante de outras confissões 
cristãs, particularmente no Brasil? 
   
A pergunta tem preocupado recorrentemente os teólogos batistas, pela necessidade de 
responderem afirmativamente. A Convenção Batista Brasileira se ocupou da questão e 
enumerou em 1982 aqueles pontos, aos quais chamou de "princípios" de distinção, 
demonstrados ao longo da história. São eles: 
   
  
   
  . aceitação da Bíblia como única regra de fé e conduta; 
   
. conceito de igreja como sendo uma comunidade local democrática e autônoma, 
formada de pessoas regeneradas e biblicamente batizadas; 
   
. separação entre igreja e estado; Sobre essa relação, os batistas brasileiros fizeram a 
seguinte síntese: entre "as relações da vida" está a mantida com o Estado. Enquanto igreja, os 
batistas têm pugnado por absoluta separação do Estado, baseando-se, para tanto, "no ensino 
do Nosso Senhor Jesus Cristo -- dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" e "o 
meu reino não é deste mundo", etc., e também na História, que nos aponta as funestas 
conseqüências que acarretam à sociedade humana quando qualquer Igreja se apóia na forma 
e no poder e não na veracidade de seus princípios para propagação de sua crença". [550] 
   
. absoluta liberdade de consciência; 
   
. responsabilidade individual diante de Deus; 
   
. autenticidade e apostolicidade das igrejas; 
   
. cooperação voluntária entre as igrejas. [551] 
   
  
   
Também sem qualquer referência específica ao Brasil, o pastor João Soren elaborou 

em 1982 uma lista semelhante, baseada, segundo ele, não na obra de teólogos, mas no Novo 
Testamento: 
   
  
   
. batismo de pessoas regeneradas; 
   
. princípio anti-sacramentalista na observância das ordenanças da Ceia do Senhor e 
do Batismo; 
   
. autonomia e soberania da igreja local; 
   
. princípio da liberdade religiosa, especialmente no seu corolário sócio-religioso de 
separação entre a igreja e o estado; 
   
. princípio de democracia, tanto em sua acepção individual como eclesiástica; 
   
. doutrina de cooperação e associação voluntária inter-eclesiástica; 
   
. doutrina bíblica de missões, diferentemente do "predestinismo calvinista". [552] 
   
  
   
Não há nestas listas sequer uma doutrina propriamente. Langston, em 1933, estava 
convencido de que o que distingue os batistas dos outros não são as doutrinas, mas seus 
princípios, sobre os quais se fundam as doutrinas. 
   
  
   
"Os batistas sustentam princípios que nenhuma outra denominação evangélica 
sustenta. E não somente os sustentam, como têm, através de sua longa e honrosa história, 
coerente e destemidamente, aplicado estes princípios a todas as suas relações na vida".[553] 
   
  
   
São estes princípios que "definem a posição dos batistas", [554]por eles, e não por 
suas doutrinas, devendo ser julgados. [555] 
   
O teólogo E.Y. Mullins, do sul dos Estados Unidos, escrevendo em 1908, assinalou 
outros princípios, aos quais chamou de "axiomas" e que incluem apenas alguns itens das 
listas brasileiras. Negativamente, o que caracteriza os batistas, segundo ele, não é a afirmação 
da separação entre a Igreja e o Estado, nem a doutrina da liberdade da alma, nem a ênfase no 
individualismo, nem a doutrina da congregação regenerada e nem a teoria do sacerdócio de 
todos os crentes, as quais, embora de "vital importância", não passam de "corolários de uma 
verdade antecedente". [556] 
   
Para ele, afirmativamente, o princípio básico é "a competência da alma na religião", 
"uma competência dependente de Deus" e "não uma competência no sentido de suficiência 
humana". [557]Dito de outro modo, "a competência da alma sob a autoridade soberana de 
Cristo nas Escrituras é a bússola da fé batista". [558]Abrangente, este princípio "une e 
concentra em si" as três grandes tendências modernas: o princípio intelectual da Renascença, 
com a capacidade "para o exercício da liberdade mental"; o princípio anglo-saxão do 
individualismo, e o princípio reformado da justificação pela fé. 
   
  
   
"Os batistas, contudo, têm transformado e modificado todas estas tendências, 
dando-lhes estruturas mais nobres e tornando-as mais frutíferas. Na insistência sobre a 
competência religiosa do homem, têm livrado a liberdade intelectual de todas as espécies de 
repressão humana, e ao mesmo tempo, têm-lhe servido de salvaguarda, guiando-a para o 
verdadeiro alvo do homem, a Inteligência que está por detrás do universo visível. A 
intelectualidade humana iluminada pela intelectualidade divina, eis o ponto de vista batista. 
   
Defendendo o individualismo, têm livrado o princípio anglo-saxônio de uma 
tendência desumana e egoísta, definindo-o como um impulso moral e religioso sob a direta 
tutela do guia moral da humanidade -- Jesus Cristo. 

   
Têm, outrossim, levado o princípio da Reforma, da justificação pela fé, para além dos 
sonhos de Lutero e dos outros reformadores. Têm apoiado tudo o que está implícito no 
princípio da justificação. A grande luta pela liberdade religiosa e pela separação entre a Igreja 
e o Estado, que os batistas iniciaram, tem sido o desabrochar coerente de um ideal maior do 
que o que Lutero acariciou, o qual tem ajuntado, de forma a constituir uma perfeita unidade, 
todos os tesouros morais e espirituais da própria Reforma". [559] 
   
  
   
Mullins adverte que o princípio da competência da alma transcende a noção do 
individualismo, já que "abrange tanto o aspecto social como o aspecto individual da 
religião". [560] 
   
A partir destes pressupostos, Mullins elabora sua lista de axiomas: 
   
. o Deus santo e amoroso tem direito a reinar como soberano (axioma teológico); 
   
. todas as almas têm igual direito de se chegarem diretamente a Deus (axioma 
religioso);   
   
. todos os crentes têm o direito a iguais privilégios na igreja (axioma eclesiástico); 
   
. o homem, para ser responsável, deve ser livre (axioma eclesiástico); 
   
. uma Igreja livre num Estado livre (axioma religioso-cívico); 
   
. amai o vosso próximo como a vós mesmos (axioma social). [561] 
   
O teólogo norte-americano está convencido de que estes ideais batistas são capazes 
de guiar a civilização ao progresso, por várias razões, com as quais encerra seu livro: 
   
  
   
". como ideais religiosos fornecem uma profundíssima base para a civilização; 
   
. como ideais preservados através da vida religiosa do homem, numa Igreja separada 
do Estado, podem influir de fora na civilização e conservar-se isentos do perigo de se 
envolverem nos movimentos políticos, o que os corromperia; 
   
. encerram em si as leis do progresso intelectual do homem; 
   
. respeitam e conservam intato tudo quanto diz respeito à natureza humana e à ordem 
providencial do mundo; a liberdade e personalidade do homem; a sua capacidade para a arte, 
para a moral, para o o governo, para a religião; a sua paixão pelo avanço, pelo progresso, a 
sua fome e sede de Deus; 
   
. consideram o universo como um reino de espíritos livres, onde o homem, sob a 
tutela e guia de Deus, tem de preparar o seu destino. Isto é uma garantia de que esse reino se 
tornará, em tempo oportuno, um reino de perfeita justiça, de retidão imaculada, de amor 
perdurável". [562] 
   
  
   
Escrevendo um pouco depois, o missionário Langston teve a mesma percepção, mas 
sem a mesma dificuldade de afirmar o individualismo como princípio fundamental do seu 
sistema, encontrando-se autorizado pelo fato que, qual "fio de ouro", esta idéia percorre a 
Bíblia, "do princípio ao fim". [563] 
   
Ele definiu o individualismo como "a liberdade, a competência e responsabilidade em 
todas as relações da vida do indivíduo". Foi Deus quem "dotou o ser humano de suficiente 
competência para agir por si próprio, em todas as relações da vida". [564]O fundamento 
filosófico do princípio, diz Langston, é a existência de um Deus pessoal, que criou o homem 
à sua própria imagem e semelhança. [565] 
   
Escrevendo como um humanista da Renascença, o missionário pôs o indivíduo no 
centro do seu sistema teológico: 
   
  

   
"Dentro de si mesmo, no íntimo da sua alma, o homem é livre, é soberano. Aí é ele 
mesmo quem dirige e domina. É o único lugar no universo onde o homem se encontra só, 
sem mais ninguém. Esta intimidade do ego é o "santo dos santos" da personalidade. Aí o 
homem é o seu próprio sumo sacerdote. (...) Aí só ele penetra livremente. O próprio Deus não 
invade esse santuário da personalidade sem o consentimento e o convite daquele que nele 
reside. 
   
O homem é um soberano dentro dos limites da sua própria alma. (...) É ele o único 
agente dentro de si mesmo. É ele o mestre, é quem determina o seu próprio destino. 
Liberdade é o reinado do homem dentro da própria alma. É a soberania do homem dentro do 
centro dos centros da sua personalidade". [566] 
   
  
   
É, portanto, sobre esses postulados que os batistas erigem seu sistema teológico, do 
qual alguns aspectos podem ser agora sublinhados. 
   
  
   
UMA (QUASE) SUMA TEOLÓGICA 
   
A partir de autores e documentos institucionais lidos no Brasil, é possível 
sistematizar-se o pensamento teológico batista brasileiro, para uma posterior comparação 
com os credos norte-americanos e ingleses e também entendimento no quadro geral de um 
certo liberalismo. 
   
Basicamente, os principais autores e documentos tratados foram: 
   
  
   
Quadro 13 
   
AUTORES BATISTAS E SUAS PRINCIPAIS OBRAS 
   
  
   
TRADUÇÕES                
   
E.Y. MULLINS               "Os axiomas da religião"               1908 
   
               E.C. DARGAN               "Doutrinas de nossa fé"               1911 
   
               T.B. MASTON               "Certo ou errado"               1958 
   
               H. HOBBS               "Fundamentos de nossa fé"               1960 
   
  
   
MISSIONÁRIOS                
   
A.B. LANGSTON               "O princípio de individualismo"               1933 
   
                              "Esboço de teologia sistemática"               1927 
   
               W.C. TAYLOR               "Doutrinas"               1952 
   
               J. LANDERS               "Teologia dos princípios batistas"               1986 
   
  
   
BRASILEIROS                
   
REVISTA               "Pontos Salientes"               1990-1994 
   
               JORNAL               Jornal Batista               1901-1964 
   
               DELCYR S. LIMA               "Doutrinas batistas"               1992 
   
  
   
DOCUMENTOS                
   
CONFISSÃO                 "Declaração de Fé das Igrejas Baptistas no 
Brazil"                              1886 
   
                  -               "Princípios Batistas" (Convenção Batistados Sul dos Estados 
Unidos)               1964 
   
CONFISSÃO               "Declaração Doutrinária da Convenção Batista 

Brasileira"               1986 
   
  
   
O papel da fonte                
   
Ao se tratar da fonte da religião, na visão batista, é preciso, antes, lembrar o papel 
atribuído aos credos religiosos. A relação com essas confissões é ambígua. Os batistas 
ingleses as escreveram em profusão; os norte-americanos deram-lhes menos valor, e os 
brasileiros praticamente as ignoraram. 
   
Tiveram-nas, no entanto. 
   
W.C. Taylor adverte que eles contêm mais erros do que qualquer outra literatura 
[567]e explica a razão da recusa:   
   
  
   
"Os batistas não têm dogmas ou credos. Dogma é definição eclesiástica, obrigatória e 
final de doutrina, entre as seitas católicas ou protestantes de gênio credal. Os credos deles são 
condição de certa participação no culto, de entrada no ministério oficial, e dos processos 
disciplinares em casos de heresia. Um credo é documento litúrgico para ser recitado ou 
cantado, e para ter o valor da Escritura; e geralmente tem mais valor do que a Escritura para 
seus adeptos, pois aceitam o credo quando ele abertamente contradiz a Palavra de Deus. Sou 
batista há quase quarenta anos, mas nunca ouvi um só batista apelar para os nossos "Artigos 
de Fé" a fim de provar ou condenar ou disciplinar. Imediatamente que surge questão de 
autoridade, nos esquecemos dos "Artigos de fé" e recorremos a Jesus Cristo e às Escrituras 
do Novo Testamento que são a interpretação apostólica de sua pessoa, sua obra redentora e 
sua vontade revelada. Para provar qualquer artigo seguimos o exemplo de nosso Mestre e 
dizemos: "Está escrito!" [568] 
   
  
   
Crabtree via valor em declarações de fé, mas temia os credos. A ênfase é a consulta 
direta ao Novo Testamento, no qual se basearam todas as grandes reformas religiosas. "Por 
que" -- pergunta -- "beber da corrente contaminada por preconceitos denominacionais, 
quando temos acesso à fonte límpida e cristalina do Novo Testamento?" [569] 
   
  
   
A "Declaração Doutrinária" de 1986 procurou esclarecer a ambigüidade nos 
seguintes termos: 
   
  
   
"Para os batistas, as Escrituras Sagradas, em particular o Novo Testamento, 
constituem a única regra de fé e conduta, mas, de quando em quando, as circunstâncias 
exigem que sejam feitas declarações doutrinárias que esclareçam os espíritos, dissipem 
dúvidas e reafirmem posições". [570] 
   
  
   
Formalmente, credo e confissão não tem distinção. No entanto, essas súmulas de fé, a 
que chamam de declaração doutrinária ou confissão de fé, não têm qualquer autoridade. Na 
prática, são ignoradas e nunca se lhes apela em busca de autoridade. Como ensinou Taylor, 
essas confissões "não são a verdade" pelo fato de algumas convenções as terem adotado. 
Apenas servem para ajudar a ensinar as doutrinas fundamentais da fé. [571] 
   
Portanto, a autoridade da religião deriva das Escrituras, particularmente o Novo 
Testamento, que contém um "cristianismo simples, sem complexidade de sistema 
eclesiástico, ministério, cerimônias simbólicas ou credo formal". [572] 
   
A primeira declaração doutrinária a circular no Brasil, que foi a tradução de New 
Hampshire, era explícita quanto à natureza dessas Escrituras: 

   
  
   
"A Bíblia Sagrada foi escrita por homens divinamente inspirados, e que é um tesouro 
perfeito de instrução celestial; que tem Deus como seu autor, salvação como seu fim; que é a 
verdade sem qualquer mistura de erro; que ela revela os princípios pelos quais Deus nos 
julgará; e por isso é, e ficará até o fim do mundo, o verdadeiro centro de união Cristã; e o 
supremo estandarte pelo qual toda a conduta humana, credos e opiniões seriam provados". 
[573] 
   
  
   
A Declaração Doutrinária de 1986 repete a de New Hampshire, acrescentando o 
critério de sua interpretação. 
   
  
   
"A Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana. É o registro da revelação que 
Deus fez de si mesmo aos homens. Sendo Deus seu verdadeiro autor, foi escrita por homens 
inspirados e dirigidos pelo Espírito Santo. Tem por finalidade revelar os propósitos de Deus, 
levar os pecadores à salvação, edificar os crentes, e promover a glória de Deus. Seu conteúdo 
é a verdade, sem mescla de erro, e por isso é um perfeito tesouro de instrução divina. Revela 
o destino final do mundo e os critérios pelos quais Deus julgará todos os homens. A Bíblia é 
a autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo qual devem ser aferidas a doutrina 
e a conduta dos homens. Ela deve ser interpretada sempre à luz da pessoa e dos ensinos de 
Jesus Cristo". [574] 
   
  
   
A propósito, Delcyr de Souza Lima lembra que "os homens não foram propriamente 
os autores da Bíblia", mas apenas "instrumentos que Deus usou para produzi-la". [575] 
   
A autoridade da Bíblia reside no fato de ser a Palavra de Deus, do qual é "testemunha 
fidedigna e inspirada dos atos maravilhosos". Ela ensina o significado do domínio de Cristo 
sobre a vida dos crentes, os quais estudá-la "com a mente aberta e com atitude reverente, 
procurando o significado de sua mensagem através de pesquisa e oração, orientando a vida 
debaixo de sua disciplina e instrução". [576] 
   
Este aspecto existencial é sublinhado, entre outros, por Luciano Lopes, ao afirmar 
que Deus fala por intermédio dela. Por isto, "por ela, o homem pode entender qual a vontade 
de Deus para a sua vida". [577] 
   
No exercício desta função, a Bíblia não erra e nem contém, como já ensinava a 
Confissão de New Hampshire, qualquer tipo de erro. Aquela afirmação foi feita no contexto 
do liberalismo teológico do século 19. Diante da neo-ortodoxia do século 20, foi preciso 
reafirmá-la. No Brasil, quem é mais explícito quanto a esta inerrância é o hebraísta Roque 
Monteiro de Andrade. Para ele: 
   
  
   
"A Bíblia não erra quanto aos conceitos nela exarados a propósito da Divindade trina. 
   
A Bíblia não erra nas informações que procura comunicar à consciência humana com 
relação aos acontecimentos universais ocorridos antes que o ser humano viesse à existência. 
   
A Bíblia não erra quanto ao que ensina concernente à procedência do ser humano. 
   
A Bíblia não erra na maneira inimitável pela qual registra os fatos que se constituem 
em moldura histórica em todo o decurso da revelação da Divindade para com a humanidade. 
   
A Bíblia não erra em suas várias descrições da Promessa Messiânica. 
   
A Bíblia não erra na identificação a que conduz a mente humana em tudo quanto se 
relaciona com o cumprimento da Promessa Messiânica. 
   
A Bíblia não erra na concitação pela qual procura obter que a consciência humana se 

desperte, de modo que as personalidades pecadoras se resolvam a beneficiar-se das 
experiências do arrependimento e da fé e venham assim a reconciliar-se com a Divindade 
revelada na Pessoa de Jesus Cristo. 
   
A Bíblia não erra no estabelecimento de um plano missionário de conquista do 
coração humano para Deus. 
   
A Bíblia não erra em proporcionar aos homens que desfrutem da mais perfeita 
segurança em face da eternidade". [578] 
   
  
   
Não se está, no entanto, diante de uma visão estritamente fundamentalista. A ênfase 
batista, pressuposta sua inerrância, é posta no conteúdo que oferece. Na verdade, se a 
autoridade da religião deriva das Escrituras, a fonte mesma dessa autoridade, no entanto, não 
é a Bíblia, mas Jesus Cristo, a expressão máxima do "Deus encarnado", no qual está "em 
última instância" a autoridade da religião. [579] 
   
Bertoldo Gatz admite que a Bíblia possa ter alguns problemas de forma, decorrentes 
apenas do processo de transmissão, todos, porém, de "importância diminuta". Para ele, 
"podemos crer que a Bíblia que lemos hoje é a Palavra de Deus, infalível na sua mensagem". 
[580]Jonas Celestino Ribeiro concorda "que foram homens que escreveram os livros da 
Bíblia e que muitos anos foram necessários para escrevê-la, colecioná-la e canonizá-la"; no 
entanto, ele não aceita "que foram `só' os homens que fizeram isso". "A obra do Espírito 
Santo foi desde a inspiração até a canonização. O Espírito Santo está por detrás de cada 
pensamento da Bíblia". [581] 
   
  
   
Antropologia 
   
Na trilha do agostinianismo e do calvinismo, os batistas brasileiros afirmam 
radicalmente a natureza decaída originária do homem, mas, ao mesmo tempo, afirmam-no 
como competente em matéria de religião. 
   
Calvinisticamente, a tradução de New Hampshire afirma que o homem foi criado "em 
santidade", mas voluntariamente renunciou a este estado de felicidade, a partir do que se 
inclina para o mal e merece a condenação de Deus. [582] 
   
A Declaração de 1986 segue a de New Hampshire: 
   
  
   
"No princípio o homem vivia em estado de inocência e mantinha perfeita comunhão 
com Deus. Mas, cedendo à tentação de Satanás, num ato livre de desobediência contra seu 
Criador, o homem caiu no pecado e assim perdeu a comunhão com Deus e dele ficou 
separado. Em conseqüência da queda de nossos primeiros pais, todos somos, por natureza, 
pecadores e inclinados à prática do mal. 
   
(...) 
   
Como resultado do pecado da incredulidade e da desobediência do homem contra 
Deus, ele está sujeito à morte e à condenação eterna, além de se tornar inimigo do próximo e 
da própria criação de Deus. Separado de Deus, o homem é absolutamente incapaz de 
salvar-se a si mesmo e assim depende da graça de Deus para ser salvo". [583] 
   
  
   
Em resumo, como ensina também Watson, o homem é competente para "optar pela 
salvação ou pela perdição da sua alma". Ele não o é "para salvar-se a si mesmo", uma vez que 
"Cristo é o único Salvador". No entanto, "é competente para aceitar ou rejeitar esse mesmo 
Salvador". [584] 
   
Por isto, a alma humana é mais importante campo de batalha do mundo, travando-se 

nela uma guerra de vida e de morte. [585]A meta da obra redentora de Cristo é restabelecer o 
estado original, vencendo esta guerra. O método foi morrer por todos os homens. 
   
Apesar do pecado, o homem continua tendo valor, porque foi criado à imagem de 
Deus e porque Cristo morreu para salvá-lo. Essas duas dimensões conferem dignidade e 
valor ao ser humano. Portanto, deve ter "plena oportunidade" de alcançar seu potencial. [586] 
   
É da criação, e não da queda, que os batistas derivam seu princípio da competência 
individual, assim explicitado: 
   
  
   
"O indivíduo, porque criado à imagem de Deus, torna-se responsável por suas 
decisões morais e religiosas. Ele é competente, sob a orientação do Espírito Santo, para 
formular a própria resposta à chamada divina ao evangelho de Cristo, para a comunhão com 
Deus, para crescer na graça e conhecimento de nosso Senhor". [587] 
   
  
   
A Declaração Doutrinária de 1986 afirma que o homem é capaz de perceber, 
conhecer e compreender, ainda que em parte, tanto intelectual quanto experimentalmente a 
verdade revelada, e tomar decisões próprias em matéria religiosa, sem mediação, 
interferência ou imposição de qualquer poder humano, seja ele civil ou religioso. [588]Por 
isto, pode Mullins ensinar que o fato de o homem ter capacidade para Deus e Deus se 
comunicar com o homem constitui-se a base do cristianismo. [589] 
   
Vários autores insistem que a competência da alma em religião é "o princípio 
fundamental", "uma espécie de axioma" do qual derivam como corolários todos os 
postulados batistas. [590] 
   
Por isto, "uma das maiores descobertas do mundo foi a descoberta do indivíduo", fato 
que tem provocado "as mais estupendas mudanças na vida e na história humana", 
especialmente os valores democráticos. A descoberta, reafirmada pelos batistas, foi feita por 
Jesus, ao atribuir ao homem "uma honra e valor jamais reconhecidos; dando-lhe uma 
liberdade plena, entregando-lhe uma responsabilidade toda particular e até baseando nele o 
seu reino aqui no mundo". [591] 
   
O corolário desta afirmação é a liberdade de consciência, de que os batistas se 
consideram campeões e que assim definem: 
   
  
   
"Os batistas consideram como inalienável a liberdade de consciência, a plena 
liberdade de religião de todas as pessoas. O homem é livre para aceitar ou rejeitar a religião; 
escolher ou mudar sua crença; propagar e ensinar a verdade como a entenda, sempre 
respeitando direitos e convicções alheios; cultuar a Deus tanto a sós quanto publicamente; 
convidar outras pessoas a participarem nos cultos e outras atividades de sua religião; possuir 
propriedade e quaisquer outros bens necessários à propagação de sua fé. Tal liberdade não é 
privilégio para ser concedido, rejeitado ou meramente tolerado -- nem pelo Estado, nem por 
qualquer outro grupo religioso -- é um direito outorgado por Deus". [592] 
   
  
   
Este individualismo radical permeia todas as convicções batistas. 
   
  
   
Soteriologia 
   
Na síntese de Langston, como o pecado teve origem objetiva e não subjetiva, resta ao 
homem a esperança do surgimento de alguma força externa capaz de salvá-lo, o que ocorreu 
com Jesus Cristo. [593]Deste modo, "a salvação continua a criação (...) de (...) uma raça de 
homens bons, exatamente no ponto onde o pecado interrompera o processo com a 

Queda".[594] 
   
Em sua obra, Jesus contrariou as forças do pecado. 
   
  
   
"O pecado espalhou, Cristo reuniu. O pecado substituiu a base original da unidade da 
raça por outra base insuficiente e inadequada. Armou o homem em assassino de seu irmão. 
Cristo o coloca como guardador de seu irmão. Onde o pecado separa, Cristo unifica; onde 
dilacera, Cristo constrói; onde fere, Cristo sara. A vinda de Cristo foi tanto para a cura dos 
cismas ou Cristo foi tanto para a cura dos cismas ou separações na raça humana como na 
alma humana". [595] 
   
  
   
A propósito, Delcyr de Souza Lima cunha uma expressão de matiz infanto-juvenil 
para explicar o modo da operação salvífica: 
   
  
   
"Jesus é o herói de Deus que entra no campo de concentração em que Satanás mantém 
prisioneiros os pecadores, liberta-os, resgata-os e os transporta para outro lugar de segurança 
total, que é o seu reino". [596] 
   
  
   
Qual o papel do homem em sua própria salvação? À primeira vista, nenhum. No 
entanto, a leitura dos autores batistas revela um paradigma diferente. A essência do ensino é 
que a salvação é uma decorrência da justificação, que é o ato divino de declarar o homem 
livre. Como ensina Dargan, "é o veredito divino, isentando o pecador arrependido, da pena 
divina em que havia incorrido". Por isto, "é sempre a obra de Deus e não do homem". 
[597]W.C. Taylor diz a mesma coisa: "justificar (...) na Bíblia, quer dizer: declarar 
judicialmente livre de condenação perante a lei divina". [598] 
   
Essa justificação é "a grande bênção do Evangelho", concedida, ensina a Confissão 
de New Hampshire, "não em consideração de quaisquer obras de justiça" humana, "mas 
somente pela fé no sangue do Redentor". Nada impede esta salvação, a não ser a recusa do 
homem em aceitá-la. [599]A salvação é decorrência primeiro de uma decisão de Deus. É 
assim "dom gratuito de Deus". [600] 
   
Seu fundamento é a eleição, uma escolha feita por Deus, "segundo a riqueza da sua 
graça". A iniciativa é "unicamente de Deus". Enquanto o homem tomou a iniciativa em trazer 
a condenação sobre a raça, ao transgredir a lei de Deus, "Deus logo tomou a iniciativa na 
redenção", visando "reconduzi-lo à Sua comunhão". [601] 
   
Quanto à doutrina da predestinação, os batistas a aceitam, mas em tais termos que, no 
fundo, a negam. Segundo sua "Declaração Doutrinária", 
   
  
   
"antes da criação do mundo, Deus, no exercício da sua soberania divina e à luz de sua 
presciência de todas as coisas, elegeu, chamou, predestinou, justificou e glorificou aqueles 
que, no correr dos tempos, aceitariam livremente o dom da salvação. Ainda que baseada na 
soberania de Deus, essa eleição está em perfeita consonância com o livre-arbítrio de cada um 
e de todos os homens". [602] 
   
  
   
Em nenhum momento, portanto, se afirma que Deus, como ensina o calvinismo 
rígido, "decretou salvar umas pessoas e condenar outras, e até predestinou as que quer 
condenar e as que quer salvar". Escrevendo aos novos crentes, Delcyr de Souza Lima 
recomenda: 
   
  

   
"Não aceite a doutrina da predestinação radical, calvinista. (...) Essa doutrina não tem 
o apoio das Escrituras. Essa doutrina destrói a responsabilidade do pecador diante do 
oferecimento de salvação por Deus, além de contrariar o ensino claro da Bíblia, de que Deus 
quer que todos se salvem, e que o sacrifício de Jesus foi por todos". [603] 
   
  
   
Para esse autor, Deus não determinou nenhuma salvação antecipada. Sua ênfase é à 
responsabilidade humana. 
   
  
   
"O que separa os homens em dois grupos, salvos e perdidos, não é um decreto da 
soberania de Deus, mas a atitude que os homens assumem, consigo mesmos e diante de Deus 
e de seu plano de salvação. Deus estabeleceu que aquele que crê é salvo, enquanto o que não 
crê permanece na condenação". [604] 
   
  
   
No entanto, o problema nunca foi completamente resolvido entre os batistas, 
especialmente no que se refere à dupla predestinação. Uma rápida evidência disto é que, em 
1992, um grupo de pastores de Campos (RJ) começou a publicar uma série de livretes sobre a 
doutrina da eleição. Um deles é a transcrição de um artigo de Entzminger sobre a natureza da 
predestinação, escrito em 1916 e publicado na seção "Perguntas e Respostas" de O Jornal 
Batista. O missionário escreveu: 
   
  
   
"A idéia de Deus ter criado à sua imagem e semelhança, e predestinado certas pessoas 
para a perdição eterna, é-nos sobretudo repulsiva, mormente considerando o caráter de Deus 
de infinita justiça, bondade e misericórdia". [605] 
   
  
   
Outro texto transcreve artigo de W.C. Taylor publicado em 1947/1948 também no 

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