Investigamos a contribuição teórica e analítica de David Harvey para pensar a sociedade, a economia, a cultura e a política no século XXI



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Encontro28.10.2017
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Investigamos a contribuição teórica e analítica de David Harvey para pensar a sociedade, a economia, a cultura e a política no século XXI. Partindo dos conceitos fundamentais na tradição marxista, David Harvey oferece amplo painel metodológico e temático para o entendimento das crises sociais do início do século XXI. O autor resgata e reelabora o conceito de acumulação capitalista em diferentes regimes e fases históricas no livro “A Condição Pós-Moderna”. O capitalismo passou da acumulação fordista para a acumulação flexível no final do século passado. A crise social e o aumento da desigualdade e do desemprego nos países centrais são componentes importantes desse processo de acumulação. Harvey é um investigador das complexas relações entre espaço e capitalismo, entre a produção da cidade e as formas de realização do capital, retomando a decisiva e pioneira contribuição de Friedrich Engels na obra “A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra”. Uma nova sociologia urbana crítica e marxista acompanha a crise contemporânea como uma crise urbana, a crise do “subprime mortgage crisis”, de caráter intrinsecamente associado com o modo de produção capitalista na produção das contradições urbanas. David Harvey vem analisando o comportamento do capital desde o seu clássico “Social Justice and the City”. A crítica de Harvey ao neoliberalismo está no livro “A Brief History of Neoliberalism”, a acumulação com despossessão. A privatização, a financeirização, a gestão e manipulação de crises e a redistribuição estatal das rendas. A privatização é o processo de transferência de ativos e patrimônios públicos para as empresas privadas. A privatização de recursos naturais, recursos minerais e infraestrutura pública para os capitais privados. A financeirização é a desregulamentação das atividades bancárias e esquemas fraudulentos antes denominados de Ponzi, agora representativos do grande esquema do investidor Bernard Madoff e de falências bancárias como a do gigante Lehman Brothers. A “financialização” tem apoio político em instituições como os bancos centrais, O Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e mesmo nas políticas monetárias da União Européia em relação aos países periféricos em profunda crise, como a Grécia e os outros PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia, Espanha). O Novo Imperialismo, livro de 2003, aponta as estratégias e políticas do capitalismo e dos Estados Unidos para tentarem manter as estruturas de acumulação e de exploração em funcionamento. Os Estados Unidos mudaram de uma política de consensos para uma política de coerção armada na guerras do Iraque e do Afeganistão, com consequências custosas e agravantes deficitários para a crise de acumulação. Harvey elabora um quadro conceitual para explicar e entender essa mudança geopolítica dos Estados Unidos no início do século XXI. Desde o livro “Limits to Capital”, de 1982, revisto em 2007, que Harvey atualiza e aprofunda a investigação de Karl Marx sobre o capital e sua distribuição desigual. As crises, a queda tendencial da taxa de lucro e uma sucinta análise de considerações espaciais e políticas na nova ordem mundial são discutidas. A luta de classes, a luta política, os novos movimentos sociais urbanos como o “occupy”, a reorganização mundial do capitalismo e do mercado mundial na ascensão dos BRICs (Brasil, Rússia, India, China) são questões que demonstram a vitalidade do referencial teórico e analítico do marxismo em David Harvey na compreensão e explicação da sociedade contemporânea. A diferente espacialização do capitalismo é discutida na obra “Spaces of Global Capitalism: A Theory of Uneven Geographical Development”. O capitalismo apresenta tempos e espaços com formas de desenvolvimento desiguais e associados, com diferentes padrões de acumulação ao longo da história econômica e territorial. As grandes expressões culturais, estéticas e padrões de comportamento Também estão presentes na síntese de Harvey ao utilizar a categoria dialética de totalidade como referência explicativa dos processos pós-modernos e contemporâneos. Quarenta anos de produção teórica de David Harvey contribuíram para entender e analisar as mudanças sociais na acumulação capitalista, no urbanismo, na produção dos espaços sociais e políticos do capitalismo contemporâneo. Trata-se autor atualíssimo e de elevada relevância social, cultural e política para o debate das ciências sociais. Um autor com extensa obra no campo do marxismo e que precisa de um balanço crítico em sua perspectiva teórica.

Engels, Friedrich. A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra. São Paulo. Global, 1986

Marx, Karl. O Capital. Crítica da Economia Política. Os Economistas. Abril. 1983

Harvey, David. A Brief History of Liberalism. Oxford University Press, 2005

___________. A Condição Pós-Moderna: Uma Pesquisa sobre as Origens da Mudança Cultural. SP. Ed. Loyola, 1992

___________. Social Justice and the City. Edward Arnold, 1973

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­___________. Spaces of Global Capitalism: A Theory of Uneven Geographical Development. Verso. 2006

___________. The Limits to Capital. Verso; Updated edition , 2007



­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­___________. The New Imperialism. Kindle Edition. 2003

Oliveira, Ricardo Costa de. As Metamorfoses do Capital e o Sentido da Modernidade. Resenha do livro “A Condição Pós-Moderna”, de David Harvey. Revista de Sociologia e Política. Curitiba, 1993.


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