IntroduçÃO À histologia



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INTRODUÇÃO À HISTOLOGIA

Histologia
É definida como sendo a ciência, parte da biologia, que estuda os tecidos (histos = tecido e logos = estudo). E o que é tecido?
Tecido
Há vários conceitos para tecido. É possível encontrar alguns autores que definem tecido como sendo um conjunto de células que apresentam mesma forma, mesma função e mesma origem embrionária. Mas, este conceito não possui muita sustentação histológica. Se analisarmos, por exemplo, o sangue, veremos que a forma de uma hemácia (disco bicôncavo, anucleado na maioria dos animais domésticos) é totalmente diferente de um neutrófilo (ovóide, quando no sangue, com núcleo lobulado). Quanto à função destas células: a hemácia transporta oxigênio e gás carbono, enquanto o neutrófilo é uma célula fagocitadora. Portanto, vemos que apesar de pertencerem ao mesmo tecido elas não têm a mesma forma e tão pouco a mesma função. Ainda outro exemplo nos remete a raciocinar: no tecido ósseo os osteócitos são células arredondadas cuja função é contribuir na manutenção da matriz óssea, enquanto os osteoclastos são células cuja forma varia muito, pois se movem através da emissão de “pseudópodes” e são responsáveis pela reabsorção óssea. Portanto, nem possuem a mesma forma e muito menos a mesma função. Poderíamos discorrer muito mais, mostrando inúmeros exemplos em que se constata que a grande maioria dos tecidos é constituída por células que têm funções e forma diferentes. Já quanto à afirmação de que as células de um tecido apresentam mesma origem embrionária, de fato esta afirmação é aplicável. As células que compõem um tecido normalmente apresentam mesma origem embrionária. Assim, como conceituar tecido? Tecido é um conjunto de células que apresentam a mesma função geral e a mesma origem embrionária. Diríamos a mesma função geral, pois um tecido apresenta uma ou mais funções gerais. Por exemplo: os epitélios de forma geral apresentam como função principal revestir as superfícies corpóreas, assim sua função geral é revestir uma superfície. No epitélio, como, por exemplo, o da traquéia, tem-se a células ciliadas e as células caliciformes. Ambas apresentam formas e funções diferentes, mas as duas realizam a função geral de revestir.
Origem Embrionária dos Tecidos
Neste ponto devemos começar do início: quando o espermatozóide (gameta masculino) e o óvulo (gameta feminino), ambas as células apresentando a metade do número de cromossomos (portanto haplóides) de uma célula somática da espécie, encontram-se em ambiente propício – que pode ser o útero ou em meio de cultura – ocorre a fecundação. As duas células após a fecundação formam uma célula, o zigoto, que é uma célula diplóide (como o mesmo número de cromossomos de qualquer célula somática da espécie). Formado o zigoto ele passa a sofrer sucessivas mitoses, processo denominado de clivagem. Uma célula forma duas, as duas formam quatro, as quatro formam oito e assim sucessivamente. Por volta do sétimo dia (na maioria dos animais domésticos) pós-fecundação o que se vê é um amontoado de células envoltas por uma membrana translúcida. Cada célula é chamada de blastômero, sendo células totipotentes (ainda não diferenciadas e com a potencialidade de originar qualquer uma das células do corpo animal), e a membrana envoltória é chamada de zona pelúcida. Este estágio do embrião por se assemelhar muito a uma amora é chamado de mórula. Os blastômeros sintetizam um líquido, rico em ácido hialurônico, que vai se acumulando dentro do embrião e por volta do oitavo/nono dia forma-se uma pequena cavidade no interior do embrião, a blastocele. Neste momento o embrião passa a se chamar de blástula ou blastocisto. Posteriormente, a cavidade aumenta e pela expansão interna do embrião a mórula é rompida (blastocisto eclodido). Esta massa celular começa a se dobrar para dentro de si mesma e aí se forma uma cavidade central chamada de gastrocele, neste momento forma-se a gástrula. Nesta fase é possível identificar os dois primeiros tecidos embrionários, também conhecidos como folhetos embrionáriosectoderma e endoderma. O ectoderma é folheto embrionário externo e o endoderma o folheto embrionário interno. Um pouco depois, a partir do endoderma forma-se o folheto médio, o mesoderma. A partir daí começa haver diferenciação celular e formação dos tecidos animais. Por exemplo: do ectoderma forma-se o tecido nervoso e alguns epitélios de revestimento; já do mesoderma origina-se a maioria dos tecidos conjuntivos e musculares; do endoderma alguns epitélios de revestimento.

Os tecidos embrionários são três (ectoderma, mesoderma e endoderma) e deles se formam todos os tecidos do corpo animal.



Cada um desses folhetos embrionários darão origem aos diversos tecidos e sistemas corporais, como mostra a tabela:


Especialização celular
As células destinadas a desempenhar funções específicas nos tecidos especializam-se por meio de alterações determinadas pelos genes. A forma das células e o tipo de organelas que se apresentam em maior abundancia variam de acordo com a especialização. Exemplo: células do tecido muscular, com metabolismo ativo, são ricas em mitocôndrias, células de defesa que realizam fagocitose, como os macrófagos, são ricas em vacúolos digestivos e lisossomos. Algumas das principais células são:

Célula epitelial – célula dos tecidos de revestimento, pele e mucosas. São justapostas, sem espaço intercelular entre elas, e invaginam-se da superfície para formar estruturas glandulares especializadas em secreção.

Células de Schwann – células que envolvem os axônios, formando uma capa protetora para os nervos chamada bainha de mielina.

Osteócitos – células do tecido ósseo envolvidas na manutençãod matriz óssea. São fusiformes e ficam encarcerados na matriz óssea mineralizada.

Condrócitos – células do tecido cartilaginoso possuem forma arredondada e produzem a matriz cartilaginosa, composta de fibras colágenas, elásticas e proteoglicanas.

Fibroblastos – células do tecido conjuntivo, sintetizam fibras colágenos e elásticas. Sua forma é alongada e regular.

Mastócitos – células do tecido conjuntivo, de forma arredondada. Participam da função imunológica, produzindo a resposta alérgica. Rica em heparina e histamina.

-Eritrócitos, hemácias ou glóbulos vermelhos – células que transportam o oxigênio no sangue, são ricas em hemoglobinas. Não possuem núcleo e sua forma é bicôncava.

Leucócitos ou glóbulos brancos do sangue – células de defesa realizam a fagocitose e possuem enzimas que destroem bactérias. Movimentam-se por pseudópodos, não apresentando forma definida.

Plasmócitos – derivam de glóbulos brancos e produzem anticorpos.
Tecidos Fundamentais
Macroscopicamente Bichat, por volta de 1800, conseguiu identificar 21 diferentes tipos de tecidos. Mas com o advento do microscópio foi possível identificar muitos outros tecidos (aproximadamente 41). Mas todos estes tipos podem ser agrupados em quatro diferentes tecidos, chamados de tecidos fundamentais: os tecidos epiteliais, os tecidos conjuntivos, os tecidos musculares e o tecido nervoso.


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