História Geral das Guerras Angolas



Baixar 7,23 Kb.
Encontro19.08.2018
Tamanho7,23 Kb.
Guilherme Oliveira da Silva RA: 15221161

A pesquisa que segue, utiliza como fonte de estudo e análise, a obra “História Geral das Guerras Angolas”, escrita por Antonio de Oliveira de Cadornega, na segunda metade do século XVII. Nascido em Vila Viçosa em Portugal no ano de 1623 e falecendo em Luanda, Angola em 1690, Cadornega é responsável por um dos mais importantes registros da História de Angola no século XVII, período marcado pelas disputas de poder entre portugueses, holandeses e lideres locais.

Ao se inscrever como militar voluntário em Portugal, Cadornega chega a Angola em 1639, atuando como militar até chegar ao posto de capitão alguns anos depois. A partir de 1671, passa a escrever uma série de relatos, que são encaminhados ao Rei D. João IV de Portugal, ressaltando os feitos dos portugueses para a efetiva conquista de Angola, com o intuito de perpetuar na memória portuguesa a grandiosidade das guerras, as quais os portugueses saíram vitoriosos. Esses relatos vão constituir o documento analisado por este trabalho.

É possível analisar uma série de questões que permeiam o Centro Oeste Africano em meados do século XVII a partir da leitura da obra de Cadornega. Partindo principalmente de suas vivências e conhecimentos empíricos, resultados de cinco décadas em território africano, e também se utilizando do relato de terceiros, sobretudo quando descreve situações e locais em que não esteve para construir sua narrativa, Cadornega apresenta não somente informações sobre as Guerras, como sugere o título de sua obra, mas também revela aspectos cotidianos, culturais, sociais e políticos que perpassavam o espaço compreendido como Angola.

Os relatos de Cadornega, escritos no século XVII, só foram condensados em um livro em 1940, no período final da colonização portuguesa em Angola, em uma tentativa de construir um discurso que legitimasse a presença ibérica em África. Os escritos de Cadornega foram divididos em três partes e então recebeu o titilo “História Geral das Guerras Angolanas”. As duas primeiras destinam-se a narrar cronologicamente experiências de guerra e negociação entre portugueses, holandeses e africanos nos territórios em que ocorriam os conflitos. A terceira parte consiste na descrição de aspectos geográficos e etnológicos dos locais citados por Cadornega.

Dentre as três partes que compõem a “História Geral das Guerras Angolanas”, o trabalho aqui exposto, tratou de estudar a primeira parte ou, primeiro tomo, no qual Cadornega descreve o desempenho português nas primeiras décadas do século XVII. As personagens da narrativa, cuja pesquisa buscou analisar estão presentes, sobretudo na primeira parte, sendo então o trecho essencial da obra para o estudo. Trata-se de Henrique Dias, homem preto nascido em Angola e que, uma vez bem sucedido nos empreendimentos militares portugueses contra os que se contrapunham aos interesses da Coroa, passa a liderar um regimento militar de homens pretos, chamado de Terço dos Henriques.

Após sessenta anos de União Ibérica, período no qual a Coroa Portuguesa foi anexada a Coroa Espanhola, o Rei Dom João IV, começa um intenso movimento de recuperação do território português ocupado pelos holandeses tanto em Pernambuco no Brasil, como em regiões de Angola. É nesse período em que Cadornega inicia o envio de relatos para o Rei, ressaltando os feitos dos portugueses em terras africanas.

Em sua obra, Cadornega descreve o que é chamado de “guerras pretas”, embates militares protagonizados por chefes de guerras locais. É possível compreender, através da “História Geral das Guerras Angolanas” que a luta dos portugueses pela retomada do território perdido para os holandeses, foi viabilizada pelas notórias experiências dos guerreiros pretos. Cadornega faz em boa parte de sua obra, longa descrição da Rainha Nzinga, conhecida por sua resistência a ocupação portuguesa em seu território, ora se articulando e ora se opondo aos portugueses.



A narrativa de Cadornega é altamente descritiva e densa. Possui linguagem formal e tudo o que é relatado, tem como finalidade a régia admiração, por parte de D. João IV. Trata-se portanto de um documento fundamental para entender os meandros envolvidos na dominação portuguesa na África Ocidental.


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal