História em exercício análise de documento escrito (teatro)



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HISTÓRIA EM EXERCÍCIO

Análise de documento escrito (teatro)

18. a) O Juiz de Paz recebe (e aceita) um cacho de bananas de presente, com um bilhete que não explica exatamente as razões pelas quais o presente foi enviado.
b) O senhor Manuel, que havia enviado os cachos de banana de presente ao Juiz, faz uma demanda legal: solicita que o Juiz resolva o caso de disputa de fronteira no sítio de sua propriedade. O Juiz de Paz retira-se do caso, alegando ocupações com a roça. O querelante questiona a decisão judicial e tem prisão decretada, mas foge sem ser perseguido.
19. a) O cargo de Juiz de Paz foi criado com a finalidade de descentralizar o exercício do poder. Eleito por votos nas localidades, cabia a ele exercer funções administrativas e de polícia, além de julgar e decidir pequenas demandas judiciais.
b) Resposta, em parte, pessoal. Meus caros, aqui é fundamental que vocês mencionem, em suas respostas, que o Juiz de Paz da comédia de Martins Pena é uma figura que não conhece a lei, não tem comprometimento com o ofício, aceita subornos, beneficia- se do cargo em proveito próprio e não quer se implicar em disputas.
c) É muito difícil dizer qual das duas concepções se aproxima do que acontecia, na realidade, no Império. São duas visões possíveis e têm ambas, elementos de veracidade. A maior ou menor distorção das atribuições do Juiz de Paz, em termos reais, variava de acordo com o jogo de poder nas localidades. É importante destacar, professor, que a comédia de costumes, como sátira, tende ao exagero; e que a

lei, como idealização, tende a sofrer alterações e distorções ao ser aplicada.


20. As reformas na Constituição pretendiam promover algum grau de descentralização do poder. Segundo se pode apreender na comédia de Martins Pena, a descentralização foi interpretada como laissez-faire: para o povo, ficou a impressão de que estava dada a permissão para que cada cidadão fizesse o que bem entendesse, sem obedecer à lei; para os Juízes de Paz, que eles poderiam fazer as leis segundo melhor lhes agradasse.
21. Há alguns elementos que podem ser destacados como permanências nos dias atuais. Nós apontamos três: fiquem atentos.

a) a existência de suborno na cultura política nacional, nas esferas administrativa judicial e de polícia;

b) a livre interpretação da lei por parte dos sujeitos comuns, que passam a agir como se a conhecessem a fundo;

c) a interpretação da lei de acordo com interesses pessoais e/ou a morosidade da justiça para a solução de casos que não são de interesse dos sujeitos envolvidos, em nível de decisão.


HISTÓRIA EM EXERCÍCIO

Análise de iconografia (caricatura)
25.
1 “D. Pedro II parte em viagem e deixa sua filha Isabel como regente, tendo que orquestrar a difícil situação política; no centro, o Conde D’Eu vira as páginas da partitura da Isabel, representada como maestro.” (A grande orquesta, por Rafael Bordalo Pinheiro, em O Mosquito, 1/4/1876).
2. “O Imperador em sua viagem ao Egito.” (em Revista Ilustrada, 1871)
3. Consta que o nosso infatigável imperador projeta o meio de fazer a volta ao mundo em menos de 80 dias. “Agostini ironiza a ausência constante da família imperial, sempre em meio a viagens, e a compara com a façanha de Júlio Verne.” (por A. Agostini, em Revista Ilustrada).

4. Pela rapidez com que D. Pedro II gosta de viajar não duvidamos que brevemente S. M. adotará este sistema. O ilustre séquito que se aguente! Coitados! “Mais uma vez, as viagens do Imperador são motivo de chacota; na imagem, D. Pedro vai bem à frente no balão, portando sua luneta.” (por A. Agostini, em Revista Ilustrada).


5 “D. Pedro de olho na lua.” (em Revista Ilustrada)

6. El-Rei, nosso Senhor, e amo, dorme o sono da indiferença. Os jornais que diariamente trazem os desmandos desta situação parecem produzir em Sua Majestade um efeito de um narcótico. “D. Pedro ‘lê e analisa’ as grandes notícias.” (em Revista Ilustrada, 1887).

7. “Mais uma vez, Ângelo Agostini: o imperador voa pelos ares como um cometa, levando consigo seus políticos.” (em Revista Ilustrada).
8. “D. Pedro, nas nuvens, observa a distante realidade.” (em Revista Ilustrada)

26. a) Resposta pessoal. Aqui, turma, é importante que vocês analisem o tom da legenda das caricaturas em sua ironia. Um exemplo possível de legenda para a imagem: “No carrossel da política brasileira, mudam as posições... mas a situação permanece a mesma”.


b) Resposta pessoal. Neste caso, meus caros, suas análises devem conter argumentos da história para identificar os elementos da caricatura e interpretar a crítica que ela faz. Para a imagem proposta, um texto possível de interpretação seria: “A política brasileira do Segundo Reinado é representada como um carrossel, no qual o eixo é o imperador D. Pedro II, em proporção muito maior do que as demais figuras, e o motor é uma velha senhora, a Diplomacia. Em pé de igualdade e se encarando ao trocar de posições, estão representados os dois partidos nacionais: o liberal, como uma mulher jovem; e o conservador, como um velho senhor”.

HISTÓRIA EM EXERCÍCIO



Análise de iconografia
28. A imagem retrata D. Pedro I que segura uma índia de feições europeias pelo braço e pisa sobre um negro, enrolado em uma cobra.
29. Em 25 de março de 1824 foi outorgada a Constituição imperial por D. Pedro I. O quadro é, portanto, uma representação em homenagem a este evento (é chamada de “alegoria à Constituição”).
30. A nação é representada pela indígena, idealizada como figura nativa e pura. A barbárie, pelo negro envolvido na cobra, que representam a falta de civilização (ligada ao mundo europeu) e a cultura dos trópicos.
31. D. Pedro I segura a índia e olha para ela com firmeza e autoridade, mas também com gentileza. A índia, por sua vez (que representa a nação), está em posição de submissão a ele, para quem olha com encantamento. Diante disso, pode-se inferir que D. Pedro I iria conduzir a nação para o bom caminho, longe da barbárie, em 1824 – o que seria feito a partir da Constituição, mencionada no título do quadro.
32. Resposta pessoal, uma vez que depende das interpretações que vocês fizeram. É fundamental, entretanto, que vocês analisem as semelhanças e diferenças existentes na estrutura proposta pela Constituição de 1824 e na proposta pelas reformas do Segundo Reinado – o que foi apresentado no texto do capítulo. A maior semelhança é a existência do Poder Moderador, com superioridade sobre os demais e exclusivo do Imperador. Após as reformas, a figura que aparece é o Presidente do Gabinete de Ministros, o que aumenta a centralização do governo, colocando o Poder Executivo em posição de superioridade com relação as demais. Em termos de representação, é como se a primeira charge (sobre o Primeiro Reinado) colocasse um cavaleiro à frente dos outros três, puxando-os; estes, por sua vez, não mais se controlam uns aos outros por meio dos rabos dos cavalos. E a segunda charge apresentasse um cavaleiro na frente (Poder Moderador), puxando um logo atrás (Poder Executivo), que puxa os outros dois, em pé de igualdade entre si.

Seria interessante, também, analisar a importância de representar os cavaleiros do Poder Moderador com símbolos da realeza, para mostrar o caráter absolutista desta divisão de poderes.
Mantenham organizada a sua apostila!

Bom estudo e boa sorte!!

Abraços,

Profº Marilia Coltri


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