História e imagem: o uso das hqs do capitão américa no ensino de história contemporânea



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História e imagem: o uso das hqs do capitão américa no ensino de história contemporânea
Mateus Floresta Tavares de Oliveira 1 (UFCG – História)

Lays Honorio Teixeira 2 (UFCG - História)
A ideia de quadrinhos como conhecemos hoje surgiu em 1896 com uma tirinha “The Yellow Kid1” publicada em jornais de Nova York já com o formato que conhecemos hoje, com personagens fixos, ações fragmentadas entre os quadros e com as falas/pensamentos dos personagens ou narrador dispostos em balões. Com essa forma diferenciada de abordagem os quadrinhos foram ganhando popularidade.

            Quando pensamos em quadrinhos na sociedade americana, suas publicações são dividas por eras, a era de ouro de quadrinhos americanos é o momento em que vão surgir os quadrinhos de super-heróis como Superman, Capitão América e outros. Essa tem inicio em 1938 e se estende até 1955, com o seu ápice em 1941, o ano em que Estados Unidos finalmente entrariam na guerra, contudo precisamos analisar outro momento antes da chegada da guerra.

Nesse momento, os Estados Unidos viviam uma fase ainda muito isolacionista, e não queria envolvimento do país com o conflito para exemplificar essa questão:

A legislação de neutralidade de 1935-1937 destinava a impedir os tipos particulares de erros que se acreditavam terem arrastada a América para a I Primeira Guerra Mundial. A primeira lei de neutralidade, promulgada em 1936 proibia o embarque de armas para todos os beligerantes. [...] A segunda lei de neutralidade (1936) proibia empréstimos aos beligerantes. [...] Finalmente, a lei de neutralidade de 1937 tornou permanente as proibições em vigor e, de quebra, proibiu norte-americanos de viajar em navios de beligerantes. (SELLERS et al, 1990, p.341).



Essa situação muda com o projeto que é colocado em votação pelo presidente. O projeto Lend-Lease “que simplificadamente, consistia em ajuda financeira e material aos ingleses (e depois para os outros aliados), e eles pagariam quando pudessem.” (Tota 2009, p.164) e num de seus programas chamados “Fire Chat”2 Roosevelt diz que “Os Estados Unidos serão o arsenal da democracia”. Com essa declaração, o país assume que tinha tomado um lado na guerra.


Figura 1: Capa da história em quadrinhos Capitão América vol. 1
Nesse momento temos a primeira edição3 dos quadrinhos do Capitão América no dia 01 de março de 1941, originalmente lançado pela Timely Comics por Joe Simon (escritor) e Jack Kirby (desenhista). Segundo uma entrevista dos autores, o quadrinho foi pensando em uma repulsa as ações da Alemanha nazista (WRIGHT, 2001) com uma capa bastante sugestiva com o Capitão América socando a cara de Hitler é possível também ver um mapa dos Estados Unidos sobre a mesa dando a entender um ataque nazista a América. Podemos ver também que os tiros erram completamente o Capitão que simboliza não somente a América, mas representa a liberdade e sua “arma” um escudo que defende esse própria liberdade. Esse exemplar vendeu cerca de um milhão de cópias, já que os quadrinhos desse período eram baratos, fácil de levar para os lugares e estavam cheios de histórias patrióticas e inspiradoras para a população.


Figura 2: Capa da história em quadrinhos Capitão América vol. 2
Em pouco tempo os quadrinhos do Capitão América foram um dos maiores sucesso da Timely Comics, o super-herói com origens normais mas que representa todo o sonho americano. Steve Rogers era a verdadeira identidade do Capitão América. Originalmente é um descente de irlandeses que perdeu seus pais enquanto ainda era uma criança. Antes dos Estados Unidos entrar em guerra Steve era um estudante de artes, alto e magrelo, desconcertado com a Ascenção do terceiro Reich tenta se alistar no exercito. Contudo ele não é aceito por ser magrelo demais mas a sua determinação para se alistar chama a atenção do General Chester Phillips e ele entra como voluntario para um teste, onde é injetado nele um soro especial que transforma Steve dando a ele incríveis capacidades físicas e mentais e com isso surge o Capitão América, um Super-Herói que vinha para representar a persistência, o empenho e o patriotismo de sua nação. E com isso os quadrinhos passaram a ganhar mais e mais público tendo inclusive um clube de fãs “Sentinels of Liberty”4 os quadrinhos ainda se mantiveram na mesma linha de tiragem de um milhão de cópias ao longo da sua próxima edição que foi lançada em 01 Abril de 1941.

Existem diversas semelhanças entre essa5 e a capa da primeira edição, contudo a imagem transmitida por ela é um pouco mais simbólica que a primeira: agora em vez de estar atacando Hitler, a presença do Capitão América provoca o medo nele, o grande vilão que se curva perante a força dos Estados Unidos.

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