História da Língua Italiana



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História da Língua Italiana

A língua italiana atual deriva em grande parte do latim vulgar. Inicialmente, existiam dois tipos de latim falados até à idade média: o latim clássico falado pelos romanos mais cultos e influentes ou pelos moradores da área original de Roma, mais complexo, e o latim vulgar, que era falado pelos soldados e pelos povos dominados pelos romanos.

Uma vez que os soldados se mantinham por determinados períodos de tempo nos locais ocupados, eram, de certa forma, encarregados em impor a língua latina aos colonos, pelo que, a variante de latim vulgar se tornou a mais falada em toda a extensão do vasto Império Romano. Com a ocorrência de misturas de dialetos locais com o latim formaram-se várias das línguas atuais, tais como o português, o espanhol, o francês, o romeno e muito da essência do inglês.

O italiano é assim um caso à parte, uma vez que, com a queda do Império Romano do Ocidente e o extermínio e dispersão dos romanos, deu-se um impedimento à difusão e conservação da tradição, preservando-se apenas o latim vulgar durante a Idade Média, usado como língua de alguns pequenos estados da península itálica e regiões circundantes bem como a língua oficial da Igreja Católica, que exercia um grande poder na época, ajudando na preservação da língua (atualmente, no Estado do Vaticano, a língua oficial ainda é o Latim, o que não dificulta em nada o contato com os italianos).

No século XIX, com a unificação dos pequenos estados da península itálica cuja ligação comum era, basicamente, a língua, promulgou-se o italiano como língua oficial, que só não pode ser considerada como latim vulgar "puro" por ter influências das línguas da região da Toscânia.

Língua da Itália unificada

O italiano padronizado, usado hoje na Itália, é descendente dos dialetos da Toscana, especialmente aquele falado em Florença, um dos mais importantes centros culturais da História italiana. Este dialeto ganhou prestígio sobretudo após ser usado por Dante Alighieri, o maior escritor italiano. Desta forma, o italiano padrão só era falado na região da Toscana. Com a unificação italiana, o dialeto de Florença foi escolhido como língua oficial da Itália.


Os dialetos italianos.

A Itália, anteriormente dividida em diversos reinos, com línguas e dialetos próprios, só se unificou na segunda metade do século XIX. Diversos idiomas e dialetos prevaleciam entre a população do País. Estes dialetos eram, na maioria das vezes, incompreensíveis entre si. Por exemplo, um italiano que fale um dialeto do sul da Calábria não entende o dialeto de alguém do norte da Calábria. De uma cidade para outra, os dialetos italianos podem mudar completamente. Em consequência, era necessário unificar a população italiana dentro de um único dialeto que, no caso escolhido, foi o dialeto toscano.[1][2]



Em 1861, ano do Risorgimento italiano, apenas 2,5% da população italiana se comunicava em italiano e outros 10% compreendiam a língua. A esmagadora maioria da população nem ao menos possuía conhecimento da língua. O italiano só se tornou dominante nos últimos cinquenta anos, com a alfabetização em massa da população italiana e o desenvolvimento de tecnologias como a televisão, que contribuiu para a divulgação da língua italiana. Na década de 1950, o italiano ainda perdia para os dialetos: 18% da população se comunicava na língua oficial, 18% alternava entre dialeto e italiano e 64% usava algum dialeto. Atualmente, 44% da população italiana usa apenas o italiano, 51% alterna entre italiano e dialeto e apenas 5% fala apenas dialeto. Para muitos italianos, falar dialeto é sinônimo de ignorância e falta de estudos. O italiano estandardizado é, então, considerado o idioma da escolaridade e da população bem-educada, enquanto os dialetos são usados sobretudo no meio rural e para se comunicar com os familiares.[1]

Distribuição geográfica

Distribuição geográfica do italiano na Europa.

O italiano é língua oficial na Itália e em San Marino, e uma das línguas oficiais da Suíça. Também é a segunda língua oficial do Vaticano e em algumas áreas da Ístria, na Eslovênia e Croácia, como uma minoria italiana. Também é constantemente falado na Córsega e em Nice, antigas possessões italianas, além da Albânia.

É falado em certas partes da África, que incluem a Etiópia, Líbia, Tunísia e Eritreia. É constantemente usado por comunidades italianas vivendo no Luxemburgo, na Alemanha, Bélgica, nos Estados Unidos, no Canadá, na Venezuela, no Brasil, Uruguai, na Argentina e Austrália.

A presença de italianos é marcante em toda a América Latina. Neste caso, a presença da língua italiana, na maior parte dialetos nortenhos, é abundante no Brasil, Argentina e Uruguai. Nesses países, o espanhol e o português foram influenciados pelo italiano, particularmente em algumas regiões: (Rio Grande do Sul, São Paulo, Córdoba, Buenos Aires, Chipilo, etc)

No Brasil

Entre 1875 e 1935, aproximadamente 1,5 milhão de italianos imigraram para o Brasil.[3] Atualmente, 25 milhões de brasileiros são descendentes de italianos, contabilizando a maior população de origem italiana fora da Itália.[4]

Os imigrantes não falavam o italiano padrão existente hoje, mas dialetos. Na época em que estes imigrantes partiram para o Brasil, no fim do século XIX, o uso do dialeto era ainda mais forte, visto que poucos italianos eram alfabetizados e tinham conhecimento suficiente do italiano padrão que ainda começava a se difundir. A imigração vêneta se concentrou no Sul do Brasil, palco para a criação de colônias rurais isoladas quase sem comunicação. Tais fatores contribuíram para o enraizamento do dialeto vêneto em certas porções do Brasil meridional. A maior parte dos falantes de vêneto no Brasil se concentra nas zonas vinícolas do Rio Grande do Sul. Por viverem de certa forma isolados na zona rural, esses italianos e descendentes foram o único grupo que conseguiu manter o idioma vivo no Brasil, falado atualmente por alguns milhares de brasileiros. O dialeto, contudo, sofreu forte influência do português, e manteve expressões e léxicos que desapareceram na Itália. Para diferenciá-lo, utiliza-se hoje o nome talian.

Desta forma, apenas o dialeto vêneto sobreviveu no Brasil. Diversos outros falares itálicos, como o napolitano (bastante difundido em São Paulo no início do século passado), emiliano, siciliano, lombardo, etc, desapareceram no Brasil. É notório, porém, que o vêneto também está ameaçado, visto que está restrito a ambientes rurais, em um país de forte aceleração urbana como é o Brasil. Em centros urbanos, como Caxias do Sul, o vêneto foi, outrora, língua corrente porém hoje é difícil encontrar seus falantes.

Atualmente verifica-se um renovado interesse em se manter esse idioma minoritário do Brasil meridional através de sua inserção em currículos escolares, da mesma forma que se está fazendo com o idioma alemão nas zonas de colonização alemã e com o espanhol nas zonas fronteiriças à Argentina e ao Uruguai.

Um pouco de história da língua italiana.

 

Como muitas das línguas européias, o Italiano faz parte de uma família linguística chamada de línguas neolatinas ou românicas, aquelas que provêm do Latim como o nosso Português. Essa denominação tem origem no povo guerreiro da região do Lácio (Latium, em latim, e hoje Lazio, em italiano), que exerceu seu domínio sobre grande parte da Europa.


Na maioria das vezes, as línguas se afirmam como imposições culturais, como no caso do Latim da época dos romanos. Porém, elas se transformam devido às necessidades dos falantes, ao isolamento territorial e ao tempo. Com isso, novos idiomas nascem, primeiro como dialetos, e com o passar dos anos se estabelecendo como línguas oficiais dos países. Mas essa é uma questão complicada que deixamos aos linguistas e filólogos. 
Na península itálica, assim como no resto da Europa, o Latim gerou diversos dialetos, já que no período de conquistas dos romanos (do Século I a.C. ao Século V d.C.) a língua foi também pouco a pouco conquistando território. Mas não nos esqueçamos da situação política vivida pelos povos que ali habitavam após a queda do Império Romano. Depois de certo isolamento cultural devido, sobretudo, às constantes invasões bárbaras e aos novos domínios que se criaram, muitas cidades se destacaram econômica e politicamente. Entre elas Veneza, no norte da Itália, criadora uma sólida república que durou do século IX ao final do XVIII; Firenze, importante núcleo cultural na região da Toscana, ao centro da península; e Palermo, ao sul. E é justamente em Palermo, capital da Sicília, que se inicia aquela que é considerada a primeira corrente poética italiana, a chamada Scuola Siciliana, nascida na corte do rei Federico I di Sicilia (também conhecido como Federico II Del Sacro Romano Impero) no século XIII.
A língua literária nessa corrente poética era a siciliana, mas também longe dali, na Toscana, essa língua influenciou o estilo e o vocabulário para a criação de outra corrente poética: O Dolce Stil Nuovo. Também do século XIII, o Stil Nuovo pregava a escrita em língua ‘natural’, aquela do povo, em detrimento do Latim que ainda era usado como língua culta apesar da queda do longínquo Império.
O maior dos representantes do Stil Nuovo se chamava Dante Alighieri, que paralelamente à sua sublime poesia se dedicou à questão da língua nacional. Porém, não havia uma unidade territorial que acolhesse a Itália em um só país, mas várias regiões que tinham em comum certa ‘unidade linguística’, herdeira da língua dos romanos e preservada em parte pelo isolamento dos Alpes, ao norte, e do mar Mediterrâneo. Dante elaborou o tratado De Vulgari Eloquentia, onde faz um grande apanhado dos vernáculos da península itálica, enaltecendo as belas características de uns e desprezando as feias de outros. Podemos ver o resultado dessa reflexão sobre a língua na maneira como ele escreveu a sua obra-prima, o poema La Divina Commedia, que veio a público entre os anos de 1314 e 1321.
Muitos textos relevantes foram escritos na região da Toscana depois de Dante, vale lembrar grandes nomes como o do poeta Francesco Petrarca e o do filósofo Niccolò Machiavelli. Mas o primeiro romance em língua italiana só foi publicado em 1827 (muito depois dos poemas do Stil Nuovo) e se chama I Promessi Sposi, escrito por Alessandro Manzoni. Nessa época, nascia também o movimento da unificação italiana em um só Estado conhecido como Rissorgimento. O texto de Manzoni foi reconhecido como símbolo desse movimento, pois o autor o havia ‘traduzido’ para a segunda edição de 1840 da sua língua milanesa para a língua florentina de Dante. Uma vez reunido o Estado Italiano, era necessária também uma língua oficial da nação. Nem melhor nem pior que outras, a escolhida foi a de Firenze, berço do Stil Nuovo e de toda uma tradição linguística, e gramatical que se criou depois de Dante.

Professor Emanuel Brito

Professor da "Monte Bianco Lingua Italiana" e mestrando da "USP"

 

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