História da instituiçÃo c. E. I liceu diocesano de artes e ofícios



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HISTÓRIA DA INSTITUIÇÃO C.E. I LICEU DIOCESANO DE ARTES E OFÍCIOS

Francisca Diéyce Oliveira de Souza

(Graduanda de Pedagogia da URCA, dieycesouza9@hotmail.com)

Liliane Felix Henrique

(Graduanda de Pedagogia da URCA, liliane25_live@hotmail.com)

Rita de Cássia Ferreira da Silva

(Graduanda de Pedagogia da URCA, ritahdecassia@hotmail.com)

Zuleide Fernandes de Queiroz

(Professora Dra. da URCA, zuleide.queiroz@yahoo.com.br)

Introdução

A escolha do estudo de instituições se deveu ao fato de podermos concretamente, conhecer a história educacional. Ou seja, saímos do nível das idéias e intenções e passarmos a visitar ou revisitar o cotidiano das instituições educacionais e da vida dos atores envolvidos, podendo assim gerar novos estudos acerca de uma temática tão importante para a história de um lugar.

Neste presente trabalho, abordamos um pouco a história da instituição C.E. I Liceu Diocesano de Artes e Ofícios, e a sua importância para a educação da cidade do Crato em especial no bairro Seminário, onde é sua localização. Tem por objetivo promover uma educação que tem por função criar condições para o desenvolvimento integral de todas as crianças, considerando também as possibilidades de aprendizagem que apresentam nas diferentes faixas etárias através de uma atuação que propicie o desenvolvimento, preocupada não somente com o acesso, mas com a permanência e o sucesso de seus alunos em busca de um melhor processo de ensino aprendizagem.

A escola se propõe a um trabalho baseado nas diferenças individuais e na consideração das peculiaridades das crianças na faixa etária atendida pela educação infantil, os valores norteadores da educação são trabalhados priorizando o respeito mútuo a justiça, o diálogo, a partição e a solidariedade que deverão estar presentes em todo trabalho. A escola deve desenvolver um trabalho criativo e dinâmico interagindo com o mundo e para com o mundo, numa expectativa de formar indivíduos integrados num tempo e num espaço e com senso de criticidade.

Neste sentido fomos instigados a conhecer e reconstituir a história de uma instituição educacional. O interesse pela história das instituições se deveu aos nossos estudos durante a Disciplina História da Educação Brasileira. Estudar o passado e memória dos sujeitos e de um lugar ou instituição significa colaborar com a história local e com a identidade.

A história de toda e qualquer área do conhecimento carrega em si um modo próprio e intransferível de ser. A rigor, para entendê-la, necessário se faz construir uma história, que demonstre o processo de elaboração de um “núcleo de tradição” responsável pelo contorno original daquele campo de estudo que se deseja enfocar, o qual tende a se perder, com o tempo, por força dos rituais de institucionalização a que o mesmo foi submetido, bem como, das formas diferenciadas de apropriação e de interpretação geradas em seu interior, no curso de gerações (CAVALCANTE, 2000, p. 15, apud QUEIROZ, 2003, p. 16).

Tal compreensão norteou os caminhos percorridos pelo nosso estudo, de maneira que, no primeiro momento de nossa pesquisa de campo, foi possível perceber determinados fenômenos locais, no que diz respeito ao papel da Igreja Católica, a Diocese do Crato, na criação das primeiras instituições educacionais da região do Cariri cearense, onde se insere a trajetória das instituições, desta em particular.

Na busca de fontes para reconstituir a história das instituições educacionais da região, diante da falta de um registro sistemático da constituição das mesmas, partimos para a realização de uma pesquisa com fontes orais, através de entrevistas aplicadas com os atores que participaram da formação das instituições analisadas. Ao lado disso, realizamos pesquisas nos arquivos públicos – biblioteca da URCA, arquivos do Liceu e material de pesquisa do Núcleo de estudos sobre trabalho, educação e desenvolvimento – NETED, da URCA, lançando mão, ainda, de observações e registros do cotidiano da Instituição que se tornou objeto de nosso estudo. Os recursos utilizados, para obtenção destas informações, foram entrevistas com a coordenação da escola e pesquisa documental.



O Ceará e o Cariri na educação

Os índios foram os primeiros habitantes do Ceará. O Ceará uma das 27 unidades federativas do Brasil e está situado na Região Nordeste, tendo como capital a cidade de Fortaleza. É atualmente o décimo segundo estado mais rico do país, sendo o terceiro mais rico do Nordeste. É conhecido como "Terra da Luz" e reconhecido nacionalmente pela beleza de seu litoral, pela religiosidade popular e pela imagem de berço de talentos. Antes o Ceará era chamado de "Capitania do Siará". Em relação à origem e significados do nome existem, existe uma versão de que é uma palavra de indígena que significaria “Canto da Jandaia”. O escritor cearense Jorge Amado diz a respeito desta versão que “é a verdadeira, não só conforme a tradição, mas também conforme as regras da língua tupi”.

Em relação à educação a primeira instituição de ensino do Ceará foi o Liceu do Ceará fundado em 1845, em Fortaleza. A rede de ensino do Estado no ano de 2007 era composta por 17.234 escolas sendo 7.668 pré-escolares, 8.773 de ensino fundamental e 793 de ensino médio.

O Ceará é divido em regiões, dentre elas a do Cariri que se situa ao sul do estado, é conhecido pela fertilidade do seu solo e por outras riquezas naturais, além disso, se estende a toda zona que circunda a serra do Araripe. Paulino de Nogueira afirma que “Cariri é apenas uma corrutela de” “Kari-rei” o conquistador à-toa, que não presta, que não é guerreiro (...)”.

Outro aspecto que notabiliza o cariri é o desenvolvimento da instrução. A cidade do Crato apresenta-se como o centro educacional de maior expressão no interior nordestino. Como exemplo tínhamos antigamente Escola do Comércio do Crato, que foi uma instituição de ensino de significativa atuação proporcionando o ensino noturno àqueles que não podiam frequentar a escola diurna, e tinha como finalidade atender a classe caixeiral dessa cidade.



Breve história do Crato e a educação no município

Crato é um município do interior do estado do Ceará, localizado ao sopé da chapada do Araripe, é conhecido por muitos como o “Oásis do sertão”. Primeiramente o Crato era chamado de missão do Miranda, apenas em 1842, ficou assim denominado de Crato, que foi habitado inicialmente por índios kariris. Atualmente, o município mantem um padrão de vida significativo, e em relação à educação, a cidade possui uma extensa rede educacional, nos três níveis de ensino, onda contamos tanto com o ensino de rede pública, quanto o de rede privada.

No resgate da história do Ceará encontramos uma cidade da região do Cariri que dá início a sua história. No começo, considerada Vila, como registra Jucá:

O povoamento da Capitania do Ceará, a partir do litoral, continuava sendo lento, embora Aquiraz e Russas apresentassem sinais promissores. Por isso, D. João IV criou no dia 13 de abril de 1726 a Vila do Forte de Nossa Senhora da Assunção. Surgiram, em seguida, sempre em direção do interior, as Vilas de Ico (1736), Aracati (1747), Crato (1748), Caucaia e Viçosa do Ceará (1759). Baturité (1763), Quixeramobim e Russas (1766) e Sobral (1772). Nas últimas décadas do Século XVII, antecipando-se a essas Vilas, o povoamento era, na realidade, na região do Cariri e no sertão dos Inhamuns. A futura Vila do Crato seria o primeiro grande pólo regional1 (JUCÁ, 1998, p. 36).


A cidade do Crato se destaca, não só por ter sido a primeira Vila, mais pela sua participação e resistência nos acontecimentos da história do Ceará e do Brasil. Com a força que a história tem mostrado, em 14 de agosto de 1839, o senador José Martiniano de Alencar cria a Província do Cariri Novo, conforme registra José de Figueiredo Filho em seu livro “História do Cariri”:

A Assembléia Geral Legislativa decreta: Art. 1º - Fica criada uma província que se denominará Província do Cariri Novo, cuja capital será a vila do Crato. Art. 2º - Esta província se formará: 1º Dos Municípios do Riacho do Sangue, Icó, Inhamuns, São Mateus, Lavras, jardim e Crato, da Província do Ceará (FIGUEIREDO FILHO, 1966, p. 81)

Nasce, então, a Região habitada inicialmente, pelos índios Cariris, que dão origem ao nome da Região. Miranda apud Figueiredo Filho, em seus apontamentos sobre a história do Cariri relata:
Congregados no Miranda atravessaram o riacho, hoje Ponte, e vieram aldear-se em uma pequena eminência, onde hoje está o Quadro da Matriz do Crato. Ali lançaram os fundamentos do templo, que serve agora de matriz, ou antes, fizeram uma pequena capela, que ficou sob a regência do padre missionário (MIRANDA APUD FIGUEIREDO FILHO, 1966, P. 106).

A partir do Crato, a região se consolida e se projeta com o surgimento de outras duas importantes cidades – Barbalha e Juazeiro do Norte.

Segundo Figueiredo Filho (s/d, p.51) com relação à evolução do Crato falou que o “Crato já evoluiu bastante. É prova viva de que as localidades de o interior brasileiro assimilar bem o progresso e a civilização. Passou o período anuviado das lutas políticas e do andonismo de aldeia”.

A rede superior de ensino é formada por três instituições, dentre elas a Universidade Regional do Cariri-URCA. A Universidade Regional do Cariri é uma universidade pública estadual sediada na cidade de Crato, a URCA atende a uma comunidade de aproximadamente 9.000 estudantes de cerca de 91 municípios . A URCA tem grande importância para a região do Cariri, dimensionada pelo seu papel estratégico na região, efetivado através do cumprimento de sua missão produtora de conhecimento.



Um pouco da história do C.E. I Liceu Diocesano

Dentre as instituições de rede pública de ensino infantil, temos o C.E. I Liceu Diocesano de Artes e Ofícios, localizado na Rua Marcos Macêdo, n°122, Bairro Seminário. Sua fundação foi no dia 31 de Maio de 1850, que teve como seu primeiro diretor o Mons. Pedro Rocha de Oliveira (in memória) e ex- diretor do Hospital São Francisco de Assis, quando o mesmo recebeu um convênio para iniciar o trabalho com crianças carentes. O convênio foi bem aceito, pois inicialmente a escola mantinha um curso primário ministrado por seminaristas e que logo após organizou-se ali um clube de mães para o acompanhamento de gestantes. A Legião Brasileira de Assistência construiu no Hospital São Francisco de Assis, na área denominada Hospital Infantil, um lactário junto ás crianças atendidas pelo hospital, com o qual o Liceu Diocesano 1968, entrou em relacionamento.

Crato é um dos centros mais beneficiados do nordeste no tocante as obras de assistência á população, no caso o Hospital São Francisco de Assis que de acordo com J. de Figueiredo Filho (s/d, p. 57),

É uma instituição criada pela iniciativa do Excelentíssimo Senhor Bispo Diocesano Dom Francisco de Assis Pires. Funciona ali o hospital propriamente dito, a maternidade Dr. Joaquim Fernandes Teles, o Ambulatório, o Hospital Infantil e o Posto de Puericultura, este sob a direção competente e abnegada do atual prefeito municipal, Dr. Décio Teles Cartaxo e mantido pela Legião Brasileira de Assistência. É diretor do Hospital o dedicado e competente médico Dr. Macário de Brito que é também seu cirurgião chefe. A provedoria esta a cargo da Inteligência do Mons. Pedro Rocha de Oliveira, Reitor do seminário diocesano São Jose.

O Mons. Pedro Rocha foi reitor do Seminário São José, que segundo J. de Figueiredo Filho (s/d, pp. 59-60) essa instituição servia pra preparar a elite de inteligência e de espirito, que desempenhou papel preponderante na transformação do homem da época(...)”. Essa aproximação entre Legião Brasileira de Assistência e Liceu Diocesano foi estabelecida pelo Mons. Pedro Rocha, uma vez que os espaços físicos eram limitados e não podiam juntar crianças sadias com crianças doentes no hospital, e assim foi iniciado o trabalho com 60 crianças. Como a verba que recebiam era apenas para a alimentação, e o número de crianças atendidas aumentou, passou a receber ajuda dos moradores do bairro com trabalho de monitores voluntários, com a coordenação do Padre Antônio Teodósio Nunes e Maria Imêlda Esmeraldo pinheiro (Madre Esmeraldo).

O Liceu Diocesano até agora recebe o apoio e colaboração da Congregação das Filhas de Santa Teresa, no qual já exerceu o trabalho na coordenação executiva, Madre Maria Imêlda Esmeraldo Pinheiro (in memoria) e atualmente, irmã Lucia Pedro de Oliveira. Algumas instituições também contribuíram para o bom desenvolvimento da instituição, como: LBA (Legião Brasileira de Assistência), FEBEMCE (Fundação do Bem Estar do menor do Ceara), e o Seminário São José, que contribuiu oferecendo o espaço físico, além de contar com trabalho voluntário do corpo docente. O Liceu Diocesano começou a receber ajuda da Prefeitura Municipal do Crato, quando se encontrava na administração do prefeito Pedro Felício Cavalcante, quando o mesmo sensibilizado com a situação do Liceu, resolveu contribuir com a contratação de funcionários. Oito salas de aula foram formadas, somente com a Educação Infantil, todos os professores com habilitação no magistério e contando com 300 crianças assistidas. Em 1998, após sofrer pressões por parte de Secretaria de Educação do Município do Crato, por conta do seu funcionamento não ser num prédio da prefeitura e sim da diocese e mesmo assim receberem funcionários da prefeitura, e para que a Creche continuasse com a assistência da Secretaria de Educação do Município de Crato, no que diz respeito a funcionários e professores, foi preciso implantar o Ensino Fundamental I, assim o Liceu deixa de ser creche e agora além de trabalhar com Educação Infantil, também passa a atender o ensino fundamental I.

Atualmente a E.E.I.E.F. Liceu Diocesano de Artes e Ofícios é credenciada pelo Parecer No. 594/2005, aprovado em 12.09.2005, para ministrar os cursos de Educação Infantil e Ensino Fundamental, sendo prorrogado o seu credenciamento para 31.12.2010 conforme a resolução nº 430/2009 do CEE – Conselho Estadual de Educação.

Conclusão

A Realização deste artigo nos propiciou um grande enriquecimento na nossa bagagem histórico-cultural e na prática da docência futuramente. O contato direto com a instituição nos fez ver a sua importância histórica para a população cratense, além de podermos perceber que ao pesquisar instituições escolares nos faz ter uma nova compreensão da história da escola, e aumenta a responsabilidade das nossas ações futuras para com a prática pedagógica.

Tivemos como finalidade conhecer o processo de desenvolvimento da mesma, seus fundadores, as dificuldades enfrentadas para se consolidar num verdadeiro ambiente escolar, e através destas observações vemos qual a importância do Liceu Diocesano de Artes e Ofícios e o porquê pesquisar instituições escolares.

Referências

CORRÊA, Marlene. Ceará: história para a construção da cidadania. São Paulo: FTD, 2005.

FIGUEIREDO FILHO, José de. História do Cariri – Crato: Faculdade de Filosofia do Crato, 1966, 151 p.

JUCÁ, Pedro Rocha. A colonização e o povoamento do Ceará – II. In: Revista A Província, nº 14, fevereiro, 1998.

MARTINS FILHO, Antônio; Girão, Raimundo. O Ceará. 3 ed. Editora Instituto do Ceará. [Ceará]: s/d.

PINHEIRO, Irineu e FIGUEIREDO FILHO, José de. Cidade do Crato. Fortaleza: Edições UFC, Coedição SECULT/Edições URCA, 2010.

PPP do C.E. I Liceu Diocesano

QUEIROZ, Zuleide Fernandes de. Em sala um rosário, em cada quintal uma oficina – o tradicional e o novo no ensino tecnológico do Cariri cearense. Fortaleza: FACED/UFC, 2003. (Tese de doutorado)

http://pt.wikipedia.org/wiki/História_do_Ceará

http://pt.wikipedia.org/wiki/História_do_crato



http://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Regional__do__Cariri

1 Pedro Rocha Jucá resgata a história do povoamento do Ceará em artigo publico na Revista A Província, publicada na Cidade do Crato desde 1953. Esta edição tem o número 14, de fevereiro de 1998. Nela encontramos artigos de estudiosos da região e principalmente “filhos do Crato”, que buscam guardar sua história, seus costumes e suas tradições.


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