Hearing for the Masses



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Trends in Amplification

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Hearing for the Masses

Charles J. Limb TRENDS AMPLIF 2010 14: 63 DOI: 10.1177/1084713810381273

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Editorial

Audição para Todos

Dr. Charles J. Limb1

Hoje, uma das estranhas ironias na medicina nos Estados Unidos é que um indivíduo com deficiência auditiva profunda pode receber um implante coclear totalmente coberto pelo seguro médico, enquanto que um indivíduo com perda moderada a severa raramente será beneficiado por qualquer tipo de seguro para que receba um aparelho auditivo. Este cenário frustrante é levado de várias formas em diversos campos da medicina, remetendo os pacientes a ponderarem porque eles podem ser candidatos a um dispositivo eletrônico cirurgicamente implantado e de alto custo, mas não a um simples aparelho auditivo. Quando alguém considera o fato que um número maior de pacientes no mundo seria beneficiado por conta da amplificação convencional em vez de um implante cirúrgico uma pergunta óbvia aparece: por que tem que ser assim? Em seguida, uma nova pergunta: - como podemos mudar isto? É difícil ignorar a realidade de que o dólar esteja abaixo das cotações habituais, mas, não parece que todos os gastos em dólares estejam sendo distribuídos na forma mais razoável.

Há muitos pacientes que atendo, provenientes de bairros de Baltimore, os quais necessitam de aparelhos auditivos. Quando sugiro a eles que esta é a melhor opção e que o seguro provavelmente não irá cobrir tais despesas, normalmente eu me deparo com um riso irônico e triste. Simplesmente não há outro caminho para que tantos pacientes sequer cogitem receber um aparelho auditivo sem a ajuda do seguro médico. Quando eles ficam sabendo dos preços de varejo, mesmo de aparelhos auditivos de recursos simples, a conversa normalmente acaba aqui. Embora eu possa encaminhá-los para outras formas para ganharem tais dispositivos, na realidade não temos aparelhos auditivos para doar aos pacientes. No mínimo, nove de cada dez destes pacientes me procuram no ano seguinte com uma perda auditiva levemente agravada, mas sem utilizarem aparelhos auditivos. O protocolo de atendimento é quase padronizado: o mesmo diagnóstico (perda auditiva), a mesma recomendação (amplificação acústica), com o mesmo resultado (sem aparelhos auditivos).

Embora eu reclame pouco e procure entender a política e a economia que ditam as regras neste país, é dissonante para mim me sentir como um médico escuso das obrigações da prática da medicina. Pelo ponto de vista de alguém fora do campo da medicina eu apenas posso imaginar quais os critérios utilizados pelas companhias de seguro no que tange quem receberá cobertura, o que será coberto, e qual o valor do reembolso. Há outras questões de tamanha importância social onde assuntos urgentes são tratados com uma completa e intencional falta de clareza e transparência. Infelizmente, com a falta de consenso que define o debate nos cuidados da saúde, as estratégias racionais para a melhoria das políticas da saúde parecem afundar num mar de retórica. Prestadores de saúde e seus pacientes - núcleo essencial no qual a medicina é erigida e sustentada - continuam a ser, de alguma forma, a parte marginal do processo de decisão que determina quão eficaz será sua interação com os mais interessados.


Trends in Amplification 14(2) 63 © The Author(s) 2010 Reprints and permission

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Naturalmente, temos que assumir a responsabilidade por nossas sensibilidades culturais. A cultura médica nos Estados Unidos sempre promoveu o uso da tecnologia e destacou-se nas investigações de ponta. Quando adoecemos, acreditamos no nosso direito de sermos tratados com os melhores métodos disponíveis até que digamos que basta. Como nação, parece que consideramos importante e valioso que os nossos hospitais nos forneçam os mais elevados e os mais complexos cuidados médicos, apesar dos custos que incorrem deste raciocínio. Teríamos ido muito longe em direção a este extremo? Sabemos que a tecnologia é cara, e que os fabricantes de capital privado estão sujeitos a mesma força de mercado como qualquer outro negócio. Este pano de fundo pode em parte explicar porque os fabricantes de aparelhos auditivos não investem a maior parte de seus esforços no desenvolvimento de aparelhos auditivos com um “design minimalista”, na sua constante busca por uma tecnologia “melhor”. Se combinássemos esta realidade com o imenso contingente de indivíduos portadores de perdas auditivas em todo o mundo, levaria apenas um momento em reconhecer que a maioria das pessoas que necessitam de aparelhos auditivos, de fato não os possui. Se um paciente que vive nas cercanias de Baltimore considera impossível adquirir um aparelho auditivo, então como deve encarar esta mesma questão um cidadão de um país com a economia em desenvolvimento, que não conta com fundamentos básicos como água potável e eletricidade?

Com estes pensamentos bem arraigados, me deriva prazer a leitura do artigo de Bento e Penteado, incluído nesta edição, intitulado “Desenvolvimento de Prótese Auditiva Digital no Desenho Retroauricular que Atenda os Requisitos da Organização Mundial da Saúde”. Os autores admiravelmente abordaram esta importante questão do ponto de vista amplo e com uma perspectiva pragmática, necessários para os dias de hoje. Não posso afirmar que os resultados são surpreendentes no sentido tradicional. No entanto, a enorme importância dos objetivos - projetar um aparelho auditivo que possa ser utilizado para ajudar a todos que necessitam deles dentro do contexto das práticas dos fabricantes de aparelhos auditivos, sem as restrições que limitam o poder de compra típico de um deficiente auditivo- não pode ser subestimado. Este é um trabalho significativo que espera produzir aparelhos auditivos ao alcance da maior parcela da população mundial, de modo que possamos nos aproximar do ideal do Instituto House de que todos podem ouvir.



1Faculdade de Medicina do Hospital Johns Hopkins, Baltimore, MD, EUA

Autor para correspondência:

Charles J. Limb, Departamento de Otolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Faculdade de Medicina do Hospital Johns Hopkins, Baltimore, MD, EUA

E-mail: climb@jhmi.edu







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