Gêneros sexuais e representações de seus significados perante a sociedade: uma abordagem histórico-cultural explorando gênero narrativo



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Universidade de São Paulo
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo

Curso de Pedagogia




Plano de aula

Gêneros sexuais e representações de seus significados perante a sociedade: uma abordagem histórico-cultural explorando gênero narrativo

Aluno: Vitor Kenzo Moribe Okumura

Nº USP: 5430527

Turno: noturno

Disciplina: Metodologia e fundamentos da alfabetização em países de língua oficial portuguesa: uma introdução

Profa. Dra. Nilce da Silva


São Paulo

2011

INTRODUÇÃO

Na presente disciplina, uma das atividades exigidas para a aprovação foi a elaboração de um plano de aula. Ele corresponderia a uma transposição de aula, abordando-se um dos conteúdos estudados nesta disciplina e tendo-se como objetivo alfabetizar o público-alvo.


I. Plano de aula

Assim que foi recebida a proposta e as diretrizes envolvendo a elaboração do plano de aula, buscou-se para este desenvolvimento uma série de textos referentes à África lusófona e relacionados ao racismo ou a questões de gêneros sexuais, seguindo-se sugestões levantadas em sala de aula pelos próprios alunos e pela professora. Estes temas chamaram a atenção pelo fato de estarem relacionados a projetos identificados no espaço em que a intervenção da presente proposta se daria: Espaço de Leitura do Parque da Água Branca.

Trata-se de um ambiente no qual se encontra disponível gratuitamente ao público um acervo diverso de livros e no qual os educadores vinculados podem realizar mediações, explicando aos visitantes o funcionamento do espaço, fazendo sugestões de leituras aos interessados e promovendo atividades programadas a escolas e a outras instituições do governo que agendam suas visitas ao local.

No ensejo em que se recebeu a proposta do presente trabalho, no dia 25 de agosto de 2011, o Espaço de Leitura estava na iminência de receber um grupo de adolescentes, de salas de 7ª série de uma escola municipal de ensino fundamental – a visita ocorreria no dia 14 de setembro de 2011, havendo, portanto, um intervalo razoável para a elaboração de um plano de aula adequado.

Tendo em vista a idade do potencial público-alvo, entre 12 e 14 anos, decidiu-se abordar o tema de gêneros sexuais, para uma faixa etária em que a sexualidade está em vias de descobertas e desperta curiosidades. A atividade a ser proposta para tais jovens os permitiria expressar, pelo menos um pouco, suas ideias sobre o assunto.

O Espaço de Leitura, entretanto, não mantém um contato tão contínuo e frequente com seus visitantes quanto a escola ou a família, de forma que, após algumas reflexões, concluiu-se que proporcionar uma oportunidade para esses adolescentes manifestarem sua sexualidade deveria ocorrer de maneira cautelosa.

Assim, com inspiração no texto de Maria Paula Meneses (MENESES, 2008), ao invés de tratar o tema na sua amplitude, optou-se por abranger a questão apenas no que diz respeito aos papeis do homem e dar mulher na sociedade, não entrando tanto na questão dos relacionamentos afetivos (“ficar”, namoro, relações sexuais). Paralelamente, a fim de aproveitar a variedade de livros no Espaço de Leitura, procurou-se utilizar a literatura para complementar a proposta da atividade.
II. Dados de Identificação

Escola: a instituição atendida foi a Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Gabriel Prestes. Entretanto, a atividade foi realizada no Espaço de Leitura do Parque da Água Branca.

Professora responsável: Rose

Professor estagiário: Vitor Kenzo Moribe Okumura

Série: 7ª série

Período: vespertino
III. Tema

Gêneros sexuais e os papeis respectivos do homem e da mulher na sociedade.


IV. Conteúdo

Gênero narrativo; norma culta da língua e linguagem coloquial.


V. Objetivos

Objetivo geral: Proporcionar aos jovens um momento de expressão, ora pela fala, ora através de um texto narrativo, sobre um assunto que lhes é familiar e que, ao mesmo tempo, também lhes desperta curiosidade – o de gêneros sexuais – mas sobre o qual nem sempre é tão fácil de se manifestar. Aproveita-se o ensejo para discutir o uso da norma culta e da linguagem coloquial.

Objetivos específicos: trabalhar em grupo, interpretar imagens, compartilhar opiniões, estimular a crítica.

VI. Desenvolvimento do tema

Conversa introdutória à temática de gêneros sexuais

A dinâmica se inicia com uma breve apresentação, como é de rotina do Espaço de Leitura. A proposta é que cada um (educadores e alunos), um por vez, diga seu nome e como se imaginaria daqui 15 anos. Com essa conversa informal, não só se busca ambientar a turma visitante ao espaço, mas também já se introduz o próximo passo da atividade.

Provavelmente, ao se apresentarem, muitos dos alunos falarão sobre o futuro profissional ou familiar. E é a partir desses dois campos que a abordagem sobre gêneros sexuais se dá.

Tendo-se em mente que, até há pouco tempo na história, o trabalho fora de casa era realizado por homens e que, por outro lado, a mulher era encarregada dos serviços domésticos e, portanto, é quem tradicionalmente zela mais pela família, as respostas obtidas na parte da apresentação seriam classificadas como fazendo parte de um pensamento mais tradicional ou mais relacionado à modernidade. Por exemplo, se a maioria das meninas mencionar expectativas profissionais, há aí evidência de influências mais ligadas à atualidade do que a costumes menos recente.

No passo seguinte, aproveitando o cenário do Espaço de Leitura, no qual está disponível uma quantidade numerosa de livros, usa-se a literatura para ilustrar os papeis que cada sexo exerce.

Nos contos de fadas, a mulher ideal é representada na figura frágil e vulnerável das princesas, ao passo que o homem de valor é o príncipe valente e virtuoso que surge para salvar a princesa em apuros.

Em seguida, faz-se referência a uma obra destinada ao público infanto-juvenil. Pedro Bandeira conta, em A marca de uma lágrima, a história de uma adolescente, Isabel, que se apaixona por um primo distante, Cristiano, que estuda na mesma escola. Este, por sua vez, tem um sentimento – e é correspondido – por Rosana, a melhor amiga de sua prima. A trama mostra como pode ser emocionalmente complicada a vida na adolescência, relatando o conflito entre os sentimentos de Isabel: ao mesmo tempo em que deseja se aproximar do rapaz, ela funciona como um elo de aproximação entre sua melhor amiga e seu primo. Paralelamente, apresentam-se personagens masculinos cheios de sentimentalidades, característica que é mais comumente associada à figura feminina.

Explora-se, em seguida, um lado mais acadêmico da literatura. Em meados do século XIX, o romantismo brasileiro apresenta a mulher associada à fragilidade e à dependência em relação ao homem, o qual, forte e corajoso, é quem a protege (aqui, usa-se O Guarani para exemplificar). Mais tarde, em finais do mesmo século, autores realistas descrevem de outra forma os personagens masculinos: estes passam a ter características não tão dignas, como preguiçoso, malandro e trapaceiro. Paralelamente, as personagens femininas aparecem não tão inocentes e mais independentes.


Após essa breve reflexão acerca de gêneros sexuais e exemplificações presentes na literatura, são entregues filipetas de papel para cada um dos jovens (os meninos recebem da cor rosa e as meninas, azul). Nelas, deve ser escrita uma característica que considerem como sendo do sexo oposto. O cumprimento dessa tarefa é individual. Os papeis, então, são depositados em duas caixas: uma destinada aos azuis, que continham “coisas de meninos”, escritos pelas meninas; e outra aos rosas, nos quais os garotos haviam registrado “coisas de meninas”. Essas duas caixas serão utilizadas para a atividade seguinte.
A abordagem da literatura concernindo com os gêneros sexuais é intencional não só pelo fato de se estar num espaço de incentivo à leitura, mas também para conduzir os jovens ao universo das narrativas. Afinal, para a proposta seguinte, eles se dividem em grupos e cada um desses grupos deve elaborar um texto narrativo – tendo como tema de inspiração os gêneros sexuais. As equipes, além disso, retiraram, a esmo, um papel azul e um papel rosa das respectivas caixas onde haviam sido depositados. Esses outros registros também servirão para compor as criações.
Elaboração dos textos narrativos

O acervo do Espaço de Leitura do Parque da Água Branca está dividido tematicamente em oito quiosques e em quatro deles estavam dispostos materiais visuais os quais também poderiam ser utilizados como inspirações para as criações das narrativas. Esses materiais podem ser classificados em quatro categorias, cada uma correspondendo a um quiosque:

1. Imagens (fotos ou desenhos), produzidas no computador ou retiradas da internet, em que se apresentam cenas do cotidiano, como um casal sentado num banco de praça ou uma mulher andando de bicicleta em um parque;

2. Mais imagens, também feitas em programas computacionais ou oriundas da rede, mas mostrando gravuras mais inusitadas, como a de uma rosa ocupando todo o aposento de uma sala ou a de um homem com uma maçã no lugar da cabeça;

3. Figuras de massinha, sem formas definidas, de maneira que as suas significações não sejam tão imediatas;

4. Tecidos de cores e tamanhos diversos. Nesta parte, os jovens têm liberdade para manusearem o material e criarem as próprias ilustrações que influenciarão na elaboração da narrativa.

Antes de o processo de criação se iniciar, faz-se uma breve revisão sobre o gênero narrativo, dando voz aos jovens para que eles mesmos possam mencionar os elementos textuais que devem estar presentes – personagens; cenário; situação inicial de tranquilidade; problema ou conflito; resolução; e desfecho.

A dinâmica se inicia alocando-se um grupo em cada quiosque. A partir de então, terão dez minutos para elaborar um trecho da narrativa, inspirados pelos respectivos materiais à disposição. Após esse período, as equipes trocam de quiosque, onde permanecem por mais dez minutos. Estabelece-se um rodízio, de forma que, ordenadamente, todos os grupos passem por todos os materiais selecionados. Terminado esse roteiro, oferece-se um tempo adicional, entre cinco e quinze minutos, para que se concluam as composições.

Em seguida, faz-se um compartilhamento das produções em âmbito coletivo. Um indivíduo de cada grupo lê a respectiva narração. Ao longo e após cada leitura, o educador intervém indagando se estão presentes nos textos os elementos textuais previamente discutidos ou estimulando debates sobre as situações narradas.

Como não estão na escola, pode-se fazer a proposta de usar uma linguagem menos formal, numa tentativa de dar mais liberdade para os alunos se expressarem. Durante o momento de compartilhamento, o educador pode intervir também no sentido de incentivar os autores a encontrarem sinônimos para os termos que fogem à norma culta. Com isso, enriquece-se a atividade, estimulando-os a expandirem suas capacidades de se expressarem.


VII. Recursos didáticos

- Computador e impressora: captação e impressão de imagens;

- massinha de modelar;

- tecidos de cores e tamanhos diversos;

- folhas de papel azul e rosa para as filipetas e brancas para a elaboração dos textos; e

- papel e caneta para a elaboração das narrativas.


VIII. Avaliação

A avaliação é diagnóstica, com o objetivo de se observar o uso da linguagem (culta ou coloquial) e o emprego dos elementos textuais discutidos na conversa inicial.



Geralmente, quando um grupo agendado visita o Espaço de Leitura, há um educador responsável, oriundo da instituição visitante, acompanhando. Ele pode acompanhar o decorrer da atividade e levar o material produzido para eventuais trabalhos complementares.
IX. Bibliografia

Básica:

ANTUNES, C. (2011). A ilustração e a imagem. Disponível em: <http://blog.educacional.com.br/articulistaCelso/p70277/>. Acesso em: 13 de Out. 2011.
COLOMBO, F J. A importância do trabalho educativo com ilustrações de livros de literatura infantil. Disponível em: <http://alb.com.br/arquivo-morto/edicoes_anteriores/anais16/sem08pdf/sm08ss10_05.pdf>. Acesso em: 13 Out. 2011
MENESES, Maria Paula. Mulheres Insubmissas? Mudanças e conflitos no norte de Moçambique. Ex aequo, 2008, no.17, p.71-87. ISSN 0874-5560.
VILLANOVA, R. O ilustrador de livro e o leitor. Disponível em: <http://wwwusers.rdc.puc-rio.br/imago/site/recepcao/textos/renata.pdf> Acesso em: 13 de Out. 2011.
Complementar:
ALENCAR, José de. O Guarani. São Paulo: Ed. Escala. 2007.
ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira. 2007.
BANDEIRA, Pedro. A marca de uma lágrima. São Paulo: Ed.Moderna. 2003.
IRMÃOS GRIMM. A Bela Adormecida. São Paulo: Ed. Rideel. 2000.
IRMÃOS GRIMM. Branca de Neve. São Paulo: Ed. Rideel. 2000.


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