Geologia e geografia de setúbal um olhar do albatroz cosmopolita



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Encontro26.08.2018
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GEOLOGIA E GEOGRAFIA DE SETÚBAL

UM OLHAR DO ALBATROZ COSMOPOLITA


Quando estamos em frequência positiva conosco mesmo, e em harmonia com a energia de expansão do Universo - a qual nos permeia como um todo, haja visto estarmos integrarmos ao espaço temporal -, a vida se faz de maneira alegre e serena. Pois, nessa frequência de energia positiva potencializamos o amor a nós mesmo, ao outro ser humano, e ao meio físico biótico envolvente.

E para usufruirmos de uma alargada plenitude dessa energia positiva, precisamos estar em harmonia com a natureza humana e com o meio físico biótico. Para isto, se faz necessário estar sempre atento às mensagens que nos chegam através das pessoas, da natureza, e de outras leituras metafísicas.

Foi neste contexto de harmonia energética positiva que aconteceu a materialização dos fantásticos momentos vividos pelos fraternos pares que participaram da viagem cultural: ‘Pelo Sado e Arrábida’. Promovida pela fraternal instituição ‘Casa do Professor’, localizada na cidade de Braga, na região do Baixo Minho, no norte do Portugal.

Foram dois dias de imensa confraternização humana e de conhecimento cultural aflorado, envolvido em um clima humano de imensa confraria. A caravana luso-brasileira, que partiu da cidade de Braga, se fez capitaneada pelo Doutor Carlos Cerqueira e pela Doutora Ivone Paz Soares. Aos quais, neste momento, revelamos nossa profunda gratidão por tudo que nos proporcionaram, especialmente no que diz respeito a relação intrapessoal, e o conhecimento histórico-geográfico partilhado.

Já a caminho das metas planeadas, a ‘fragata motorizada’ ao cruzar os baixos sítios geográficos da região central do país, foi surpreendida e acompanhada por um ‘Albatroz Cosmopolita’. O qual em seu suave e cadenciado voo, lá do alto, orientava o caminho a ser seguido pela caravana, sempre atento a observar e a registrar tudo. Eis, a seguir, o que mais lhe chamou atenção, em especial sobre a geologia e a geografia dos sítios visitados.

A bacia hidrográfica do rio Sado revela uma particularidade geomorfológica interessante, isto é, enquanto as bacias hidrográfica localizadas à norte do rio Tejo percorrem seu curso de água na direção de norte a sul, a do rio Sado acontece o inverso. Ou seja, suas águas caminham de sul para o norte. Essa inversão na direção do curso de água sugere que a região continental à sul do rio Tejo está suavemente inclinada em mergulho para o norte, enquanto o bloco continental a norte do rio Tejo se faz mergulhar para o sul.

Em meio a essa depressão geomorfológico, resultado dessa convergência de mergulhos dos terrenos, se encontra a Planície de Maré da margem sul do rio Tejo, com seu Moinho de Maré de Corroios secular, o Palácio da Bacalhôa, na União das Freguesia de Azeitão, a cidade de Setúbal, o Parque Natural e o Convento da Arrábida, o Estuário de Tróia, e o Cabo Espichel, todos eles visitados nessa maravilhosa viajem cultural.

Essa imensa depressão geomorfológica representa uma colossal fossa tectônica de convergência entre as duas placas continentais, uma a norte e outra a sul do rio Tejo, acima já referidas. No meio dessas duas placa continentais se encontra uma outra terceira placa oceânica, soerguida do fundo do mar, nomeadamente o oceano Atlântico Norte. É, precisamente, nessa terceira placa tectônica oceânica que estão localizados os sítios visitados nessa viagem cultural: ‘Pelo Sado e Arrábida’.

Mas, qual a evidência geológica a confirmar que se trata de uma placa oceânica, neste momento do espaço temporal posicionada acima do nível do mar? A resposta está na presença das rochas carbonáticas, agora transformadas em mármore, cujo solo produz a uva usada na elaboração do vinho moscatel. Esse mármore metamórfico teve como rocha sedimentar pretérita o calcário, depositado em uma bacia sedimentar marinha. Ou seja, essa rocha sedimentar se forma somente no fundo do mar, a partir do acúmulo de milhares de anos dos restos de carapaças de animais marinhos, que lá viveram nesse meio físico abissal oceânico.

A origem da palavra ‘Corroios’ se deve a presença de rasos curso de água, os regatos, que sofrem a influência sazonal das correntes marinhas, presentes em áreas de manguezais, cujo meio físico geológico se denomina de Planície de Maré.

O Moinho de Maré de Corroios ora visitado, localiza-se na Planície de Maré localizada na margem sul do rio Tejo, próximo a sua foz, quando a seguir deságua no mar do Atlântico Norte. Esse estabelecimento de moagem de grãos foi um importante centro produtor e comercial de farinha de trigo, e de outros cereais, usados para abastecer as embarcações que partiram a partir da foz do rio Tejo, à realizarem os grandes descobrimentos ultramar lusitanos.

As Planícies de Maré conhecidas também como Planícies de Mangues são ecossistemas frágeis, e de imensa importância para o equilíbrio da biosfera do planeta Terra. Sua flora é responsável pela filtragem e abastecimento de oxigênio à Atmosfera, vital à manutenção do ciclo da água e da vida na biosfera. Além do mais, sua fauna, aquática e terrestre, alimenta diferentes espécies de aves migratórias, também importantes para o equilíbrio do ecossistema planetário.

O Palácio da Bacalhôa foi um outro sítio visitado, que pertenceu a Casa Real Portuguesa. A estrutura edificada desse palácio foi toda construída com maciços blocos de mármore, a revelar a importância dessa rocha metamórfica, e do seu solo, à região da União das Freguesia de Azeitão, que faz parte do Conselho de Setúbal. Em seu átrio interno se encontram inúmeras esculturas em mármore, um jardim do tipo labirinto e a rainha lusa principal desse sítio - a vinha responsável pela produção da uva moscatel.

Um momento especial de confraternização da caravana luso-brasileira foi a degustação desse exemplar do néctar dos deuses do tipo moscatel, em uma visita guiada às dependências da Vinícola da Bacalhôa. A quem, também, somos imensamente gratos!

No dia seguinte, após um confortável pernoite na cidade de Setúbal, a viagem se revelou ainda mais esplendia, com a visita ao estuário do rio Sado, a península de Tróia, a cordilheira e o Convento da Arrábida, e o promontório ou cabo do Espichel, nas cercanias da vila de Sesimbra.

A foz do rio Sado é do tipo estuário, ou seja, ele desemboca suas águas diretamente no mar (Oceano Atlântico Norte), através de um único e principal canal fluvial. Enquanto a península de Tróia é uma faixa de sedimentos arenosos (chamada também de restinga), pertencente ao ambiente costeiro, que adentra o mar. Essa península de Tróia tem um comprimento de até 25 km, na direção norte/sul, por cerca de até 1,5 km de largura. Essa frágil restinga ainda está interligada ao continente, embora cercada de água - a oeste pelo mar do Atlântico Norte, e a leste pelo estuário do rio Sado.

Na península de Tróia, a investigação arqueológica tem revelado algumas ruinas das antigas construções romanas, que serviram como locais de beneficiamento e de salga do peixe, usado na culinária desse antigo povo. Na edificação dessas construções romanas foram usados os blocos de granito, de xisto, de mármore e de arenito lateritizado. Essa rocha classificada como Laterita se formou a partir da oxidação dos sedimentos arenosos depositados no ambiente fluvial do rio Sado. Hoje, tais rochas arenosas oxidadas afloram em meio aos sedimentos arenosos das praias fluviais banhadas por esse rio, localizadas na margem leste da península de Tróia.

A cordilheira formada pelas serras da Arrábida, com uma altitude que pode atingir até 700 metros acima do nível do mar, é constituída principalmente por rochas metamórficas classificadas como mármore. Seu beneficiamento industrial produz o cimento usado na construção civil. Lá do cume dessas escarpas íngremes é possível contemplar a península de Tróia e o seu ambiente costeiro, com as belas praias de areia branca, banhadas pelo oceano Atlântico Norte. O que é realmente uma visão espetacular!

No topo dessa cordilheira se encontra o Convento da Arrábida, construído e habitado pelos religiosos da confraria dos franciscano. Nesse sítio de contemplação religiosa, por um certo período do espaço tempo passado, também viveu o líder dessa confraria, o religioso São Francisco de Assis. Fazem parte desse convento outras habitações e templos religiosos quase todos caiados, de uma arquitetura simples, tal como prega a doutrina cristã franciscana. Todo esse ecossistema pertence ao Parque Natural da Arrábida, no qual está preservada uma exuberante floresta mediterrânea.

O encerrar dessa fantástica viagem cultural culminou com a visita ao Cabo do Espichel. Esse promontório representa a porção mais a oeste do Portugal continental, a avançar o oceano Atlântico Norte. Sua falésia escarpada, e constantemente a sofrer erosão pela ação da água do mar, é constituída por um espesso solo de cores diversas, formado a partir da rocha mármore que edifica a cordilheira da Arrábida. Esse processo erosivo é realçado por estruturas geológicas presentes nesse solo, que favorecem o solapamento de imensos blocos do terreno, a desabarem sobre o mar adentro, e a formar imensas voçorocas.

Próximo a falésia está a Igreja de Nossa Senhora do Cabo. Um templo religioso único, pois seu teto está decorado com afrescos que ressaltam a importância da mulher, no sentido de harmonizar o ser humano, a promover a paz, a fraternidade, e a proteção daqueles bravos portugueses descobridores, que se aventuraram a navegar pela imensidão desconhecida do Atlântico Norte.

Finalmente, somos gratos ao Amigo, Professor, Maestro e Violinista Dr. Paulo Arruda, pela gentileza de nos indicar como associado desta humanitária Instituição Casa do Professor. A quem dedico essa singela narrativa de viajem! Agradecimento imenso ao Dr. Hilário de Sousa, presidente dessa instituição portuguesa, pela forma como nos recebeu de braços abertos. Somos grato, enfim, a todos os participantes dessa fantástica viagem cultural, pelo convívio em harmonia positiva universal, e em especial a minha esposa Rosa Gama.


Do

PhD Theodomiro Gama Júnior.



Geólogo/Investigador do Instituto de Educação-UM


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