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GEFIL ASSESSORIA CULTURAL 

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A tríade existencialista                                                                                                            

por Angelo P. Campos



 

 

A  escolha,  a  afirmação  do  valor,  a  responsabilidade,  o  engajamento...    tudo  isso  um 

homem  pode  suportar?  Um  homem  pode  assumir?  Não  é  possível  procurar  a  maneira 

que convém viver acreditando unicamente na ação individual. Supor que o engajamento 

individual não compromete o outro falsifica as relações, sendo conveniência de má fé. 

O  contrário,  porém,  a  autenticidade  consigo  mesmo,  implica  assumir  a  tríade  do 

existencialismo: a angústia, o desamparo e o desespero. 

A  angústia  representou  a  fonte  de  inúmeros  ataques  ao  pensamento  de  Sartre. 

Explicitada em seus romances e no ensaio de ontologia fenomenológica O Ser e o Nada

é  apenas  indicada  em  O  Existencialismo  é  um  Humanismo,  amenizada,  inclusive: 

“Trata-se de uma angústia simples, que todos aqueles que já tiveram responsabilidades 

conhecem” (SARTRE, 2010,30). A angústia apresenta-se irremediavelmente conjugada 

à responsabilidade. 

O desamparo é a consequência do fato assumido de que Deus não existe. Porém aqui, 

Sartre  diferencia-se  dos  demais  ateus  e  mesmo  dos  humanistas.  Para  esses,  em  não 

havendo  Deus  –  hipótese  inútil  –  ainda  há  um  a  priori  de  alguns  valores  universais, 

ainda há uma “natureza humana” focada no bem. Ao contrário, para o existencialista, se 

Deus  não  existe,  o  incômodo  é  mais  extenso,  pois  não  existem  também  valores 

universais  a  priori,  nem  natureza  humana  alguma,  nem  nenhum  bem  inteligível.  Eis  o 

sentido  do  desamparo,  irremediavelmente  conjugado  à  liberdade  absoluta.  Eis  o 

contexto  da  frase  mais  famosa  do  existencialismo:  “O  homem  está  condenado  a  ser 

livre” (SARTRE, 2010, 33). 

Quanto ao desespero, Sartre define que a vontade própria ou as probabilidades da ação 

possível são as únicas ferramentas com que se pode contar. Estar entregue ao domínio 

das  probabilidades,  algo  da  ordem  da  vida  que  não  se  pode  mudar,  algo  a  que  não  se 

tem  acesso.  Algo  fora  do  domínio  humano.  Mas  contar  com  a  probabilidade  só  é 

possível no momento em que a ação humana se conforma às possibilidades. Fora isso, 

resta apenas um sofrimento sem sentido. 



 

 



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Nisso  também  consiste  a  resposta  de  Sartre  quanto  ao  problema  do  quietismo.  Ao 

contrário  do  que  proclamado  pelos críticos,  o  existencialismo  é  uma  filosofia  da ação, 

radicalmente  oposta  ao  quietismo.  A  realidade  almejada  pelo  homem  está  no  ato  de 

projetar-se. Ele jamais se realiza no quietismo. 

Para o existencialismo “só existe realidade na ação”. Pensar, sonhar, criar expectativas 

ou  mesmo  ter  esperanças  e  cultivar  a  vida  nesse  entorno  redunda  na  inutilidade  e  no 

malogro.  Um  homem  é,  e  será  sempre,  aquilo  que  fizer  de  si  mesmo,  i. e.,  aquilo  que 

realizar.  Nada  mais.  A  dureza  desse  pensamento  é  uma  “dureza  otimista”.  Pretende 

mostrar  que,  para  além  das  influências  do  meio,  da  sociedade,  da  constituição 

fisiológica e de qualquer tipo de determinismo a sossegar o espírito, inegavelmente há 

uma  possibilidade  de  escolha.  Não  uma  escolha  qualquer,  mas  aquela  pela  qual  nos 

tornamos responsáveis. É esta, e somente esta escolha, a portadora da autenticidade da 

ação, mesmo quando nada há de heróico nela. 

O  que,  segundo  Sartre,  a  maioria  de  seus  críticos  e,  de  um  modo  geral  a  maioria  das 

pessoas se recusa aceitar é a dureza otimista, a exigência de engajamento. Se levarmos 

em consideração o momento histórico da exposição dessas teses e a condição geral da 

Europa pós-guerra, o discurso existencialista parece demasiado radical e talvez não seja 

estranha  a  dimensão  da  recusa  ou  a  dificuldade  em  compreendê-lo.  No  entanto,  no 

transcurso de sete décadas, o que resta ao homem do trato com a liberdade? E em que 

medida se pode afirmar o assunto da responsabilidade? 

O cenário do mundo contemporâneo não transita por esse ideário. A civilização que se 

quer  “mundial”  (esta  que  se  autodenomina  “aldeia  global”)  dialoga  com  a 

inautenticidade.  O  contrário  dela  é  o  existencialismo,  filosofia  para  poucos.  Não  é 

possível  aceder  a  ela  sem  atravessar  uma  crise.  Nisso,  há  que  se  cultivar  a  “dureza 

otimista”. Porque não há definidor melhor para a atualidade do que este: momento de 

crise. 


 

        Este trabalho está licenciado sob a Licença Atribuição-Não Comercial-Sem Derivados 3.0 Brasil da 

Creative Commons. Para ver uma cópia desta licença, visite http://creativecommons.org/licenses/by-nc-

nd/3.0/br/ ou envie uma carta para Creative Commons, 444 Castro Street, Suite 900, Mountain View, 



Califórnia, 94041, USA.                                                                    

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