Francisco Antônio de Mello Reis



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Encontro06.02.2017
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Francisco Antônio de Mello Reis, nascido em Juiz de Fora em 1937, foi um dos políticos de maior expressão da cidade.

Graduado em história pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 1965, Mello Reis trabalhou como professor em diversos estabelecimentos de ensino da cidade. Antes trabalhou como bancário e também atuou como jornalista.

Mello Reis começou sua carreira política em 1971, quando foi eleito vereador. Entre 1977 e 1983 foi prefeito de Juiz de Fora. Em sua administração foram realizadas diversas obras que contribuíram para o desenvolvimento da cidade tais como: instalação da Siderúrgica Mendes Júnior, transposição da linha férrea pela Avenida Rio Branco (Mergulhão), reordenação do transporte público, incorporação da Companhia Mineira de Eletricidade pela CEMIG, construção do acesso da cidade à nova BR-040, e início das obras do Terminal Rodoviário Miguel Mansur e do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Mello Reis ainda deu início à política de preservação do patrimônio histórico no município.

Muito da cidade atual foi concebida e pensada naquele período. Aliás, pensar a cidade talvez fosse o maior atributo de Mello Reis. Em uma de suas últimas entrevistas, concedida no projeto "Diálogos abertos", da UFJF, ele contou que sua melhor iniciativa foi a criação do Instituto de Pesquisa e Planejamento (Ipplan).

Na verdade, o conjunto de intervenções urbanísticas que o ex-prefeito teve a oportunidade de realizar estava inserido no Projeto Cidades de Porte Médio (CPM II). Já ao final dos anos 70, Juiz de Fora é incluída no projeto CPM – Centro de Porte Médio financiado pelo Banco Interamericano – BIRD e gerenciado pelo governo brasileiro através inicialmente do CNPU – Conselho Nacional de Política Urbana, depois CNDU – Conselho Nacional de Política Urbana, órgãos ligados ao Ministério do Planejamento e pela Secretaria Especial da Região Sudeste ligada ao Ministério do Interior. A ação do projeto pressupunha atuar sobre os centros urbanos classificados de porte médio pela sua posição geográfica, população, importância sócio-econômica, função regional significativa, de modo a incrementar seu desenvolvimento com vistas a estruturação de uma rede urbana “mais equilibrada”.

Coube ao IPPLAN/JF coordenar juntamente com as UAS – Unidades de Administração de Sub-projetos, unidade autônoma dentro da Secretaria de Planejamento - a coordenação das atividades. Principalmente deve-se ao IPPLAN/JF uma boa integração entre a UA e a administração municipal o que acarretou numa boa avaliação externa do projeto e sua continuidade juntamente com a cidade de Florianópolis, pois  eram as que se encontravam mais adiantadas nas ações. As diretrizes do Banco Mundial para o financiamento de projetos de melhorias urbanas em países do Terceiro Mundo propunham especificamente  gerar impacto sobre a pobreza urbana. Juiz de Fora recebeu verbas e assessoria técnica para operar sobre 3 metas: investimento em infra-estrutura e serviços urbanos, geração de emprego e renda e melhoria da administração pública. Até o final do projeto entorno de 1984 a cidade efetivamente promoveu uma re-urbanização da área central da cidade, redirecionou novas vias de acesso e reestruturou o sistema de transportes.

Neste contexto de realizações a gestão do prefeito Mello reis viu acontecer a modernização da malha viária. Esta se fez sentir sobre a cidade concomitante ao Projeto Cidades Médias. Foi a renovação e o  novo traçado da estrada Rio- Belo Horizonte- Brasília que impactou  a cidade no sentido do arco sul-oeste-norte inserindo novos territórios para expansão do mercado imobiliário, do distrito industrial e do surgimento de bairros entorno de conjuntos ou loteamentos de moradias populares, estes dois últimos seguindo a montante do várzea do Paraibuna.

O rescaldo do PCM significou intervenções pontuais que correspondem a inicitaiva de Mello Reis, no caso sobre a área central da cidade, exemplificada pela construção da seletiva de ônibus na avenida Rio Branco, a construção do Distrito Industrial, os acessos a cidade Alta – região do São Pedro, beneficiando a comunicação ao campus universitário e a valorização de bairros para moradias de classe média, além doas acessos a rodovia BR 040,principalmente no eixo sudoeste ao longo da avenida Independência, atualmente um dos espaços mais valorizados da cidade. E, principalmente, sucesso político (devidamente capitalizado quando da redemocratização do país) aos prefeitos empreendedores das obras com o aporte do PCM.

Na verdade o PCM seguia uma cartilha geral em que organizava-se um sistema de contenção prioritária das metrópoles através de uma desconcentração da pressão populacional, sendo a rede urbana estudada de modo que as cidades mais apropriadas dentro deste sistemas seriam escolhidas dentro de uma pretensa racionalidade técnica da alocação de cidades-diques na contenção do fluxo migratório. Em tese, haveria de haver uma mudança estrutural na economia de modo que o dique fosse por si só um gerador de novas escalas de produção de modo que a força de trabalho ali represada fosse completamente absorvida e gerasse um novo ciclo local de oportunidades via ao menos uma expansão do consumo comsuptivo. Nos anos 70 o PCM é incorporado pelo II Plano Nacional de desenvolvimento – PND através do Programa de Apoio as Capitais e Cidades de Porte Médio quando Juiz de Fora recebe dois projetos de grande porte; a Siderúrgica Mendes Júnior e a Paraibuna de Metais, mas que não foram capazes de gerar uma economia de efeito multiplicativo para o setor econômico do município.

Depois que deixou a prefeitura, Mello Reis foi deputado federal constituinte entre 1987 e 1991 e secretário de Estado de Indústria e Comércio de Minas Gerais de 1991 a 1994. Seu último legado para o município foi a ampla reforma realizada no Museu Mariano Procópio, do qual foi diretor no período de 2005 a 2008.



Mello Reis faleceu no dia 24 de novembro de 2010 aos 73 anos vítima de um ataque cardíaco em função de um tratamento contra o câncer.


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