Formas em movimento: ontogênese e sobrevivência prof. Maurício de Carvalho Ramos roteiro 1: introduçÃo ao curso – a construçÃo de um conceito genético



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FORMAS EM MOVIMENTO: ONTOGÊNESE E SOBREVIVÊNCIA

Prof. Maurício de Carvalho Ramos

ROTEIRO 1: INTRODUÇÃO AO CURSO – A CONSTRUÇÃO DE UM CONCEITO GENÉTICO

1.1 Pressupostos iniciais

O presente curso possui um caráter formativo, a-disciplinar e não especializado. Nele apresentarei um método para gerar e acompanhar o desenvolvimento de um conjunto de conceitos que gravita em torno dos conceitos genéticos de ontogênese e sobrevivência. Esse desenvolvimento é compreendido como formas em movimento de natureza epistemológica-histórica e se dá no interior de um quadro ou panorama que designo como científico-cultural ou de uma cultura científica.

Utilizarei um processo de amalgamação de imagens a conceitos que criarão unidades dotadas da plasticidade necessária à percepção e à compreensão de suas metamorfoses e de suas interações dentro das culturas científicas. Com isso, tais unidades que se expandem e se contraem podem ser designadas como metafórico-cognitivas. Por conta de seu elemento icônico ou imagético, a racionalidade de tais unidades é morfológica sem ser formal, pois não se fundamenta exclusivamente nem principalmente na razão discursiva, na lógica ou na argumentação.

Dado seu caráter genético, a construção de conceitos-metáforas a partir, por exemplo, de teorias filosóficas ou científicas, não são interpretações que podem estar certas ou erradas e, assim, sujeitas a um tipo padrão de crítica.

Com isso em vista, estimularei a adoção dos valores da plasticidade que, em oposição aos valores da clareza e da distinção cristalina ou cristalizante, volta-se para os valores da opacidade, da sombra e da moleza.

1.2 Um escâner obscuro

A melhor forma de iniciar a compreensão desses pressupostos metódicos é partir diretamente para a construção experimental de um conceito genético específico, a saber, o conceito de escâner obscuro, que é o título de uma obra de ficção científica de Philip K. Dick.



Philip K. Dick (1928 – 1982), autor de 36 romances e mais de 120 contos, foi considerado o Jorge Luis Borges norte-americano. Muitas de suas obras tornaram-se conhecidas através de roteirizações para o cinema, tais como Blade Runer, O Vingador do Futuro e Minority Report. A bibliografia completa do autor pode ser encontra em:



http://www.philipkdickfans.com/biography/bibliography/

A Scanner Darkly, traduzida para o português como O Homem Duplo,1 foi composta em 1973 e publicada em 1977.

Peake apresenta a seguinte notícia e resumo do romance:

Esse romance teve um longo período de gestação. A ideia original foi desenvolvida por PKD em 1972, mas somente em 1973 a história adquiriu uma estrutura. Ele escreveu um resumo de 82 páginas e enviou à Doubleday. A editora ficou interessada e, em princípio, aceitou o romance em abril de 1973. Após uma série de revisões, o romance acabou sendo publicado em janeiro de 1977 com capa dura. A história se passa no condado de Orange, na Califórnia. O foco é um grupo de usuários de droga e o mundo complexo e às vezes divertido que habitam. Um dos membros do grupo, Bob Archer [Bob Arctor], é na verdade um agente da divisão de narcóticos disfarçado, chamado agente especial Fred, que é usado pelas autoridades locais para enviar informações sobre as atividades do grupo. Uma nova droga chamada “Substância D” está nas ruas, e no seu papel de Bob Archer, Fred acaba usando altas quantidades. Isso acaba dividindo seu cérebro em dois elementos, e Fred e Bob tornam-se personalidades separadas. O livro trata da natureza ilusória da realidade do ponto de vista de um personagem que existe em dois estados separados de consciência. O que é real e o que é uma ilusão transformam-se numa reflexão fascinante sobre sanidade e insanidade. Muitos dos acontecimentos descritos no livro foram de fato testemunhados por PKD no tempo em que ele dividia sua casa em Santa Venetia com uma série de grupos sempre diferentes de adolescentes usuários de drogas. Em 1978, O Homem Duplo ganhou o prêmio de melhor romance da Associação de Ficção Científica Britânica, seguido, em 1979, pelo Grauilly D’Or no Festival de Metz, na França (2015, p. 173).


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