FormaçÃo geral 1



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FORMAÇÃO GERAL

1. Observe a figura e o texto que seguem.

TARSILA DO AMARAL – 1933, Os operários.



"O meu pai era paulista/ Meu avô, pernambucano/ O meu bisavô, mineiro/ Meu tataravô, baiano/ Meu maestro soberano/ Foi Antonio Brasileiro."
Fonte: Paratodos, canção gravada por Chico Buarque em 1993.
De acordo com a imagem e os versos da canção, assinale a alternativa relacionada corretamente com a formação da identidade nacional no Brasil.

  1. A importância do encontro de diferentes etnias; a origem geográfica pode revelar regionalismos culturais; a diversidade cultural está presente em nossa experiência cotidiana.

  2. A influência de estrangeiros na cultura brasileira sempre esteve presente, por isso não temos uma identidade própria; os casamentos entre pessoas de diferentes regiões geram conflitos de identidade nacional.

  3. É necessária a fusão entre a cultura de diferentes regiões para a criação de uma identidade nacional; a tolerância com os casamentos de pessoas de diferentes regiões ou países existe apenas no meio artístico, mas gera preconceito e discriminação.

  4. Fica nítida a multiplicidade de povos que formam a sociedade nacional; a nossa identidade cultural existe regionalmente, mas não abrange a totalidade de nosso território; tratamos bem os estrangeiros porque não temos uma identidade nacional.

  5. A indústria é responsável pelo surgimento de uma nação multicultural em todas as regiões de nosso país; as influências regionais são motivo de orgulho; a identidade nacional depende da mistura de pessoas de diferentes regiões através das gerações.


2. (Adaptada - Cesgranrio - Bacen - janeiro/2010). Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.

No Brasil das últimas décadas, a miséria teve diversas caras.

Houve um tempo em que, romântica, ela batia à nossa porta. Pedia-nos um prato de comida. Algumas vezes, suplicava por uma roupinha velha. Conhecíamos os nossos mendigos. Cabiam nos dedos de uma das mãos. Eram parte da vizinhança. Ao alimentá-los e vesti-los, aliviávamos nossas consciências. Dormíamos o sono dos justos.

A urbanização do Brasil deu à miséria certa impessoalidade. Ela passou a apresentar-se como um elemento da paisagem, algo para ser visto pela janelinha do carro, ora esparramada sobre a calçada, ora refugiada sob o viaduto.

A modernidade trouxe novas formas de contato com a riqueza. Logo a miséria estava batendo, suja, esfarrapada, no vidro de nosso carro. Os semáforos ganharam uma inesperada função social. Passamos a exercitar nossa infinita bondade pingando esmolas em mãos rotas. Continuávamos de bem com nossos travesseiros.

Com o tempo, a miséria conquistou os tubos de imagem dos aparelhos de TV. Aos poucos, foi perdendo a docilidade. A rua oferecia-nos algo além de água encanada e luz elétrica.

Os telejornais passaram a despejar violência sobre o tapete da sala, aos pés de nossos sofás. Era como se dispuséssemos de um eficiente sistema de miséria encanada. Tão simples quanto virar uma torneira ou acionar o interruptor, bastava apertar o botão da TV. Embora violenta, a miséria ainda nos excluía.

Súbito, a miséria cansou de esmolar. Ela agora não pede; exige. Ela já não suplica; toma. A miséria não bate mais à nossa porta; invade. Não estende a mão diante do vidro do carro; arranca os relógios dos braços distraídos.

Acuada, a cidade passou de opressora a vítima dos morros. No Brasil de hoje, a riqueza é refém da miséria.

A constituição do perfil da miséria no Brasil está diretamente relacionada com a crescente modernização do país.

Fonte: SOUZA, Josias de. A vingança da miséria. Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 out. 1994. Caderno Opinião, p.2 (adaptado).
A partir da leitura do texto, conclui-se que ele tem por objetivo

  1. criticar a ação governamental no trato com a miséria.

  2. defender práticas de maior justiça social.

  3. denunciar a culpa sentida pelas classes privilegiadas.

  4. indicar soluções para a desigualdade social do país.

  5. mostrar a evolução da situação de miséria no Brasil.


3. Considere a imagem, o poema de Carlos Drummond de Andrade e as afirmações que seguem.

Disponível em http://4.bp.blogspot.com/_zXQhmJNHnt4/TRs6uyGWlnI/AAAAAAAAACM/suRfjujM5qg/s400/garoto_propaganda5b15d.jpg . Acesso em 13 mai. 2011.



EU, ETIQUETA

Carlos Drummond de Andrade
Em minha calça está grudado um nome

Que não é meu de batismo ou de cartório

Um nome... estranho.

Meu blusão traz lembrete de bebida

Que jamais pus na boca, nessa vida,

Em minha camiseta, a marca de cigarro

Que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produtos

Que nunca experimentei

Mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido

De alguma coisa não provada

Por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,

Minha gravata e cinto e escova e pente,

Meu copo, minha xícara,

Minha toalha de banho e sabonete,

Meu isso, meu aquilo.

Desde a cabeça ao bico dos sapatos,

São mensagens,

Letras falantes,

Gritos visuais,

Ordens de uso, abuso, reincidências.

Costume, hábito, permência,

Indispensabilidade,



E fazem de mim homem-anúncio itinerante,

Escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É duro andar na moda, ainda que a moda

Seja negar minha identidade,

Trocá-la por mil, açambarcando

Todas as marcas registradas,

Todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser

Eu que antes era e me sabia

Tão diverso de outros, tão mim mesmo

Ser pensante sentinte e solitário

Com outros seres diversos e conscientes

De sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio

Ora vulgar ora bizarro.

Em língua nacional ou em qualquer língua

(Qualquer principalmente.)

E nisto me comparo, tiro glória

De minha anulação.

Não sou - vê lá - anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

Para anunciar, para vender

Em bares festas praias, pérgulas, piscinas,



E bem à vista exibo esta etiqueta

Global no corpo que desiste

De ser veste e sandália de uma essência

Tão viva, independente,

Que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

Meu gosto e capacidade de escolher,

Minhas idiossincrasias tão pessoais,

Tão minhas que no rosto se espelhavam

E cada gesto, cada olhar

Cada vinco da roupa

Sou gravado de forma universal,

Saio da estamparia, não de casa,

Da vitrine me tiram, recolocam,

Objeto pulsante mas objeto

Que se oferece como signo dos outros

Objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

De ser não eu, mas artigo industrial,

Peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome novo é Coisa.

Eu sou a Coisa, coisamente.




  1. Tanto no poema como na imagem, transmite-se a mensagem de que as influências exercidas pela propaganda e pelo marketing são positivas, já que ampliam as possibilidades de escolha do indivíduo.

  2. Drummond critica o fato de as pessoas servirem como "anúncios ambulantes" ao carregarem as etiquetas com as marcas nos seus trajes.

  3. Não é possível estabelecer relação entre o poema e a imagem, pois eles utilizam linguagens diferentes e pertencem a gêneros distintos.

Está correto o que se afirma somente em

a) I.

b) II.

c) I e III.

d) I e II.

e) II e III.


4. (Adaptada - Faculdade de Saúde Pública – USP - Primeira Fase - Exame de seleção para a Pós-Graduação - 2010). Leia o texto que segue.

Fumar em espaços fechados é um atentado à saúde de quem está por perto. Permitir que fumantes dispersem partículas tóxicas no ar que outras pessoas respiram é próprio de países que desprezam a vida humana.

Antes que você, leitor, diga que sou moralista e preconceituoso, apresso-me em confessar que fui dependente de nicotina por 19 malfadados anos, durante os quais fumei em ambientes com mulheres grávidas, crianças e senhoras de idade. Se remorso matasse, não estaria aqui este que vos escreve.

A meu favor, posso alegar apenas a ignorância em que éramos mantidos naquele tempo: não sabíamos quanto o cigarro nos prejudicava nem fazíamos ideia dos malefícios causados a terceiros.

Existiam indícios, é fato, mas os fabricantes investiam fortunas em propaganda para desqualificá-los. Essa gente praticou (e continua praticando) o crime mais repugnante da história do capitalismo.

Nos últimos 20 anos, entretanto, as evidências científicas se tornaram tão contundentes que ficou impossível negar o óbvio: fumantes passivos são pessoas que fumam. Logo, estão sujeitas às mesmas doenças que encurtam a vida dos dependentes de nicotina.

Fonte: VARELLA, Drauzio. Fumantes Passivos. Folha de S. Paulo, 30/8/2008.
A frase que reproduz, de maneira coerente, uma ideia contida no texto é:

  1. Apesar de ter sido um fumante intermitente, o autor se declara livre de preconceito e moralismo.

  2. Por meio da propaganda, os fabricantes de cigarros conseguiam transformar os dependentes de nicotina em pessoas literalmente sempre vencedoras.

  3. As indústrias de tabaco eram pródigas nos investimentos que visavam desqualificar os indícios dos males que os cigarros causavam a terceiros.

  4. Pesquisas científicas deixaram latente que o fumante passivo também sofre os malefícios da nicotina.

  5. Já virou um paradoxo afirmar que os fumantes passivos também são pessoas que fumam.


5. (Fundação Carlos Chagas/2009 – com adaptações) Leia o texto abaixo, de autoria do médico e escritor brasileiro Drauzio Varella.

Drauzio Varella


Janelas quebradas

A deterioração da paisagem urbana é lida como ausência dos poderes públicos, portanto enfraquece os controles impostos pela comunidade, aumenta a insegurança e convida à prática de crimes. Essa tese, defendida pela primeira vez em 1982 pelos americanos James Wilson e George Kelling, recebeu o nome de “teoria das janelas quebradas”. Segundo ela, a presença de lixo nas ruas e de grafite sujo nas paredes provoca mais desordem, induz ao vandalismo e aos pequenos crimes. Com base nessas ideias, a cidade de Nova York iniciou, nos anos 1990, uma campanha para remover os grafites do metrô, que resultou numa diminuição dos crimes realizados em suas dependências.

O sucesso da iniciativa serviu de base para a política de “tolerância zero” posta em prática a seguir. Medidas semelhantes foram adotadas em diversas cidades dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Holanda, da Indonésia e da África do Sul. Mas, apesar da popularidade, a teoria das janelas quebradas gerou controvérsias nos meios acadêmicos, por falta de dados empíricos capazes de comprová-la.

Mas houve, sim, alguns experimentos bem sucedidos. Na Holanda, um deles foi conduzido numa área de compras da cidade de Groningen. Para simular ordem, os pesquisadores limparam a área e colocaram um aviso bem visível de que era proibido grafitar. Para a desordem, grafitaram as paredes da mesma área, apesar do aviso para não fazê-lo. A grafitagem constava apenas de rabiscos mal feitos, para evitar confusão com arte. Em ambas as situações, penduraram um panfleto inútil nos guidões de bicicletas, de modo que precisasse ser retirado pelo ciclista antes de partir. Não havia lixeiras no local.

Na situação ordeira, sem grafite, 77% dos ciclistas levaram o panfleto embora. Na presença do grafite, apenas 31% o fizeram, os demais jogaram-no no chão.

Em outra experiência holandesa, foi colocado, numa caixa de correio da rua, um envelope parcialmente preso à boca da caixa (como se tivesse deixado de cair para dentro dela) com uma nota de 5 em seu interior, em local bem visível para os transeuntes. Na situação ordeira, a caixa estava sem grafite e sem lixo em volta; na situação de desordem, a caixa estava grafitada e com lixo em redor. Dos transeuntes que passaram diante da caixa limpa, 13% furtaram o dinheiro. Esse número aumentou para 27% quando havia grafite e sujeira. A mensagem é clara: desordem e sujeira nas ruas mais do que duplicam o número de pessoas que praticam contravenções ou pequenos crimes no espaço público.

Fonte: VARELLA, Drauzio. Folha de S. Paulo, 18.07.2009 (com adaptações).
De acordo com o texto, deve-se entender que a “teoria das janelas quebradas” sustenta a tese de que

  1. o espaço público deve ser administrado a partir de iniciativas dos cidadãos.

  2. a concentração urbana é fator determinante para os serviços dos poderes públicos.

  3. a atitude dos indivíduos é influenciada pela ação ou omissão dos poderes públicos.

  4. a deterioração do espaço público decorre da ação irresponsável da maioria dos cidadãos.

  5. a iniciativa dos cidadãos é determinante para a formulação de políticas públicas.


6. (CESPE/UNB – Tribunal de Contas do Estado do Tocantins/2009 – com adaptações) Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.

A política de cotas visa a combater uma histórica distorção existente na educação brasileira. Do total de 1,8 milhão de alunos que conclui o ensino médio anualmente, 80% são de escolas públicas. Contudo, nas universidades mantidas pelo Estado, eles são minoria. Para o ministro da Educação, a adoção de cotas pode reduzir esse descompasso e não trará prejuízos a segmentos da sociedade: “Os brancos que estudaram na escola pública têm direitos tão resguardados quanto os negros e indígenas que estudaram em escola pública. Um grupo não está sendo privilegiado em detrimento do outro, já que a distribuição é proporcional”.

De acordo com o Ministério da Educação, as instituições de ensino superior mantidas pelo governo federal ofereciam 127 mil vagas em 2003. Hoje ofertam mais de 227 mil, um número pequeno diante da gigantesca demanda, mas o suficiente para compensar ao menos 80% das vagas que podem ser restringidas aos alunos de escolas particulares com a adoção da medida.

Das 59 universidades federais, ao menos 16 estabeleceram algum tipo de cota no vestibular. O exemplo que mais se aproxima do projeto de lei que está em discussão no Senado é o da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde 2005, a instituição reserva 45% das vagas aos alunos egressos de escolas públicas. As cadeiras são preenchidas de acordo com a proporção de cada etnia na região metropolitana de Salvador. Os afrodescendentes, por exemplo, têm direito a ocupar 85% das vagas destinadas a cotistas.

Fonte: Rodrigo Martins. Critérios indefinidos. In: Carta Capital, nº 257, 24.12.2008, p. 36-7 (com adaptações).
Com relação às ideias do texto, assinale a opção correta.

  1. Infere-se do texto que o ensino médio das escolas públicas brasileiras não oferece a mesma qualidade que o ensino das escolas particulares, o que justifica o fato de que os alunos egressos de escolas públicas sejam a minoria nas universidades mantidas pelo Estado.

  2. Infere-se do texto que o Ministério da Educação está desenvolvendo um programa que estabelecerá um conjunto de intervenções que vise melhorar o ensino das escolas públicas, inclusive universidades, de forma a proporcionar escola pública de qualidade para os alunos cotistas.

  3. De acordo com o texto, a adoção de cotas não traz prejuízo para os estudantes brancos, pois as vagas das instituições públicas de ensino superior já foram suficientemente ampliadas.

  4. De acordo com o texto, tramita, no Senado, um projeto de lei que discute a criação de vagas nas universidades e a porcentagem de reserva dessas vagas para os alunos de baixa renda.

  5. Depreende-se do texto que, nas universidades públicas da Bahia, 85% das vagas são ocupadas por afrodescendentes que possuem o direito de ser incluídos em programas de cotas.


7. (Fundação Carlos Chagas – Ministério da Integração Nacional/2010 – com adaptações) Leia o texto a seguir, de autoria de Alfredo Bosi, e responda ao que se pede.

Cultura de massa e cultura popular

O poder econômico expansivo dos meios de comunicação parece ter abolido, em vários momentos e lugares, as manifestações da cultura popular, reduzindo-as à função de folclore para turismo. Tal é a penetração de certos programas de rádio e TV junto às classes pobres, tal é a aparência de modernização que cobre a vida do povo em todo o território brasileiro, que, à primeira vista, parece não ter sobrado mais nenhum espaço próprio para os modos de ser, pensar e falar, em suma, viver, tradicionais e populares.

A cultura de massa entra na casa do caboclo e do trabalhador da periferia, ocupando-lhe as horas de lazer em que poderia desenvolver alguma forma criativa de autoexpressão; eis o seu primeiro tento. Em outro plano, a cultura de massa aproveita-se dos aspectos diferenciados da vida popular e os explora sob a categoria de reportagem popularesca e de turismo. O vampirismo é assim duplo e crescente; destrói-se por dentro o tempo próprio da cultura popular e exibe-se, para consumo do telespectador, o que restou desse tempo, no artesanato, nas festas, nos ritos. Poderíamos, aqui, configurar com mais clareza uma relação de aparelhos econômicos industriais e comerciais que exploram, e a cultura popular, que é explorada. Não se pode, de resto, fugir à luta fundamental: é o capital à procura de matéria-prima e de mão de obra para manipular, elaborar e vender. A macumba na televisão, a escola de samba no Carnaval estipendiado para o turista, são exemplos de conhecimento geral.

No entanto, a dialética é uma verdade mais séria do que supõe a nossa vã filosofia. A exploração, o uso abusivo que a cultura de massa faz das manifestações populares não foi ainda capaz de interromper para sempre o dinamismo lento, mas seguro e poderoso da vida arcaico-popular, que se reproduz quase organicamente em microescalas, no interior da rede familiar e comunitária, apoiada pela socialização do parentesco, do vicinato e dos grupos religiosos.

Fonte: BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, pp. 328-29.
Tomando como referências a cultura de massa e a cultura popular, o autor do texto considera que, entre elas,

  1. não há qualquer relação possível, uma vez que configuram universos distintos no tempo e no espaço.

  2. há uma relação de necessária interdependência, pois não há sociedade que possa prescindir de ambas.

  3. há uma espécie de simbiose, uma vez que já não é possível distinguir uma da outra.

  4. há uma relação de apropriação, conforme se manifestam os efeitos da primeira sobre a segunda.

  5. há uma espécie de dialética, pois cada uma delas se desenvolve à medida que sofre a influência da outra.


8. (Fundação Carlos Chagas – Ministério da Integração Nacional/2010 – com adaptações) Leia o texto a seguir.

Assédio eletrônico

Quem já se habituou ao desgosto de receber textos não solicitados de cem páginas aguardando sua leitura? Ou quem não se irrita por ser destinatário de mensagens automáticas que nem lhe dizem respeito? E, mesmo sem aludir a entes mais sinistros como os hackers e os vírus, como aturar os abusos da propaganda que vem pelo computador, sob pretexto da liberdade de acesso à informação?

Entre as vantagens do correio eletrônico – indiscutíveis –, a pergunta que anda percorrendo todas as bocas visa a apurar se a propagação do e-mail veio ressuscitar a carta. A esta altura, o e-mail lembra mais o deus dos começos, Janus Bifronte, a quem era consagrado o mês de janeiro. No templo de Roma ostentava duas faces, uma voltada para frente e outra para trás. A divindade presidia simultaneamente à morte e ao ressurgimento do ciclo anual, postada na posição privilegiada de olhar nas duas direções, para o passado e para o futuro. Analogamente, o e-mail tanto pode estar completando a obsolescência da carta como pode dar-lhe alento novo.

Sem dúvida, o golpe certeiro na velha prática da correspondência, de quem algumas pessoas, como eu, andam com saudades, não foi desferido pelo e-mail nem pelo fax. O assassino foi o telefone, cuja difusão, no começo do século XX, quase exterminou a carta, provocando imediatamente enorme diminuição em sua frequência. A falta foi percebida e muita gente, à época, lamentou o fato e o registrou por escrito.

Seria conveniente pensar qual é a lacuna que se interpõe entre a carta e o e-mail. Podem-se relevar três pontos em que a diferença é mais patente. O primeiro é o suporte, que passou do papel para o impulso eletrônico. O segundo é a temporalidade: nada poderia estar mais distante do e-mail do que a concepção de tempo implicada na escritura e envio de uma carta. Costumava-se começar por um rascunho; passava-se a limpo, em letra caprichada, e escolhia-se o envelope elegante – tudo para enfrentar dias, às vezes semanas, de correio. O terceiro aspecto a ponderar é a tremenda invasão da privacidade que a Internet propicia. Na pretensa cumplicidade trazida pelo correio eletrônico, as pessoas dirigem-se a quem não conhecem a propósito de assuntos sem interesse do infeliz destinatário.

Fonte: Walnice Nogueira Galvão, O tapete afegão.
As frases interrogativas do primeiro parágrafo valem, de fato, como afirmações implícitas. A cada uma dessas frases corresponde, na ordem dada, a seguinte afirmação:

I. É desagradável acostumar-se com o recebimento compulsório de textos para ler, por vezes longos.

II. A recepção de mensagens despropositadas, sem interesse para nós, há muito já não nos causa dissabores, resignados que somos.

III. Não fosse pelo direito à livre divulgação de informações, haveria de se condenar o hábito de enviar propaganda por e-mail.



Atende ao enunciado desta questão o que está somente em

a) I.

b) I e II.

c) II.

d) I e III.

e) III.



9. (Fundação Carlos Chagas – Tribunal de Contas do Estado de Goiás/2009 – com adaptações) Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.

Notícias e mais notícias

Confesso que já estou cheio de me informar sobre o mundo. Pela TV, pelo rádio, pelos incontáveis canais da internet, pelos celulares, pelos velhos jornais e revistas não param de chegar notícias, comentários, opiniões formadas. Essas manifestações me cercam, obrigam-me a tomar conhecimento de tudo, enlaçam-me numa rede de informações infinitas, não me deixam ignorar nenhum acontecimento, do assalto no bar da esquina aos confrontos no Oriente Médio. Gostaria de descansar os olhos e os ouvidos, daria tudo para que se calassem por algum tempo essas notícias invasoras, e me sobrasse tempo para não saber mais nada de nada...

Minha utopia é acordar num dia sem notícias, quando os únicos acontecimentos sensíveis fossem os da natureza e os do corpo: amanhecer, clarear, ventar, escurecer – e andar, olhar, ouvir, sentar, deitar, dormir. Parece pouco, mas é mais que muito: é impossível. É impossível fruir esse estado de contemplação – melhor dizendo: de pura e permanente percepção de si e do mundo. Até porque partiria de nós mesmos a violação desse estado: em algum momento nos cansaríamos e passaríamos a cogitar coisas, a avaliar, a imaginar, e estenderíamos nossa curiosidade para tudo o que estivesse próximo ou distante. Em suma: iríamos atrás de informações. Ficaríamos ávidos por notícias do mundo.

O ideal talvez fosse um meio termo: nem nos escravizarmos à necessidade de notícias, nem nos abandonarmos a um confinamento doentio. Mas o homem moderno sabe cada vez menos equilibrar-se entre os extremos. Nossa época, plena de novidades, não nos deixa descansar. Cada tela apagada, cada aparelho desligado parece espreitar-nos, provocando-nos: – Você sabe o que está perdendo?

Desconfio que estejamos perdendo a capacidade de nos distrairmos um pouco com nós mesmos, com nossa memória, com nossos desejos, com nossas expectativas. Bem que poderíamos acreditar que há, dentro de nós, novidades a serem descobertas, notícias profundas de nós, que pedem calma e silêncio para se darem a conhecer.

Fonte: Aristides Bianco, inédito.
O autor do texto mostra-se, fundamentalmente, insatisfeito com

  1. a irrelevância da maioria das matérias que pesquisa na internet.

  2. o descaso dos meios de comunicação na veiculação de informações.

  3. a profusão de informações que nos fazem esquecer de nós mesmos.

  4. a tendência moderna de valorizar em excesso as aptidões individuais.

  5. o excesso de estímulos que nos levam à permanente autoavaliação.


10. (Fundação Carlos Chagas – Tribunal de Contas do Estado de Goiás/2009 – com adaptações) Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.

A respeito do termo etnia

Por etnia entende-se um grupo de pessoas que partilham vários atributos, como espaço geográfico, língua, costumes e valores, e que reivindicam para si o mesmo nome étnico e a mesma ascendência. Mas sempre há nisso grande dose de subjetividade. Daí ser difícil estabelecer fronteiras claras entre as etnias e quantificar os grupos étnicos existentes no planeta.

A língua, por exemplo, que parece um critério objetivo, não é suficiente para determinar diversas etnias, se tomada isoladamente, pois muitos grupos étnicos usam o mesmo idioma.

O moderno conceito de etnia desenvolveu-se no século XX, em oposição às teorias racistas que evocavam argumentos de ordem biológica para justificar a dominação de um grupo humano sobre outros. A ciência considera incorreto falar em diferentes raças quando se trata de seres humanos. Todos os homens pertencem ao gênero Homo e à espécie Homo sapiens.

Eventuais variações genéticas são mínimas e insuficientes para configurar diferenciações raciais.

Os homens agrupam-se socialmente, e as semelhanças e diferenças que estabelecem entre si decorrem de processos históricos, sempre culturais, jamais naturais. Fundamentalmente, um indivíduo pertence a determinada etnia porque acredita nisso, e tal crença é compartilhada pelos demais indivíduos que compõem o mesmo grupo.

A existência de vários grupos étnicos no interior das mesmas fronteiras nacionais é uma situação comum, pois as populações humanas não são homogêneas, em razão das migrações no decorrer da história. Mas as diferenças étnicas, em diversos casos, são manipuladas para acirrar conflitos de fundo político ou econômico. O próprio conceito de raça humana, há muito não admitido pela antropologia moderna, serviu (e por vezes ainda serve) de pretexto para justificar as mais cruéis manifestações de preconceito, violência e barbárie.

Fonte: Almanaque Abril Cultural 2009, p. 123 (com adaptações).
De acordo com o texto, o conceito de etnia diz respeito, fundamentalmente,

  1. às variações genéticas que vêm caracterizando, ao longo da História, os mais diferentes agrupamentos humanos.

  2. a critérios de identificação pelos quais se reconhecem grupos humanos, com base em alguns atributos compartilhados.

  3. a alguns fatores biológicos pelos quais os homens se distinguem uns dos outros, como a cor da pele ou traços fisionômicos.

  4. aos valores culturais que alguns grupos humanos classificam e julgam superiores aos de outros grupos.

  5. a critérios científicos e objetivos, a partir dos quais se pode justificar com mais rigor a reivindicação de superioridade cultural.


11. (Fundação Carlos Chagas – PMSP/2008 – com adaptações) Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.

O não essencial

Os pais estão desorientados e têm dificuldade crescente para assumir seu papel diante dos filhos adolescentes, já não se sentem autorizados a lhes impor limites. É o caso da mãe que deixa a filha anoréxica definhar porque prometeu que não a internaria no hospital. Ou do pai que não ousa obrigar o filho que mata aulas e se droga a consultar um psicólogo.

O que falta nesses casos não é amor, mas legitimidade para os pais manterem seu papel de educadores, para dizerem “não” quando acharem necessário. Essa problemática é o fio condutor do livro Por nossos adolescentes, sejamos adultos, de Philippe Jeammet, que dirigiu o serviço de psiquiatria do adolescente e do jovem no Instituto Montsouris, em Paris. O livro é pontuado com exemplos de jovens sofredores, cujos pais não tiveram coragem de detê-los em seus devaneios e alucinações.

Como se chegou a isso? A capacidade dos adultos de afirmarem sua autoridade se erodiu nos últimos quinze anos, enquanto o “educativo era desqualificado pelo psicológico”, reflete o autor. O exercício da autoridade tem sido considerado “abuso de poder”, como se bastasse amar os filhos para que eles se desenvolvessem naturalmente. Os psicoterapeutas, que se recusavam a receber jovens contra sua vontade, deram crédito à ideia de que não se deve impor nada.

Para Philippe Jeammet, tal atitude se assemelha a um abandono. Estar mal, e demonstrá-lo, é um apelo. Após quarenta anos de prática, o psiquiatra considera que os pais têm o dever de fazer o bem a seus filhos, mesmo contra a vontade destes. “É preciso ter sido testemunha desse renascimento possível, às vezes depois de quinze anos de trabalho duro, para lamentar a vida inteira não ter conseguido impedir que muitos jovens morressem ou estragassem sua vida com comportamentos que, de fato, não haviam escolhido”, escreve.

Para ajudar os pais a retomar seu papel de educadores, ele os orienta em meio às necessidades paradoxais dos adolescentes (ao mesmo tempo refutam e demandam orientação), decifrando seus comportamentos patológicos. A adolescência é uma transição tumultuada, em que os sentimentos em relação aos adultos se mostram contraditórios como nunca. É a idade em que o corpo se transforma, em que as ligações se sexualizam. Uma proximidade excessiva com os pais é vivida como perigosa, potencialmente incestuosa. O jovem deve manter sua distância, o que implica provar sua capacidade de levar o barco sozinho, contando apenas com seus próprios recursos. “É uma necessidade, um prazer, mas também um risco e um medo, que tornam esse período da adolescência fundamentalmente desconfortável”, alerta o autor.

A maioria dos jovens passa por essa fase sem muitas dificuldades, mas outros, mais frágeis, vacilam. Se o adolescente duvida de si e não tem os recursos necessários para seguir adiante, vai procurar nos adultos a confiança e as bases que lhe faltam. Quanto mais forte for a necessidade de ajuda, menos o jovem a suportará. Esse paradoxo torna a intervenção e o apoio dos pais ainda mais difíceis.

Fonte: Adaptado de Martine Laronche, Folha de S. Paulo, 23.03.2008.
A autora do texto, reportando-se ao livro de Philippe Jeammet, destaca a seguinte convicção desse psiquiatra francês:

  1. o descaso com os filhos adolescentes dá origem à perda da autoridade paterna e acaba por levar os pais a se sentirem culpados.

  2. o abuso de poder tem sido uma condicionante do exercício da autoridade paterna nos últimos quinze anos.

  3. os pais devem exercer o papel de orientadores psicológicos dos filhos, cerceando nos adolescentes o desejo de sonhar.

  4. a falta de autoridade paterna na educação dos filhos adolescentes pode levá-los a sofrimentos extremos.

  5. a obsessão de definir limites para seu próprio comportamento faz com que os pais os imponham aos filhos adolescentes.


12. (Fundação Carlos Chagas – METRÔ/2009 – com adaptações) Leia o texto a seguir, de autoria de Mário Santini de Oliveira, e responda ao que se pede.

Trabalho, saúde e dignidade

O trabalho dignifica o homem”. Ninguém, em sã consciência, e num primeiro momento, ousará desmentir o sentido absoluto dessa frase – sob pena de ser acusado de defensor da vagabundagem. Mas frases sentenciosas como essa, que passam por expressar uma verdade tão genérica como incontestável, podem e devem ser analisadas em cada um de seus termos. Pensar também costuma dignificar o homem.



Formulações sintéticas, que almejam validade universal, quase sempre omitem detalhes preciosos. Trabalhos mesquinhamente remunerados ou exercidos em condições insalubres não dignificam ninguém; o trabalho escravo torna criminoso quem o comanda e barbariza quem a ele é obrigado; o trabalho repetido exaustivamente aniquila o corpo e compromete a saúde mental; o trabalho que não abre qualquer possibilidade de uma vida melhor desestimula e desengana o espírito de quem o executa. Nem todo trabalho dignifica o homem.

Os profissionais da medicina do trabalho sabem disso, já que estão em permanente contato não com o conceito de trabalhador, mas com sua pessoa mesma – seja para prevenir os males a que esteja exposta, seja para buscar sanar os que já a afetaram. Esses especialistas conhecem as condições oferecidas a cada trabalhador, têm consciência das medidas que são necessárias para resguardar a saúde de quem trabalha. Por não ignorarem os males da fadiga, da exposição a processos tóxicos, da pressão contínua de riscos de acidente, da alimentação precária, da falta de higiene e de tantos outros fatores, não podem deixar de sensibilizar-se diante dessas ameaças e de responsabilizar-se pela prevenção delas. As camadas mais pobres da população trabalhadora são, é certo, as que se encontram mais expostas e desprotegidas no trabalho.

Por isso, o sentido da palavra dignifica, não-explícito na frase analisada, deve equivaler, para quem esteja envolvido com as condições de trabalho, a promover socialmente, fazer respeitar, realizar a pessoa. A medicina do trabalho tem muita contribuição a dar para que o homem daquela frase, acima da condição genérica, seja reconhecido como um trabalhador de carne e osso.

Fonte: Mário Santini de Oliveira, inédito.
Considere as afirmações abaixo.

I. No primeiro parágrafo, pensar e trabalhar são ações que se equiparam, já que ambas ressaltam, por si mesmas, inequívocas manifestações da dignidade humana.

II. No segundo parágrafo, a exposição de diferentes condições de trabalho serve ao propósito de exemplificar que a formulação inicial não é uma verdade universal.

III. No terceiro parágrafo, especifica-se o sentido da dignidade que se deve associar ao trabalho, contestando-se, assim, o aspecto de verdade absoluta das formulações gerais.

Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em

a) I.

b) II.

c) III.

d) I e II.

e) II e III.


13. Leia o texto e as afirmações que seguem.

O que distingue os milhares de anos de história do que consideramos os tempos modernos? A resposta transcende em muito o progresso da ciência, da tecnologia, do capitalismo e da democracia.

O passado remoto foi repleto de cientistas brilhantes, de matemáticos, de inventores, de tecnólogos e de filósofos políticos. Centenas de anos antes do nascimento de Cristo, os céus haviam sido mapeados, a grande biblioteca de Alexandria fora construída e a geometria de Euclides era ensinada. A demanda por inovações tecnológicas para fins bélicos era tão insaciável quanto atualmente.

Carvão, óleo, ferro e cobre estiveram a serviço dos seres humanos por milênios, e as viagens e comunicações marcaram os primórdios da civilização conhecida.

A ideia revolucionária que define a fronteira entre os tempos modernos e o passado é o domínio do risco: a noção de que o futuro é mais do que um capricho dos deuses e de que homens e mulheres não são passivos ante a natureza. Até os seres humanos descobrirem como transpor essa fronteira, o futuro era um espelho do passado ou o domínio obscuro de oráculos e adivinhos que detinham o monopólio sobre o conhecimento dos eventos previstos.

Fonte: Peter L. Bernstein, Desafio aos Deuses.


  1. O progresso da ciência é o fator mais importante para distinguir os tempos modernos dos antigos.

  2. Não há diferenças entre os tempos modernos e os antigos, pois em ambos notamos a presença de cientistas brilhantes, matemáticos, inventores, tecnólogos e filósofos políticos.

  3. Nos tempos modernos, tem-se consciência do papel ativo da humanidade perante a natureza.

De acordo com o texto, assinale a alternativa correta.



  1. Apenas as afirmativas I e II estão certas.

  2. Apenas a afirmativa III está certa.

  3. Apenas a afirmativa II está certa.

  4. Apenas a afirmativa I está certa.

  5. Todas as afirmativas estão certas


14. (BNDES – Fundação Cesgranrio – 2011 – com adaptações). Leia o texto a seguir.

Vista cansada

Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta.

Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas.

Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

RESENDE, Otto Lara. Disponível em

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