Final para trêS ( 3 histórias de Nero Wolfe)



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Wolfe olhou fixamente para o inspetor Cramer, que estava sentado próximo ao grande globo, com Purley ao lado. "Se não se importa, Sr. Cramer, primeiro eu vou esclarecer um pequeno problema que está fora de seu interesse".

Cramer assentiu e trocou a posição do charuto entre seus lábios. Ele acompanhava os movimentos todos com olhos atentos.

Wolfe olhou então ao redor. "Estou certo que os senhores vão ficar contentes em ouvir isto. Não que eu tenha tomado minha decisão para agradá-los; considerei só os méritos do caso. Sem entrar no mérito da situação legal, sinto que moralmente a Sra. Mion não agiria contra o Sr. James. Como disse, ela não está obrigada a aceitar meu julgamento, mas acredito que não fará a queixa e não pedirá a indenização. A senhora confirma isto perante estas testemunhas, Sra. Mion?"

"Certamente". Peggy ia acrescentando alguma coisa, mas parou na hora.

"Isto é maravilhoso!" Adele Bosley estava fora de sua cadeira. "Posso usar o telefone?"

"Mais tarde", Wolfe respondeu-lhe secamente. "Por favor sente-se".

"Parece-me", observou o juiz Arnold, "que isto poderia nos ter sido dito pelo telefone. Tive que cancelar um encontro importante". Advogados nunca estão satisfeitos...

"Perfeitamente certo", concordou Wolfe suavemente, "se isto fosse tudo. Mas existe o problema da morte de Mion. Quando eu..."

"O que tem uma coisa a ver com a outra?"

"Estou pronto para lhe dizer. Certamente uma coisa está ligada à outra, desde que a morte dele resultou, embora indiretamente, de uma agressão do Sr. James. Porém meu interesse vai além disto. A Sra. Mion me contratou não somente para decidir a respeito da indenização de seu marido contra o Sr. James - isto agora está resolvido - mas também para investigar a morte dele. Ela estava convencida de que ele não tinha se suicidado. Investiguei isso e estou preparado para informar a ela".

"O senhor não precisa da nossa presença aqui para isto", Rupert, o Gordo, falou num grunhido agudo.

"Preciso de um de vocês. Preciso do assassino".

"Então não precisa de um de nós", Arnold disse asperamente.

"Parado!" cortou Wolfe. "Então vão! Todos, menos um de vocês. Vão!"

Ninguém fez um movimento.

Wolfe deu a eles cinco segundos. "Então eu vou prosseguir", falou ele secamente. "Como disse, estou preparado para informar, mas a investigação ainda não está concluída. Um detalhe vital vai requerer uma autoridade oficial e é por isto que o inspetor Cramer está presente. Também vai ser necessária ajuda da Sra. Mion; também penso que é bom consultar o Dr. Lloyd, desde que foi ele quem assinou o atestado de óbito". Seus olhos dirigiram-se para Peggy. "Primeiro a senhora".

"A senhora dará seu consentimento para a autópsia de seu marido?"

Ela olhou espantada para ele. "Para quê?"

"Para se ter a prova que foi assassinado, e por quem. É um motivo razoável".

Ela se acalmou. "Sim, não me importo". Ela pensou que ele estivesse só falando para impressionar.

Wolfe voltou-se para a esquerda. "O senhor não faz objeção, Dr. Lloyd?"

Lloyd estava confuso. "Não tenho idéia", respondeu vagarosa e distintamente, "onde o senhor está querendo chegar, mas de qualquer maneira eu não tenho autoridade no caso. Eu simplesmente assinei o atestado".

"Então o senhor não se opõe a isto. Sr. Cramer: a razão para o pedido de uma autoridade oficial vai surgir em um momento, más deverá saber que o que vai ser requerido é uma autópsia e um relatório feitos pelo Dr. Abraham Rentner do Hospital Monte Sinai".

"Não se consegue uma autópsia só por curiosidade", resmungou Cramer.

"Sei disso. Sou mais que um curioso". Os olhos de Wolfe circularam entre todos. "Suponho que todos saibam que uma das principais razões, a maior provavelmente, para a polícia ter decidido que Mion tinha se suicidado foi a maneira de sua morte. É claro que há outros detalhes - como por exemplo a presença da arma ao lado do corpo - e ela os levou em conta. O fator determinante, porém, foi a suposição de que um homem não pode ser assassinado enfiando-se o cano de um revólver em sua boca e puxando-se o gatilho a menos que esteja inconsciente; e não havia sinais de que Mion tivesse sido drogado ou estivesse desmaiado; além disso, a bala atravessou sua cabeça e foi se projetar no teto. Entretanto, embora esta suposição pareça simples, este caso é certamente uma exceção. Isto me veio à cabeça imediatamente na primeira vez que a Sra. Mion veio me consultar. Por que era evidente... mas vou lhes fazer uma simples demonstração. Archie. Pegue um revólver".

Abri a terceira gaveta de minha mesa e peguei um.

"Está carregado?"

Rodei o tambor aberto para verificar. "Não senhor".

Wolfe retornou aos presentes.

"O senhor, Sr. James. Como um cantor de ópera penso que seria capaz de obedecer às ordens em um palco. Por favor, levante-se. Este caso é sério, portanto, faça-o com atenção. O senhor é um paciente com dor de garganta e o Sr. Goodwin é o seu médico. Ele vai lhe pedir para abrir a boca para que ele possa examiná-lo. O senhor tem que fazer exatamente como faria nestas circunstâncias. Fará isto?"

"Mas é óbvio". James, levantando-se, parecia aborrecido. "Não vejo porque isto".

"Não vem ao caso, faça-me este favor. Mas há um detalhe, faça-o com a maior naturalidade possível".

"Certo".


"Bom. Os senhores todos por favor olhem para o rosto do Sr. James. Mais próximos. Vá em frente, Archie".

Com o revólver em meu bolso caminhei para o Sr. James e lhe disse para abrir bem a boca. Ele o fez. Por um momento seus olhos se cruzaram com os meus enquanto eu espiava sua garganta, então inclinei seu rosto para cima. Sem pressa, tirei o revólver do meu bolso e o enfiei na sua boca até que tocasse no céu da boca. Ele cambaleou e caiu em sua cadeira.

"O senhor viu o revólver?" perguntou-lhe Wolfe.

"Não, meus olhos estavam olhando para cima".

"É só isto". Wolfe olhou para os outros. "Os senhores viram os olhos dele olharem para cima?" Eles sempre olham. Experimentem isto alguma vez. Eu experimentei domingo à noite. Portanto não é impossível, de maneira nenhuma, matar-se um homem deste jeito. Não é mesmo nem difícil, se se for seu médico e houver algum problema em sua garganta. O senhor concorda Dr. Lloyd?"

Lloyd não tinha se juntado aos outros para olhar o rosto de James. Não tinha sequer movido nenhum músculo. Agora seus lábios tremiam um pouco, mas era tudo.

Deu o seu melhor sorriso. "Mostrar que uma coisa poderia acontecer", disse ele com voz firme, "não é o mesmo que provar que realmente aconteceu".

"Certamente que não", concordou Wolfe. "Embora tenhamos alguns fatos: o senhor não tem, realmente, nenhum álibi. Mion o deixaria entrar no estúdio a qualquer hora, sem desconfiar de nada. O senhor conseguiria, facilmente, pegar o revólver da base do busto de Caruso e guardá-lo em seu bolso sem ser visto. Para o senhor, como para ninguém mais, ele atenderia ao pedido de ficar com a boca aberta, sem estranheza nenhuma. Ele foi assassinado logo depois de o senhor ter sido obrigado a marcar uma consulta com Dr. Rentner para examiná-lo também. Esses fatos nós temos, não é?"

"Mas eles não provam nada", insistiu Lloyd. Sua voz já não era tão segura. Levantou-se de sua cadeira ficando de pé. Não parecia que este movimento tivesse algum propósito; aparentemente não parecia querer continuar sentado como se seus músculos precisassem se movimentar. Isto foi um erro porque endireitando seu corpo, ele começou a tremer.

"Mas eles vão ajudar", disse-lhe Wolfe, "se conseguirmos mais um - e acho que o temos, se não por que o senhor estaria tremendo tanto? O que foi isto, doutor? Algum erro infeliz? O senhor teria estragado a operação e arruinado a voz dele para sempre? Suponho que foi isto, desde que a ameaça à sua carreira e à sua reputação eram motivos suficientemente graves para torná-lo um assassino. De qualquer modo logo saberemos, quando o Dr. Rentner fizer autópsia. Não espero que o senhor nos forneça...".

"Não fui um desastrado!" Lloyd gritou. "Poderia ter acontecido com qualquer um...".

Depois disto ele foi realmente desastrado. Penso que o que o fez perder completamente a cabeça foi ouvir sua própria voz, perceber que estava histérica, sem que pudesse evitá-lo. Correu em direção à porta. Derrubei o juiz Arnold enquanto atravessava a sala, o que foi desnecessário, porque quando cheguei, Stebbins já havia agarrado Lloyd pelo pescoço e Cramer estava junto. Ouvindo uma agitação atrás de mim, voltei-me. Clara James tinha se precipitado sobre Peggy Mion guinchando qualquer coisa que não consegui entender, mas seu pai e Adele Bosley a tinham segurado e a estavam acalmando. O juiz Arnold e Rupert, o Gordo, estavam excitados dizendo a Wolfe o quanto ele era extraordinário. Aparentemente Peggy estava soluçando pela maneira como seus ombros estavam sacudindo, mas não pude ver o seu rosto porque ele estava enterrado no ombro de Fred, que a abraçava fortemente.

Ninguém me queria, nem tinha necessidade de mim. Então, fui para a cozinha tomar um copo de leite...

HISTÓRIA 2 - MORTE NO PARQUE

CAPÍTULO 1

Era sua aparência que tornava difícil acreditar que estivesse tão nervosa quanto dizia estar.

"Talvez eu não tenha deixado claro", insistiu ela, torcendo ainda mais os dedos, embora eu já tivesse pedido para parar com aquilo. "Não estou ajudando nada, realmente nada... Se eles já me incriminaram uma vez, isto não é uma boa razão para pensar que eles possam fazê-lo novamente?"

Se o corado de seu rosto fosse causado por maquiagem e não porque, em virtude do medo seu coração estivesse pulsando mais rápido do que o normal, provavelmente eu teria ficado melhor impressionado. Minha primeira impressão, dela porém, era de uma daquelas figuras penduradas na parede do Sam's Diner na 11ª Avenue o retrato de uma moça de cara redonda com uma mão segurando um balde e a outra apoiada no flanco de uma vaca que ela acabara de - ou ia ordenhar.

Era ela exatamente, com o mesmo colorido, constituição e candura. Ela parou de torcer os dedos e começou a estalá-los produzindo, com isto, rápidos tlocs.

"Eles estarão aqui em vinte minutos e eu tenho que vê-lo primeiro!" De repente ela estava fora de sua cadeira, em pé. "Onde está ele? Lá em cima?"

Tendo suspeitado que ela era impulsiva, eu ficara entre ela e a porta em vez de me sentar em minha mesa.

"Calma", eu falei. "Quando a senhora fica em pé, começo a tremer, percebi isso quando entrou, por isso sente-se". Já tentara explicar que ao mesmo tempo que aquela sala era o escritório do Sr. Wolfe, o resto era sua casa. Das nove às onze da manhã e das quatro às seis da tarde ele ficava em casa, no orquidário, com suas plantas e não havia o que mudasse isto.

"Pelo que vi da senhora, penso que é compreensiva, então vou lhe pedir um favor".

"Qual?"


"Sente-se e pare de tremer".

Ela se sentou.

"Vou lá em cima falar com ele sobre a senhora".

"O que vai dizer a ele?"

"Vou lembrar a ele que um homem chamado Ferdinand Pohl telefonou esta manhã marcando uma reunião, para ele e mais outras quatro pessoas, às seis horas, isto é, daqui a quinze minutos. Vou lhe dizer que seu nome é Audrey Rooney e que é uma das quatro, que é bonita e que pode ser simpática, e está apavorada, como a senhora mesmo disse, porque eles estão fingindo que pensam que foi Talbott mas realmente estão tentando incriminar a senhora, e..."

"Não são todos eles".

"Alguns deles, de qualquer maneira. Vou dizer a ele que a senhora chegou antes da hora para vê-lo sozinho e informá-lo de que não matou ninguém, principalmente Sigmund Keys e preveni-lo de que ele precisa olhar estes miseráveis como um falcão".

"Assim desse jeito... parece uma loucura!"

"Então vou tentar pôr mais sentimento nisto..."

Ela levantou-se novamente. Caminhou alguns passos em minha direção, apoiou a palma de suas mãos em meus ombros e inclinou a cabeça para trás, olhando-me nos olhos.

"Você também pode ser simpático", disse ela, esperançosamente.

"Isto seria esperar demais..." respondi, enquanto me encaminhava para a escada no hall.

CAPÍTULO 2

Ferdinand Pohl estava falando.

Sentado ali, no escritório, com minha cadeira virada, eu estava de costas para minha mesa, com Wolfe na sua, à minha esquerda, e de frente para Pohl. Ele tinha quase o dobro da minha idade. Sentado na poltrona vermelha, na frente de Wolfe, com as pernas cruzadas, sua calça estava levantada de modo que sua perna aparecia até acima da liga da meia. Não havia nada nele que chamasse a atenção além de uma exagerada quantidade de rugas, nada atraentes.

"O que nos reuniu", ele estava dizendo em um tom agudo e irritante "e nos fez vir aqui, foi nossa opinião unânime de que Sigmund Keys foi assassinado por Victor Talbott, e também nossa convicção..."

"Unânime não", uma outra voz objetou.

A voz era macia e agradável aos ouvidos, e sua dona agradável ao olhar. Seu queixo, principalmente, era do tipo que podia ser visto sob qualquer ângulo. A única razão pela qual eu não a tinha feito sentar-se ao meu lado, foi que ao chegar tinha respondido ao meu sorriso de boas vindas com um simples erguer de sobrancelhas. Decidi então ignorá-la até que aprendesse boas maneiras.

"Não unânime, Ferdy", repetiu ela.

"Você disse", Pohl lhe respondeu, com uma voz mais irritante ainda, "que simpatizava com o nosso propósito, queria se juntar a nós e vir aqui conosco".

Vendo-os e ouvindo-os anotei que eles se odiavam uns aos outros. Ela devia conhecê-lo melhor que eu, desde que o chamava Ferdy, mas evidentemente concordava que não havia nele nada que se pudesse admirar. Eu estava a ponto de começar a pensar que tinha sido muito exigente com ela, quando vi que ela também estava levantando a sobrancelha para ele.

"Isto", falou, "é muito diferente de ter a opinião de que Vic matou meu pai. Não tenho opinião porque não sei a verdade".

"Então o que é que você quer?"

"Quero descobrir. Assim como você. E certamente eu concordo que a polícia está sendo completamente imperita".

"Quem pensa que o matou, se não foi Vic?"

"Não sei". As sobrancelhas se ergueram novamente. "Porém, desde que herdei os negócios de meu pai, desde que estou noiva de Vic, e algumas coisas mais, preciso muito saber isto. É por isto que estou aqui."

"Então não devia estar aqui!"

"Mas estou, Ferdy".

"Acho que não devia estar!"

As rugas de Pohl estavam mais profundas. "Eu disse isto e ainda repito. Viemos, então quatro de nós, com um propósito definido; deixar que Nero Wolfe consiga provas de que Vic matou seu pai!" Repentinamente Pohl descruzou as pernas, inclinando-se para frente e encarando Dorothy Keys perguntou abaixando a voz, "e que tal se você o ajudasse?"

Outras três vozes falaram ao mesmo tempo. Uma disse, "eles estão por fora novamente". "Deixe o Sr. Broadyke contar o caso", falou outra. "Deixe um deles fora disto", disse a terceira.

Então Wolfe falou: "Se o caso está limitado a estes termos, Sr. Pohl, provar que um homem, determinado pelo senhor, foi o assassino, perderam seu tempo. E se não foi ele?"

CAPÍTULO 3

Muitas coisas já sucederam naquele escritório do andar térreo da antiga casa de pedra escura, de propriedade de Nero Wolfe, durante todos estes anos que tenho trabalhado para ele.

Esta reunião, em uma tarde de uma terça-feira de outubro, teve um interesse especial. Sigmund Keys, dono de uma empresa de desenho industrial, fora assassinado na terça-feira anterior, exatamente há uma semana. Eu lera a respeito nos jornais e também tivera a oportunidade de, particularmente, ouvir falar sobre o caso, pelo meu amigo e ao mesmo tempo adversário, sargento Purley Stebbins da delegacia de homicídios. A interpretação do profissional chocou-me profundamente.

Era costume de Keys, de segunda a sexta-feira, às seis e meia da manhã, dar um passeio no parque, e o fazia da maneira mais difícil e estranha: a cavalo, em um animal que ele possuía, chamado Casa-nova e que ficava e era cuidado na Academia de Equitação Stillwell na Rua 98, no lado oeste do parque. Naquela manhã ele montou Casanova como sempre, exatamente às seis e meia, e cavalgou pelo parque. Quarenta minutos depois, às sete e dez, ele foi visto por um polícia-montado, que patrulhava o parque próximo à Rua 66. Em seu percurso costumeiro era exatamente ali que ele costumava passar àquela hora. Vinte e cinco minutos depois, às sete e trinta e cinco, Casanova, com a sela vazia, saiu do parque, rumo ao centro, caminhando pela rua em direção à Academia. O fato provocou curiosidade que depois de quarenta e cinco minutos foi satisfeita quando um guarda achou o corpo de Keys atrás de um arbusto, a vinte metros do caminho para cavaleiros, na altura da Rua 95. Mais tarde uma bala de revólver, calibre 38, foi retirada de seu peito. A polícia tinha concluído, pelas marcas no caminho e pelos rastros deixados através da cerca, que ele fora atirado da sua sela e se arrastara, com dificuldade, pelo pequeno declive em direção ao passeio asfaltado, para pedestres, porém não teve forças para prosseguir.

Um cavaleiro baleado em sua sela, à vista do Empire State Building, era, evidentemente, manchete para os noticiários e jornais. Nenhuma arma tinha sido achada, nem havia testemunhas. Ninguém tinha nem mesmo informado ter visto algum mascarado escondido atrás de alguma árvore, provavelmente porque muito poucos nova-iorquinos estariam levantados e cavalgando no parque àquela hora da manhã.

A polícia teve então que começar sua investigação por outro lado pesquisando motivos e circunstâncias. Durante a semana que decorreu, uma série de nomes foi mencionada e várias pessoas intimadas e como resultado as buscas estavam concentradas em seis pessoas. Era o que os jornais diziam e o que apurei com Stebbins. O que deu maior.interesse àquela reunião de terça-feira à tarde, em nosso escritório, foi o fato de que, daquelas seis pessoas, cinco estavam sentadas ali e aparentemente o que queriam é que Wolfe não se preocupasse com elas para se concentrar única e exclusivamente na tal sexta pessoa, não presente.

CAPÍTULO 4

"Permita-me dizer", disse Frank Broadyke, uma voz educada, "que o Sr. Pohl colocou mal a coisa. A situação é esta, Sr. Wolfe: o Sr. Pohl nos reuniu e descobrimos, que cada um de nós está sendo objeto de suspeitas totalmente desarrazoadas. E não somente estamos sendo acusados injustamente, de um crime que não cometemos como durante toda a semana a polícia não só não concluiu nada como parece também que não vai chegar a lugar nenhum, enquanto somos deixados com esta suspeita permanentemente pesando sobre nós".

Broadyke gesticulava com a mão. Não somente sua voz era educada; ele era todo educado. Era um pouco mais jovem do que Pohl e dez vezes mais elegante. Seus modos davam a impressão de que ele estava tendo dificuldade em ser ele mesmo porque (a) estava no escritório de um detetive particular, o que era vulgar, (b) ele tinha vindo ali com pessoas com quem não se dava comumente, o que era embaraçoso, e (c) o objeto da discussão era sua relação com um crime, o que era ridículo.

No entanto ele continuava falando. "O Sr. Pohl sugeriu que o consultássemos e contratássemos seus serviços. Como alguém que vai pagar minha parte da conta, permita-me dizer que o que eu quero é o afastamento desta injusta suspeita. Se o senhor concluir que tem que descobrir o criminoso e as provas contra ele, muito bem. Se for provado que o culpado é Victor Talbott, melhor".

"Não há se a esse respeito!" explodiu Pohl. "Talbott fez aquilo e o negócio é prová-lo!"

"Com a minha ajuda, Ferdy, não se esqueça", falou Dorothy Keys com sua voz macia.

"Como pode ser isto?"

Os olhos se voltaram para quem até aquela hora só tinha falado, "Eles estão por fora novamente". As cabeças tiveram que girar completamente porque ele estava sentado atrás do arco da sala. O timbre alto de sua voz combinava bem com seu nome, Wayne Safford, porém não com sua forte aparência e os ossos largos de seu rosto. De acordo com os jornais ele tinha vinte e oito anos, mas aparentava um pouco mais; parecia regular comigo.

Wolfe assentiu para ele. "Concordo plenamente, Sr. Safford". Os olhos de Wolfe afastaram-se do arco. "O Sr. Pohl quer demais por seu dinheiro. Os senhores podem me contratar para apanhar um cara, senhoras e senhores, mas não podem me dizer qual "cara". Os senhores podem me dizer o que tenho que descobrir - um assassino - mas não podem me dizer quem é ele, a menos que possuam provas. E se for assim por que me pagar? Os senhores têm alguma prova?

Ninguém disse nada.

"Tem algum indício, Sr. Pohl?"

"Não".


"Como sabe então que foi o Sr. Talbott?"

"Eu sei, isto é tudo. Todos nós o sabemos! Até a Srta. Keys sabe disto. Mas é muito teimosa para admitir".

Wolfe olhou ao redor. "Isto é verdade? Todos os senhores estão de acordo?"

Nenhuma palavra. Nem sim, nem não. Nem assentimentos nem discordâncias.

"Então, a descoberta do cara fica por minha conta. Está entendido?"

"Sim".


"Sr. Safford?"

"Sim".


"Srta. Rooney?"

"Sim. Só que penso que foi Vic Talbott".

"A senhora está resolvida, Srta. Keys?"

"Sim".


"Sr. Pohl?"

Nenhuma resposta.

"Preciso ter um compromisso neste caso, Sr. Pohl. Se ficar provado ser o Sr. Talbott o senhor pode pagar um acréscimo. Mas de qualquer forma estou contratado para obter fatos?"

"Certo, os fatos reais".

"Não existe outro jeito. Garanto não entregar nenhuma prova que não seja real". Wolfe inclinou-se para frente para apertar um botão em sua mesa. "Esta é realmente a única garantia que lhes posso dar. Devo tornar claro que o senhor fica responsável, coletiva e individualmente, por este compromisso comigo. Agora se..."

A porta do hall se abriu e Fritz Brenner entrando, aproximou-se.

"Fritz", disse-lhe Wolfe, "vamos ter cinco convidados para o jantar".

"Sim senhor", Fritz lhe respondeu sem pestanejar e voltou-se para sair. Isto é o que era ótimo nele, levando-se em conta que ele, além de tudo, não era do tipo que apresentasse um jantar improvisado. Enquanto estava abrindo a porta, ouviu-se um protesto vindo de Frank Broadyke:

"É melhor preparar para quatro. Vou ter que sair cedo, já tenho um compromisso para jantar".

"Cancele-o", cortou Wolfe.

"Creio que não posso, realmente".

"Então não posso pegar este caso". Wolfe foi ríspido. "O que o senhor espera com este negócio já com uma semana de atraso?" Olhou para o relógio da parede. "Vou precisar dos senhores, de todos os senhores, certamente durante o fim da tarde e provavelmente parte da noite. Preciso conhecer tudo o que sabem sobre o Sr. Keys e o Sr. Talbott. Além disso se eu tenho que retirar esta suspeita injusta da polícia e do público, preciso começar retirando-a de suas próprias cabeças. Isto vai durar muitas horas de trabalho árduo".

"O senhor suspeita de nós? "suspirou Dorothy Keys, levantando as sobrancelhas.

Wolfe, ignorando-a, perguntou a Broadyke: "Então?"

"Tenho que telefonar", resmungou ele.

"Pois não", respondeu Wolfe como se estivesse cedendo um ponto. Seus olhos se moveram da esquerda para a direita e novamente para a esquerda e se fixaram em Audrey Rooney, cuja cadeira estava um pouco mais para trás, ao lado de Wayne Safford. "Srta. Rooney", ele falou repentinamente, "a senhora parece ser a mais vulnerável, desde que estava mais próxima. Quando foi que o Sr. Keys a despediu do emprego e por quê?"

Audrey tinha estado sentada rígida e imóvel com os lábios apertados. "Bem, foi..." ela começou, mas parou para limpar a garganta e então não continuou por causa de uma interrupção.

A campainha da porta tocou e eu tinha deixado que Fritz a atendesse, como era costume quando estava ocupado com Wolfe e convidados, a menos que ordens contrárias fossem dadas. Naquele momento então a porta que dava para o hall se abriu, Fritz entrou e fechando-a atrás de si anunciou, "Um senhor deseja vê-lo; é o Sr. Victor Talbott".

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