Fazendo arte na moda e a moda como arte



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Figura 13

http://www.catwalkyourself.com/pt-br/fashion-history/de-1990-a-2000/

Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina, a SPFW, o estilista Jum Nakao apresentou elaboradíssimas roupas construídas em delicado papel eram desfiladas por modelos com perucas playmobil, numa performance que simulava um desfile de moda. As roupas foram confeccionadas em papel vegetal de diversas gramaturas e modeladas milimetricamente sobre os corpos das modelos, cortadas e talhadas com cortes minuciosos que reproduziam rendas, gravações em alto e baixo relevo simulando brocados. Ao final, todos os vestidos foram destruídos em cena pelas próprias modelos, causando grande espanto ao público presente, e levantando a questão: o desfile seria moda ou arte?





Figura 14

http://modahistoria.blogspot.com.br/2012/07/costura-do-invisivel.html

Segundo o site www.jumnakao.com, “A Costura do Invisível” recebeu o título de desfile da década pelo SPFW e foi reconhecido como um dos maiores desfiles do século pelo Museu de Moda da França. É referência das mais importantes publicações sobre Moda e Design do Mundo e integra acervos Internacionais de Museus de Arte e Moda.

Por outro lado, Maisons tradicionais como Prada e Cartier (SVENDSEN, 2010) foram além do papel tradicional de patrocinadores de arte e fundaram seus próprios museus. O autor completa:

A maioria dos grandes ateliês de moda patrocina museus de arte, sendo por vezes recompensada com exposição preciosamente nessas instituições, que parecem ter uma habilidade “mágica” para transformar objetos comuns de algo mais elevado: “arte”. (2010,p.107)

Em 1983, o Metropolitan Museum of Art fez uma exposição de Yves Saint-Laurent e desencadeou uma sucessão de exposições sobre arte e moda; em 1997. Em 2000 o Guggenheim de Nova York obteve o maior sucesso de público de sua história com uma exposição de Giorgio Armani, levada depois para Bilbao, Berlim, Londres, Roma e Las Vegas. No vernissage, Armani declarou-se orgulhoso por ter sido escolhido para “figurar junto a obras dos artistas mais influentes do século XX” (SVENDSEN, 2010).

No decorrer do século XX, a arte e a moda desenvolveram uma assimetria. A arte dos anos 1960, a pop art, viu a moda com bons olhos. Mas, nos anos 1970, a arte politizada foi muito hostil à moda, que era vista como um indicador de imundície do mundo capitalista, da falsa consciência das massas e da sujeição das mulheres num mundo controlado por valores masculinos. A partir dos anos 1980, no entanto, a moda passou a ser mais uma vez aceita pela arte, que tem se mostrado mais disposta a absorver a cultura de consumo. O autor conclui que nas duas últimas décadas a arte foi mais ambivalente em relação à moda, ao passo que nos anos 1970 a teria rejeitado inequivocamente (SVENDSEN, 2010).

A moda se aproximou da arte e a arte da moda, de tal maneira que se tornou difícil fazer qualquer distinção clara entre as duas. O aspecto mais “artístico” da moda está geralmente associado à sua exibição. Paul Poiret foi o primeiro estilista a transformar o desfile de moda num evento social impressionante.

A aproximação entre arte e moda, segundo SVENDSEN, 2010, ocorreu em 1982, quando a capa da revista americana Artforum, de grande influência no mercado, mostrou uma modelo usando um vestido de noite desenhado por Issey Miyaki.





Figura 15

https://pt.pinterest.com/pin/411727590903225562/

Não é raro que as roupas e fotos de moda sejam usadas em produções com contexto artístico, mas o que diferenciou esta foto de uso comum em capas do uso comum de moda em arte foi que o vestido está sendo apresentado como algo que em si mesmo era arte. Era a indicação que o antigo sonho dos estilistas estava prestes a se realizar.

O resultado da junção entre arte e moda é a igualdade de obras que os museus de arte contemporânea exibem.



3.1 - OBRAS CONSAGRADAS NA MODA

Enquanto os estilistas se inspiram em formas e cores que representam movimentos artísticos, outros vão buscar essa inspiração em obras consagradas. Yves Saint-Laurent foi o estilista que mais valorizou as artes plásticas, criando modelos como forma de homenagem. Já no século XXI, o estilista Albert Kriemler foi buscar inspiração nas obras do impressionista Claude Monet.

A estilista carioca Alessa Magani, em sua coleção Primavera/ Verão 2014/15, desfilou com o tema “Barroco”, busca enaltecer “a visão do mundo como uma obra de arte”, e teve na estamparia o seu ponto mais marcante, com imagens de anjos e cúpulas eclesiásticas. Em 2016, vem do Art Nouveau, mais especificamente de William Morris, a sua inspiração para a coleção.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos verificar que ocorreu um troca-troca muito ativo entre a moda e arte, mas ainda temos que responder à pergunta: “Moda é arte?”

Para alguns especialistas a moda é considerada, ao apresentar a roupa, uma forma de arte visual, uma criação de imagens com o seu visível como seu meio. Para outros a moda genuína deve ser funcional, e só poderá ser considerada arte aplicada ao seu ofício. Considerando que a peça de roupa que não pode ser usada não é moda. Cria-se um ponto de vista problemático, quanto à inadequação para demarcar os campos da arte e da não arte.

Ainda assim, a simbiose que existe entre moda e arte é claramente visível ao longo da história; em vários momentos estiveram juntas, servindo de fonte de inspiração uma para a outra; cada artista tendo ido buscar inspiração nas mais diferentes fontes.

As formas de apresentar a obra de arte em um museu e a arte da moda em um desfile de moda passaram por várias mudanças. A moda de hoje é caracterizada por um pluralismo estilístico que está a cada dia mais forte. Sabemos que essa não é nenhuma novidade, pois a pluralidade é característica da modernidade, e será sempre acompanhada pela moda.

O estilista Jum Nakao tem como filosofia, em suas obras, mostrar imagens e depois destruí-las, para provocar questionamentos e reflexões sobre moda e arte. Mas não são apenas os desfiles conceituais que levam a arte para a moda, a história nos mostra a importância das artes realizadas no mundo fashion ou nas galerias de arte contemporânea para mostrar que os estilistas e artistas estão em perfeita sintonia. Ao iniciar o desfile de moda, primeiramente nossa audição é aguçada pela música tema, em seguida os refletores vão se acendendo e iluminando a passarela, ou seja, a tela (canvas) do artista se estende, para cada modelo desfilar, uma atrás da outra. Em nossa visão são as pinceladas do artista que se sucedem que preenchem toda a tela. No final, a entrada triunfante do artista vem apor sua assinatura em mais uma obra de arte realizada e apresentada.



Bibliografia

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PIAZZA, Adriana. - Coleção Folha Moda / Adriana Piazza, Viviane Whiteman; [tradução: Gil Reyes]. – Coleção Folha Moda; v. 14 - São Paulo: Folha de São Paulo, 2015.

PROENÇA, Graça. – História da Arte/ Graça Proença; São Paulo: Editora Ave Maria, 1997.

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<http://abcdmoda.blogspot.com.br/2010/12/arte-vestivel.html - acessada em 12/10/2016.



>http://www.jumnakao.com/portfolios/a-costura-do-invisivel/ - acessado em 10/01/2017.




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