Fazendo arte na moda e a moda como arte



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Figura 10

http://www.imgrum.net/user/casadaalessa/236320771/979884492720968608_236320771

A estilista entrou para a moda fazendo arte, criando uma coleção de calcinhas usando os mais diferentes tipos de materiais, entre eles perfex (pano para limpeza doméstica), camisetas de propaganda política etc. São características as frases com motivos tais como: “Obrigada pela preferência”, “Volte sempre”, Calcinha “Multiação” na embalagem de Sabão em pó, Calcinha Santo Antônio para casar. Suas coleções usam o humor como matéria-prima e muita brasilidade.





Figura 11

http://alemdesevestir.blogspot.com.br/2011/11/papo-sobre-calcinha.html

A arte e a moda hoje buscam, ambas, a interação com o público; as pessoas são convidadas a tocar, a sentir, a fazer parte da obra. Esta concepção amplia o universo da percepção artística e a moda passa a ser encarada como uma obra que conta a todo momento com o desejo de participação. Enquanto espetáculos, os desfiles de moda são a expressão da própria moda como arte viva. As modelos maquiadas e vestidas são esculturas em movimento. Mesmo representada na fotografia estática, a roupa ganha outro significado sobre o corpo. Ao vivo, ela conta com o balançar dos membros e dos quadris, o andar, a expressão, a atitude de quem a veste. O verdadeiro show, a apoteose da arte, é, sem dúvida, o desfile de moda. Um vestido é idealizado e realizado por meses, passa por diferentes etapas de produção, por diversas mãos, por diversos artistas; mas só se expressa plenamente como arte quando é exibido num corpo.

As roupas são feitas para o corpo. Elas pedem o movimento, o gesto, e acompanham as configurações do corpo ao caminhar, sentar, dançar. A estética da roupa está, portanto, no corpo de quem a veste – e é disso que ela depende para ser arte. A roupa é, em si, uma obra inacabada.

Segundo a pesquisadora Gilda de Mello e Souza “o traje não existe independente do movimento, pois está sujeito ao gesto, e a cada volta do corpo ou ondular dos membros é a figura total que se recompõe, afetando novas formas e tentando novos equilíbrios” (SOUZA, 1987, p. 40). E completa: “recompondo-se a cada momento, jogando com o imprevisto, dependendo do gesto, é a moda a mais viva, a mais humana das artes” (SOUZA, 1987, p. 41). São inúmeras as conexões possíveis entre arte e moda, assim como a relação entre as duas formas de se comunicar, principalmente em se tratando de arte contemporânea e moda conceitual.

Estilistas considerados conceituais se aventuram pelo mundo da arte, promovendo desfiles que remetem aos happenings, como os holandeses Viktor & Rolf que, na coleção de inverno 1999, intitulada Boneca Russa, em vez de levar diversas modelos para a passarela, uma com cada look, colocavam todas as peças em uma só.





Figura 12

https://santarendeira.wordpress.com/2009/06/09/viktor-rolf/



Tratando-se de desfiles conceituais performáticos, o estilista Alexander McQueen foi um exemplo emblemático. No verão de 1999, ele finalizou seu desfile com uma modelo vestida de branco, girando lentamente em um disco instalado no meio da passarela, enquanto era alvejada com tintas por duas grandes pistolas de pintura robotizadas, remetendo-se às performances conceituais de Yves Klein.


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