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Curso de Relações Internacionais

Migrações e Nacionalismo: A questão da imigração nos Estados Unidos na atualidade

Componentes do grupo: 4A

Milena Bertoche

Moacir Aga Neto

Nathália Sepúlveda

Valeska Barbosa
Introdução:

Tendo em vista a relevância do tema Migrações e Nacionalismo para compreender o cenário internacional atual, o presente trabalho possui como escopo a análise das políticas de imigração nos Estados Unidos, especialmente nos Governos de Bush e de Obama, verificando de que forma o nacionalismo norte-americano se insere nesse contexto.

Para iniciar tal análise, o presente trabalho abordará as fases dos fluxos de migração pelo mundo e, posteriormente, se concentrará na questão da imigração nos Estados Unidos, dando ênfase ao caráter das políticas imigratórias no país a partir do governo Bush até os dias atuais.
Fluxos Migratórios

Podem-se analisar os fluxos migratórios dos últimos dois séculos em três etapas distintas. A primeira delas compreendida entre o final do século XIX até a segunda Guerra Mundial; a segunda onda entre o período de 1945 a 1970; e a terceira de 1970 até os dias atuais.


Primeira Fase – Século XIX até a II Guerra Mundial

A primeira intensa onda de fluxos migratórios ocorreu durante o final do século XIX. Em tal fase a maioria das massas migratórias constituía-se de europeus; cerca de 55 milhões de pessoas que saíram do velho continente para as demais partes do globo. Essa intensa deixada do continente deve-se também ao fato da grande explosão demográfica pelo qual os países europeus vinham passando desde o final do século XIX. Vale ressaltar também um avanço das redes de transportes, em especial as novas tecnologias relacionadas ao transporte transoceânico.

Dentre o contingente migrante europeu, destacam-se os britânicos, alemães, italianos, espanhóis, russos e portugueses representando cerca de 80% do total. Tais imigrantes destinavam-se a países como os Estados Unidos, responsável por receber cerca de 33 milhões de pessoas durante tal período. Vale destacar também a Argentina (5,4 milhões); Canadá (4,5 milhões); Brasil (3,8 milhões) e Austrália (3,4 milhões). Fazem parte destes fluxos migratórios os europeus que deixaram o continente com destino as chamadas colônias.

Durante a primeira onda de migrações devemos destacar também os fluxos originados no continente asiático. Em um primeiro momento os chineses e depois os japoneses entraram em um processo migratório, tendo como destino as terras do Novo Continente. Estima-se que por volta de 1880, a América do norte recebera cerca de meio milhão de imigrantes.

Outro ponto de destaque dentre da primeira etapa dos fluxos migratórios diz respeito ao período entre – guerras, cuja principal característica recai sobre a diminuição do número de pessoas que iriam deixar o continente europeu. Tal fato se deu pelo alívio das pressões demográficas na Europa devido às baixas causadas pela I Guerra Mundial. Também contribui para o recuo das ondas de imigração as leis aderidas por parte dos países receptores, em especial dos Estados Unidos, que visavam restringir a entrada de novos imigrantes. Por fim, deve-se destacar a crise econômica de 1929 como um fator de supressão dos fluxos migratórios, devido à necessidade de proteger a mão de obra nacional afetada pela crise.
Segunda Fase – 1945 à 1970

Com o término da II Guerra Mundial, constata-se uma mudança radical nos fluxos migratórios. Tendo em vista a necessidade de promover a reconstrução européia, era necessária a adesão de um tipo de mão de obra não – qualificada para desenvolver certas atividades – como na construção civil – que as camadas médias européias não estavam dispostas a realizar. A partir de tal fato, podemos dizer que o continente europeu deixava de ser uma área repulsora de população.

A Europa recebe nesta época cerca de 13 milhões de imigrantes, sendo que os principais países que incorporaram este contingente populacional foram a ex - Alemanha Ocidental, a França, a Grã Bretanha, a Bélgica, a Suíça e a Holanda. Para exemplificar como o período representou uma inversão dos padrões migratórios, os Estados Unidos, uma vez considerados os maiores receptores durante a primeira fase, é responsável por receber nesta época cerca de três milhões de imigrantes a menos que a o continente europeu.

Houve também uma mudança na origem dos fluxos migratórios. Os países que compunham o chamado Terceiro Mundo forneceram a maior parte dos imigrantes, sedo que estes eram motivados pela explosão demográfica que estes países sofreram. A região do Mediterrâneo forneceu aproximadamente 8 milhões de imigrantes, sendo a maioria deles turcos, iugoslavos e habitantes da região do norte da África. Vale ressaltar também os movimentos de italianos e espanhóis para partes mais desenvolvidas da Europa.

Já os imigrantes que se direcionaram para os Estados Unidos saíram das Ilhas do Caribe, México, América do Sul e sudeste Asiático.
Terceira Fase - 1970 até os dias atuais

A partir da década de 70, os fluxos migratórios denominados como “fluxo de mão de obra de trabalho”, diminuíram drasticamente em virtude do ciclo recessivo pelo qual a economia mundial passara. Nascia com isso a imigração clandestina, especialmente para Estados Unidos e Europa.

Por outro lado, os choques do petróleo diversificaram os fluxos, uma vez que com o avanço econômico nos países produtores, como alguns do Golfo Pérsico, a Líbia, a Nigéria e Venezuela, passaram a atrair imigrantes. Tal situação logo se desfez devido ao rápido ciclo de expansão desses países. Passado o período de euforia, as massas migratórias logo se depararam com tristes realidades sociais e econômicas da região. Cerca de 7 milhões de pessoas se dirigiram para as regiões do Golfo Pérsico, sobretudo imigrantes originados das regiões próximas aos países produtores e países do Sul e Sudeste da Ásia.

Atualmente a maioria dos imigrantes se orientam para os Estados Unidos e Europa. Já os países emissores são os mais diversos. Nas últimas décadas do século XX, a imigração familiar correspondeu cerca de 55% das entradas na Suíça e na França e 90% na Bélgica. Nos Estados Unidos, houve a entrada de um montante de 5,8 milhões de pessoas entre o período de 1980 a 1990, e este mesmo número entre os anos de 1990 a 1995.

Tendo em vista ao aumento das entradas clandestinas em solos estadunidenses durante o período citado anteriormente, criaram-se leis que restringiram a entradas. Em contrapartida, também se buscaram leis para regularizar imigrantes com mão –de- obra qualificada e diplomada.

Novos fluxos migratórios surgiram com a abertura das fronteiras do leste europeu com a antiga URSS. Mais de 4 milhões de alemães que viviam do outro lado muro, voltaram para seu país de origem. A Alemanha também foi responsável por receber cerca de 1 milhão de refugiados das guerras da Iugoslávia .

Os fluxos migratórios ocasionados pelo fim da União Soviética ainda não conhecidos ao fundo. As autoridade russas estimam que houve uma troca de população com os países com compunham a União Soviética na ordem de 10 milhões de pessoas. Vale lembrar, que mesmo assim ainda existem mais de 15 milhões de russos vivendo nas repúblicas dissidentes da União Européia.

Em suma, são estas as três etapas dos fluxos migratórios no mundo e ,a partir desse contexto histórico das migrações pelo mundo,o subseqüente e mais importante tópico deste trabalho é a questão da imigração nos Estados Unidos,principalmente a partir do governo de George W.Bush.




EUA e o caráter das políticas de imigração
Os fluxos migratórios nos EUA sempre foram muito intensos desde sua independência. A história da migração nesse país deixa bem claro os problemas com preconceito e assimilação de uma nova cultura pelos cidadãos nativos. Por isso, a partir daqui serão descritos os avanços, atrasos e mudanças na política migratória norte-americana para compreender a exacerbação do nacionalismo característicos dos séculos XIX e XX.

Desde que a imigração começou a ser controlada, em 1918, tal pauta passou a ter grande relevância para a população americana. Esse processo de controle da imigração nos EUA acirrou-se na década de 80, quando diversas políticas foram implementadas com a intenção de conter a entrada de imigrantes ilegais e facilitar a localização destes para que fossem detidos e conseqüentemente deportados.

Desde então, políticas que visassem o controle dos fluxos migratórios no país foram discutidas e implementadas, sendo que com o advento dos atentados terroristas em 11 de setembro de 2001 elas se tornaram mais contundentes e severas, já que a problemática da imigração passou a ser considerada uma questão de segurança nacional.

A imigração para os Estados Unidos refletem três pretextos principais: reunificação familiar, oportunidade de trabalho e amparo a refugiados.

As leis referentes à entrada de familiares de imigrantes nos EUA, reflete a necessidade da discussão sobre os imigrantes ilegais das décadas anteriores que residem no país já a algum tempo. O segundo caso, se refere à necessidade de mão de obra barata e não qualificada para ser utilizada em áreas onde esse ativo está em falta. Por fim, há a questão do abrigo a refugiados políticos e religiosos de outros países que não poderiam ser recusados no país.

Essas três linhas de interesse condicionam a maior parte do fluxo migratório para os EUA.

Nesses termos, a entrada no país é limitada por uma legislação que relaciona o interesse do indivíduo com o tempo de estadia.Isto é, aqueles que buscam residência no país por tempo indeterminado são considerados como imigrantes, sendo que, para isso, precisam ter ligações familiares – casamento ou descendência direta – ou de trabalho com o país para, então, iniciar o processo de aquisição do Green Card (o documento que permite a permanência legal do imigrante nos EUA). O segundo caso se refere a admissão temporária sob algum propósito como turismo, missões diplomáticas, estudo e trabalho temporário, sendo que estas pessoas são consideradas como não-imigrantes. Vale ressaltar, que apenas ao primeiro grupo é possível a aquisição da condição de cidadão norte-americano.

Entretanto, o maior fluxo migratório ao país se qualifica na entrada de imigrantes ilegais que buscam oportunidades de emprego e melhor qualidade de vida. Logo, os países que emitem maior fluxo de indivíduos para o país são os subdesenvolvidos e em desenvolvimento, como México, Brasil e Índia.

Diante disso, a maior parte das políticas desenvolvidas no governo Clinton e no de Bush, concernem o controle da fronteira com o México e a manutenção dos imigrantes ilegais.Devido à ligação feita entre os imigrantes ilegais e os ataques terroristas, o tratamento dessas pessoas passou a ser mais severo dentro do país, sendo que, com o Patrioct Act, o governo norte-americano pode rastrear os imigrantes ilegais e detê-los sem razões justificáveis.

O controle da fronteira com o México por meio de patrulhas policiais apreendeu mais de 1.8 milhões de pessoas que tentavam entrar nos EUA ilegalmente, sendo que este número caiu para 1 milhão em 2002 devido ao acirramento dessas patrulhas.

Até 2004, as pessoas apreendidas eram acompanhadas de volta à seu país de origem ou podiam sair voluntariamente entretanto, no Governo Clinton foi assinada a lei conhecida como “Mexican Exclusion Act”, que possibilitou aos agentes federais a detenção e deportação desses imigrantes de imediato.

O aumento do policiamento da fronteira ao sul dos EUA tinha a intenção de diminuir o fluxo de imigrantes ilegais, mas o que se observa é que, mesmo com o aumento do custo para atravessar a fronteira, o número de imigrantes não diminuiu, já que novas rotas menos policiadas passaram a serem utilizadas. Logo, ao invés de entrar no país diretamente para áreas urbanas os imigrantes passaram a pagar mais por viagens mais perigosas atravessando o deserto e montanhas sofrendo desidratação, hipotermia e afogamento.

Logo, as conseqüências dessas medidas foram um grande número de mortes e de deficientes físicos,além do incentivo,cada vez maior, ao trabalho de criminosos que auxiliam os imigrantes na passagem ilegal,os chamados coyotes.

Outro problema está na falta de punição aos nativos que empregam trabalhadores ilegais,o que contribui muito para a continuação de todo esse processo. Logo, a política norte-americana não pressiona os empresários e fazendeiros que contratam a mão de obra imigrante, ao mesmo tempo, distribui um discurso que desmoraliza os imigrantes,incentivando o preconceito contra eles.

Em dezembro de 2006 foi colocada em votação, no senado americano, uma lei que permitiria imigrantes, que se encontram nos EUA há mais de 5 anos, de solicitar um passaporte e o Green Card para continuar no país, além de multar e penalizar aqueles que contratassem imigrantes ilegais.

Vários protestos foram feitos diante dessa lei, tanto à favor, quanto contra. Os grupos American Patrol e Project Minuteman, que são contra os imigrantes e aqueles que de alguma forma os apoiam, tentaram reunir, nos estados da Califórnia, Arizona e Texas, um grupo de pessoas para protestarem contra as medidas que beneficiam os imigrantes e para reivindicarem medidas mais severas contra estes, porém não obtiveram grande êxito.

Além desses grupos, vários fazendeiros se posicionaram contra, pois se vêem ameaçados pelas multas e penalidades que poderão receber aqueles que empregarem trabalhadores ilegais. Nas fazendas, demanda-se uma força de trabalho de mais ou menos 11 milhões de pessoas que,na sua maioria é composta por imigrantes ilegais.Dessa maneira, políticas severas de imigração em relação aos imigrantes podem prejudicar os fazendeiros,já que estes,ao utilizar a mão de obra imigrante ilegal,não precisam pagar impostos ao Governo.

De acordo com o “U.S Department of Labor”, 1.8 milhões das pessoas que trabalham nas colheitas são de outra nacionalidade,sendo que a grande maioria é mexicana. Além disso, mais da metade, 53%, não tem autorização para trabalhar nos EUA.

É preciso ressaltar que esses imigrantes não são pobres trabalhadores rurais, pois a grande maioria daqueles que procuram um emprego nos Estados Unidos são de classe média e com certo grau de educação. Entretanto, conseguem salários muito maiores, limpando casas ou trabalhando no campo, do que recebiam na sua cidade natal, onde trabalhavam como médicos e advogados.Dentre os 10.6 milhões de mexicanos (tanto legais quanto ilegais), que vivem nos EUA, 700,000 possuem ensino médio completo.

Nos últimos anos o que tem assustado as autoridades americanas é a grande quantidade de crianças, entre 6 e 17 anos, que tentam passar ilegalmente pela fronteira. A estimativa é de 48.000, sendo que 2/3 acaba passando pelo U.S. Immigration and Naturalization Service.

A grande maioria desses adolescentes ultrapassam a fronteira desacompanhados, em busca de seus pais e familiares que já passaram pelo mesmo processo. Eles se escondem dentro de carros, em máquinas de lavar, e até mesmo em tanques de gás, o que acaba por provocar problemas respiratórios e traumas.Os imigrantes pagam cerca de 2.500 dólares para que levem uma criança até a fronteira da Califórnia, sendo que o preço pode abaixar se a travessia for a pé até Tijuana ou atravessando o deserto do Arizona, durante 3 dias.

Algumas das idéias que surgiram para atenuar o problema da imigração,principalmente a ilegal, em 2006, foram: deportação massiva; construção de campos de concentração para aqueles que possuem documentação; a utilização de prisioneiros para substituir os imigrantes como mão-de-obra e o aproveitamento dos imigrantes para construírem o muro que poderia separar as fronteiras do México e dos EUA.

O então presidente George W. Bush discutiu em seu mandado as necessidades de um plano de imigração para impedir ações tão violentas. Além disso, ele se preocupava com a possibilidade de deportar os 10 milhões de imigrantes que estavam no país e prometeu oferecer cidadania americana aos mais de 30 mil não-americanos que fazem parte do serviço militar americano e estão no Iraque.

A partir disso,foi iniciado pelas autoridades mexicanas e estadunidenses um programa especial chamado Oásis para combater o tráfico de imigrantes. O programa previa o aumento da vigilância da fronteira e da difusão sobre os riscos que envolvem a imigração ilegal que podem ser feitas tanto pelo rio Bravo, onde ocorrem vários afogamentos, quanto pelo deserto, onde as temperaturas são altíssimas.

O sistema federativo norte-americano possibilitou aos Estados tomarem decisões unilaterais, como na Pensilvânia,que aprovou leis que punem quem emprega imigrantes e que declarou o inglês como língua oficial do Estado, para impedir a disseminação de imigrantes na região. Por outro lado,há várias organizações e sindicatos a favor da reforma migratória que conduziram diversas reivindicações em Los Angeles e Washington. O choque de opiniões parece aumentar, o que faz acreditar que este problema está longe de ser resolvido e que possui uma tendência a intensificar a xenofobia americana.

Uma prova disso é o documentário intitulado “Border War” (Guerra de Fronteira) que foi apresentado inicialmente na Califórnia. De acordo com o seu co-produtor e presidente da organização ultraconservadora Citizans United (Cidadãos Unidos), David Bossie,o filme tem o propósito de despertar a consciência nacional e de exibir a opinião do cidadão americano comum sobre a imigração ilegal. Bossie declarou também que o documentário tenta mostrar que os imigrantes procuram vir para os Estados Unidos para renovar seus sonhos de “american way of life”, fazendo com que eles roubem o emprego de muitos americanos.

Com relação aos protestos recentes sobre a questão da exclusão dos imigrantes quanto ao acesso de serviços sociais e também quanto ao início da construção de cercas nas fronteiras do país com outros países, o México é a principal via de passagem dos imigrantes ilegais não somente mexicanos, mas também de outras nacionalidades. Nesse sentido, pode-se notar a presença do nacionalismo norte-americano, visto que se tenta colocar à margem do convívio social grande parte da população imigrante que, por sua vez, é ilegal.

Ao mesmo tempo, considerando que os imigrantes são uma significativa fonte de mão de obra para o país, principalmente para atividades de baixa qualificação, o congresso norte-americano, para atenuar os ânimos dos imigrantes e também para evitar possíveis protestos da opinião pública internacional, passou a discutir um projeto de lei durante o governo de Bush que facilitasse a legalização dos imigrantes e criasse um programa de trabalho temporário em que os participantes pudessem ficar por um tempo determinado nos EUA só que não poderiam adquirir a cidadania estadunidense posteriormente. Além disso, haveria o fortalecimento da segurança na fronteira com o México que é a principal via de entrada para a imigração ilegal.

Desse projeto de lei, estabeleceram-se algumas emendas para que tanto o partido republicano como o democrata apoiassem tal projeto. Entre as principais emendas estão: a primeira se refere à permissão dos imigrantes ilegais que moram cinco ou mais anos nos EUA de poderem ficar no país e também de tentarem obter a cidadania estadunidense após o pagamento de uma série de taxas e terem sua ficha policial examinada; a segunda refere-se aqueles imigrantes que estão no país a mais de dois anos, mas a menos de cinco, que poderiam obter um visto temporário de trabalho após obrigatoriamente retornarem a seus países de origem. A última e não menos importante refere-se aos que residem a menos de dois anos e, assim, seriam deportados.

Há de se ressaltar nesse processo que o governo Bush enfrentava alguns problemas na delimitação do projeto de lei. Isso porque, de um lado, se encontravam os empresários e grande parcela da sociedade civil que apoiavam o trabalho temporário dos imigrantes e, de outro, os republicanos, que eram favoráveis a medidas mais rigorosas para combater a ilegalidade da imigração.Tendo em vista tal dilema enfrentado por Bush e a baixa aprovação de seu governo desde a sua entrada na Casa Branca, a debandada de Bush para qualquer um dos lados, poderia prejudicar, ainda mais, sua situação no cenário interno.

Nesse período,segundo o jornal “El Universal”, no ano de 2006 morreram mais de 290 mexicanos na tentativa de atravessar a fronteira do México com os EUA, sendo que 140 destes tentavam passar através do corredor Sonora-Arizona, conhecido como Corredor da Morte, no deserto. Durante o governo de Vicente Fox mais de 2 mil mexicanos faleceram.

Os hispânicos são o maior grupo étnico minoritário dos EUA, 14,5% do total, o que os transforma em um fator muito importante nas eleições. Entretanto, como mostram as pesquisas feitas pelo Centro Woodrow Wilson em Washington e a Universidade de Califórnia Santa Cruz, os eleitores latinos são uma minoria, já que grande parte dos hispânicos são ilegais (35 milhões). Logo, suas reclamações não surtem efeitos significativos, ainda mais quando a população norte-americana os considera uma ameaça.

Porém o que mais preocupa a população latina em geral é a discriminação. Uma pesquisa feita com 2 mil habitantes de língua hispânica mostrou que 54% acreditam que houve um crescimento discriminatório devido à discussão sobre os projetos de lei, 75% acham que isso levará mais latino-americanos a votarem nas próximas eleições e 63% vêem na marcha pró-imigrantes o inicio de um novo e duradouro movimento social. Este fato pode ser comprovado através da adoção de 57 iniciativas, por parte de 30 estados americanos, que dificultam o acesso de imigrantes aos serviços públicos e a busca pelo trabalho. A possibilidade da construção de um muro diante de toda a fronteira causou certo sobressalto.

Na análise das políticas de imigração nos EUA há mais três elementos fundamentais para a compreensão delas. A primeira é que umas das grandes preocupações dos conservadores é a imigração advinda do território mexicano que, por sua vez, cresce cada vez mais. A segunda é o fato, como já foi exposto anteriormente, de os imigrantes serem uma importante fonte de mão-de-obra para atividades de baixa qualificação e também aceitarem salários baixos. O terceiro refere-se à crescente importância política dos imigrantes, principalmente quanto às eleições de governantes.

Dessa maneira, as medidas governamentais para a imigração nos EUA envolvem uma série de aspectos sejam eles políticos, ideológicos, econômicos e sociais. Nesse sentido, é e sempre foi necessário o estabelecimento de medidas que considerassem todos os lados para que o país e o presidente da época pudessem ter apoio no âmbito interno e externo, o que no caso de Bush não houve.

Com o fim do mandato de Bush,pretende-se,agora, abordar os projetos e as reais ações de Barack Obama a respeito da questão imigratória nos EUA.

Em sua campanha para concorrer à presidência dos Estados Unidos em 2007, Barack Obama se mostrou a favor da imigração no país. De acordo com seu site oficial, os EUA precisavam de uma reforma nas leis de imigração que, não só aumentasse o número de permissões para imigrações legais, como também respeitasse as famílias e suas vontades de permanecerem unidas.

Para o até então candidato à presidência, era indispensável reparar a burocracia existente para equilibrar as necessidades dos trabalhadores e a economia norte-americana. Além disso, seria preciso criar um sistema de averiguação de trabalhadores ilegais para que se acabasse com os empregos que contratam imigrantes sem visto.

Outra proposta do candidato era dar continuidade a idéia de Bush e oferecer aos soldados estrangeiros que lutaram em guerras a favor dos EUA (como a Guerra do Afeganistão ou a do Iraque) a condição de cidadão norte-americano.

Mesmo se mostrando a favor da imigração, em 2007, o então senador Obama pleiteava o aumento da fiscalização e o suporte à infra-estrutura e à tecnologia na fronteira e no portão de entrada do país. Para ele, eram necessários gastos adicionais em agentes de guarda da fronteira e em um programa de inteligência de tecnologia em tempo real.

Conforme alguns meio de comunicação como o The New York Times, Obama, então, havia prometido a milhões de imigrantes de origem hispânica – que, por sua vez, votaram em massa no então candidato democrata - que a reforma das atuais regras de imigração seria uma das prioridades de seu primeiro ano de governo. A intenção inicial era legalizar mais de doze milhões de imigrantes que já estavam empregados no país, além de incluir na legislação medidas para prevenir a imigração ilegal no futuro, como uma maior vigilância nas fronteiras e punições para empregadores que contratarem imigrantes ilegais.

A medida a favor da legalização colocaria em xeque a questão do nacionalismo no sentido de que governantes tais como Obama se mostravam mais dispostos, publicamente, a permitir a legalização de imigrantes ilegais já residentes, até porque estes foram um dos principais responsáveis na eleição de Obama para presidente. Do outro lado, há aqueles, mais conservadores, que defendem a deportação desses imigrantes, o que demonstra o lado feroz do nacionalismo norte-americano.

Entretanto, segundo os mesmos meios de comunicação como o The New York Times, o que se verifica hoje é que o caráter das medidas estabelecidas por Obama se assemelha a de seu antecessor, Bush. Isso porque, segundo tal jornal o governo passou a investigar os documentos de funcionários de inúmeras empresas, expandindo o programa que verifica o status dos trabalhadores no que se refere à lei de imigração, além de ter fortalecido um projeto de cooperação entre agências policiais federais para capturar imigrantes ilegais. Outros aspectos a serem exaltados são que a lei de imigração para legalizar milhões de imigrantes ainda não foi outorgada e só em abril deste ano houve 9.037 processos envolvendo imigrantes nos tribunais federais, o que representa um aumento de 32% em relação a abril de 2008.

Diante disso, podemos perceber, apesar do discurso liberal disseminado pelos Estados Unidos e pela exportação de sua cultura para o resto do globo, esse país buscou nos últimos anos controlar a entrada de imigrantes no território tentando deixa a América (só) para os americanos. Todos os imigrantes que entram no país a fim de conquistar seus sonhos, de obter uma vida melhor e de construir uma família nos EUA, na verdade, encontram um xenofobismo construído em cima de uma postura de superioridade, sendo assim, tratados como serviçais de segunda classe.

Esse xenofobismo só tendeu a aumentar com os atentados de 11 de setembro e com a recente crise financeira norte-americana. Com o aumento do desemprego, o imigrante passa a ser ,ainda mais, visto como um inimigo, aquele que ocupa vagas de trabalho que deveriam ser de direito dos americanos.

A perspectiva, então, é a de que esses imigrantes que, por vezes tem residência no país por muitos anos e que contribuíram para o fomento da economia dos EUA com sua mão-de-obra,ainda precisam enfrentar vários percalços como o nacionalismo exacerbado da maioria da população e de governantes.



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