Faculdade horizonte curso pedagogia



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Instituto de Ensino Superior Horizonte




FACULDADE HORIZONTE

CURSO Pedagogia______________________________________

SEMESTRE/TURMA: 1° Semestre 2014 /Turma: _____período: Noturno

DISCIPLINA: Ciências Humanas e Sociais Ead.

PROFESSOR: Dr. Benjamin de Lacerda Júnior

Aluno(a)_____________________________________________________________

Mat.______________Santa Maria – DF ,________de de 2014.




AULA 07

A CULTURA AFROBRASILEIRA

Muitos estudos têm sido realizados sobre a Cultura Afro-Brasileira ou africanidades brasileiras nas últimas décadas no Brasil. A força da cultura de negros pode ser vista em todos osmomentos cotidianos da vida. Nos seus modos diversos de falar, andar,comer, orar, celebrar e brincar, estão inscritas as marcas civilizatóriasdesses povos que, ancorados na dimensão do sagrado, celebram erespeitam a vida e a morte, mantendo uma relação ética com a natureza. Éatravés destas formas cotidianas de se expressar e de ver o mundo queindígenas e afrobrasileiros/as têm resistido culturalmente na manutençãode sua história.A importância de crianças e adolescentes, independente da raça, etnia oucor da pele, serem estimuladas a reconhecer e valorizar as identidadesculturais da sua região – que podem estar presentes em quilombos,terreiros, aldeias, bairros populares, assentamentos e outros territórios – éque elas podem se orgulhar de que a cultura da sua localidade integra adiversidade que caracteriza a cultura brasileira.

Ao falar sobre africanidades brasileiras Silva (2005, p. 155) afirma que:

“Estamos nos referindo às raízes da cultura brasileira que têm origem africana. Dizendo de outra forma, estamos de um lado, nos referindo aos modos de ser, de viver, de organizar suas lutas, próprios dos negros brasileiros, e de outro lado, às marcas da cultura africana que, independentemente da origem étnica de cada brasileiro, fazem parte do seu diaadia.”
Cultura, como debatido anteriormente, é tudo que as pessoas lançam mão para construirsua existência, tanto em termos materiais como espirituais, envolvendoaspectos físicos e simbólicos. A cultura é uma construção de um patrimônio importante de umpovo, porque resulta dos conhecimentos compartilhados entre as pessoasde um lugar, e vai passando e sendo recriada, de geração em geração. É acultura que nos diz em que acreditar, influencia os nossos modos de ser eestar no mundo, de agir, sentir e nos relacionar com o natural e o social.

As culturas de origem africana e indígena possuem uma diversidadeenorme, mas, de modo geral, é possível identificar algumas característicasbastante semelhantes. Trata-se de povos que incluem crianças, jovens, adultos, idosos, preservam a vida natural e social, se organizam pormeio da participação coletiva, se juntam em torno de objetivos comuns. Mas, os modos como vivenciam essas experiências variam bastante.

A dimensão sagrada é outra característica importante. Possuem váriosdeuses e deusasa lua, a água, o sol, as plantas; acreditam no poder decura desses elementos, sempre relacionando corpo físico e espiritual.

Nestas sociedades, o ensinar/aprender está muito presente.Historicamente, essas sociedades foram atingidas por diversas formas deviolência física e cultural, ameaças de dissolução e deformação. Por isso, étão importante trazer à tona suas histórias e culturais, nem semprevalorizadas e reconhecidas como deveriam.Importante também é observar como as pessoas de mais idade ou asenvolvidas nas religiões de matriz africana e indígena elaboram visões demundo, a partir das suas vivências e sentimentos. Isso é um legado, umpatrimônio, uma herança, “bens de família”, uma memória.

Segundo Munanga (2005) O Brasil tem a maior população de origem africana fora da África e, por isso, a cultura desse continente exerce grande influência, principalmente na região nordeste do Brasil. Hoje, a cultura afro-brasileira é resultado também das influências dos portugueses e indígenas, que se manifestam na música, religião e culinária.Devido à quantidade de escravos recebidos e também pela migração interna destes, os estados de Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul foram os mais influenciados.No início do século XIX, as manifestações, rituais e costumes africanos eram proibidos, pois não faziam parte do universo cultural europeu e não representavam sua prosperidade. Eram vistas como retrato de uma cultura atrasada. Mas, a partir do século XX, começaram a ser aceitos e celebrados como expressões artísticas genuinamente nacionais e hoje fazem parte do calendário nacional com muitas influências no dia a dia de todos os brasileiros. E no final do século as Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação obriga o ensino da cultura afro brasileiro em blocos de conteúdos principalmente nas disciplinas de História e Geografia.

7.1 ALGUMAS CATEGORIAS CULTURAIS AFROBRASILEIRAS

Inicialmente, todas as manifestações culturais afrobrasileiras eram proibidas, desprezadas, desestimuladas e perseguidas porque não era parte do universo cultural europeu, não representavam civilidade, mas sim, uma cultura selvagem e atrasada em contraponto à Europa em desenvolvimento. Entretanto, a partir de meados do século XX, as expressões culturais afro-brasileiras começaram a ser gradualmente aceitas, admiradas e celebradas pelas elites brasileiras como expressões artísticas genuinamente nacionais.

Nem todas as manifestações culturais foram aceitas ao mesmo tempo. O samba foi uma das primeiras expressões da cultura afrobrasileira a ser admirada quando ocupou posição de destaque na música popular. Posteriormente, o governo da ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas desenvolveu políticas de incentivo do nacionalismo nas quais a cultura afro-brasileira encontrou caminhos de aceitação oficial (MUNANGA, 2005). Como exemplos foram os primeiros desfiles de escolas de samba ganharam nesta época aprovação governamental através da União Geral das Escolas de Samba do Brasil fundada em 1934. Outras expressões culturais seguiram o mesmo caminho.

A capoeira, que era considerada forma de briga de bandidos e marginais, foi apresentada, em 1953, por mestre Bimba ao presidente Getúlio Vargas que então a chamou de "único esporte verdadeiramente nacional". Durante a década de 1950, as perseguições às religiões afro-brasileiras diminuíram e a Umbanda passou a ser seguida pela classe média carioca. Na década seguinte, as religiões afro-brasileiras passaram a ser celebradas pela elite intelectual branca. Em 2003, foi promulgada a lei nº 10.639 que alteroua Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), passando-se a exigir que as escolasbrasileiras de ensino fundamentale médio incluam no currículo o ensino da História e Cultura Afrobrasileira.

A principal influência da música africana no Brasil é, sem dúvidas, o samba. O estilo hoje é o cartão-postal musical do país e está envolvido na maioria das ações culturais da atualidade. Gerou também diversos subgêneros e dita o ritmo da maior festa popular brasileira, o Carnaval.

Mas os tambores de África trouxeram também outros cantos e danças. Além do samba, a influência negra na cultura musical brasileira vai do Maracatu à Congada, Cavalhada e Moçambique. Sons e ritmos que percorrem e conquistam o Brasil de ponta a ponta.

A Capoeira inicialmente desenvolvida para ser uma defesa, a capoeira era ensinada aos negros cativos por escravos que eram capturados e voltavam aos engenhos. Os movimentos de luta foram adaptados às cantorias africanas e ficaram mais parecidos com uma dança, permitindo assim que treinassem nos engenhos sem levantar suspeitas dos capatazes.

Durante décadas, a capoeira foi proibida no Brasil. A liberação da prática aconteceu apenas na década de 1930, quando uma variação (mais para o esporte do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente Getúlio Vargas, em 1953, pelo Mestre Bimba. O presidente adorou e a chamou de “único esporte verdadeiramente nacional”.

A África é o continente com mais religiões diferentes de todo o mundo. Ainda hoje são descobertos novos cultos e rituais sendo praticados pelas tribos mais afastadas. Na época da escravidão, os negros trazidos da África eram batizados e obrigados a seguir o Catolicismo. Porém, a conversão não tinha efeito prático e as religiões de origem africana continuaram a ser praticadas secretamente em espaços afastados nas florestas e quilombos.

Na África, o culto tinha um caráter familiar e era exclusivo de uma linhagem, clã ou grupo de sacerdotes. Com a vinda ao Brasil e a separação das famílias, nações e etnias, essa estrutura se fragmentou. Mas os negros criaram uma unidade e partilharam cultos e conhecimentos diferentes em relação aos segredos rituais de sua religião e cultura.

As religiões afrobrasileiras constituem um fenômeno relativamente recente na história religiosa do Brasil. O Candomblé, a mais tradicional e africana dessas religiões, se originou no Nordeste. Nasceu na Bahia e tem sido sinônimo de tradições religiosas afro-brasileiras em geral. Com raízes africanas, a Umbanda também se popularizou entre os brasileiros. Agrupando práticas de vários credos, entre eles o catolicismo, a Umbanda originou-se no Rio de Janeiro, no início do século 20.

Os negros trazidos da África na condição de escravo, geralmente eram imediatamente batizados e obrigados a seguir o Catolicismo. A conversão era apenas superficial e as religiões de origem africana conseguiram permanecer, geralmente através de prática secreta. Algumas Religiões Afrobrasileiras ainda mantém quase que totalmente as suas raízes africanas, como é o caso do Candomblé e Xangô do Nordeste, outras se formaram através do sincretismo religioso como o Batuque, Xambá e Umbanda. Em maior ou menor grau, as Religiões Afrobrasileiras mostram influências do Catolicismo e da encataria europeia, assim como da pajelança ameríndia. O sincretismo manifesta-se igualmente pela tradição de batizar os filhos e casar-se na Igreja Católica mesmo quando se segue abertamente uma religião afro-brasileira. A Irmandade da Boa Morte e a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos são a maior ligação entre o catolicismo e as religiões afro-brasileiras. No Brasil, a própria prática do Catolicismo tradicional tem influências africanas que se revelam no culto de santos de origem africana.

Outra grande contribuição da cultura africana se mostra à mesa. Pratos como o vatapá, acarajé, caruru, mungunzá, sarapatel, baba de moça, cocada, bala de coco e muitos outros exemplos são iguarias da cozinha brasileira e admirados em todo o mundo.

Mas nenhuma receita se iguala em popularidade à feijoada. Originada das senzalas, era feita das sobras de carnes que os senhores de engenhos não comiam. Enquanto as partes mais nobres iam para a mesa dos seus donos, aos escravos restavam as orelhas, pés e outras partes dos porcos, que misturadas com feijão preto e cozidas em um grande caldeirão, deram origem a um dos pratos mais saborosos e degustados da culinária nacional. 



A pele, o cabelo, o sangue, o corpo todo, enfim, trazem uma informa­ção, memória que devemos recuperar para compreender como podemos nos inserir, e os preconceitos que precisamos combater.

É fantástico saber que há mais de 40 mil anos a Arte Negra já resplande­cia, e poder afirmar a existência de reinos africanos suntuosos. É maravi­lhoso descobrir que “Em toda a cultura nacional/Na arte e até mesmo na ciência/O modo africano de viver/Exerceu grande influência, como mui­to bem lembram Wilson Moreira e Nei Lopes na música Ao Povo em For­ma de Arte” (MUNANGA, 2005, p. 229).

O modo africano de ser/viver/conhecer/saber perpassa toda a cultura na­cional, só que isso é camuflado e muitos de nós não sabemos. Nossa for­mação escolar dizia que dos africanos/negros aprendemos sobre culinária, danças... Hoje podemos dizer que essa influência está na ciência (que até pouco tempo era considerada um legado exclusivo dos portugueses), nos modos de curar doenças, na engenharia, nos modos de construir, na ar­quitetura, na estética, na culinária e por que não? – na religiosidade, nas manifestações culturais e artísticas, na nossa brasilidade. Para valorizar e compreender todo esse legado, precisamos mais uma vez acionar nossos corpos, nossos sentidos e ver que esse modo africano de aprender envolve as pessoas na sua integralidade. Não se aprende só com a cabeça, mas com o coração, a cabeça, os olhos, ouvidos, braços e pernas, com o nariz e com o corpo todo, que precisa do presente para acionar o passado e cons­truir o presente e o futuro.




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