Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto 2014/2015 Mestrado de Pintura Metodologias de Projecto e de Investigação I



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Fig. 15 – (Trabalho em progresso) S/título, óleo s/tela, 146,9 x 83,8 cm, 2015

Comentários:

Sugiro que em vez de remeter para rodapé as referências bibliográficas o faça de acordo com a APA 6, pois simplifica a leitura. Deixando para notas de roda pé elementos complementares ao conteúdo principal do texto, como também faz e bem.



A primeira parte do texto que prevê a contextualização histórica mantem-se muito próxima do texto anterior, onde de facto reconheço melhorias é na parte em que integra e fala sobre a sua prática de atelier. NotA: Bom.



1Xavier Rey, director do Museu d’Orsay numa entrevista sobre a exposição Masculin/Masculin em 2013 no Museu d’Orsay em Paris, cit in. http://veja.abril.com.br/noticia/entretenimento/museu-dorsay-de-paris-dedica-mostra-a-nudez-masculina/ (consulta em: 15.04.2015)

2 Segundo reza a história os atletas corriam em tronco nu, com apenas uma tanga. Um dia, numa dessas corridas, um atleta chamado Orsipos rasgou a tanga e fez o restante percurso completamente nu, conseguindo assim a vitória, pois um homem despido fica mais leve. Crê-se que foi a partir dessa data que se começaram a representar os vencedores nus.

3 No entanto, no Período Clássico Tardio também a mulher nua ganhou algum protagonismo na arte grega: como a Afrodite de Praxíteles (séc. IV a. C.), que indicava pureza, vigor e beleza do seu amor. Já as congéneres femininas dos koúroi, as kórai, estátuas de virgens feitas para consagrações em santuários, estão vestidas. Contudo, saliente-se que, como diz Edward LUCIE-SMITH (Adão, o nu masculino em arte, Lisboa: Centralivros, Lda, 1999, p. 18), «…nesta fase os Gregos acentuavam os aspectos sensuais do corpo masculino aos quais os Egípcios tinham permanecido cegos. As fortes nádegas e coxas dos primitivos koúroi são expressivas não só da sua potencial habilidade para correrem ou saltarem, mas também da sua latente energia sexual.»

4 Mais tarde, inclusive a veneração de quaisquer imagens religiosas seria considerada idolatria, quando eclodiu o movimento (extremista) político-religioso Iconoclasta, em Bizâncio (726): até ao ano de 843 foi proibida toda a representação figurativa; imensas imagens foram destruídas e instituíram-se penas severas para quem fizesse uma estátua ou uma pintura. A iconoclastia teve várias motivações: a mais simples era a aversão dos cristãos (partilhada por judeus e muçulmanos) pelos ídolos e sensualismo da antiguidade clássica.

5 Todavia, como assinala Edward LUCIE-SMITH (Adão…., p. 85), «A proibição da nudez era (…) tão forte que, nos primeiros séculos cristãos, Cristo crucificado era muitas vezes representado quase completamente vestido, envergando uma túnica que caía quase até aos pés. Quando Adão e Eva eram representados faziam-se todos os esforços para minimizar a carnalidade dos seus corpos.» Como acrescenta (idem), a situação só começou a alterar-se após 1200, sob a forte influência da doutrina da Ordem de S. Francisco de Assis, que preconizou uma identidade física com Cristo, e a sua própria humanidade.

6 Um exemplo eloquente é O Juízo Final de Miguel Ângelo na Capela Sistina, com um total de trezentas e catorze figuras, muitas delas pintadas inteiramente despidas, com o consentimento do Papa Paulo III, patrocinador da obra. Porém, cedo começou uma campanha contra o artista pois o afresco foi considerado “indecente”; e, após 23 anos de discussões, as figuras foram cobertas parcialmente com véus e panos (vulgo fraldas): em 1564, o Papa Paulo IV ordenou a execução de “intervenções reparadoras” no fresco, das quais foi encarregue Daniele de Volterra; seguiram-se depois outras intervenções, a mando dos papas Pio IV, Clemente VIII e Pio V.

7 Pietro ARETINO cit in Victor CORREIA – Corpologias, vol. I: O corpo humano e a arte. Lisboa (?): Sinapis, 2014, p. 354.

8 Esta dicotomia também corresponde à que se faz na língua inglesa entre nude e naked. Como diz Gilles NÉRET (Arte Erótica. Colónia…: Taschen, 1994, p. 57) «Nude significa a nudez artística. Em compensação, naked só se pode traduzir pela expressão vulgar «em pêlo». Ora, o nu na arte moderna é «em pêlo».»

9 Charles BOULEAU – La géométrie secrète des peintres. Paris: Éditions du Seuil, 1963, p. 200.

10 Para Platão e Aristóteles, e durante a Idade Média, o mundo natural também se conceptualizou como feminino. E é Descartes quem mais tarde repropõe o conhecimento e a razão como atributos masculinos, reafirmando sempre a supremacia do masculino sobre o feminino. Na metafísica ocidental a mente e o espírito são privilegiados em relação ao corpo, e o objectivo do pensamento cartesiano era a criação de uma distinção absoluta entre o espiritual e o corporal, para uma completa transcendência da mente sobre o corpo.

11 Giorgio AGAMBEN - Nudez. Lisboa: Relógio d’água, 2010, p. 96.

12 Marc LE BOT- “A seulement regarder les images” in BALTHUS. Paris: Centre Georges Pompidou, Musée national d’art moderne, 1984, p. 304 [tradução minha].

13 Philip PEARLSTEIN cit in Frances BORZELLO – The Nacked Nude. Londres:Thames & Hudson, 2012, p. 93.

14 O tema dos banhos foi um dos mais afluentes, utilizado por artistas como Degas, Renoir, e Bonnard. A mulher é surpreendida numa acção intima, e não precisa por isso de “compor-se” (ex. Mulher a enxaguar-se depois do banho).

15 Ulrike BECKS-MALORNY– Cézanne. Tashen, 2011, p.85.

16 Maurice DENIS – Definition of Neotraditionism. Introduction (1890) cit. in Michel MAKARIUS – Vuillard. Paris: Fernand Hazan, 1989, p. 61.

17 E.H. GOMBRICH – The Sense of Order: A study in the psychology of decorative art. London: Phaidon, 1979, p.1.

18 José Mª PARRAMÓN e Francesc SERRA, – O Nu a Óleo, Instituto Parramón, 1974

19 Idem, p.90.

20 Este termo é associado ao crítico de arte italiano Mario Praz (1896 – 1982), que o usou inicialmente para se referir ao design desordenado de interiores.
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