Faculdade castro alves curso de psicologia



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6.1 principais dificuldades enfrentadas para lidar com o filho


Comunicação- abrange as dificuldades da mãe compreender seu filho, problemas na socialização e linguagem (SCHMIDT,2004)

Ele nota as meninas bonitas, se interessa, mas como é vai partir para cima dela, tem a barreira da linguagem. Ele vai fazer uma amizade e a barreira da linguagem atrapalha, ele não se expressa... (M2)

Às vezes a gente não sabe o que ele tá sentindo. Outro dia acordou puxando da perna, quando ia caindo eu segurei. Ai você corre para o ortopedista, ai o médico pergunta: esse menino ta com dor? Eu digo que não sei, pois o menino não fala... (M6)

Comportamento: Dizem respeito à manifestação de comportamentos, rígidos, agressivos, repetitivos, obsessivos e agitação (SCHMIDT,2004).



Ele ta me enfrentando, isso aqui foi ele que fez no meu rosto, aqui no braço também. Eu falo alguma coisa, ele vem para cima de mim, não me respeita (M9).

...por causa de uma revista quatro estações, esse menino meteu a mão no guarda roupa que é só de materiais, puxou tudo, eu pedi para ele sair, ele saiu, mas quando voltou, pensou, vou mostrar a ela. Quando voltou escutei, pá, pá, pá, pisando em cima das coisas, quebrou um lindo quadro que minha filha me deu (M2)

Atrasos do Desenvolvimento: Refere-se a dificuldades de controle esfincteriano (enurese, encoprese) ou deficiência mental (SCHMIDT, 2004).

Ele tem problema no intestino, dei uma forte dose de magnésia e dormonid para colocar o supositório, mas já a mais de quatro dias sem fazer” (M2).

Eu tenho que sempre acompanha-la ao banheiro, porque ela é frouxa e se vacilar pega nas fezes (M8).

Preconceito: Ação irrefletida, a "economia do esforço intelectual" (Crochik, 1997)

Me incomoda, pois todo mundo fica olhando, esse menino se balançando, e me incomoda os olhares das pessoas” (M6)

O vizinho me distratou na frente das pessoas, pois ele não aceita o comportamento do meu filho autista” (M11)

Tento controlar o nervosismo dele, pois as pessoas ficam olhando e tem preconceito” (M4)

Tive que tirar da escola por causa do Bullyng” (M3)

Financeiro: envolve os gastos com as especificidades do filho, seja com o tratamento, alimentação, entre outros.

Gasto muito, é um remédio por semana, o leite é caro, a alimentação dele é diferenciada, a escola”... (M11).

Se você não tiver um equilíbrio financeiro a coisa aperta (M8)

Sexualidade: compreende como conjunto de comportamentos que envolvem à satisfação da necessidade e do desejo sexual.

Ele tá de um jeito que qualquer mulher que passe na tv engraçadinha, ele fica doido, se tiver irritado senta no chão e começa a se masturbar” (M2)

Eu sou a única mulher da casa e ele não tem aproximação com menina nenhuma, e percebo ele me olhando com curiosidade, e eu fico nervosa e irritada porque ele é meu filho e não sei chamar para explicar, conversar. Eu um dia de manha estava sentada no sofá e ele passou por mim, manchado e excitado, e eu me senti pequenininha e pensei: meu Deus meu filho já é um rapaz e eu não sei como lidar” (M3)

Diante das principais dificuldades apresentadas pelas mães pode-se destacar como os maiores estressores: O comportamento, principalmente o agressivo, a comunicação, as mães se angustiam por não entender o que os filhos estão pensando ou sentindo, e este por sua vez se comunica através do corpo da mãe. Ex: “pega a minha mão e leva até o objeto que ele quer” (M1). O preconceito faz com que as mães se restrinja ao lar, retire seus filhos da escola, como forma de evitar que o outro o atinja com seus olhares e comportamentos inibitórios. A sexualidade, principalmente para as mães que os seus filhos estão na fase da adolescência e que não conta com a ajuda de uma figura masculina que ajude nesse processo de instrução. É valido apontar que o desenvolvimento da sexualidade é intrínseco à condição do ser humano, seja ele uma pessoa com deficiência ou não. É relevante instrumentalizar essas mães e as famílias, para que mantenham um diálogo com seus filhos, tratando a respeito da sexualidade. A literatura indica que existem poucos estudos que abordem essa temática, o que comprova a existência de preconceitos e discriminação, embasados em um discurso que as pessoas com deficiência não tem o direito de praticar a sua sexualidade (BASTOS; DESLANDES, 2005).


6.2 principais estratégias de enfrentamento para lidar com o filho e com suas próprias emoções.


Quanto às estratégias de coping utilizadas pelas mães, diante das dificuldades apresentadas por seus filhos e para lidar com a emoção que emerge destas situações. Ressaltando que as estratégias foram inicialmente estabelecidas a partir do estudo de Schmidt (2004), e adaptadas levando em consideração as respostas das entrevistas. Foi possível identificar quatro categorias, descritas a seguir:

Ação agressiva: “Refere-se a respostas físicas, motoras ou verbais que podem causar danos ou violentar psicologicamente seu filho. Pode ser uma agressão física, verbal, ameaça ou manifestação de raiva ou ataque”. (SCHMIDT; DELL’AGLIO; BOSA, p.5, 2007)

Fiquei brava quando ele jogou tudo no chão, peguei o cinto dele e bati” (M2).

Dei uns tapas e pedi respeito” (M9).

Ameaço dizendo que vou embora” (M1).

Apoio social /religioso: “Comportamento que envolve a busca de apoio de uma pessoa mais próxima ou apoio religioso como auxílio no enfrentamento da situação estressora” (SCHMIDT; DELL’AGLIO; BOSA, p.5, 2007).

A religião tem me ajudado bastante, se eu não fosse evangélica, já teria feito uma besteira” (M4).

Faço parte de um grupo de apoio com mães, lá a gente troca experiências e facilita bastante” (M8).

Distração: “Envolve comportamentos ou pensamentos que adiam a necessidade de lidar com o estressor, tal como fazer outra coisa, desenvolver uma atividade diferente, jogar, assistir TV, ouvir música, ler” (SCHMIDT; DELL’AGLIO; BOSA, p.5, 2007).

Fico pensando que tudo tem o proposito de Deus” (M4).

sento no sofá e vou fazer meus bordados” (M2).

Eu leio, canto, faço artesanato” (M7).

Evitação: Este tipo de estratégia inclui tentativas cognitivas ou comportamentais que levam o indivíduo a se afastar da situação de estresse. Inclui fugir da situação, ir para outro lugar, procurar esquecer, ir dormir, afastar-se das pessoas envolvidas, não pensar sobre o problema.

não tem o que eu possa fazer, eu fico na minha e deixo ele lá”(M2)


Dentre as categorias analisadas, salienta-se que as mães em sua maioria, para lidar com as dificuldades do filho, utilizam como estratégia de enfrentamento o apoio social e religioso e para lidar com as emoções predominou a distração. O que reforça a importância das instituições de apoio e suporte social. Cabe ressaltar que a literatura aponta que as estratégias de evitação e distração, utilizadas pelas mães participantes, apesar de serem racionais e funcionais em algumas situações, podem estar sendo usadas de modo não funcional, possivelmente afetando as relações entre os membros da família (SCHMIDT; DELL’AGLIO; BOSA, p.5, 2007). Pelo relato de algumas mães percebe-se que apesar de utilizarem a ação agressiva, as mesmas notam que não é eficaz na resolução do problema, salienta-se a necessidade de refletir sobre novas estratégias.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do que foi abordado no estudo, percebe-se que lidar com autismo é desafiador, para as mães, familiares, profissionais e até mesmo para a sociedade, que em sua maioria desconhece esse transtorno, lançado por vezes, um olhar preconceituoso, frente a alguns comportamentos observados na pessoa com autismo. Nota-se que as estereotipias e repetições de comportamentos são fatores que causam estranhamento para muitas pessoas que desconhece as características autisticas.

As mães se defrontam com inúmeros desafios frente à especificidade do filho, na qual começa desde a notícia do diagnóstico do seu filho, e se estende a várias outras demandas, pois esse necessita de cuidados, apoio de instituições que visem o desenvolvimento de suas potencialidades, suporte familiar e financeiro, entre outros. A falta de apoio em diversas instâncias contribui para que essas mães desenvolvam um nível de estresse, principalmente, quando sobre as mesmas recaem todas as responsabilidades, no que tange os cuidados ao filho. Sendo de suma importância o uso de estratégias de enfrentamento, como forma de lidar melhor com todas as dificuldades que esse contexto proporciona.

Os resultados obtidos indicam que o nível de estresse e sobrecarga são altos por partes dessas mães, e o quanto o apoio social e religioso são facilitadores de uma melhor adaptação às circunstâncias estressoras. Podendo-se observar também que as mães lidam diretamente com agente estressor advindo do comportamento do filho, contudo não sabe lidar com suas emoções que advém desses comportamentos.

Os dados só reforçam o quanto que o psicólogo tem a contribuir com essas mães, com os familiares que vivenciam essa circunstância e que também são impactados de alguma forma, com as instituições que acolhem as pessoas com deficiência, e o próprio indivíduo que possui limitações, no intuito de facilitar e amenizar as barreiras enfrentadas dia após dia.

Atuar com familiares e pessoas com deficiência requer empenho e disponibilidade para aprender todos os dias, pois essas pessoas estão em constante desenvolvimento de potencialidades, é preciso saber lidar com o inesperado e aprender com aquilo que não está escrito na literatura.

Com isso, esse estudo se propõe a auxiliar as mães que frequentam as instituições na qual ocorreu essa pesquisa, a refletirem sobre as estratégias de enfrentamento utilizadas, se realmente são funcionais na resolução do problema, possibilitando ampliar o conhecimento de novas estratégias e trazendo a consciência sobre a importância de cuidar de si mesma, para que assim tenham uma melhor qualidade de vida.

Sugerem-se estudos que visem auxiliar as mães a lidar com suas próprias emoções e a qualidade de vida do cuidador de pessoas com autismo, pois se compreende que o mesmo abdica de seu lazer, seu trabalho, sua vida em prol do zelo e cuidado com o outro, esquecendo que a qualidade do cuidado prestado, depende também de quão bem fisicamente e emocionalmente se está.



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