Faculdade castro alves curso de psicologia



Baixar 309,64 Kb.
Página6/9
Encontro24.12.2016
Tamanho309,64 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9

6 RESULTADOS E DISCUSSÃO


Após a construção teórica das ideias que norteiam esse trabalho, no intuito de uma melhor compreensão, os resultados serão apresentados em duas partes: a primeira refere-se às características sócio-demográficas das participantes, bem como alguns dados relevantes relacionados aos seus filhos; a segunda tem como objetivo a análise das entrevistas, na qual são apresentadas as principais dificuldades ao lidar com o filho que apresenta o TEA, bem como, as estratégias de coping utilizadas para lidar com essas dificuldades e com suas emoções, cabe ressaltar que as mães entrevistadas serão identificadas pela letra (M), como forma de preservar e respeitar a privacidade das mesmas.
Caracterização da amostra
Tabela 1 – Faixa etária, estado civil e escolaridade do universo pesquisado.

CARACTERIZAÇÃO DAS MÃES

N


FAIXA ETÁRIA




DE 31 A 36

4

DE 37 A 41

4

DE 52 A 72

3







ESTADO CIVIL




CASADA

6

SOLTEIRA

4

DIVORCIADA

1







ESCOLARIDADE




ENSINO MÉDIO COMPLETO

8

ENSINO FUNDAMENTAL COMPLETO

1

ENSINO FUNDAMENTAL INCOMPLETO

1

ENSINO SUPERIOR

1

TOTAL

11

Fonte: Elaboração da autora.
Os dados indicam que há uma predominância entre 31 e 41 anos de idade das mães, em sua maioria casada, o que diverge da literatura que indica que a deficiência que a criança possui, serve como justificativa para o conflito do casal havendo rupturas, modificando o clima emocional da família (FAVERO, 2005; SILVA, 2009). No que se refere à escolaridade, 72% das entrevistadas concluíram o ensino médio, o que pode facilitar o acesso a informações, serviços, entre outros.
Tabela 2 – Ocupação atual, Manutenção financeira do lar e renda familiar média do universo pesquisado.

OCUPAÇÃO ATUAL

N







DONA DO LAR

8

TRABALHO INFORMAL

2

TRABALHO FORMAL

1







MANUTENÇÃO FINANCEIRA DO LAR




BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA (BPC)

2

BPC E FAMÍLIA

7

TRABALHO FORMAL

2







RENDA FAMILIAR MÉDIA




UM SALÁRIO MÍNIMO (R$ 788,00)

4

DOIS SALARIOS MÍNIMOS (R$ 1.576,00)

6

DOIS SALARIOS MÍNIMOS (R$ 1.576,00)

1

TOTAL

11

Fonte: Elaboração da autora
As informações acima revelam que em sua maioria as mães se dedicam com total exclusividade aos filhos, se restringindo aos cuidados do lar e dos seus próprios filhos. A maioria conta com a ajuda financeira de seus familiares e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), “tem direito à pessoa com deficiência, de qualquer idade, com impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que comprovem não possuir recursos para prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família” (MDS, SD). Cuja renda mensal bruta familiar per capita seja inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo vigente, o que impede algumas pessoas com autismo de adquirirem o beneficio. Pode- se perceber que a maioria das mães entrevistadas sobrevive em média com dois salários mínimos, dificultando o acesso a alguns tratamentos, a escola particular, a alimentação saudável, entre outros, visto que ter um filho com demandas especificas, requer maiores gastos. Infere-se que pode ser insuficiente e um fator estressor.

Tabela 3 – Sexo, idade e escolaridade dos filhos do universo pesquisado.

CARACTERIZAÇÃO DOS FILHOS

N







SEXO




MASCULINO

12

FEMININO

1







IDADE DOS FILHOS COM AUTISMO




4 A 9 ANOS

4

10 A 18 ANOS

6

30 A 35 ANOS

3







ESCOLARIDADE DO FILHO




G4

1

ENSINO FUNDAMENTAL (1ª A 3ª SÉRIE)

10

ENSINO MÉDIO

1

NÃO ALFABETIZADO

1

TOTAL

13

Fonte: Elaboração da autora

É relevante indicar que dentre as mães que compõe a amostra, duas possuem dois filhos com autismo, totalizando treze filhos de um total de onze mães. Percebe-se que 92% da amostra são do sexo masculino, apenas 8% é do sexo feminino, esses dados corroboram com os dados encontrados no DSM-V que afirmam a prevalência do autismo nos indivíduos do sexo masculino, considerando quatro vezes mais diagnosticadas que do sexo feminino (APA, 2013). 46% da amostra compreende idade entre 10 a 18 anos, com predomínio de 76% no ensino fundamental. É pertinente salientar o esforço das mães para que os filhos com autismo permaneçam no ensino regular, apesar de todas barreiras enfrentadas, as mães não desistem de colocar seus filhos para estudar, pode se observar essa persistência no discurso de uma das mães quando relata que: “pense em um guarda roupa com seis fardas de escolas diferentes, porque tive que comprar de todas, ele não usufruiu de quase nenhuma”(M11). Ou seja, as instituições de ensino alegavam não estava se adaptando ao comportamento da criança com autismo. É pertinente salientar que a inclusão de crianças com TEA implica em uma restruturação e adaptação da escola. A literatura tem demonstrado que isso se deve, em grande parte, à falta de preparo de escolas e professores para atender à demanda da inclusão (TEZZARI; BAPTISTA, 2002, CAMARGO; BOSSA, 2009).



Tabela 4 – Grau do autismo e uso de medicação pelos filhos do universo Pesquisado.

GRAU DO AUTISMO DO FILHO

N







LEVE

9

SEVERO

1

NÃO SABE INFORMAR

3







USO DE MEDICAÇÃO PELOS FILHOS




SIM

11

NÃO

2

TOTAL

13

Fonte: Elaboração da autora

Apesar dos resultados mostrarem que 69% dos filhos possui o grau leve do autismo, 84% da amostra faz o uso de medicamentos, dentre eles podemos citar a: risperidona, neuleptil e a ritalina, esses são utilizados pelas associações brasileiras, tem uma ótima ação sobre a maioria dos sintomas autístico auto e hetero agressividade, agitação, alteração do sono, rituais e estereotipias (DOMINGUES, 2007). É pertinente salientar que toda medicação deve ser avaliada levando em conta seus riscos e benefícios. Deve se observar se esta tem efeitos claramente visíveis, se o efeito não for visivelmente o esperado, não vale a pena correr os riscos (MELLO, 2007)



Tabela 5 – Profissional responsável pelo diagnóstico dos filhos do universo pesquisado.

RESPONSÁVEL PELO DIAGNÓSTICO DO FILHO

N







PSIQUIATRA

6

NEUROLOGISTA

5

TOTAL

11

Fonte: Elaboração da autora

Houve um equilíbrio dentre os profissionais que forneceram o diagnóstico para as mães. Sendo de extrema importância buscar um profissional capacitado para essa avaliação. Cabe ressaltar que todas as mães dessa amostra lembram o nome do médico responsável por essa informação, alegando ser uma noticia marcante e difícil, principalmente quando profissionais despreparados transmitem as seguintes afirmativas: Não vai aprender, não vai falar, não vai jogar bola, não chamar mamãe nunca. Frente a um momento complexo faz-se necessário repensar sobre os impactos que podem advim de um diagnostico tão desumanizado.



Tabela 6 – Quantidade de filhos do universo pesquisado.

QUANTIDADES DE FILHOS

N







UM Á DOIS FILHOS

9

TRÊS A CINCO FILHOS

2

TOTAL

11

Fonte: Elaboração da autora

Os dados revelam que 81% das mães possuem mais de um filho. Essa realidade preocupa por vezes, algumas das mães, principalmente quando os filhos “normais” estão na fase da adolescência e carecem de uma atenção maior, apontam que devido à exclusividade que o filho com autismo demanda. Os pais se percebem confrontados com a necessidade de ter de explicar a deficiência do seu filho aos outros filhos, se for o caso, à restante família, aos amigos e até, por vezes, a desconhecidos como forma de amenizar dúvidas, cobranças, entre outros. (COSTA, 2012)



Tabela 7 – Tempo de frequência na instituição, suporte social recebido além desta instituição, religião e frequência ao lazer do universo pesquisado.

TEMPO DE FREQUÊNCIA NA INSTITUIÇÃO

N







TRÊS A CINCO MESES

2

UM A TRÊS ANOS

7

DEZ ANOS

1

JÁ FREQUENTOU

1







SUPORTE SOCIAL ALÉM DA INSTITUIÇÃO




SIM




NÃO










RELIGIÃO




PROTESTANTE

6

CATÓLICA

3

ESPÍRITA

2







FREQUENCIA AO LAZER




GRANDE

1

MÉDIO

1

POUCO

5

NENHUM

4

TOTAL

11

Fonte: Elaboração da autora

Nove dos entrevistados responderam que recebem suporte de outras redes de apoio além das instituições que frequentam ( APABB e CAEPP), e apenas uma mãe informou que não recebe suporte além da instituição. Diante dos dados obtidos sobre a rede de suporte social é de grande relevância ressaltar o quanto o apoio social ajuda contribui para vida destas pessoas, facilitando e permitindo buscar estratégias diante das dificuldades encontradas, através de informações, suporte emocional que recebem, gerando comportamentos positivos no cotidiano destas pessoas (VALLA, 1999). A rede de suporte social envolve o apoio da família, amigos, religião, profissionais de diversas áreas e instituição entre outros, refletindo significativamente nos aspectos psicológicos, educacionais e sociais destes indivíduos. Fica evidente que a mãe de pessoas com deficiência encontra nestas redes de apoio, suportes necessários para minimização de estresse, assim como, aumento de estratégias para lidar com as demandas do cotidiano. É preocupante perceber a equiparação dos resultados entre pouco e nenhum lazer por parte dessas mães, reforçando a ideia de que abdicam de suas vidas em prol do filho dependente de cuidados.



Tabela 8 – Acompanhamento psicológico do universo pesquisado.

ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO

N







SIM

2

NÃO

9

TOTAL

11

Fonte: Elaboração da autora

Observa-se que 81% das entrevistadas não frequentam um profissional de psicologia. O que pode revelar o quanto que as mães não percebem a necessidade de cuidar de si, de suas emoções, angústias, dentre outras. O psicólogo contribuirá com os pais no que diz respeito à compreensão, entendimento, além de trabalhar conteúdos que na maioria das vezes estão presentes em pais que tem filhos com especificidades, como: negação, frustação, impotência, ressentimento, raiva, rejeição, além de fantasias diversas (SOUZA et al., 2004).


1   2   3   4   5   6   7   8   9


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal