Faculdade castro alves curso de psicologia



Baixar 309,64 Kb.
Página4/9
Encontro24.12.2016
Tamanho309,64 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9

4 REVISÃO DE LITERATURA



Borges e Boeckel (2010) fizeram um estudo com cinco mães de portadores de autismo que frequentavam uma escola especial da Serra Gaúcha/RS, com objetivo de identificar o impacto do transtorno autista na vida destas. Para a coleta dos dados utilizaram um questionário de dados sócio-bio-demográficos e uma entrevista semiestruturada. Foi possível constatar indicativos de sobrecarga materna. Entre os sentimentos relatados pelas mães desse estudo estiveram tristeza, cansaço, isolamento social, falta de suporte social, falta de lazer e a responsabilidade de ser a principal cuidadora com demandas que fazem parte do cotidiano dessas mães. As mães também citaram alguns comportamentos por parte dos filhos como geradores de desgaste físico e emocional: masturbação em público, gritos, irritabilidades, dentre outros. Muitas vezes elas optam por ficar em casa como forma de proteger seu filho do preconceito. Através da analise da entrevista, ainda nessa mesma pesquisa, foi possível perceber o quanto a rede de apoio social dessa amostra era empobrecida, verificando que a escola especial, ainda é o principal local de referência, tanto para o filho quanto para a mãe. Apesar de a amostra desse estudo ser pequena, os resultados encontrados revelam consonância com a literatura em geral.

Já na pesquisa de Monteiro et al. (2008), uma amostra maior foi considerada: catorze mães de crianças com autismo que frequentavam a Associação dos Amigos dos Autistas (AMA) da cidade de Teresina-PI foram entrevistadas, num registro aberto. As perguntas foram gravadas e transcritas. Tinham o intuito de descrever a vivência de ser mãe de criança autista. As mães participantes tinham faixa etária que variavam de trinta a sessenta e quatro anos. A maioria delas era casada, com nível médio de escolaridade, do lar e, portanto, não trabalhavam fora de casa devido à necessidade de cuidarem constantemente do filho com autismo. Assim, recebiam uma sobrecarga de responsabilidades, que acabam contribuindo para o afastamento ou abandono de seus sonhos e desejos pessoais. Cabe ressaltar que diante da realidade de ser mãe de um filho autista, elas denotaram vivenciar sentimentos de fé, solidão e nulidade, abdicando do seu dia a dia em prol da vida do filho. As mães ainda apontam durante a entrevista a relevância de passar alguma parte do cotidiano na AMA, pois possibilita o contato com outras mães e profissionais, sendo fundamental para se descobrir e agregar outras experiências para suas vidas. É possível perceber o quanto o convívio com pessoas que compartilham da mesma realidade, tem um significado importante na vida dessas mães, reforçando cada vez mais a importância da rede de apoio.

Fávero (2005) fez uma pesquisa com vinte mães de crianças autistas, visando investigar a sobrecarga emocional nas mesmas, relacionando-a com a avaliação da qualidade de vida. Também buscaram conhecer as principais dificuldades decorrentes de cuidados dos filhos autistas e os modos de enfrentamento. Para a coleta de dados foi feita uma entrevista semi-estruturada e aplicado alguns instrumentos como: escalas de modos de enfrentamento de problema (EMEP)5, inventário de depressão de Beck (BDI)6 e o instrumento ISSL (Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp)7. No que diz respeito ao nível de estresse, foi possível identificar que do total da amostra, treze mães apresentaram sintoma de estresse, sendo que sete indicavam tentativa de adaptação ao evento estressor, se mobilizando a buscar estratégia de enfrentamento e seis apresentavam estresse na fase de exaustão, indicando que o modo de enfrentamento do evento estressor não tem sido suficiente para amenizar os impactos sobre os aspectos físicos e psicológicos na vida das mesmas. É valido ressaltar que todas as mães que se encontravam com estresse na fase de exaustão, apresentavam sintomas psicológicos como: sensação de não ser competente, vontade de fugir de tudo e sensibilidade emocional elevada, e quanto aos sintomas físicos os mais assinalados foram dificuldades com sexo, prisão de ventre e tiques/manias. Ainda nesse mesmo estudo foi possível identificar que as mães apoiadas pelos cônjuges vivenciaram menos estresse e menor sobrecarga e o quanto que a busca por crenças religiosas, por parte dessas mães tem ajudado a manter a esperança de melhora do filho (SEIDL, 2005; CUNHA, 2001; LIPP, 2000).

Schmidt, Dell’Aglio e Bosa (2007) desenvolveu um estudo objetivando identificar as estratégias de coping maternas frente a dificuldades dos portadores de autismo, bem como as estratégias para lidar com as próprias emoções desencadeadas pelo estresse. Para obtenção dos dados utilizou-se uma entrevista semi-estruturada. A amostra foi composta por trinta mães, com idade entre trinta e cinquenta e seis anos, cujos filhos apresentam diagnóstico de autismo e frequentam instituições de atendimento. Um dos resultados encontrados nessa pesquisa, diz respeito ás maiores dificuldades encontradas pelos filhos: a realização de atividades diárias, como vestir-se, fazer sua própria higiene, sair sozinho, assim como as dificuldades nos aspectos comportamentais, citando a agressividade. Quanto ás estratégias de enfrentamento, constatou-se que a mais utilizada pelas mães para lidar com seus problemas foi a da ação direta, ou seja, busca agir diretamente sobre o estressor, na tentativa de alterar a situação de forma a solucioná-la. E para lidar com suas próprias emoções, a estratégia mais utilizada pelas mães dessa amostra foi a distração, evitando lidar diretamente com o problema. Os autores identificaram que as mães conseguem lidar de forma direta com as dificuldades dos filhos, mas não com suas próprias dificuldades, sugerindo a implementação de grupos de apoio e orientação, focalizados nas estratégias de enfrentamento, no intuito que o fortalecimento de estratégias acarrete resultados mais efetivos e possam auxiliar no alívio do estresse materno.

Schmidt e Bosa (2007) com a proposta de averiguar os níveis de estresse e auto-eficácia materna em mães de indivíduos com autismo, estudaram trinta mães com idade de trinta a cinquenta e seis anos e com filhos entre doze e trinta anos diagnosticados com autismo, para a coleta de informações utilizou-se o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL) e uma Escala de Auto eficácia8. Os resultados demonstraram que vinte e uma delas apresentaram indicadores de estresse, estando treze delas na fase de resistência, seis na fase de Quase-Exaustão e dois na fase de Alerta. Quanto aos sintomas decorrentes do estresse houve predomínio na esfera psicológica (ex.: ansiedade diária, hipersensibilidade emocional, apatia), contudo apresentaram também sintomas físicos (ex.: hipertensão arterial, taquicardia, sudorese excessiva) O estudo ainda revela que a mãe é a principal responsável pelos cuidados dos filhos, percebendo-se menos confiantes para lidar com as dificuldades no aspecto da comunicação do filho, ou seja, no âmbito das interações sociais. Entretanto, os autores apontam que o suporte recebido pelas mães das instituições e da família colabora para amenizar os sintomas estressores e impedindo que avance para fases mais agudas (SOFRONOFF; FARBOTKO, 2002 apud, SCHMIDT; BOSA, 2007).

Sanchez e Baptista (2009), fizeram um estudo comparativo com dezoito mães, sendo que nove faziam parte do grupo de mães com crianças/adolescentes com autismo, atendidas em psicoterapia há mais de dois anos, e as outras eram mães de crianças sem autismo. As mães de ambos os grupos foram pareadas pela idade, condições financeiras, escolaridade, além de número e idade dos filhos, visando comparar o funcionamento familiar, a sintomatologia depressiva e a percepção de eventos estressores em mães de crianças/adolescentes com autismo e de crianças assintomáticas. E foi possível verificar que não houve diferença entre os eventos estressantes no que diz respeito às questões de reajustamento social relatados entre as mães com e sem filhos autistas. É relevante apontar que o grupo que recebia apoio profissional possuía um funcionamento familiar mais saudável, o que reforça a hipótese de que o apoio e o atendimento à família são fatores positivos de equilíbrio e adaptação de famílias com crianças cronicamente doentes. Todavia em alguns estudos é possível notar divergências, pois os mesmos apontam que o filho com deficiência é um dos principais desencadeadores de eventos estressantes, no que tange aos seus cuidados, sentimentos de insegurança e incertezas que emergem em seus familiares. (FÁVERO; SANTOS, 2005; MARQUES, 2003; MONTEIRO et al., 2008).Vale ressaltar, que o que fará a diferença é como a família encara a chegada do filho com algum tipo de deficiência, pois a sua chegada traz uma sobrecarga para os pais, provavelmente relacionada a inúmeros sentimentos como: insegurança quanto ao futuro da criança, medo, incertezas e todos os impactos ligados aos cuidados que esta criança demandará (SILVA; DESSEN, 2004).

Desse modo diante da descrição desses estudos, só reforça o que já foi informado anteriormente, quanto à relevância desse estudo, visto que as mães de filhos autistas sofrem uma sobrecarga física e emocional quanto aos cuidados dos mesmos, sendo crucial uma atenção a essas cuidadoras, possibilitando uma melhor qualidade de vida.

1   2   3   4   5   6   7   8   9


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal