Faculdade castro alves curso de psicologia



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SUMÁRIO









1 INTRODUÇÃO



O autismo é uma deficiência que envolve dificuldades nas interações sociais, comunicação e comportamentos repetitivos, e esses aspectos podem causar impactos e uma sobrecarga emocional que passa a ser vivenciada por toda família, sobretudo, para a mãe que detém os principais cuidados com o filho (FÁVERO, 2005).

Smeha e Cezar (2011) indicam que a chegada de um novo membro na família é sempre acompanhada por expectativas por partes dos pais, que almejam que seu filho seja perfeito e saudável. Quando a família se depara com a notícia de que a criança idealizada é autista, as expectativas criadas se abalam. Os pais tomam ciência de que o filho tão sonhado não poderá corresponder às expectativas e anseios criados em torno da mesma e sabem que, dali por diante, a dinâmica de suas vidas serão modificada. Logo então, emerge a necessidade de desenvolver estratégias de enfrentamento para lidar com as novas circunstâncias.

Diante disso este trabalho teve como principal finalidade discorrer sobre as estratégias de enfrentamento utilizadas pelas mães frente às dificuldades que emergem do cuidado com o filho autista. Para atingir o objetivo deste estudo fez-se necessário primeiramente entender o Transtorno do Espectro Autista (TEA), posteriormente buscou identificar as principais dificuldades e impactos sofridos por essas mães que vivenciam esse contexto, verificando também os recursos pessoais existentes nessas mães, na qual possibilite a promoção de estratégias de enfrentamento, abrangendo o apoio social, financeiro e emocional recebido, compreendendo a rede de apoio familiar e social como fatores importantes no enfrentamento das dificuldades cotidianas.

Cabe apontar que o interesse por essa temática surgiu a partir do contato com informações envolvendo conteúdos relacionados ao tema, sendo possível perceber que lidar com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) requer habilidades especificas, que por vezes são desconhecidas por essas mães que estão inseridas nesse contexto e tendo em vista que é um tema bastante atual e por hora pouco conhecido.

E percebendo a mãe como a principal figura de referência da criança, cabe ouvi-la e realizar estudos que possam capacita-la a lidar da melhor maneira possível com seus filhos que tenham essa especificidade. Diante disso pretende-se compreender quais são as estratégias utilizadas para o enfrentamento das dificuldades surgidas. Sugerindo que o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento é um fator facilitador no cuidado dos filhos autistas.

Com o intuito também de contribuir para estudos em psicologia, pois a partir dos seus resultados será possível verificar quais estratégias são mais utilizadas e se são eficazes, possibilitando um melhor conforto emocional e resolução dos problemas decorrentes da convivência e necessidade de cuidado ao individuo com TEA.




2 BREVE HISTÓRICO DO AUTISMO


Vários estudos sobre o autismo vêm sendo desenvolvidos e na tentativa de conceitua-lo, ao longo do tempo, a terminologia sofreu evoluções. Esse termo foi mencionado pela primeira vez na literatura em 1911 por Bleuler, para nomear a perda de contato com a realidade, o que ocasionava uma grande dificuldade ou inabilidade de comunicação (GADIA; TUCHMAN; ROTTA, 2004).

Em 1943 o termo autismo foi mencionado pelo médico austríaco, chamado Léo Kanner, em seu artigo publicado e intitulado de “os transtornos autistas do contato afetivo”, no qual descreve o caso de onze crianças que apresentavam em comum um extremo isolamento, tendo dificuldades em estabelecer relações com pessoas e situações, nomeando-as de autistas (MELLO, 2007; GADIA; TUCHMAN; ROTTA, 2004).

Logo em seguida, no ano de 1944, Hans Asperger, descreve um artigo intitulado Psicopatologia Autística da Infância, caracterizando crianças com comportamentos bastante semelhantes às descritas por Kanner. Contudo apesar de terem caracteristicas semelhantes ao autismo, relacionado às dificuldades de comunicação social, as crianças apresentavam inteligência normal (MELLO, 2007; GADIA; TUCHMAN; ROTTA, 2004). Sendo pertinente salientar que Asperger atentava-se para o aspecto educacional, aspecto esse que Kanner não se preocupava, havendo também diferenças entre as crianças observadas por Kanner e Asperger, no que diz respeito ao desenvolvimento da comunicação e linguagem. E com isso, distinguiu-se o autismo do transtorno de Asperger (FILHO; CUNHA, 2010). Atualmente atribui-se tanto a Kanner como a Asperger a identificação do autismo, sendo ambos importantes na descoberta desse transtorno.

Na década de 60, o autismo foi visto com um transtorno emocional ou cerebral, presente desde a infância, causado pela impossibilidade de mães e/ou pais oferecerem afetos durante a criação da criança. Hipótese levantada só pela descrição de casos, sem haver nenhuma comprovação empírica. Com isso a mesma foi descartada, pois outros estudos identificaram que não havia diferença significativa, entre a afetividade de pais de crianças autistas e de crianças não autistas (KLIN, 2006; FILHO; CUNHA, 2010).

É valido ressaltar que a partir da descrição de Kanner vários estudos quanto à identificação de diferentes etiologias, epidemiologia, classificação, graus de severidade e das características específicas do autismo, têm contribuído para a compreensão dos aspectos biológicos dos Transtornos do Espectro Autista (TEA) (KLIN, 2006; SCHMIDT; DELL’AGLIO; BOSA, 2007).

Até 1980 o autismo era considerado como esquizofrenia. Devido aos diversos estudos no campo desse transtorno, fez com que nesse mesmo ano o autismo fosse colocado em uma nova classe. Ficando caracterizado como Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID). Sendo esse termo escolhido para representar o fato de que diversas áreas de funcionamento são afetadas no autismo (GADIA; TUCHMAN; ROTTA, 2004; KLIN, 2006).

A nomenclatura TID ganhou raízes e também foi utilizado pela classificação internacional de doenças CID-10, na qual classificou o autismo como um grupo de transtornos caracterizados por alterações qualitativas das interações sociais recíprocas, dificuldades de comunicação e por um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo (OMS, 1993).

No Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV-TR) o transtorno autista já é descrito como o Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) abarcando cinco categorias diagnósticas: Transtorno Autista, o Transtorno de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno de Asperger e Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem outra Especificação. Estes transtornos caracterizam-se pelo comprometimento severo e invasivo em áreas do desenvolvimento: Prejuízo da habilidade social, prejuízo no uso de comportamentos não-verbais, dificuldades na interação social , alterações na linguagem e alterações de comportamento. Sendo que esses transtornos se apresentam de forma diferente, cada um tendo diagnóstico único, tendo semelhança apenas nas funções do desenvolvimento que são afetadas qualitativamente (APA, 2002).

O conceito e os critérios mais atuais para a definição do autismo é feita pelo DSM-V. Esses transtornos mencionados acima e que são encontrados na versão do DSM-IV deixaram de ser vistos isoladamente, com exceção da Síndrome de Rett; eles foram inclusos no diagnóstico do TEA. Os sintomas do TEA representarão prejuízos que vão de leve a grave nos domínios de comunicação social e de comportamentos restritivos e repetitivos, ao invés de se constituir transtornos distintos. Mudança feita para contribuir na melhora dos critérios diagnósticos e identificação de tratamentos mais focados para os prejuízos identificados (APA, 2013).

No DSM-V o TEA é classificado como um Transtorno do Neurodesenvolvimento. De acordo com Mello (2007), as causas do autismo ainda são desconhecidas. Sugere-se algumas hipóteses, em que sua origem possa estar em alguma parte anormal do cérebro; contudo ainda não foi definido. Pode ter base genética ligada ao cromossomo X, o que tornaria os homens mais propensos ao TEA, porém os dados não são conclusivos. Estima-se que 15% dos casos parecem estar associados a uma mutação genética e que de 37% até mais de 90% representa herdabilidade. Ainda pode estar relacionado com problemas ocorridos durante a gravidez ou no momento do parto e também com fatores ambientais que podem ser descritos como: a idade avançada dos pais, baixo peso ao nascer ou exposição fetal ao ácido valpróico (agente antiepiléptico) (APA, 2013; KLIN, 2006).

Para possível diagnóstico se faz necessário está presente Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em diversos contextos, podendo ser descritos como: dificuldades para estabelecer uma conversa normal, compartilhamento reduzidos de interesses, emoções ou afetos, dificuldades nos comportamentos comunicativos não verbais, dificuldade de desenvolver, manter e compreender relacionamentos com seus pares apropriados ao seu nível de desenvolvimento (APA, 2013).

Ainda de acordo com o DSM-V (APA, 2013) padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades: movimentos motores, estereotipias ou comportamentos verbais estereotipados ou comportamento sensorial incomum, insistência nas mesmas coisas, aderência a rotinas e padrões de comportamentos ritualizados, interesses restritos, hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais. É importante ressaltar que para ser diagnosticado o sujeito precisa apresentar sintomas que se manifestem precocemente, e esses devem comprometer o indivíduo nas funções da sua vida cotidiana. A gravidade do diagnóstico baseia-se em prejuízo na comunicação social e nos comportamentos fixos ou repetitivos.

O DSM-V (APA, 2013) ainda indica algumas características que também contribuem para o diagnóstico, que é a presença de comprometimento intelectual e/ou da linguagem, pois muitos indivíduos com TEA apresentam. Até mesmo os que revelam inteligência média ou alta, possuem algumas inabilidades.

O TEA é diagnosticado apenas quando os déficits característicos de comunicação social são seguidos por comportamentos excessivamente repetitivos, interesses restritos e insistência nas mesmas coisas. Pessoas do sexo masculino são quatro vezes mais diagnosticadas que do sexo feminino. É importante ressaltar que para diagnóstico se faz necessário avaliar aspectos culturais de interação social, comunicação não verbal e relacionamentos. Pois os fatores culturais e socioeconômicos podem afetar na identificação ou diagnóstico desse transtorno. Sendo pertinente salientar que os diagnósticos são mais confiáveis quando embasados em inúmeras fontes de informações, entre elas podemos citar observações do clinico, relato trazido pelo cuidador e se possível o relato do próprio individuo em questão. Estando disponíveis também alguns instrumentos padronizados para diagnóstico do comportamento, com propriedades psicométricas, envolvendo entrevistas com cuidadores, questionários e medidas de observações clínica, permitindo uma maior confiabilidade no diagnóstico (APA, 2013).

É valido ressaltar que ainda não existem testes laboratoriais específicos para a identificação do autismo. Diante de várias características que indicam o TEA, geralmente o médico solicita exames para investigar as prováveis condições ou doenças que tem causas identificáveis e podem denotar um quadro de autismo infantil, como a síndrome do X-frágil1, fenilcetonúria2 ou esclerose tuberosa3 (MELLO, 2007; FRANÇA, 2011; DEMIRA; MARQUEZ, 2000; ASSUMPÇÃO JÚNIOR, 1983).

As características do transtorno do espectro autista tornam-se visível na primeira infância. Seus sintomas por vezes são reconhecidos durante o segundo ano de vida (24 meses) embora já possa ser identificado antes dos doze meses, caso os sinais de atraso sejam graves. Os primeiros sintomas englobam atraso no desenvolvimento da linguagem. É pertinente enfatizar que o TEA não é um transtorno degenerativo, sendo possível um continuo processo de aprendizagem (APA, 2013).

Para lidar com pessoas com autismo se faz necessário uma intervenção multidisciplinar, destacando-se os acompanhamentos psicoterapêuticos, fonoaudiológicos, equoterapia, musicoterapia, entre outros (MELLO, 2007). O tratamento deve incluir técnicas de mudanças de comportamento, programas educacionais e terapias que visem o desenvolvimento da linguagem e comunicação, pois além dos déficits sociais e cognitivos, os problemas de comportamento apresentados pelos autistas trazem uma grande preocupação, e esses dificultam a integração dos mesmos dentro da família e da escola. Nas crianças os problemas de comportamento envolvem hiperatividade, desatenção, agressividade e comportamentos autoagressivos (GADIA; TUCHMAN; ROTTA, 2004).

Destacam-se outros métodos de intervenção utilizados para favorecer o desenvolvimento da pessoa com TEA e entre eles podemos citar: O Treatment and Education of Autistic and related Communication Handicapped Children (TEACCH) instrumento desenvolvido nos anos 60 no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina dos Estados Unidos, avalia a criança, levando em conta os seus pontos fortes e suas maiores dificuldades, combinando diferentes materiais visuais para organizar o ambiente físico através de rotinas e sistemas de trabalho, de forma a tornar o ambiente mais acessível e compreensível, visando promover independência e o aprendizado (MELLO, 2007; ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DE AUTISTAS, 2011).

Applied Behavior Analysis (ABA) é um tratamento que tem por objetivo ensinar à criança habilidades necessárias para que elas possam adquirir independência e uma melhor qualidade de vida. Dentre as habilidades ensinadas incluem-se comportamentos sociais, comportamentos acadêmicos, bem como atividades da vida cotidiana, como higiene pessoal. Habilidades essas ainda não adquiridas e que são ensinadas por etapas. A análise comportamental aplicada se embasa no desenvolvimento dos princípios fundamentais da teoria do aprendizado baseado no condicionamento operante e reforçadores visando desenvolver comportamentos socialmente significativos, habilidades comunicativas e reduzir comportamentos indesejáveis. Ou seja, respostas negativas ou “birras” não são reforçadas. A criança será avaliada para que se identifique quais eventos que funcionam como reforçadores para os comportamentos negativos, já a resposta adequada da criança tem como consequência a ocorrência de algo agradável para ela, o que na prática gera uma recompensa. Quando a recompensa é utilizada de forma coerente, a criança tende a repetir a mesma resposta. A criança é levada a trabalhar de forma positiva, para que não ocorram os comportamentos indesejados, de forma que o aprendizado se torne melhor adaptado (MELLO, 2007; ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DE AUTISTAS, 2011).

O Picture Exchange Communication System (PECS) significa “sistema de comunicação através da troca de figuras”, é um instrumento que tem por objetivo auxiliar crianças com autismo ou com outros distúrbios de desenvolvimento a conseguir habilidades na comunicação, fazendo com que também a criança perceba que através da comunicação ela pode adquirir rapidamente as coisas que almeja, incentivando-a, a comunicar-se contribuindo assim, para diminuição de comportamentos inadequados de conduta (ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DE AUTISTAS, 2011; MELLO, 2007).

O tratamento pode ser feito também através de medicamento, sendo que esse deve ser indicado e prescrito pelo médico, podendo ser utilizado caso exista alguma comorbidade neurológica e/ou psiquiátrica e quando os sintomas interferem na vida diária. Cabe ressaltar que até o momento não existe uma medicação específica para o tratamento de autismo. Lembrando que toda medicação conta com seus riscos e benefícios (MELLO, 2007; ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DE AUTISTAS, 2011).

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