Exercìcios arcadismo profa. Luana Lemos Leia os textos



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EXERCÌCIOS
ARCADISMO
Profa. Luana Lemos
Leia os textos:
Lira XV
Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,

Fui honrado Pastor da tua aldeia;

Vestia finas lãs, e tinha sempre

A minha choça do preciso cheia.

Tiraram-me o casal, e o manso gado,

Nem tenho, a que me encoste, um só cajado.


(...)
Se não tivermos lãs, e peles finas,

Podem mui bem cobrir as carnes nossas

As peles dos cordeiros mal curtidas,

E os panos feitos com as lãs mais grossas.

Mas ao menos será o teu vestido

Por mãos do amor, por minhas mãos cosido.


Nós iremos pescar na quente sesta

Com canas, e com cestos os peixinhos:

Nós iremos caçar nas manhãs frias

Com a vara envisgada os passarinhos.

Para nos divertir faremos quanto

Reputa o varão sábio, honesto e santo.


(...)

FONTE: GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d.


Texto V
Amor de Índio
Tudo o que move é sagrado

E remove as montanhas

Com todo cuidado, meu amor
(...)
Sim, todo amor é sagrado

E o fruto do trabalho

É mais que sagrado, meu amor

A massa que faz o pão

Vale a luz do seu suor

Lembra que o sono é sagrado

E alimenta de horizontes

O tempo acordado de viver


No inverno te proteger

No verão sair pra pescar

No outono te conhecer

Primavera poder gostar

No estio me derreter

Pra na chuva dançar e andar junto

O destino que se cumpriu

De sentir seu calor e ser tudo


FONTE: GUEDES, Beto & BASTOS, Ronaldo. In GUEDES, Beto. Amor de Índio. EMI Music, 1978.

1. (G1 - cftmg 2010) São temas presentes nos textos, EXCETO

a) bucolismo.

b) amor idealizado.

c) simplicidade existencial.

d) desprezo ao trabalho urbano.

Leia o texto

Texto extraído de Formação da Literatura Brasileira, de Antonio Candido.
No Brasil, o homem de estudo, de ambição e de sala, que provavelmente era, encontrou condições inteiramente novas. Ficou talvez mais disponível, e o amor por Dorotéia de Seixas o iniciou em ordem nova de sentimentos: o clássico florescimento da primavera no outono.

Foi um acaso feliz para a nossa literatura esta conjunção de um poeta de meia idade com a menina de dezessete anos. O quarentão é o amoroso refinado, capaz de sentir poesia onde o adolescente só vê o embaraçoso cotidiano; e a proximidade da velhice intensifica, em relação à moça em flor, um encantamento que mais se apura pela fuga do tempo e a previsão da morte:


Ah! enquanto os destinos impiedosos

não voltam contra nós a face irada,

façamos, sim, façamos, doce amada,

os nossos breves dias mais ditosos.



2. (Unifesp 2009) Nos versos apresentados por Antonio Candido, fica evidente que o eu lírico:

a) Reconhece a amada como única forma de não sofrer pela morte.

b) Se mostra frustrado e angustiado pela possibilidade de morrer.

c) Considera o presente desagradável, tanto quanto a morte iminente.

d) Se entrega ao amor da amada para burlar o tempo e atrasar a morte.

e) Convida a amada a aproveitar o presente, já que a morte é inevitável.



3. (G1 - cftmg 2008)

O poema anterior, em linguagem visual e contemporânea, reedita um preceito árcade também expresso nos versos de Cláudio Manoel da Costa transcritos em:

a) "Nada pode escapar do golpe avaro,

Alcino meu: que a Parca endurecida

Corta igualmente os fios de uma vida

Ao pastor pobre, ao cortesão preclaro."

b) "Eu não chamo a isto já felicidade:

Ao campo me recolho, e reconheço,

Que não há maior bem, que a soledade"

c) "Se o bem dessa choupana pode tanto,

Que chega a ter mais preço, e mais valia,

Que da cidade o lisonjeiro encanto;"

d) "Veste o engano o aspecto da verdade;

Porque melhor o vício se avalia:

Porém do tempo a mísera porfia,

Duro fiscal, lhe mostra a falsidade."

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Torno a ver-vos, ó montes: o destino

Aqui me torna a pôr nestes outeiros,

Onde um tempo os gabões deixei grosseiros

Pelo traje da Corte, rico e fino.
Aqui estou entre Almendro, entre Corino,

Os meus fiéis, meus doces companheiros,

Vendo correr os míseros vaqueiros

Atrás de seu cansado desatino.


Se o bem desta choupana pode tanto,

Que chega a ter mais preço, e mais valia

Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto.
Aqui descanso a louca fantasia,

E o que até agora se tornava em pranto

Se converta em afetos de alegria.
Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78/9.

4. (Enem 2008) Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção correta acerca da relação entre o poema e o momento histórico de sua produção.

a) Os "montes" e "outeiros", mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje "rico e fino".

b) A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia.

c) O bucolismo presente nas imagens do poema é elemento estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta árcade em realizar uma representação literária realista da vida nacional.

d) A relação de vantagem da "choupana" sobre a "Cidade", na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole.

e) A realidade de atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria



5. (G1 - cftmg 2007) Associe os movimentos literários aos seus respectivos exemplos.
(1) Barroco

(2) Arcadismo


( ) "Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado

Da vossa Alta piedade me despido

Porque quanto mais tenho delinquido

Vos tenho a perdoar mais empenhado."


( ) "Em lugar delicioso e triste,

Cansada de viver, tinha escolhido

Para morrer a mísera Lindóia.

Lá reclinada, como que dormia,

Na branda relva e nas mimosas flores, ..."
( ) "Nasce o sol, e não dura mais que um dia,

Depois da luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras nasce a formosura,

Em contínuas tristezas, a alegria."


( ) "Ah! minha Bela, se a Fortuna volta,

Se o bem, que já perdi, alcanço e provo;

Por essas brancas mãos, por essas faces

Te juro renascer um homem novo

Amar no céu a Jove e a ti na terra."
( ) "Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:

Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:

Com sua língua ao nobre o vil decepa:

O Velhaco maior sempre tem capa. "


A sequência encontrada foi

a) 1, 2, 1, 2, 1

b) 1, 1, 2, 1, 2

c) 1, 2, 1, 2, 2

d) 2, 2, 1, 1, 2

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

"(...)

Ao Amor cruel e esquivo



Entreguei minha esperança,

Que me pinta na lembrança

Mais ativo o fero mal.
Não verás em peito amante

Coração de mais ternura;

Nem que guarde fé mais pura,

Mais constante e mais leal.


Glaura! Glaura! não respondes?

E te escondes nestas brenhas?

Dou às penhas meu lamento;

Ó tormento sem igual!


Se não vens, porque te chamo:

Aqui deixo junto ao Rio

Estas pérolas num fio,

Este ramo de cora.


Entre a murta que se enlaça

Com as flores mais mimosas,

Acharás purpúreas rosas

Numa taça de cristal. (...)"

(ALVARENGA, Silva. In: MOISÉS, Massaud. A literatura brasileira através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1993. p. 86.)

6. (G1 - cftmg 2006) Os versos explicitam traços marcantes da poesia neoclássica no Brasil, EXCETO

a) corte amorosa.

b) infelicidade no amor.

c) aproximação mulher e natureza.

d) linguagem elevada e decoro moral.

7. (G1 - cftmg 2006) O poema contém a seguinte característica do Neoclassicismo:

a) lírica amorosa.

b) convenção pastoril.

c) versos clássicos decassílabos.

d) distanciamento do objeto amoroso.

8. (Unifesp 2005) Leia os versos do poeta português Bocage.
Vem, oh Marília, vem lograr comigo

Destes alegres campos a beleza,

Destas copadas árvores o abrigo.

Deixa louvar da corte a vã grandeza;

Quanto me agrada mais estar contigo,

Notando as perfeições da Natureza!

Nestes versos,

a) o poeta encara o amor de forma negativa por causa da fugacidade do tempo.

b) a linguagem, altamente subjetiva, denuncia características pré-românticas do autor.

c) a emoção predomina sobre a razão, numa ânsia de se aproveitar o tempo presente.

d) o amor e a mulher são idealizados pelo poeta, portanto, inacessíveis a ele.

e) o poeta propõe, em linguagem clara, que se aproveite o presente de forma simples junto à natureza.



9. (Ufrs 2005) Com base nos fragmentos a seguir, extraídos da Lira II, da obra "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações que seguem.
"Pintam, Marília, os Poetas

A um menino vendado,

Com uma aljava de setas,

Arco empunhado na mão;

Ligeiras asas nos ombros,

O tenro corpo despido,

E de Amor ou de Cupido

São os nomes, que lhe dão."

[...]

"Tu, Marília, agora vendo



De Amor o lindo retrato,

Contigo estarás dizendo

Que é este o retrato teu.

Sim, Marília, a cópia é tua,

Que Cupido é Deus suposto:

Se há Cupido, é só teu rosto,

Que ele foi quem me venceu."
( ) Na primeira estrofe, o poeta descreve uma figura representativa do amor na mitologia clássica.

( ) Na primeira estrofe, a amada Marília é alertada sobre a violência que se esconde por detrás da superfície do amor.

( ) Na segunda estrofe, o poeta transfere o retrato de Cupido para o rosto vencedor de Marília.

( ) Na segunda estrofe, o poeta confessa à amada a sua rendição em relação aos poderes do amor.


A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

a) V - V - F - F.

b) V - F - V - V.

c) F - F - V - V.

d) V - F - F - V.

e) F - V - F - F.



10. (Ufv 1996) Leia o fragmento de texto a seguir e faça o que se pede:
Esprema a vil calúnia muito embora

Entre as mãos denegridas, e insolentes,

Os venenos das plantas,

E das bravas serpentes.


Chovam raios e raios, no seu rosto

Não hás de ver, Marília, o medo escrito:

O medo perturbador,

Que infunde o vil delito.


[...]
Eu tenho um coração maior que o mundo.

Tu, formosa Marília, bem o sabes:

Eu tenho um coração maior que o mundo.

Tu, formosa Marília, bem o sabes:


Um coração .... e basta,

Onde tu mesma cabes.


(TAG, MD, Parte II, Lira II)
Sobre o fragmento de texto de Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu, assinale a alternativa FALSA:

a) a interferência do mito na tessitura dos poemas, mantendo o poeta dentro dos padrões poéticos clássicos, impede-o de abordar problemas pessoais.

b) a interpelação feita a Marília muitas vezes é pretexto para o poeta celebrar sua inocência e seu destemor diante das acusações feitas contra ele.

c) a revelação sincera de si próprio e a confissão do padecimento que o inquieta levam o poeta a romper com o decálogo arcádico, prenunciando a poética romântica.

d) a desesperança, o abatimento e a solidão, presentes nas liras escritas depois da prisão do autor, revelam contraste com as primeiras, concentradas na conquista galante da mulher amada.

e) embora tenha a estrutura de um diálogo, o texto é um monólogo - só Gonzaga fala e raciocina.

11. (Ufv 1996) Sobre o Arcadismo no Brasil, podemos afirmar que:

a) produziu obras de estilo rebuscado, pleno de antíteses e frases tortuosas, que refletem o conflito entre matéria e espírito.

b) não apresentou novidades, sendo mera imitação do que se fazia na Europa.

c) além das características europeias, desenvolveu temas ligados à realidade brasileira, sendo importante para o desenvolvimento de uma literatura nacional.

d) apresenta já completa ruptura com a literatura europeia, podendo ser considerado a primeira fase verdadeiramente nacionalista da literatura brasileira.

e) presente sobretudo em obras de autores mineiros como Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga e Basílio da Gama, caracteriza-se como expressão da angústia metafísica e religiosa desses poetas, divididos entre a busca da salvação e o gozo material da vida.


12. (Unicamp 1995) Nos dois poemas a seguir, Tomás Antônio Gonzaga e Ricardo Reis refletem, de maneira diferente, sobre a passagem do tempo, dela extraindo uma "filosofia de vida". Leia-os com atenção:

LIRA 14 (Parte I)

Minha bela Marília, tudo passa;

a sorte deste mundo é mal segura;

se vem depois dos males a ventura,

vem depois dos prazeres a desgraça.

....................................................................

Que havemos de esperar, Marília bela?

que vão passando os florescentes dias?

As glórias, que vêm tarde, já vêm frias;

e pode enfim mudar-se a nossa estrela.

Ah! não, minha Marília,

Aproveite-se o tempo, antes que faça

o estrago de roubar ao corpo as forças

e ao semblante a graça.

(TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA," Marília de Dirceu")

Quando, Lídia, vier o nosso outono

Com o inverno que há nele, reservemos

Um pensamento, não para a futura

Primavera, que é de outrem,

Nem para o estio, de quem somos mortos,

Senão para o que fica do que passa -

O amarelo atual que as folhas vivem

E as torna diferentes.

(RICARDO REIS, "Odes")


  1. Em que consiste a "filosofia de vida" que a passagem do tempo sugere ao eu lírico do poema de Tomás Antônio Gonzaga?

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b) Ricardo Reis associa a passagem do tempo às estações do ano. Que sentido é dado, em seu poema, ao outono? _________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

c) Os dois poetas valorizam o momento presente, embora o façam de maneira diferente. Em que consiste essa diferença? _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Recreios Campestres na Companhia de Marília

Olha, Marília, as flautas dos pastores

Que bem que soam, como estão cadentes!

Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes

Os Zéfiros brincar por entre as flores?

Vê como ali beijando-se os Amores

Incitam nossos ósculos ardentes!

Ei-las de planta em planta as inocentes,

As vagas borboletas de mil cores!

Naquele arbusto o rouxinol suspira,

Ora nas folhas a abelhinha para,

Ora nos ares sussurrando gira:

Que alegre campo! Que manhã tão clara!

Mas ah! Tudo o que vêz, se eu te não vira,

Mais tristeza que a morte me causara.

(Bocage, OBRAS DE BOCAGE, Porto: Lello & Irmão Editores, 1968. p. 152)


13. (Unesp 1992) No soneto acima citado de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805), verificam-se características do estilo neoclássico, de que Bocage é o máximo representante em Portugal. Indique duas dessas características, exemplificando cada uma delas com palavras, expressões ou passagens do poema.

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