Excelentíssimo SenhorVice Diretor Geral da fadisma, Professor Giovani Bortolini



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Encontro20.08.2018
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Excelentíssimo SenhorVice Diretor Geral da FADISMA, Professor Giovani Bortolini.
Ilustríssimo Vice Coordenador Geral da Graduação em Direito, Professor Igor Andrei Cezne.
Ilustríssima Senhor Dr. Lucio Lorenzon, representando o presidente da 6ª Subsecção da Ordem Dos Advogados Do Brasil de Santa Maria.
Ilustríssima Senhora Vereadora Sandra Rebelato, representando o Presidente Da Câmara De Vereadores De Santa Maria.
Senhor Patrono, Professor Bruno Seligman de Menezes.
Senhores Professores e funcionária homenageados,
Prezados pais, familiares e amigos.
Meus Caros afilhados, e hoje formandos do curso de Direito, da Faculdade de Direito de Santa Maria.
Existem alguns dias que possuem a missão de marcar as nossas vidas para sempre.

O dia 27 de agosto de 2016, definitivamente, marcará a história de todos vocês.

No dia 18 de maio desse ano vocês marcaram a minha vida, pois me deram a missão de proferir essas palavras a vocês.

Voltando um pouco no tempo, me emociona rememorar, que em dezembro de 2010, estive no mesmo lugar no qual vocês estão hoje, recebendo desta mesma instituição o grau de Bacharel em Direito.

Para mim, a emoção de falar para e com vocês neste dia é inenarrável, e por isso eu escolhi, dentre todas as pautas que eu poderia escolher, falar de amor.

Apenas de amor.

O dia de hoje mistura dois sentimentos grandiosos: o medo que nasce com a despedida, e o medo que nasce dos novos desafios.

Este encontro poderia ser maior, alguns colegas perderam-se – ou encontraram-se de outra forma - no caminho, mas vocês persistiram. Tiveram a força necessária para buscar um sonho e o dia de hoje consagra essa busca.

Aqui, concluindo essa etapa vejo mães e pais, que abdicaram do tempo com seus filhos; vejo enamorados que por vezes não puderam cumprir com as agendas pretendidas; vejo filhos que optaram por trancar-se no quarto frente a livros e códigos. Mas sobretudo, vejo em vocês seres humanos, que possuem em comumo fato de carregar consigo um desejo de mudança.

Jamais optamos por dedicar nosso tão valioso tempo a algo em que não acreditamos.

Meus caros, a convivência diária termina agora.

Mas só se vocês permitirem.

E aqui, tomo a liberdade de proferir meu primeiro conselho: não permitam. Não permitam que a correria diária afaste-os daqueles que amam. Busquem encontrar tempo para os amigos. O tempo passa mais rápido do que gostaríamos e ele é incontrolável. Tem seu próprio ritmo.

De outra banda, o medo de alçar novos voos, que é o medo da mudança, é tão legitimo quanto o medo da despedida.

Por isso voem. Voem o mais alto que vocês puderem voar. Mas nunca voem para um lugar onde não haja o amor.

“Onde não puder amar, não te demores.” Disse Frida Kahlo, ou Eleonora Duse. Não importa. O que importa é mesmo o amor.

Rejeitem amargura. Tranquem a porta – e o corpo – para maus sentimentos. Levem uma vida leve. Escolham ter paz, e não ter razão.

Ao escolherem o caminho profissional que os fará felizes, questionem-se: lá poderei amar? Se a resposta for sim - aqui vem o segundo conselho - vão! Busquem seu sonho! Vocês são capazes de tudo que ousarem sonhar.Portanto sonhem. Nada os limita.

Ao conviver em um ambiente onde o outro não é preocupação e onde o outro é tratado apenas como “o outro”, não se demorem. Ali certamente não há amor. Não vale a pena.

Exijam mais de vocês enquanto seres humanos. Tenham empatia pelos problemas do mundo. Não sejam indiferentes. Sejam complacentes. Distribuam sorrisos.

Busquem abraçar quem não possui braços.

Busquem levar cor onde prepondera o cinza.

Busquem levar riso onde existe choro.

Busquem gritar pelo amor onde escancara o ódio e a intolerância.

Em 2010, quando estive no mesmo lugar que vocês estão hoje, me peguei preocupada com a epígrafe de minha monografia. Me inquietava, pois eu queria que essa frase me representasse. Escolhi Che Guevara. Escolhi que ele dissesse por mim e ele assim disse: “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.”

E aqui vem o terceiro conselho, que se confunde a um desejo: desejo que vocês possam tremer de indignação diante das barbáries diárias. Mas desejo principalmente que o tremer lhes mova a fazer algo mais: a tentar mudar o mundo.

Parece grandioso, parece desafiador e inalcançável, mas eu acredito em vocês!

“Eu acredito na rapaziada, que segue em frente e segura o rojão.” Disse Gonzaguinha. E a rapaziada, Seu Nestor, é representada pela idade de espírito! Pela força e pelo desejo de luta, pelo desejo de mudança!

Essa rapaziada que hoje, emocionada, vive um dia memorável é merecedora da beca e dos louros que uma Colação de Grau proporciona...

Todo semestre novas turmas iniciam o curso e nós, professores, nos apegamos a cada um, mas, sempre sentimos saudades daqueles que nos marcam de uma forma especial. E a minha vida vocês definitivamente marcaram...



  • Ana, sempre espontânea e com um sorriso no rosto. Ensinando que passar por cima das adversidades é preciso.

  • Jandira, trazendo consigo sempre palavras doces e elogios preparados.

  • Lucas, guerreiro, com uma personalidade quieta, mas persistente. O dono do mate.

  • Matheus, outro guerreiro, que por trás das piadas e brincadeiras esconde um grande coração e uma grande presença de espírito.

  • Seu Nestor, sempre prestativo e observador, gravando as aulas e auxiliando os colegas no decorrer do semestre.

  • Priscila, competência e sorrisos a definem...

  • Ricardo, o inseparável amigo do Guga, perspicaz e tímido.

  • O Tobias, envergonhado, dedicado e atento.

Conviemos pouco, mas as marcas da nossa convivência marcaram e, os sorrisos que recebi jamais esquecerei.

“Eu vou á luta com essa juventude, que não corre da raia a troco de nada. Eu vou no bloco dessa mocidade que não tá na saudade e constrói a manhã desejada.”

Então vão.

Construam suas manhãs desejadas. Alicercem essas manhãs com o amor. Só o amor pode forjar uma base sólida. Nada mais pode. E lembrem-se: sem base sólida tudo pode ruir.

Meus queridos afilhados, não esqueçam de em meio a isso tudo – e aqui vem o quarto e último conselho – buscarem sempre a felicidade. Mas não esqueçam que buscando o amor, a felicidade vem como um prêmio. Como um bônus, daqueles que a vida dá.

Agora, emocionada, me despeço de vocês.

Me despeço com medo, aquele medo que referi no início da fala: o medo da despedida.

Pois não quero, e se depender de mim não deixarei, que nossa vivência termine junto da conclusão deste curso.

Quero vê-los voar.

Quero vê-los amar.



E como não poderia ser diferente, com amor,

Professora Cristiane Pauli de Menezes.


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