Estrutura de demanda e uso de energia: uma análise de insumo-produto para países selecionados (1995 e 2005)



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ESTRUTURA DE DEMANDA E USO DE ENERGIA: uma análise de insumo-produto para países selecionados (1995 e 2005).
Amir Borges Ferreira Neto1

Fernando Salgueiro Perobelli2

Suzana Quinet de Andrade Bastos3
RESUMO: O objetivo deste trabalho é avaliar como a mudança dos elementos associados à demanda, i.e. demanda das famílias e estrutura de produção, afetam o uso de energia em países emergentes (Brasil, China e Índia) e em países desenvolvidos (Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos). Para tanto, foram utilizadas matrizes de insumo-produto de 1995 e 2005, aplicando-se a técnica de Análise de Decomposição Estrutural. Os seguintes resultados podem ser destacados: i) os setores que se verificam como importantes fornecedores da economia são setores que fazem maior uso de energia; ii) para a demanda das famílias o efeito quantidade demandada é em geral maior que o efeito alocação da demanda, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento; iii) para a contribuição tecnológica, a parcela referente à variação dos insumos energéticos é maior em geral que a parcela relativa aos insumos não energéticos, tanto para os países desenvolvidos como nos emergentes.
PALAVRAS-CHAVE: Demanda, Estrutura Produtiva, Matriz de Insumo-Produto, Uso de Energia.
ABSTRACT: The objective of this paper is to access how the changes in the elements associated to the demand, i.e. households’ demand and production structure, impact the use of energy in developing countries (Brazil, China and India) and in developed countries (Germany, United Kingdom and United States). To achieve such objective we used input-output matrix of 1995 and 2005, applying the Structural Decomposition Analysis. The following results can be highlighted: i) the sectors verified as main suppliers in the economy are those which use more energy; ii) for the households’ demand the quantity effect is in general higher than the allocation effect, in both developed and developing countries; iii) for the technological contribution, the portion referring only the changes in the energetic inputs is in general higher than the portion regarding the changes in the non-energetic inputs, in both developed and developing countries.
KEY-WORDS: Demand, Input-Output, Production Structure, Use of Energy.
JEL CODES: D57, Q49.


ESTRUTURA DE DEMANDA E USO DE ENERGIA: uma análise de insumo-produto para países selecionados (1995 e 2005).

1. INTRODUÇÃO


O consumo de energia sempre atendeu às mesmas necessidades básicas do homem (calor, luz, lubrificação, transporte, força mecânica, entre outras), de forma que ao longo do tempo o que varia é a forma de prover essa energia (DAHL, 2004). Com o desenvolvimento da sociedade, o consumo energético vem aumentando, principalmente no pós-Segunda Guerra Mundial.

Ambos os crescimentos, de consumo de diferentes formas de energia e o econômico vivenciado pelo mundo no último século, fazem da interligação dos temas um foco de interesse de estudos. Por um lado pode-se considerar a energia como um bem escasso e, portanto, passível do estudo econômico de gestão dos recursos, por outro a energia é um insumo importante no processo produtivo, que segundo Peet (2004) não possui substitutos.

O aumento do interesse do estudo da energia pela economia ocorre principalmente após o primeiro choque do petróleo em 1973. Entre os principais temas analisados estão o desenvolvimento econômico e sua relação com a energia e a temática de formação e aplicação de preços. Ainda devem ser ressaltados temas mais recentes como a escassez, substitutibilidade, eficiência e meio ambiente.

Brown et al (2011) afirmam que países com economias mais desenvolvidas possuem vantagens de escala e novas tecnologias no que se refere ao uso de energia mais eficiente de maneira per capita visto a quantidade e qualidade da infraestrutura disponível. Os autores apresentam a relação entre o uso de energia per capita e o PIB per capita de diversos países, o que permite verificar a discrepância entre países em desenvolvimento e países desenvolvidos.

Darmstadter, Dunkerley e Alterman (1977) evidenciam que diferenças setoriais avaliadas numa perspectiva mais ampla, como, por exemplo, Energia/PIB, mascaram evidências importantes. Assim, o estudo da estrutura produtiva é importante para entender a relação de consumo energético, dada a existência de diferenças nos processos produtivos de cada país. O estudo econômico-geográfico da energia também se mostra relevante, principalmente no que concerne às comparações internacionais ou entre regiões. De acordo com Solomon (2004), existem oito problemas básicos discutidos de forma econômico-geográfica.

Estudo da Agência Internacional de Energia (IEA, 2008) aponta resultados globais acerca do consumo de energia, dos quais alguns merecem destaque como: i) o aumento do uso energético em 23% entre 1990 e 2005 nos países membros da OCDE, e ainda maior nos países não membros; ii) o petróleo ainda é a commodity energética de uso final de maior participação; iii) a biomassa e o carvão permanecem importantes em países não membros da OCDE, mas vem perdendo espaço para os demais insumos; iv) a redução de intensidade energética foi maior nos países não membros da OCDE, sendo os principais fatores da redução as mudanças estruturais e a eficiência; v) o consumo das famílias entre 1990 e 2005 aumentou em 22% nos países da OCDE e 18% em países não membros; vi) no mix de insumos energéticos consumido pelos países da OCDE a participação das fontes não renováveis vem aumentando, enquanto para países não membros, as fontes renováveis são a de maior participação, e as que mais crescem.

Como destacado, os países não membros da OCDE vêm aumentando seu papel no que se refere ao conusmo de energia, e grande parte, em consequência de seu crescimento econômico. Esse processo de crescimento econômico induz um aumento do consumo de energia que pode ser explicado, em parte, pela variação na produção de insumos; pelo aumento da renda derivado do crescimento da economia; e pela aquisição de bens de consumo por parte das famílias. O aumento do consumo de energia, porém, será neste caso menos dependente de fontes altamente poluidoras, uma vez que, como evidenciado pela IEA (2008), os países não membros da OCDE têm em sua maioria grande participação de fontes renováveis em suas matrizes energéticas.

Devido às questões apresentadas – países não membros da OCDE estão crescendo e aumentando seu consumo energético a taxas maiores que os países membros da OCDE; a demanda por energia é importante para explicar o desenvolvimento dos países; a demanda por energia permeia outros pontos-chave como substituição entre fontes, infraestrutura, renda, entre outros – torna-se importante entender como o setor energético está inserido na cadeia produtiva em países em desenvolvimento e desenvolvidos.



A Figura 1 apresenta a evolução do PIB per capita (PIBP) e de consumo total final de energia (TOEP) de alguns países selecionados que ilustra o crescimento econômico por países desenvolvidos e subdesenvolvidos entre 1990 e 2009.

Figura 1 – Evolução do PIB per capitae consumo total final de energia para países selecionados

Nota: TOEP = Toneladas Equivalentes de Petróleo per capita. PIBP = Produto Interno Bruto per capita.

Fonte: Elaboração própria com base em dados do Banco Mundial.


Dessa forma, o objetivo deste trabalho, é responder a duas questões principais: i) como fatores associados à demanda (demanda das famílias e mudança na estrutura produtiva) afetam o uso dos insumos energéticos Carvão, Petróleo e Gás, Nuclear, Renováveis e Outros?; ii) Este processo se dá de maneira similar em economias já consolidadas e em economias emergentes?

Para buscar responder a essas questões, avalia-se de forma comparativa, por meio de matrizes de insumo-produto, Brasil, China e Índia, países em desenvolvimento, com modificações estruturais recentemente (década de 1990; e Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido, países já desenvolvidos com importantes estruturas produtivas mundiais. O período de análise foi estabelecido entre 1995 e 2005. A Figura 1 evidencia o uso final de energia per capita entre os países selecionados, ilustrando as diferenças entre os países como apontado por Brown et al (2011).



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