Escola Básica Aires Barbosa — Cod 340030



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Direcção Regional de Educação do Centro

Agrupamento de Escolas de Esgueira – cod 160945

Escola Básica Aires Barbosa — Cod 340030



DEPARTAMENTO DE LÍNGUAS
LÍNGUA PORTUGUESA
PROVA DE AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS
ANO LECTIVO DE 2009 -2010



I – Compreensão da Leitura

Lê o texto abaixo.
Tanto que Brísida Vaz se embarcou, veo um Judeu, com um bode2 às costas; e, chegando ao batel dos danados, diz:


JUDEU - Que vai cá? Hou marinheiro!

DIABO - Oh! que má-hora vieste!

JUDEU - Cuj’é esta barca que preste?

DIABO - Esta barca é do barqueiro.

JUDEU - Passai-me por meu dinheiro.

DIABO - E o bode há cá de vir?

JUDEU - Pois também o bode há-de ir.

DIABO - Que escusado passageiro!

JUDEU - Sem bode, como irei lá?

DIABO - Nem eu nom passo cabrões.

JUDEU - Eis aqui quatro testões

e mais se vos pagará.

Por vida do Semifará

que me passeis o cabrão!

Querês mais outro testão?

DIABO - Nenhum bode há-de vir cá.

JUDEU - Porque nom irá o judeu

onde vai Brísida Vaz?

Ao senhor meirinho apraz?

Senhor meirinho irei eu?



DIABO - E ò fidalgo, quem lhe deu…

JUDEU - O mando, dizês, do batel?

Corregedor, coronel,

castigai este sandeu!


Azará, pedra miúda,

lodo, chanto, fogo, lenha,

caganeira que te venha!

Má corrença que te acuda!

Par el Deu, que te sacuda

co’a beca nos focinhos!

Fazes burla dos meirinhos?

Dize, filho da cornuda!



JOANE - Furtaste a chiba, cabrão?

Parecês-me vós a mim

gafanhoto d’Almeirim

chacinado em um seirão.



DIABO - Judeu, lá te passarão

porque vão mais despejados.



JOANE - E ele mijou nos finados

n’ergueja de São Gião!

E comia a carne da panela

no dia de Nosso Senhor!

E aperta o salvanor,

e mija na caravela!



DIABO - Sus, sus! Dêmos à vela!

Vós, Judeu, irês à toa,

que sois mui ruim pessoa.

Levai o cabrão na trela!


Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno



Responde às questões de forma clara.



1. Neste quadro a movimentação cénica do Judeu é diferente de todas as outras.


5


1.1. Indica-a.


1.2. Compara-a com a da Alcoviteira e aponta as diferenças existentes entre elas.


5



1.4. Indica a razão que explica essas diferenças.



10

2. Indica o símbolo cénico que acompanha o Judeu.


5

2.1. Estabelece a relação entre esse símbolo e a acusação de que é alvo.


10


3. O Parvo tem neste quadro, uma dupla função : criticar e provocar o riso.


8

3.1. Indica as criticas que ele faz ao Judeu.

3.2. Aponta o tipo de cómico utilizado pelo Parvo.


5

3.2.1. Justifica a tua resposta.


8

3.2.1.1. Ilustra-a com expressões do texto.


5


4. Em determinado momento , o Judeu dirige-se ao Fidalgo.


5


4.1. Refere os epítetos que ele utiliza para o designar.

4.2. Diz o que pretende ele do Fidalgo.


5

5. Explica a razão por que o Judeu não tenta aproximar-se da barca do Paraíso.


6

6. Indica as semelhanças que podes constatar entre o Judeu e o Onzeneiro.


8

  1. Em carta enviada a D. João III ( 1531 ), Gil Vicente expõe a sua posição relativamente

aos Judeus :

« À primeira pregação dos frades, os cristãos-novos desapareceram e andavam morrendo de terror da gente (...) e parece mais justo catequizá-los e atraí-los que escandalizá-los e corrê-los para contentar a desvairada opinião do vulgo. »


5

    1. O autor parece defensor de uma política de tolerância religiosa. Diz se o tratamento

dado ao Judeu neste quadro está conforme com a posição de Gil Vicente.

7.2. Justifica.


10



II – Conhecimento Explícito da Língua



1. Ao entrar no palco a Alcoviteira vem cheia de esperança de ir para o Paraíso.

Cheio é uma palavra que deriva do Latim plenum. Esta mesma palavra latina veio a

originar pleno.



5


1.1. Indica o nome que dás ao processo evolutivo sofrido pelas formas actualmente em uso.


1.2. Indica a via por que cada palavra chegou ao nosso léxico.


10


2. Surgem, no texto, vocábulos na sua forma arcaica. Traça a evolução fonética de cada um dos indicados abaixo.

5


2.1. Testões > tostões


2.2. Deu > deus


5


2.3. Ergeja > egreja >igreja


10


2. Indica o processo de formação das palavras a seguir listadas.


5


2.1. Marinheiro


2.2. Descortesia


5


2.3. Padre-nosso


5


2.4. Alentejo


5


3. Indica o registo de língua utilizado pelo Judeu quando diz: “Fazes burla dos meirinhos?/ Dize, filho

da cornuda!




10


4. Indica o tipo e as formas das frases seguintes:


5


4.1. Que vai cá?


4.2. O Judeu não falou com o Anjo.


5


4.3. O Judeu praticava mesmo a sua religião com devoção.


5


5. Coloca a frase escrita em 4.3. na voz passiva.


10


6. Retira do texto um exemplo de enumeração.


10


III – Expressão Escrita



Num texto cuidado, comenta a afirmação que se segue, fazendo as referências que

consideres necessárias ao autor e à obra estudada.


“ O parvo, que se convertera em uma espécie de comentador, independente da acção,

punha à mostra, com os seus disparates, o ridículo das personagens convencidas do seu papel.”



José António Saraiva


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