Entrevista Gazeta do Povo



Baixar 339,32 Kb.
Encontro23.08.2017
Tamanho339,32 Kb.
Data: 03.09
Entrevista Gazeta do Povo

http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=1405185&tit=A-volta-por-cima-da-velha-caderneta-de-poupanca



A volta por cima da velha caderneta de poupança

Elevação da Taxa Selic – que deve continuar – fez a aplicação render mais para aplicações a curto prazo e com menos de R$ 10 mil

Antes responsável pelo baixo retorno do investimento mais popular do Brasil, o rendimento pré-fixado fez a caderneta de poupança virar a mesa na semana passada. O aumento da taxa Selic, que ajuda compor o retorno financeiro da poupança, já a tornou mais rentável para pequenos investidores do que os fundos DI (pós-fixados) e os Certificados de Depósito Bancário (CDBs). A poupança é melhor no caso de aplicações inferiores a R$ 10 mil, patamar a partir do qual, em média, a taxa de administração dos fundos supera 1,2%, não importando o prazo do investimento.

Pelas regras criadas pelo governo federal no ano passado, existem duas fórmulas para calcular a remuneração da poupança. A fórmula antiga – Taxa Referencial de juros (a TR, que tem ficado bem perto de zero) + 0,5% ao mês, somando 6,17% ao ano – vale para os depósitos feitos antes de 3 de maio de 2012. Ela também é aplicada sempre que a taxa básica de juros (a Selic) for maior que 8,5% ao ano. Se a Selic for igual ou menor que 8,5%, uma nova regra deve ser aplicada: depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012 rendem 70% da Selic. Na semana passada, o Banco Central elevou a Selic de 8,5% para 9% ao ano, deflagrando o gatilho da caderneta, que está agora pagando rendimentos segundo a fórmula antiga.

Aonde ir

Títulos vinculados a inflação e Selic são as melhores opções

Para Marco Antonio dos Santos Martins, presidente da regional da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-Sul), a hora é certa para investir em títulos atrelados aos Certificados de Depósitos Interfinanceiros (CDI). Em baixa no início do ano, os papéis oferecem risco pequeno e crescem conforme a inflação e a Selic.

Em relação à bolsa de valores, é preciso cautela. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro produzido no 2º trimestre não serve de parâmetro para investidores, lembra o economista Daniel Cunha, da corretora XP. “O PIB foi uma surpresa que logo se dissipou. Outros elementos são muito mais fortes, como os protestos do fim de junho, o câmbio volátil, a perda de visibilidade do país no cenário mundial”, lembra.

Portanto, não é aconselhável se guiar pelos setores que puxaram o R$ 1,2 trilhão da renda bruta nacional, como o agronegócio. Cunha aposta nos títulos de empresas ligadas a consumo básico – como alimentos, bebidas e cigarros. Para Martins, o quadro privilegia investidores que conseguem gerir a volatilidade da bolsa ou que querem comprar bons papéis a preços mais baixos para ter retorno só em 2015.


R$ 15,20 a mais

Em uma aplicação de R$ 8 mil, com prazo de 210 dias, a caderneta de poupança teria um saldo final de R$ 8.284,24, contra R$ 8.269,04 de uma aplicação em CDB (descontado o Imposto de Renda) – uma diferença de R$ 15,20. Para a conta, considera-se um CDB com rendimento de 95% do CDI.

Com isso, a poupança volta a render 6,17% no ano, contra 5,89% dos fundos DI, em média, descontadas as taxas de administração. O retorno dos CDBs que remuneram 80% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) (taxa média encontrado nos bancos para quem tem R$ 10 mil) resulta em ganho líquido ainda menor: de 5,77% ao ano.



No caso de aplicações menores, de menos de R$ 1 mil, e prazos menores de 120 dias, o investidor tem perda certa se optar por fundos de renda fixa, calcula o matemático Antonio Carlos Bellio. “É necessário obter quase 100% do CDI para que o CDB tenha remuneração praticamente igual à poupança”. Isenta de imposto, a poupança é inegavelmente mais atraente nessa situação. Mas, para valores maiores (cerca de R$ 10 mil) e prazo acima de 180 dias, o CDB vale mais a pena – mesmo que o imposto de renda leve de 15% a 20% sobre o rendimento se houver saque. Dados do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) indicam que 92% (ou 99,2 milhões de correntistas) optaram pelo caminho certo: tinham saldo menor que R$ 10 mil ao fim de 2012.

Migrar o dinheiro, porém, nem sempre é a saída. “É preciso considerar o tempo que a aplicação vai durar. Por isso definir ‘horizontes’ é tão importante”, diz o consultor Altemir Farinhas, especializado em educação financeira. Deve sempre constar no cálculo a incidência de imposto ao resgatar dinheiro aplicado em fundos, que muda conforme o tempo de aplicação. Como a atratividade da poupança depende de políticas econômicas – ou seja, de previsões – às vezes é melhor deixar o dinheiro parado no DI. Ainda que a tendência seja de que a Selic volte a ter dois dígitos em 2014, acredita Farinhas. A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2012 (à época, era de 10,25%).


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal