Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária



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Manual de Identificação e Manejo de Plantas Daninhas 
em Cultivos de Cana-de-açúcar
Alexandre Magno Brighenti
Embrapa Gado de Leite
Juiz de Fora, MG
2010
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Gado de Leite
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

2
Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:
Embrapa Gado de Leite
Área de Negócios Tecnológicos – ANT
Rua Eugênio do Nascimento, 610 – Dom Bosco
36038-330 Juiz de Fora – MG
Telefone: (32)3311-7400
Fax: (32)3311-7401
e-mail: sac@cnpgl.embrapa.br
home page: http//www.cnpgl.embrapa.br
Projeto gráfico e editoração eletrônica: Adriana Guimarães  
Normalização Bibliográfica: Inês Maria Rodrigues
Tratamento das ilustrações: Moema Sarrapio (estagiária) 
Capa: Moema Sarrapio (estagiária)
1ª edição
1ª impressão (2010): 200 exemplares
© Embrapa 2010
Todos os direitos reservados.
A reprodução não-autorizada desta publicação, no todo ou em parte
constitui violação dos direitos autorais (Lei n

9.610).
CIP-Brasil – Catalogação-na-publicação
Embrapa Gado de Leite

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Autores
Alexandre Magno Brighenti
Engenheiro Agrônomo, D.Sc. – Embrapa Gado de Leite
Rua Eugênio do Nascimento, 610 - Dom Bosco
36038-330 Juiz de Fora – MG
brighent@cnpgl.embrapa.br
Wadson Sebastião Duarte da Rocha
Engenheiro Agrônomo, D.Sc. – Embrapa Gado de Leite
Rua Eugênio do Nascimento, 610 - Dom Bosco
36038-330 Juiz de Fora – MG
wadson@cnpgl.embrapa.br
Thiago Rodrigues Costa
Graduando em Biologia – CES
thiago@bioces.com.br
Carlos Eugênio Martins
Engenheiro Agrônomo, D.Sc. – Embrapa Gado de Leite
Rua Eugênio do Nascimento, 610 - Dom Bosco
36038-330 Juiz de Fora – MG
caeuma@cnpgl.embrapa.br
Fausto de Souza Sobrinho
Engenheiro Agrônomo, D.Sc. – Embrapa Gado de Leite
Rua Eugênio do Nascimento, 610 - Dom Bosco
36038-330 Juiz de Fora – MG
fausto@cnpgl.embrapa.br
Leonardo Henrique Ferreira Calsavara
Extensionista Agropecuário
Emater de Coronel Xavier Chaves
leonardo.calsavara@emater.mg.gov.br
Lucas de Cássio Nicodemos
Graduando em Biologia – CES
lucasnicodemos@yahoo.com.br

4
Apresentação
A cultura da cana-de-açúcar vem se expandindo no País, principalmente na região Centro-Sul. 
Com expansão da cultura, os problemas relacionados à infestação por espécies daninhas têm também 
aumentado  de  forma  significativa,  podendo  ocorrer  perdas  consideráveis  no  rendimento  de  colmos.  
A  fim  de  realizar  um  manejo  adequado  dessas  espécies,  é  preciso  reconhecê-las,  o  que  começa  pelo 
levantamento das plantas daninhas presentes na área. A importância do levantamento dessas espécies é a 
de possibilitar a tomada de decisão e o estabelecimento de métodos mais racionais de controle, sejam eles 
o cultural, o mecânico, o químico ou de preferência o manejo integrado. Além disso, possibilita estabelecer 
uma ordem de prioridades entre as espécies a serem controladas, a fim de implantar programas mais 
eficazes de controle. Dessa forma, a presente publicação visa contribuir com informações que irão auxiliar 
na identificação e no controle das principais espécies infestantes da cultura da cana-de-açúcar, servindo de 
apoio técnico a pesquisadores, professores, engenheiros agrônomos, estudantes, agricultores e técnicos 
que desenvolvam atividades relacionadas a essa área. 
Duarte Vilela
Chefe-Geral da Embrapa Gado de Leite

5
Sumário       
Capítulo 1. Identificação de espécies de plantas daninhas em cultivos de cana-de-açúcar...........................07
Introdução..................................................... 08
Família Amaranthaceae....................................10
Família Asteraceae............................................16
Família Cucurbitaceae.......................................34
Família Brassicaceae.........................................36
Família Cyperaceae...........................................38
Família Commelinaceae....................................40
Família Convolvulaceae....................................42
Família Euphorbiaceae......................................46
Família Fabaceae....................................................52 
Família Lamiaceae..................................................56
Família Malvaceae..................................................60
Família Poaceae......................................................63
Família Portulacaceae............................................79
Família Rubiaceae...................................................81
Família Sapindaceae..............................................85
Família Solanaceae................................................87

6
Sumário       
Capítulo 2. Práticas de manejo de plantas daninhas em cultivos de cana-de-açúcar...................................91
Introdução...............................................................................................................................................92
Períodos de convivência entre as plantas daninhas e a cultura.........................................................93
Controle das plantas daninhas..............................................................................................................95
Considerações  finais.............................................................................................................................107
Agradecimentos....................................................................................................................................108
Referências............................................................................................................................................109

Identificação de espécies de plantas daninhas  
em cultivos de cana-de-açúcar
Capítulo 1
Alexandre Magno Brighenti,  Thiago Rodrigues Costa,  
Carlos Eugênio Martins, Fausto de Souza Sobrinho,  
Leonardo Henrique Ferreira Calsavara e Lucas de Cássio Nicodemos

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As  plantas  daninhas  interferem 
sobre  as  culturas  agrícolas  redu-
zindo-lhes, principalmente, o ren-
dimento.  Essa  interferência  ocor-
re, diretamente por meio da com-
petição por água, luz e nutrientes 
e  pela  inibição  química  (alelo-
patia),  afetando  a  germinação  e 
o  desenvolvimento  das  plantas 
cultivadas.  Indiretamente,  as  es-
pécies  infestantes  podem  causar 
prejuízos  aos  cultivos  por  hospe-
darem  insetos-pragas,  fungos  e 
nematódeos, além de dificultar os 
trabalhos de colheita e depreciar a 
qualidade do produto colhido.
Dentre  os  fatores  que  contri-
buem para a redução da produ-
tividade  da  cultura  da  cana-de-
açúcar (Saccharum officinarum), 
destaca-se a interferência causa-
da pelas plantas daninhas. 
Pesquisas  realizadas  por  Blan-
co  et  al.  (1982)  relatam  perdas 
de até 85% do peso dos colmos 
em  função  da  competição  por 
espécies  daninhas.  Kuva  et  al. 
(2003) observaram que numa co-
munidade infestante com espécies 
predominantes  como  braquiária 
(Brachiaria  decumbens)  e  capim-
colonião (Panicum maximum) hou-
ve redução em até 40% da produti-
vidade de colmos. 
A cana-de-açúcar é cultivada em 
vários  estados  brasileiros,  des-
tacando,  principalmente,  duas 
macrorregiões  de  produção:  a 
Centro-Sul  e  a  Norte-Nordeste. 
Introdução

9
Como  as  condições  edafoclimá-
ticas são variadas, é de se espe-
rar que as plantas daninhas que 
ocorrem  nas  lavouras  também 
variem  de  Estado  para  Estado 
e  de  local  para  local,  dentro  do 
mesmo  Estado.  Além  disso,  ou-
tros fatores contribuem para a de-
terminação  da  flora  daninha,  tais 
como o manejo adotado em cada 
cultivo,  proximidades  de  outras 
lavouras com infestação própria e 
lavouras cultivadas anteriormente 
no mesmo local.
Dessa  forma,  para  se  estabelecerem 
métodos adequados de controle é im-
portante que sejam feitos levantamen-
tos  das  plantas  daninhas  presentes 
na área, pois um mesmo método de 
controle,  geralmente,  não  apresenta 
eficácia para controlar todas as espé-
cies existentes no local a ser cultivado. 
A  identificação  visual  pela  planta 
adulta  torna-se  mais  fácil,  contu-
do,  na  maioria  das  vezes,  o  con-
trole  é  facilitado  quando  a  inter-
venção é feita nos estádios iniciais 
de crescimento.  Assim sendo, para 
cada  espécie  em  questão,  foram 
disponibilizadas  até  quatro  fotos 
para  facilitar  a  identificação  e  dar 
subsídios para tomadas de decisão 
mais adequadas quanto ao manejo 
de plantas daninhas em cultivos de 
cana-de-açúcar. 
A seguir são descritas as principais 
espécies  daninhas  presentes  em 
cultivos de cana-de-açúcar, identifi-
cando-as por família, nome científi-
co e nomes comuns.

Família Amaranthaceae

11
Alternanthera tenella
Nomes  comuns: 
apaga-fogo, 
carrapichinho, periquito.
Planta  anual  ou  perene,  depen-
dendo das condições, herbácea, 
prostrada ou ascendente, de 0,5 
a 1,2 m de comprimento, nativa 
do  Brasil  (Lorenzi,  2000).  Sua 
forma adulta inicial é muito dife-
rente da forma adulta tardia. Pro-
paga-se  exclusivamente  por  se-
mentes.  Alastra-se  por  enraiza-
mento dos nós em contato com 
o  solo.  Quando  são  feitas  quei-
madas para renovação de pasta-
gens, a massa úmida dessa plan-
ta daninha dificulta a progressão 
do fogo, advindo, assim, o nome 
apaga-fogo  (Kissmann  &  Groth, 
1999). O caule é lenhoso na base 
e a raiz principal pivotante, com 
raízes adventícias a partir de nós. 
As folhas são simples e opostas. 
Plantas novas apresentam folhas 
maiores e, à medida que a planta 
envelhece,  ocorre  o  surgimento 
de folhas menores. As sementes 
são  lisas  e  brilhantes,  glabras, 
de  cor  castanho-amarelada  a 
castanho-avermelhada.  Trata-se 
de  uma  planta  daninha  de  im-
portância  crescente  na  agricul-
tura, devido ao aumento recente 
de  sua  infestação.  Atualmente, 
é  mais  frequente  na  região  do 
Brasil-Central.

12
Amaranthus viridis 
Nomes  comuns: 
caruru-de-
mancha, caruru-verde, bredo.
Planta  anual,  herbácea,  muito 
ramificada,  variavelmente  pig-
mentada,  ereta,  de  40-100  cm 
de  altura,  originária  do  Caribe 
(Lorenzi, 2000). Apresenta como 
característica  diferencial  uma 
mancha  violácea  no  centro  das 
folhas.  Essa  mancha  é,  em  ge-
ral,  acinzentada  em  plantas  no-
vas ou castanho-avermelhada na 
parte mediana do limbo foliar. É 
uma  planta  muito  prolífica  e  de 
ciclo  curto,  propagando-se  ape-
nas  por  sementes  que  apresen-
tam  superfície  lisa  e  brilhante 
(Gazziero  et  al.,  2006a).  O  caule 
é  cilíndrico,  glabro,  de  cor  ver-
de ou, às vezes, de pigmentação 
avermelhada. As folhas são sim-
ples, alternas, com pecíolos que 
podem chegar a 6 cm de compri-
mento nas folhas maiores. A in-
florescência é formada por espi-
gas densas à semelhança de pa-
nícula.  A  coloração  das  espigas 
é verde-pálida, podendo ocorrer 
pigmentação  avermelhada.  Na 
Região  Sudeste,  a  germinação 
ocorre,  principalmente,  durante 
a primavera e o verão, sendo o ci-
clo até a maturação de 80-90 dias, 
podendo ocorrer 3-4 gerações por 
ano (Kissmann & Groth, 1999).

13
Amaranthus deflexus 
Nomes comuns: 
caruru, bredo. 
Planta  anual,  herbácea,  glabra, 
de  30-50  cm  de  comprimento  e 
30-40 cm de altura quando ereta 
(Lorenzi,  2000).  Propaga-se  ape-
nas  por  sementes.  Desenvolve 
bem  da  primavera  ao  outono 
na  região  meridional  do  Brasil. 
Prefere  solos  férteis  e  terrenos 
trabalhados,  como  os  de  lavou-
ra  (Kissmann  &  Groth,  1999). 
Ramifica-se intensamente desde 
a base, sendo os ramos, em ge-
ral,  decumbentes. As  folhas  são 
simples, alternadas com pecíolo 
longo que pode exceder o com-
primento  do  limbo.  Este  possui 
cor verde ou verde acinzentada. 
A raiz é pivotante e possui colo-
ração rosada a avermelhada. As 
sementes  são  lisas  e  brilhantes. 
É  uma  planta  daninha  de  gran-
de  importância,  principalmente 
quando está presente em lavou-
ras perenes (cafezais, pomares e 
canaviais), devido à condição de 
sombreamento  e  maior  teor  de 
matéria  orgânica  destes  locais. 
Pode  ser  encontrada  também 
em  terrenos  baldios  e  lavouras 
anuais, geralmente em solos de 
boa  fertilidade  e  em  condição 
de  sombreamento.  É  ocasional-
mente  consumida  na  forma  de 
saladas e refogados.

14
Amaranthus hybridus
Nomes  comuns: 
caruru-roxo, 
bredo vermelho, bredo-gigante.
Planta anual, herbácea, ramifica-
da, ereta, pigmentada, de 40-100 
cm de altura.  Propaga-se apenas 
por  sementes  (Lorenzi,  2000).  O 
caule  é  ereto,  com  ramificação 
ascendente  nos  dois  terços  su-
periores. Sua coloração é verde, 
avermelhada ou purpúrea, de for-
mato  cilíndrico  e  espessura  de 
até 3 cm. A planta possui folhas 
simples,  alternadas,  mais  abun-
dante na parte superior da plan-
ta.  As  inflorescências  formam 
espigas  cilíndricas  e  densas.  A 
raiz é pivotante, bem desenvolvi-
da, avermelhada, especialmente 
quando  o  resto  da  planta  apre-
senta  essa  coloração  (Kissmann 
&  Groth,  1999).    É  uma  planta 
daninha relativamente frequente 
no  sul  do  País,  infestando  prin-
cipalmente solos cultivados com 
lavouras  anuais  mas  também 
pode  infestar  cafezais,  pomares 
e  terrenos  baldios.  Possui  gran-
de  capacidade  reprodutiva, 
chegando  uma  planta  a  produ-
zir  117  mil  sementes. Tem  sido 
utilizada  na  forma  de  alimen-
to,  como  saladas,  e,  ocasional-
mente na terapêutica popular. 

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Amaranthus spinosus 
Nomes  comuns: 
caruru-de-espi-
nho,  bredo-bravo,  caruru-bravo, 
bredo-de-espinho.
Planta  nativa  da América  do  Sul. 
No Brasil, é encontrada em todo o 
território, com predominância nas 
Regiões Norte e Nordeste. Plantas 
eretas  com  até  1,2  m  de  altura, 
intensamente  ramificada  (Kiss-
mann & Groth, 1999). Em plantas 
mais  velhas,  o  caule  é  robusto  e 
lenhoso,  cilíndrico,  estriado,  gla-
bro,  com  coloração  verde-aver-
melhada  ou  vermelho-escura. Ao 
longo dos ramos, junto à axila das 
folhas ocorre um par de espinhos 
rígidos, com até 20 mm de com-
primento. Essa característica é su-
ficiente  para  distinguir  a  espécie 
de todas as outras espécies do gê-
nero  Amaranthus.  As  folhas  são 
simples, alternadas, com pecíolos 
de até 9 cm de comprimento. To-
das as flores são sésseis e guarne-
cidas por duas brácteas de forma-
to variável. Os frutos são denomi-
nados de pixídios que, juntamente 
com as sementes, são as unidades 
de dispersão da espécie. As semen-
tes têm formato oval e são de cor 
preta  avermelhada  e  brilhantes. 
Uma  única  planta  pode  chegar  a 
produzir cerca de 235 mil sementes 
(Lorenzi, 2000). O sistema radicular 
é pivotante, chegando até 40 cm de 
comprimento  e  as  raízes  secundá-
rias distribuídas mais na superfície 
do solo. Devido à sua característica 
espinhenta, é bastante indesejável 
em lavouras.

Família Asteraceae

17
Acanthospermum australe 
Nomes comuns: 
carrapicho rasteiro, 
carrapichinho, mata-pasto, maroto. 
Planta  anual,  herbácea,  prostra-
da,  de  caules  pubescentes  e  ar-
roxeados  de  20-40  cm  de  com-
primento,  nativa  da  América 
Tropical. Ocorre em todo o con-
tinente,  com  maior  concentra-
ção no Brasil e no Paraguai. No 
Brasil,  tem  ampla  distribuição, 
desde  a  Amazônia  (terras  não 
inundadas) até o Rio Grande do 
Sul, havendo forte concentração 
na  região  dos  cerrados  (Kiss-
mann  &  Groth,  1999).  O  caule  é 
cilíndrico  e  bastante  ramificado 
na  parte  inferior.  As  folhas  são 
simples,  inteiras,  pecioladas  e 
opostas.  Plantas  desenvolvidas 
em condições ideais apresentam 
folhas com até 5 cm de compri-
mento por 4 cm de largura. A co-
loração das folhas é verde, com 
maior  intensidade  na  face  ven-
tral.  A  raiz  principal  é  pivotan-
te.  Propaga-se  por  sementes.  Os 
frutos se prendem facilmente aos 
animais,  sacarias,  roupas  de  tra-
balhadores rurais, sendo um dos 
principais  meios  de  dispersão 
dessa  espécie  daninha  a  longas 
distâncias  (Gazziero  et  al.,  2006a). 
É muito comum em lavouras novas 
de  campos  e  cerrados.  A  correção 
das condições de fertilidade do solo 
geralmente  leva  à  diminuição  dos 
níveis de infestação (Lorenzi, 2000). 
Ocorre também em pastagens e em 
outros tipos de solos. 

18
Acanthospermum hispidum 
Nomes  comuns: 
carrapicho-de-carnei-
ro,  espinho-de-carneiro,  amor-negro, 
benzinho.
Planta  anual,  herbácea,  ereta,  de 
frutos  espinhentos,  com  caule 
denso-pubescente,  de  30-100  cm 
de  altura.  Tem  origem  na  Améri-
ca  tropical,  ocorrendo  em  todo  o 
continente. Propaga-se apenas por 
sementes  (Lorenzi,  2000).  As  se-
mentes são produzidas em grande 
quantidade  e  a  germinação  é  bas-
tante irregular, o que dificulta seu 
controle (Aranha et al., 1982). Seu 
ciclo  é  rápido  e  da  emergência  a 
frutificação leva cerca de 120 dias. 
Seu caule é cilíndrico e ramificado 
de forma dicotômica, de coloração 
verde-clara e com densa cobertu-
ra  de  pelos  (Kissmann  &  Groth, 
1999). As folhas são simples, opos-
tas,  com  limbo  de  formato  ova-
lado.  O  comprimento  das  folhas 
pode  chegar  até  12  cm  por  5  cm 
de largura, sendo pilosas e de cor 
verde.  Os  capítulos  têm  formato 
estrelado e o fruto tem superfície 
dura,  áspera, de cor castanho-ama-
relada a castanho-escura, com cerdas 
e espinhos recurvados, a semelhança 
de cabeça de ovinos ou caprinos. Essa é 
a razão do nome comum carrapicho-de-
carneiro (Gazziero et al., 2006a). É uma 
séria infestante de lavouras tanto anuais 
quanto  perenes,  principalmente  no 
sul e sudeste do País (Lorenzi, 2000). 
É bastante indesejada em lavouras de 
algodão, pois seus frutos pontiagudos 
aderem  às  fibras,  durante  a  colheita, 
desvalorizando-as significativamente. 
Geralmente, forma densas infestações.
  

19
Ageratum conyzoides 
Nomes comuns: 
mentrasto, picão-
roxo, erva-de-são-joão.
Planta anual, herbácea, com odor 
característico,  ereta,  ramificada, 
com  caule  revestido  de  pelos  al-
vos,  de  30-80  cm  de  altura.  Nati-
va  da América  tropical.  O  ciclo  é 
curto  e  podem  ocorrer  até  três 
gerações  por  ano.  Em  condições 
adversas,  essa  espécie  pode  flo-
rescer já com dois pares de folhas 
verdadeiras  (Kissmann  &  Groth, 
1999).  O  caule  é,  normalmente 
ereto, ramificado e com ramos as-
cendentes. As folhas são simples, 
pecioladas; as inferiores são opos-
tas e as superiores podem ser al-
ternadas. O comprimento das fo-
lhas pode chegar a 10 cm por 5 cm 
de largura. A cor do limbo é verde, 
sendo  mais  clara  na  face  dorsal; 
existem  glândulas  que  encerram 
uma  substância  odorífera.  A  raiz 
principal  é  pivotante  e  as  raízes 
secundárias  estão  distribuídas 
mais na superfície do solo. Propa-
ga-se exclusivamente por semen-
tes  (Lorenzi,  2000).  A  dispersão 
dessas sementes ocorre por meio 
do  vento  ou  pela  água,  devido 
aos  pelos  que  se  prendem  aos 
aquênios. É uma planta daninha 
muito disseminada em todas as 
regiões agrícolas do País. Infesta 
tanto  lavouras  anuais  como  pe-
renes, hortas e terrenos baldios. 
Uma  única  planta  chega  a  pro-
duzir  40  mil  sementes.  É  muito 
empregada na medicina caseira. 

20
Bidens spp.
Nomes comuns: 
picão, picão-preto.
No  Brasil,  as  espécies  do  gênero 
Bidens mais encontradas são B. pilosa 
B. subalternans. As duas espécies 
são  anuais,  eretas,  herbáceas  e 
se  reproduzem  por  sementes  que 
aderem  às  roupas,  sacarias  e  pelos 
de  animais,  facilitando  a  dispersão. 
São  sérias  infestantes  encontradas 
em  lavouras  anuais  e  perenes  do 
centro-sul  do  País.  O  caule  é  ereto, 
de  seção  quadrangular  e  coloração 
verde.  Muito  prolíficas  e  de  ciclos 
curtos.  Podem  produzir  até  três 
gerações por ano.  São hospedeiras de 
nematódeos. Biótipos de picão-preto 
foram  confirmados  no  Brasil  como 
resistentes  aos  herbicidas  inibidores 
da enzima aceto lactato sintase (ALS). 
B. pilosa possui cerca de 30-120 cm de 
altura.  É  nativa  da  América Tropical, 
com  maior  presença  na  América 
do  Sul  (Kissmann  &  Groth,  1999). 
As  folhas  são  opostas  e  pecioladas, 
com  3-7  folíolos.  Nos  aquênios  de 
B.  pilosa  é  mais  comum  encontrar 
três  aristas  e  suas  ramificações  são 
dicotômicas em toda a extensão do 
caule.  B.  subalternans  é  nativa  da 
América do Sul, com folhas opostas 
na parte inferior e alternadas na parte 
superior. Seus aquênios apresentam, 
em geral, quatro aristas. Uma única 
planta  pode  produzir  cerca  de 
3.000  aquênios.  Nessa  espécie, 
a  parte  inferior  da  planta  possui 
ramificação  dicotômica  e  na  parte 
superior a ramificação é alternada.

21
Blainvillea spp. 
Nomes  comuns: 
erva-palha,  pi-
cão, picão-grande.
No  Brasil,  as  espécies  do  gênero 
Blainvillea  mais  encontradas  são 
B.  biaristata  e  B.  latifolia. Ambas 
são  plantas  anuais,  herbáceas, 
eretas  que  se  reproduzem  por 
sementes.  B.  biaristata  é  nativa 
da  América  do  Sul  (Kissmann  & 
Groth, 1999). O caule é reto, cilín-
drico, com até 2 cm de espessura 
na base, com entre-nós longos. As 
folhas  são  simples,  pecioladas  e 
opostas, ocorrendo aos pares e de 
forma  cruzada.  O  limbo  é  mem-
branáceo  e  fláscido,  com  colora-
ção  verde  e  superfície  veludosa. 
É mais frequente nos Estados de 
Goiás, Minas Gerais e São Paulo. 
Existem duas aristas no aquênio. 
B. latifolia se ramifica dicotomica-
mente, possui ramos, geralmente 
marron-avermelhados  e  ásperos, 
com  80-160  cm  de  altura.  Nativa 
do Brasil. Propaga-se por semen-
tes. É uma planta daninha mode-
radamente  frequente  nas  regiões 
tropicais  do  País,  onde  infesta 
lavouras  anuais,  pomares,  terre-
nos em pousio, cafezais, terrenos 
baldios.  Geralmente,  ocorre  em 
reboleiras de alta densidade. Em la-
vouras de porte baixo, cresce acima 
da cultura, sufocando-a. É mais fre-
quente em solos arenosos das regi-
ões Sudeste e Centro-oeste,  ocor-
rendo apenas durante o verão. 

22
Conyza spp. 
Nomes comuns: 
buva, voadeira.
Existem duas espécies de maior 
importância  no  Brasil  que  são 
Conyza bonariensis e Conyza ca-
nadensis.  São  espécies  anuais, 
herbáceas  e  eretas,  de  caules 
densamente  folhosos.  Propa-
gam-se por sementes. Os frutos 
são aquênios que possuem uma 
estrutura  denominada  papilho 
piloso, o qual facilita sua disper-
são  pelo  vento.  A  raiz  principal 
é  pivotante.  Biótipos  de  buva 
foram  cientificamente  confirma-
dos como resistentes ao herbici-
da Glyphosate no Brasil (Vargas 
et al., 2007). C. bonariensis pos-
sui cerca de 40-120 cm de altura, 
nativa da América do Sul (Loren-
zi, 2000). A ramificação da parte 
superior  do  caule  ultrapassa  o 
topo  da  planta  e  a  inflorescên-
cia  (Kissmann  &  Groth,  1999). 
As suas folhas apresentam mar-
gens lisas ou minúsculos dentes. 
C.  canadensis  possui  cerca  de 
80-150 cm de altura. Suas folhas 
apresentam  margens  denteadas 
e  os  ramos  da  parte  superior 
não  ultrapassam  o  topo.  Possui 
uma ampla panícula terminal no 
ramo principal.

23
Emilia sonchifolia
Nomes  comuns: 
falsa-serralha, 
pincel, bela-emília.
Planta  anual,  herbácea,  ereta, 
pouco  ramificada,  levemente  pu-
bescente,  de  30-60  cm  de  altura, 
originária  da  Ásia  e  espalhada 
por todas as regiões agrícolas do 
território  nacional,  infestando  a 
maioria das culturas anuais e pe-
renes,  jardins,  hortas  e  terrenos 
baldios.  O  caule  é  cilíndrico,  car-
noso, tenro, de cor verde e super-
fície ligeiramente pubescente. Sua 
raiz  principal  é  pivotante.  Suas 
folhas  têm  aspecto  variado.  As 
folhas inferiores de plantas novas 
não têm pecíolo e são de formato 
quase  circular.  Em  plantas  adul-
tas,  as  folhas  medianas  não  têm 
pecíolo verdadeiro, mas um limbo 
contraído na parte basal. A repro-
dução  se  dá  por  sementes.  Seus 
aquênios,  com  papilho  piloso, 
são  dispersos  pelas  correntes  de 
vento  (Kissmann  &  Groth,  1999). 
Ocorre com maior frequência du-
rante o período de verão-outono. 
Confere  as  áreas  infestadas  uma 
coloração  característica,  em  fun-
ção  da  sua  corola  apresentar  cor 
rósea  ou  avermelhada  (Lorenzi, 
2000). É uma das primeiras plan-
tas daninhas a colonizar áreas de 
expansão agrícola. E, com o pas-
sar  dos  cultivos,  sua  importância 
reduz, em função do surgimento 
de outras espécies mais compe-
titivas (Gazziero et al., 2006a).

24
Eupatorium pauciflorum
Nomes  comuns: 
botão-azul, 
mata-pasto,  eupatório,  men-
trastão.
Planta  anual,  herbácea,  ereta, 
ramificada, com glândulas folia-
res e ramos branco-pilosos, com 
odor característico, de 40-70 cm 
de altura e nativa do Brasil (Kis-
smann & Groth, 1999). O caule é 
cilíndrico, reto, com até 7 mm de 
espessura,  de  cor  verde  e  pelos 
esbranquiçados.  As  folhas  ver-
dadeiras são simples e opostas, 
em pares cruzados, com pecíolo 
curto  e  margem  denteada;  são 
mais claras na face dorsal, apre-
sentando  curtos  pelos  hialinos. 
Os  aquênios  possuem  papilho 
piloso e são carreados pelo ven-
to. Sua raiz principal é pivotante. 
Propaga-se  apenas  por  semen-
tes. É uma espécie medianamen-
te frequente em solos cultivados 
ou não, porém com nítida prefe-
rência  por  terrenos  arenosos  e 
de  baixa  fertilidade.  Vegeta  du-
rante  o  verão,  formando,  geral-
mente  grandes  infestações.  De 
suas  folhas  desprende  um  odor 
desagradável,  liberado  por  uma 
substância produzida pelas glân-
dulas foliares (Lorenzi, 2000).

25
Galinsoga parviflora
Nomes comuns: 
botão-de-ouro, 
fazendeiro, picão-branco.
Planta  anual,  herbácea,  ereta, 
glabra  ou  levemente  pubescen-
te, de caule estriado, com 20-40 
cm de altura, nativa da América 
tropical.  Propaga-se  exclusiva-
mente  por  sementes    que  são 
facilmente  levadas  pelo  vento. 
Seu  ciclo  é  muito  curto,  poden-
do  surgir  sementes  viáveis  em 
quatro  semanas  e,  em  um  ano, 
podem  ocorrer  várias  gerações 
(Kissmann  &  Groth,  1999).  O 
caule  é  ereto,  ramificado  desde 
a base, cilíndrico, tenro e de cor 
verde clara; glabro na parte infe-
rior  e  pelos  curtos  na  parte  su-
perior.  Suas  folhas  são  simples, 
opostas,  sendo  as  inferiores 
pecioladas  e  as  superiores  sés-
seis. A raiz principal é pivotante 
e  as  secundárias  são  de  ampla 
distribuição  superficial.  É  uma 
espécie  daninha  encontrada  em 
solos  cultivados  de  quase  todo 
o território brasileiro, infestando 
praticamente  todas  as  culturas. 
Ocorre  com  maior  frequência 
nos meses de outono e primave-
ra. É uma das principais plantas 
daninhas  de  lavouras  de  café  e 
pomares de citros. É um hospe-
deiro  alternativo  do  nematódeo 
do gênero Meloydogine e de He-
terodera schactii (Lorenzi, 2000). 

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Melampodium perfoliatum
Nomes comuns: 
estrelinha, bo-
tão-de-cachorro.
Espécie nativa do México e mui-
to  comum  na  América  Central 
(Kissmann & Groth, 1999). É anu-
al,  ereta,  herbácea,  muito  rami-
ficada,  de  50-150  cm  de  altura 
(Lorenzi,  2000).  Propaga-se  por 
sementes.  Estas  são  pesadas  e 
caem  próximo  à  planta-mãe  e, 
por  isso,  em  geral,  ocorre  em 
reboleiras. A  germinação  se  dá, 
principalmente,  na  primavera. 
Entretanto, esse processo germi-
nativo é escalonado, dificultando 
as práticas de controle. O caule é 
cilíndrico nas partes mais velhas 
e achatado e estriado nas partes 
mais  novas.  Sua  ramificação  é 
dicotômica  e  ascendente.  Suas 
folhas  são  opostas,  em  pares 
cruzados  e  a  raiz  principal  é  pi-
votante.  Ocorre  com  maior  fre-
quência  no Triângulo  Mineiro  e 
sul do Estado de Goiás. Contudo, 
considerando seu vigor de cres-
cimento e competitividade dian-
te  das  culturas  agrícolas,  pode-
se  concluir  que  se  trata  de  uma 
planta infestante de importância 
potencial. Seu porte elevado difi-
culta a colheita de grãos.

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