Efeitos dos programas de exercícios no tratamento de idosos frágeis: uma revisão de literatura



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Efeitos dos programas de exercícios no 

tratamento de idosos frágeis: uma revisão de literatura

Efectos de los programas de ejercicios en el tratamiento de los personas mayores frágiles: una revisión de la literatura

Effects of exercise programs on the treatment of frail elderly: a narrative review



 

*Fisioterapeuta especialista em Fisioterapia em Geriatria e Gerontologia

Associação Beneficente Auta de Souza (ABAS)

**Fisioterapeuta; Mestranda em Ciências e Tecnologias em Saúde pela UnB/FCE

Secretaria Estadual de Saúde do Distrito Federal

***Docente no curso de Fisioterapia e no Programa de Pós-graduação

em Ciências e Tecnologias em Saúde da UnB/FCE

(Brasil)


allini.santos@bol.com.br

Larissa de Lima Borges**

larissalima10@gmail.com

Ruth Losada de Menezes***

ruthlosada@unb.br

 

 


 

 

Resumo

          Objetivos: Revisar os diferentes tipos de programas de exercícios para o tratamento de idosos frágeis. Métodos: Foi realizada uma busca nas bases de dados Lilacs, PubMed, SciELO e Cochrane via Bireme por estudos do tipo meta-análise e clínico controlado e randomizado que utilizaram programas de exercícios físicos para idosos frágeis. Os descritores utilizados foram: idoso frágil, fragilidade e exercícios. Dos 163 artigos encontrados 21 foram incluídos. Resultados: Os programas de exercícios apresentaram grande variedade (tipos de exercícios, freqüência e duração) e foram desenvolvidos tanto para idosos institucionalizados quanto para comunitários, além de terem incluído diferentes treinamentos (força muscular concêntrica e/ou excêntrica; endurance; equilíbrio; multidimensionais; em grupo e em domicílio). Observou-se ainda que idosos mais velhos e frágeis apresentaram melhoras em seu desempenho funcional através de diversificados protocolos de tratamento que utilizaram o exercício físico como principal conduta. Conclusão: Os efeitos deteriorantes da fragilidade podem ser combatidos com diferentes programas de exercício físico.

          Unitermos: Idoso frágil. Fragilidade. Exercícios.

 

Resumen

          Objetivos: Hacer una revisión de los distintos tipos de programas de ejercicios para el tratamiento de personas mayores frágiles. Métodos: Se realizó una búsqueda en las bases de datos (Lilacs, PubMed, SciELO y Cochrane vía Bireme) sobre estudios del tipo meta-análisis y clínico controlado y randomizado que han utilizado programas de ejercicios físicos para ancianos débiles. Los descriptores utilizados fueron: persona mayor frágil, fragilidad y ejercicios. De los 163 artículos identificados fueron incluidos 21. Resultados: Los programas de ejercicios han presentado gran variedad (clases de ejercicios, frecuencia y duración) y han sido desarrollados tanto para personas mayores institucionalizadas como para los comunitarios, además de incluir distintos entrenamientos (fuerza muscular concéntrica y /o excéntrica; endurance; equilibrio; multidimensionales; en grupo e en domicilio). Se observó que las personas mayores con edad más avanzada y frágiles han presentado mejoras en su desempeño funcional a través de protocolos diferenciados de tratamiento que han utilizado el ejercicio físico como conducta principal. Conclusión: Los efectos del deterioro de la fragilidad pueden ser afrontados con distintos programas de ejercicio físico.

          Palabras clave: Personas mayores. Fragilidad. Ejercicios.

 

Abstract

          Objective: To review the various types of exercises programs that was used to treat frail older adults. Methods: It was executed a search in the database of Lilacs, PubMed, SciELO and Cochrane by Birene for clinical trials controlled and randomized and meta-analysis that looked at interventions based in physical exercises programs to frail elderly using the keywords: frail older adults, fragility and exercises. From the 163 articles found, 21 were included. Results: The exercises programs presented a big variety (types of exercise, frequency and duration) and were developed both for institutionalized elderly and for those that live in the community, and it included different types of training (muscular strength concentric and eccentric; endurance; balance; programs that associate various modalities of training; group programs and home-based programs). Conclusion: The deteriorating effects of fragility can be addressed with different types of exercise program.

          Keywords: Frail older adults. Fragility. Exercise.

 


 



EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 15, Nº 166, Marzo de 2012. http://www.efdeportes.com/



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Introdução

    O envelhecimento da população brasileira é uma realidade notável, e está acontecendo de forma dinâmica, acelerada, sem precedentes (GIATTI & BARRETO, 2003; VERAS, 2007) e com novas problemáticas que envolvem o idoso, como a Síndrome da Fragilidade (LEVERS, ESTABROOKS & KERR, 2006; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007). Uma revisão sistemática da literatura mostrou que ainda não há definição e marcadores consensuais e únicos para a Síndrome da Fragilidade (BORGES & MENEZES, 2011), porém, a maior parte dos pesquisadores compreende que se trata de uma síndrome caracterizada por uma diminuição da reserva fisiológica e das respostas aos estressores de baixo impacto, resultando em uma dificuldade de manutenção da homeostasia, (FRIED et al., 2001; BANDEEN-ROCHE, 2006; BAUER & SIEBER, 2008), incapacidades (CARRIÈRE et al., 2005) e mortalidade (CAWTHON et al., 2007).

    Como conseqüência da falta de uma definição a prevalência desta síndrome torna-se incerta (BORTZ II, 2002; MARKLE-REID & BROWNE, 2003). Fried et al. (2001) encontraram uma incidência de 7% em seus estudos. No Brasil, acredita-se que de 10 a 25% dos idosos que vivem na comunidade acima de 65 anos e 46% dos acima de 85 anos são frágeis (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007).

    Alterações nos sistemas musculoesquelético, neurológico, endócrino e metabólico são centrais para o desenvolvimento desta síndrome (BREDA, 2007). Contudo, o que mais se destaca é o acometimento do sistema musculoesquelético, representado pela perda de massa e força muscular (sarcopenia), diminuição de flexibilidade, coordenação e equilíbrio, fazendo com que o déficit deste sistema seja a porta de entrada para a fragilidade (BORTZ II, 2002; VANLTALLIE, 2003).

    Os marcadores de fragilidade mais utilizados e referenciados na literatura são os propostos por Fried et al. (2001): perda de peso não intencional, fadiga auto-relatada, fraqueza muscular, baixo nível de atividade física e lentidão da marcha. Walston et al. (2006) acrescentam que o idoso frágil pode apresentar perda de equilíbrio, alterações da mobilidade e alterações cognitivas.

    Portanto, não há discordância do impacto catastrófico que a fragilidade causa nos indivíduos mais velhos, representado uma ameaça importante para o estado funcional, independência e qualidade de vida dos mesmos (BERGMAN et al., 2007). Contudo, estes eventos adversos provenientes da fragilidade podem ser modificados através de intervenções clínicas, conforme indicam alguns estudos (FRIED et al., 2004; AHMED, MANDEL & FAIN, 2007; MINISTERIO DA SAÚDE, 2007).

    Evidências na literatura atual mostram que a reabilitação do sistema músculo-esquelético por meio do exercício físico pode prevenir e/ou retardar a instalação da incapacidade funcional nos idosos pré-frágeis e frágeis (DANIELS et al., 2008), além de reduzir seus efeitos adversos e melhorar a qualidade de vida destes indivíduos (HEATH & STUART, 2002). A prática regular de atividade física pode melhorar a força muscular, o equilíbrio e a capacidade aeróbica, reduzindo, assim, a fragilidade física e retardando a dependência (CHIN A PAW, 2008). Contudo, mais uma vez, os programas de exercício para tratamento da fragilidade também não são unificados (FERRUCCI et al., 2004), e o melhor tipo de atividade, intensidade de exercício, freqüência e duração dos programas ainda são obscuros (MUHLLBERG & SIEBER, 2004; CHIN A PAW, 2008).

    Frente ao exposto o propósito deste trabalho é revisar os diversos tipos de programas de exercício utilizados para o tratamento de idosos frágeis e terapias associadas, além da efetividade destas intervenções na funcionalidade destes idosos.



Metodologia

    Esta revisão caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura. A pesquisa foi realizada de Janeiro de 2009 a Maio de 2009. Foram utilizadas as bases de dados Lilacs, Pubmed, Scielo e Cochrane via Biblioteca Virtual em Saúde para a busca de artigos científicos. Os descritores utilizados foram: idoso frágil, fragilidade e exercícios. Os critérios de inclusão adotados foram: publicação na íntegra; publicação entre 1999-2009; desenho dos tipos meta-análise e ensaios clínicos controlados e randomizados; estudos que tivessem utilizado qualquer tipo de intervenção baseada em programas de exercícios para idosos frágeis. Os estudos incluídos foram lidos na íntegra e tiveram suas informações (título, autores, ano de publicação, objetivos, métodos, resultados e conclusões) registradas em formulário próprio.



Resultados e discussão

    Foram encontrados 163 artigos dos quais 24 foram incluídos. As intervenções incluídas nos programas de treinamento destes estudos comtemplaram exercícios de resistência; treinamentos combinados que associaram mobilidade, flexibilidade, exercícios resistidos, aeróbicos e de equilíbrio; treinamento isolado de equilíbrio; treinamento em grupo; treinamento com exercícios domiciliares e treinamentos que unem exercícios e outras condutas, tais como suplementação dietética e hormonal.

    Para melhor compreensão e visualização, os estudos e as características dos programas de intervenção incluídos nesta revisão serão apresentados de forma resumida segundo o tipo de intervenção e em ordem cronológica nos quadros de 1 a 6.

Exercícios resistidos

    Foram incluídos 4 estudos (19,04%) que utilizaram exclusivamente exercícios resistidos como conduta terapêutica para idosos frágeis (Quadro 1).

    Seynnes et al. (2004) verificaram o efeito de duas intensidades de treinamento de resistência (baixa intensidade e alta intensidade), em idosos institucionalizados frágeis, visando observar alterações em força muscular, limitações funcionais e incapacidades autorrelatadas. Os autores verificaram que a força muscular foi otimizada nos dois tipos de programas, mas as melhorias funcionais só aconteceram significantemente no grupo que treinou com alta intensidade.

    Desequilíbrios metabólicos causados pela superprodução de citocinas catabólicas, como o Fator de Necrose Tumoral (FNT-α), associados com a diminuição da produção e/ou ação de hormônios anabólicos também parecem estar envolvidos com a fragilidade (HAMERMAN, 1997). Partindo deste princípio, Bruunsgaard et al. (2004) utilizaram um programa de exercícios resistidos para verificar a eficácia do mesmo na redução da ativação crônica do sistema de FNT em idosos frágeis institucionalizados. Níveis de FNT-α e interleucina-6 (IL-6) foram medidas antes e após a intervenção, assim como a força muscular. Após 12 semanas de treinamento com exercícios resistidos, a força muscular dos idosos frágeis melhorou, porém os níveis de FNT-α e IL-6 não foram afetados. Entretanto, foi notado que o ganho de força muscular foi limitado pela atividade do sistema de FNT, o que mostra que este pode ser usado como um marcador sanguíneo de fragilidade.

    Os resultados de Greiwe et al. (2001) diferem em alguns pontos do estudo anterior. Este estudo utilizou um programa de treinamento resistido progressivo em que se observou uma diminuição de 34% do FNT-α, além de uma redução de 46% de sua produção. Associada a este, observou-se um aumento de 83% na taxa de síntese protéica do músculo. As taxas de FNT-α eram inversamente proporcionais à síntese protéica, sugerindo, como a pesquisa anterior, que o FNT-α impõe barreiras ao ganho de força e massa muscular.

    Além do exercício resistido concêntrico, o exercício excêntrico também pode ser utilizado como intervenção de tratamento para idosos frágeis. Lastayo et al. (2003) avaliaram os benefícios do exercício excêntrico para idosos frágeis em relação à massa muscular, força, equilíbrio e risco de quedas. O grupo de intervenção conseguiu realizar altas intensidades de exercício com pouca percepção de cansaço, aumento da força e massa muscular do quadríceps, melhora do equilíbrio e da habilidade para descer degraus. O risco de quedas reduziu comparado ao grupo controle. Assim, observa-se que o exercício excêntrico promove impactos estruturais e funcionais benéficos para idosos frágeis, podendo inverter prejuízos musculares e a perda da independência dos mesmos.



Quadro 1. Estudos e características dos programas de treinamento que utilizaram exercícios resistidos

Estudo

População

Intervenção e Características dos Programas

Medidas Avaliadas

Greiwe et al. (2001)

N=37, idade média=81 anos.

Critérios de inclusão: Idosos ≥ 75 anos e frágeis (classificados de acordo com testes de desempenho físico e AVD’s).



Intervenção: Treinamento de resistência progressivo

3x semana – 12 semanas



  • Grupo de treinamento: 5’ (minutos) de aquecimento e alongamentos seguidos de 50 a 90’ de exercício resistido supervisionado.

  • Inicial: 1 a 2 séries de 6 a 8 repetições, 65 a 75% de 1 Repetição Máxima (RM)

  • Posterior: 3 séries de 8 a 12 repetições, 85 a 100% RM

  • Grupo controle: Alongamentos + reuniões sociais

Massa muscular corporal total, biopsia do músculo vasto lateral, (FNT – α e Taxa de síntese protéica), força muscular.

LaStayo et al. (2003)

N=22 idosos frágeis, idade média=80,2 anos, que tinham participado de um Programa de Reabilitação Cardíaca (RC).

Critérios de inclusão: Apresentar sarcopenia, equilíbrio prejudicado, pouca habilidade para descer escadas, alto risco de quedas, ter passado pela RC (Fase II – IV).



Intervenção: Treinamento de resistência excêntrica

3x semana – 10 a 20’ – 11 semanas



  • Grupo de exercício: Fortalecimento excêntrico em cicloergômetro com intensidade aumentada de acordo com Escala Berg, iniciando com percepção de esforço “muito, muito leve” até “forte”.

  • Grupo controle: Exercício em máquinas com pesos livres, evoluindo com resistências baixas (10 a 15 repetições com percepção fácil) e depois aumentando-a (6 a 10 repetições com percepção difícil).

Área seccional do músculo vasto lateral, equilíbrio (Berg), capacidade funcional de descer degraus cronometrada e risco de quedas (Timed Up and Go).

Seynnes et al. (2004)

N=22 idosos frágeis institucionalizados, idade média = 81,5 anos.

Critérios de inclusão: Residentes de instituição de longa permanência, idade ≥ 70 anos, capaz de caminhar sem ajuda de outrem por 20 metros e capaz de entender instruções simples.



Intervenção: Treinamento de resistência

3x semana – 10 semanas/3x8 repetições com 1 a 2’ de descanso



  • Grupo de alta intensidade: 80% de 1 RM, sendo 1 RM avaliada semanalmente.

  • Grupo de baixa intensidade: 40% de 1 RM, sendo 1 RM avaliada semanalmente.

  • Grupo controle: Mesmos exercícios com tornozeleiras vazias

Força e resistência muscular dos músculos extensores de joelho, Teste de caminhada de 6’, teste de sentar e levantar, teste de subir degraus e dificuldade funcional autorrelatadas.

Bruunsgaard et al. (2004)

N=21 idosos frágeis e institucionalizados, idades variando entre 86 e 95.

Intervenção: Treinamento de resistência

3x semana – 45’ – 12 semanas/3x8 repetições



  • Grupo de exercício: 50 a 80% de 1 RM, sendo 1 RM avaliada semanalmente, com 1 a 2’ de descanso entre repetições.

  • Grupo controle: Atividades sociais, 2x semana – 45’ – 12 semanas.

Força muscular, níveis sanguíneos de Fator de Necrose Tumoral – α, receptor de FNT –α solúvel e Interleucina-6 (IL – 6).

Exercícios resistidos e suplementação dietética e/ou hormonal

    Neste grupo foram incluídos 5 estudos (23,8%) que combinaram exercícios resistidos com terapias suplementares, tais como suplementação dietética e hormonal, no manejo de idosos frágeis (Quadro 2).

    Chin A. Paw et al. (2000) investigaram os efeitos da associação entre exercício físico e alimentos enriquecidos na resposta imune celular de idosos frágeis. A amostra foi divida em 4 grupos segundo a intervenção: grupo 1 - exercícios resistidos progressivos que visavam a manutenção e/ou melhoria da mobilidade e do desempenho em atividades de vida diária (AVD’s); grupo 2 - intervenção nutricional com alimentos enriquecidos; grupo 3 - exercícios e intervenção nutricional; grupo 4 - somente reuniões educativas. Os resultados mostraram que a intervenção nutricional isoladamente não alterou a resposta imune dos idosos frágeis, ao contrário daqueles que foram submetidos ao programa de exercícios, nos quais a resposta imune se manteve estável. Além disso, a aptidão física e o desempenho funcional só melhoraram nos grupos de exercícios, comparado com os que não o praticaram, que, por sua vez, tiveram perdas funcionais. Assim, estes resultados mostram mais uma vez a importância da intervenção com exercício resistido na funcionalidade do idoso frágil.

    Outros autores analisaram o papel do exercício resistido de alta intensidade associado ou não à intervenção nutricional no potencial de regeneração da fibra muscular e hipertrofia da mesma em idosos frágeis (SINGH et al., 1999). Ambos os grupos (os que realizaram somente os exercícios resistidos e o grupo que associou este à suplementação alimentar) experimentaram incrementos na força muscular. Contudo, no grupo que associou as duas terapias este incremento aconteceu de forma mais acentuada. O grupo que realizou somente exercícios também ganhou mais força que o grupo que realizou somente a suplementação nutricional. Somente no grupo combinado de exercício e suplementação nutricional houve aumento da área de fibras musculares tipo II. Esta pesquisa também demonstrou pela primeira vez o aumento de IGF-1 (Insulin-like Growth Factor 1) no tecido muscular esquelético após o treinamento progressivo de resistência, sendo este um importante mediador para ativação de células satélites. Conclui-se, assim, que haver um equilíbrio entre a entrada de energia e o exercício resistido para tratamento da sarcopenia no idoso frágil.

    Latham et al. (2003) promoveram uma intervenção com exercícios resistidos para o quadríceps e suplementação com uma única dose de vitamina D para idosos frágeis após alta hospitalar, com o objetivo de analisar a eficácia do mesmo na diminuição do número de quedas e na saúde física do idoso frágil. Os resultados mostraram que em nenhum dos grupos houve melhorias na saúde física e funcional ou na redução do número de quedas, e que os exercícios resistidos foram prejudiciais aos que o praticaram, devido à maior incidência de alterações musculoesqueléticas. Os autores atribuíram tal efeito ao fato de os exercícios terem sido realizados no domicílio do idoso sem supervisão.

    A obesidade e a sarcopenia estão também fortemente associadas a prejuízos funcionais, quedas e co-morbidades em idosos frágeis (MORLEY et al., 2001). Com base nestes fatores, Villareal et al. (2006) pesquisaram o impacto da perda de peso e da atividade física regular na composição corporal, no desempenho físico e na qualidade de vida de indivíduos idosos e frágeis. Após 26 semanas de intervenção com dieta e um programa misto de exercícios físicos que envolvia flexibilidade, força, resistência e equilíbrio, comparado a um grupo controle, nenhum dos grupos obteve redução da massa gorda corporal livre. Entretanto, o grupo que sofreu intervenção experimentou melhorias em todas as medidas de função muscular e força, marcha, equilíbrio, qualidade de vida e ainda conseguiu reduzir o peso, melhorando, consequentemente, a fragilidade. Concluíram que dieta e exercício físico devem ser considerados como terapia primária para idosos obesos e frágeis.

    Os exercícios físicos também podem ser associados com a suplementação hormonal. Sullivan et al. (2005) determinaram os efeitos do treinamento muscular resistido progressivo combinado ou não com uso de testosterona em relação à força muscular, massa muscular e desempenho físico em idosos frágeis que se recuperavam de um declínio agudo por doença hipogonodal, através de quatro grupos randomizados: grupos 1 e 2 - exercícios de baixa resistência, associado ao uso placebo de testosterona e o outro de testosterona propriamente dita, respectivamente; e grupos 3 e 4 - exercícios de alta resistência associado ao uso de placebo e de testosterona, respectivamente. Após 12 semanas de intervenção, constatou-se melhora da força muscular de membros superiores e inferiores em todos os grupos, mas de forma mais intensa e estatisticamente significativa nos grupos que treinaram com alta intensidade. Já a testosterona, por sua vez, aumentou a área seccional do músculo avaliado, e os exercícios isoladamente não. Não forma obtidas modificações no desempenho funcional em todos os grupos.

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