Efeito agudo da manipulaçÃo torácica sobre a amplitude de movimento da coluna cervical: estudo randomizado, duplo cego e placebo controlado



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EFEITO AGUDO DA MANIPULAÇÃO TORÁCICA SOBRE A AMPLITUDE DE MOVIMENTO DA COLUNA CERVICAL: ESTUDO RANDOMIZADO, DUPLO CEGO E PLACEBO CONTROLADO

ACUTE EFFECT OF THE THORACIC HANDLING ON THE AMPLITUDE OF MOVEMENT OF THE CERVICAL COLUMN: RANDOMIZED STUDY, DOUBLE BLIND AND CONTROLLED PLACEBO

Gabriel Henrique de Oliveira Farias - gabriel-henrique2006@hotmail.com

Gabriel Hiibner Nunes - ghiibner@gmail.com

Richert de Souza Mesquita - richert.mesquita@hotmail.com



Graduandos do UNISALESIANO

Prof. Esp. Jonathan Daniel Telles – UNISALESIANO - fisiojonathantelles@gmail.com

Profº M.Sc Jovira Maria Sarraceni – UNISALESIANO -



RESUMO
Pensando em tratamentos conservadores, o estudo propôs intervir por meio da técnica manipulativa executada na coluna torácica alta (T1 – T5), observando os possíveis desfechos agudo de ganho de mobilidade da coluna cervical diante da limitação da amplitude de movimento que a mesma apresenta. A pesquisa selecionou voluntárias saudáveis com idades entre 18 a 30 anos randomizando-as em grupos por sorteios com 20 envelopes. Foi estabelecida uma avaliação por goniometria sob parâmetros de rotação e latero-flexão do pescoço antes e após a intervenção. Dentro dos resultados foram observadas diferenças estatisticamente significantes (p ≤ 0,05), somente da goniometria de latero-flexão direita (p=0,03), latero-flexão esquerda (p=0,02) e da rotação direita (p=0,03) relacionando o valor pós quando comparado ao valor pré, sendo estes do grupo que passaram pela manipulação torácica. Não foram observados dados significantes relacionados ao grupo placebo. Portanto conclui-se que a manipulação na região de coluna toracica alta (T1 – T5) geram ganhos de mobilidade na coluna cervical.

Palavras-chave: Mobilidade. Terapia Manual. Coluna Cervical. Fisioterapia

ABSTRACT
Considering conservative treatments, the study proposed to intervene using the manipulative technique performed in the high thoracic spine (T1 - T5), observing the possible acute outcomes of cervical spine mobility gain in view of the limitation of the range of motion that it presents. The study selected healthy volunteers aged 18 to 30 years who were randomized into groups with 20 envelopes. A goniometry evaluation was established under rotation and lateral flexion parameters of the neck before and after the intervention. Within the results, statistically significant differences (p ≤ 0.05) were observed, only the right-hand gonometry (p = 0.03), the left-hand flexion (p = 0.02) and the right rotation (p = 0.03) correlating the value post when compared to the pre value, being these of the group that went through the thoracic manipulation. There were no significant data related to the placebo group. Therefore, it is concluded that manipulation in the thoracic spine region (T1-T5) generates mobility gains in the cervical spine.

Keywords: Mobility. Manual therapy. Cervical spine. Physiotherapy



INTRODUÇÃO
Diante de uma perspectiva de tratamentos envolvendo a coluna vertebral, chegaremos à conclusão de que há uma variedade enorme de conceitos que de certa forma trazem soluções para o problema e a fisioterapia com intervenções manuais apresenta um conceito amplo no segmento para o tratamento relacionado à coluna.

Segundo Kapandji (2008), as amplitudes articulares na coluna cervical com graus de normalidade, em rotação total da cabeça seriam de 80º a 90º de cada lado e, dentro dessa amplitude, atribuem-se 12º à articulação atlantoccipital e 12º à articulação atlantoaxial. O autor ainda atribui para amplitude total de inclinação da cabeça aproximadamente 45º.

Ricard (2009) discorre acerca da manipulação articular torácica para uma disfunção vertebral em nível da coluna torácica (T3 a T10), com objetivos de suprimir o espasmo dos músculos adjacentes à articulação vértebra que estariam fixando a posterioridade de uma vértebra e restaurar assim a função articular.

Nicholas e Nicholas (2008) discorrem sobre a manipulação articular partindo de uma explicação voltada à estrutura articular, que estando débil, ou seja, com alguma subluxação vertebral, estaria limitando a cinesia da artrocinemática e osteocinemática da biomecânica articular.

O principal propósito da pesquisa em questão foi destinado a analisar a influência da manipulação na coluna torácica alta (T1 – T5) sobre a mobilidade cervical e observar os possíveis ganhos de mobilidade cervical, obtidos através da técnica inespecífica sobre a região torácica alta em pacientes com diminuição da amplitude de movimento da coluna cervical. Com base nisso, o presente trabalho desenvolve-se a partir do seguinte problema: a manipulação realizada na região de coluna torácica alta (T1 – T5) gera efeito agudo de amplitude de movimento na coluna cervical?

A fim de responder o seguinte questionamento, inúmeras pesquisas relacionam a terapia manual a grandes benefícios, tais como: relaxamento muscular, decorrente da atenuação da atividade dos motoneurônios alfa; restauração da função corporal fisiológica, devido ao reposicionamento dos segmentos vertebrais; hipoalgesia, como consequência da inibição de impulsos nociceptivos e da liberação de beta-endorfinas. (RÉ et. al., 2012). Dessa forma, sugere-se que a manipulação atua de forma eficaz, podendo gerar efeitos significativos de amplitude de movimento da coluna cervical e outros benefícios.


1 MÉTODOS
O presente estudo de caráter experimental foi aceito pelo comitê de ética da plataforma Brasil no dia 30 de maio de 2017 com numero do parecer 2.091.282. A casuística foi constituída de vinte discentes do Centro universitário católico auxilium de Lins do curso de fisioterapia, sendo do sexo feminino, saudáveis e com idade entre 18 a 30 anos. Foram avaliadas e passaram pela intervenção dentro do período de setembro de 2017. Para cada uma das avaliações e com relação à manipulação com thrust ou manipulação placebo foram usados script formalizando de forma uniforme e coerente cada processo que a paciente iria receber.

Os critérios de inclusão foram designados à escolha de discentes do sexo feminino, saudáveis e com idade entre 18 a 30 anos, do curso de fisioterapia unisalesiano Lins, que apresentassem limitação da amplitude de movimento cervical em rotação e latero-flexão e que consentissem em participar da pesquisa mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido.

Dentro dos critérios de não-inclusão da pesquisa estavam indivíduos que apresentem osteoporose, osteoartrose, espondilite, artrite reumatóide, hérnia de disco ou dor aguda na região cervical ou torácica ou indivíduos que se recusassem a assinar o TCLE.

Diante dos critérios de exclusão estavam discentes que apresentassem hipersensibilidade ou dor exacerbada no momento em que se colocavam os parâmetros para a intervenção da técnica, tanto do grupo 1 quanto do grupo 2.
1.1 PROCESSO DE RANDOMIZAÇÃO

Após avaliação primária em uma segunda sala, foram atribuídos 20 envelopes nos quais continham 10 bilhetes nomeados “Grupo 1” (manipulação) e outros 10 nomeados “Grupo 2” (placebo). Foram ainda estabelecidos outros 20 envelopes com informações contendo o lado em que seria realizado o posicionamento para a intervenção, direito ou esquerdo.

As participantes, uma por vez, foram encaminhadas a uma sala onde, primeiramente, retiravam um envelope dentre os 20 que estavam misturados e denominados Grupo 1 e Grupo 2; posteriormente, retiravam um outro envelope dos outros 20 envelopes que estavam denominados “direito” ou “esquerdo”. Após a escolha e entrega dos envelopes ao pesquisador assistente, as participantes, sem conhecimento dos bilhetes escolhidos, foram direcionadas para a realização de tratamentos por meio da manipulação ou pelos parâmetros placebo para técnica.

A participante cujo envelope apresentasse o bilhete escrito “Grupo 1” recebeu a intervenção por meio dos parâmetros impostos para a manipulação com thrust na região torácica, como demonstra a figura 40. A participante cujo envelope escolhido apresentasse o bilhete escrito “Grupo 2” recebeu a intervenção com os mesmos parâmetros da manipulação torácica original, mas sem o impulso manipulativo final (thrust), como demonstra a figura 41.

Toda intervenção em relação ao tratamento foi realizada pelo mesmo pesquisador assistente. Foi garantido no momento da intervenção que, sendo tanto ela realizada no grupo 1 (manipulação) quanto no grupo 2 (placebo), o posicionamento da mão do pesquisador assistente na região da coluna torácica fosse a mesma no que diz respeito à sensibilidade imposta, distanciando quaisquer erros de pesquisa ou falso placebo sobre a área de contato.
1.1.2 AVALIAÇÃO POR GONIOMETRIA
Após a coleta das assinaturas relacionado ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, a cada participante individualmente foi solicitado comparecer em uma primeira sala destinada à avaliação inicial para a coleta dos dados relacionados à rotação e à latero-flexão em graus, com auxilio do goniômetro.

Para a mensuração do parâmetro em “latero-flexão” por meio da goniometria, foi solicitado à participante que se sentasse em uma cadeira, de forma ereta, olhando para frente e com os braços nas laterais do tronco. Posicionou-se o goniômetro com o ponto fixo na apófise espinhosa da sétima vértebra cervical e, com o braço móvel em direção e fixado sobre a protuberância occipital externa da participante, foi solicitado a esta que realizasse o movimento de latero-flexão cervical para a direita e depois para a esquerda. Esse parâmetro foi repetido por três vezes para direita e três vezes para esquerda para coleta final da média especifica da amplitude. Ainda com a participante sentada, posicionou-se o goniômetro com um ponto fixo no vértice da cabeça e, com o braço móvel em direção a região do osso frontal e sobre o mesmo, foi então solicitado à participante que realizasse uma rotação para a direita e depois para a esquerda, parâmetro este repetido por três vezes para direita e três vezes para esquerda para coleta final da média especifica da amplitude.

Foi assegurado que dois pesquisadores assistentes realizassem a mensuração das amplitudes em conjunto, de forma que um ajudou ao outro desde os posicionamentos do goniômetro até o posicionamento da participante, para que não houvesse compensações no momento dos movimentos, assim distanciando quaisquer erros de mensuração.


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