Eeem. Francisco rosales neumann literatura – Prof.ª Maiani Brezezinski Meyer Macunaíma, o herói sem nenhum caráter



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EEEM. FRANCISCO ROSALES NEUMANN

LITERATURA – Prof.ª Maiani Brezezinski Meyer
- Macunaíma, o herói sem nenhum caráter


Macunaíma, de Mario de Andrade, foi escrito em 1927 e publicado em 1928. Classificada por seu autor como uma rapsódia, a narrativa conta a história da personagem que dá nome ao livro.

Ao longo da obra, Macunaíma sofre constantes metamorfoses – príncipe, indígena, homem branco, inseto, peixe, pato – e vive suas aventuras em vários lugares – Amazônia, São Paulo, Rio de Janeiro e outras regiões brasileiras.

A maior parte da ação se passa em São Paulo, onde ele vai buscar o muiraquitã, talismã que recebeu de presente de Ci, a mãe do mato, por quem havia se apaixonado. A busca do amuleto perdido pode ser considerada uma paródia das novelas de cavalaria em que o cavaleiro saía e busca do cálice sagrado, o Santo Graal.

Quando recupera o muiraquitã, Macunaíma volta à Amazônia, onde vive outras peripécias, acaba se transformando na constelação da Ursa Maior e vai ao encontro de Ci, que se transformara na estrela Beta de Centauro.


Características da obra:
O Manifesto Antropofágico propunha uma arte que absorvesse o individual e o coletivo, apropriando-se das influências europeias em prol de uma nova cultura nacional. Defendia a liberdade linguística, as marcas da oralidade na escrita e a cultura popular, valorizando nossas manifestações primitivas, folclóricas.

Na obra, misturam-se lendas, mitos, simpatias, rezas, bordões, provérbios, frases feitas, adivinhas, anedotas. A linguagem é inovadora, com neologismos, regionalismos, termos indígenas e linguagem coloquial.

Como recurso literário, Mário de Andrade usou ainda uma estratégia metalinguística: as histórias são cotadas pelo papagaio do próprio herói.

- O foco narrativo é em terceira pessoa, com um narrador-observador das peripécias do protagonista. (Exceção capítulo 9)

- Há trechos que apresentam ruptura da sintaxe e da pontuação.

- A linguagem popular é reproduzida por meio da grafia das palavras e de determinadas construções sintáticas.



I

No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói da nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando um murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.

Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando.Si o incitavam a falar exclamava:

- Ai! que preguiça!... e não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força de homem. O divertimento dele era decepar cabeça de saúva. Vivia deitado mas si punha os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganhar vintém. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus. Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa dos guaimuns diz-que habitando a água doce por lá. No mucambo si alguma cunhatã se aproximava dele para fazer festinha, Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã se afastava. Nos machos cuspia na cara. Porém respeitava os velhos e frequentava com aplicação a murua a poracê o torê o bacorocô a cucuicogue, todas essas danças religiosas da tribo.

Quando era pra dormir trepava no macuru pequenininho sempre se esquecendo de mijar. Como a rede da mãe estava debaixo do berço, o herói mijava quente na velha, espantando os mosquitos bem. Então adormecia sonhando palavras feias, imoralidades etrambólicas e dava patadas no ar.

As conversas das mulheres no pino do dia o assunto eram sempre as peraltagens do herói. As mulheres se riam muito simpatizadas, falando que “espinho que pinica, de pequeno já traz ponta”, e numa pajelança Rei Nagô fez um discurso e avisou que o herói era inteligente.

Nem bem teve seis anos deram água num chocalho pra ele e Macunaíma principiou falando como todos e pediu pra mãe que largasse da mandioca ralado na cevadeira e levasse ele passear no mato. A mãe não quis porque não podia largar da mandioca não. Macunaíma choramingou dia inteiro. [...]
ANDRADE, Mário de. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter.


1) A antropofagia modernista procurava assimilar, absorver, deglutir, transformar culturas. Em Macunaíma, herói sem nenhum caráter, esse processo se dá por meio da paródia, da releitura e da incorporação de mitos, lendas e obras filiadas a diferentes estéticas. Identifique os intertextos presentes nos trechos a seguir.




  1. No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói da nossa gente.




  1. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus, [...] Macunaíma punha a mão nas graças dela [...]




  1. [...] falando que “espinho que pinica, de pequeno já traz ponta” [...]

Nem bem teve seis anos deram água num chocalho pra ele e Macunaíma principiou falando como todos.

2) O Romantismo idealiza o indígena e, por influência de Rousseau, considera-o o “bom selvagem”. Com base no trecho que você leu, pode-se dizer que Macunaíma se enquadra nesse ideal? Justifique.

3) Em Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, histórias são apresentadas para explicar hábitos e costumes do povo brasileiro.

Macunaíma pendia tanto de fadiga que pegou no sono durante o pulo. Caiu dormindo embaixo duma palmeirinha guairô muito aromada onde um urubu estava encarapitado.

Ora o pássaro careceu de fazer necessidade, fez e o herói ficou escorrendo sujeira de urubu. Já era de-madrugadinha e o tempo estava inteiramente frio. Macunaíma acordou tremendo, todo enlambuzado. Assim mesmo examinou bem a pedra mirim da ilhota pra ver si não havia alguma cova com dinheiro enterrado. Não havia não. Nem a correntinha encantada de prata que indica pro escolhido, tesouro de holandês. Havia só as formigas jaquitaguas ruivinhas.

Então passou Caiuanogue, a estrela-da-manhã. Macunaíma já meio enjoado de tanto viver pediu pra que ela o carregasse pro céu. Caiuanogue foi se chegando porém o herói fedia muito.

- Vá tomar banho” ela fez. E foi-se embora.

Assim nasceu a expressão “Vá tomar banho!” que os brasileiros empregam se referindo a certos imigrantes europeus.

(ANDRADE, Mario de. Macunaíma)


  1. Qual é o objetivo desse trecho?




  1. No texto, firma-se que “os brasileiros empregam [essa expressão] se referindo a certos imigrantes europeus”. Como você interpreta esse comentário?

4) Leia um trecho de “Carta pras Icamiabas”, extraído da mesma obra:
Carta pras Icamiabas

IX

Às mui queridas súbditas nossas, Senhoras Amazonas.



Trinta de Maio de Mil Novecentos e Vinte e Seis,

São Paulo.
Senhoras:

Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de saudade e muito amor, com desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade de São Paulo – a maior do universo, no dizer de seus prolixos habitantes – não sois conhecidas por “icamiabas”, voz espúria, se não que pelo apelativo Amazonas; e de vós, se afirma, cavalgardes ginetes belígeros e virdes da Hélade clássica; e assim sois chamadas. Muito nos pesou a nós, Imperator vosso, tais dislates da erudição porém heis de convir conosco que, assim, ficais mais heroicas e mais conspícuas, tocadas por essa respeitável da tradição e da pureza antiga.

Mas não devemos esperdiçarmos vosso tempo fero, e muito menos conturbarmos vosso entendimento, com notícias de mau calibre; passemos, pois, imediato, ao relato dos nossos feitos para cá.

Nem cinco sóis eram passados que de vós nos partíramos, quando a mais temerosa desdita pesou sobre Nós. Por uma bela noite dos idos de maio do ano translato, perdíamos a muiraquitã; que outrem grafara muraquitã, e, alguns doutros, ciosos de etimologias esdrúxulas, ortografam muyrakitan e até mesmo muraqué-itá, não sorrias! Haveis de saber que este vocábulo, tão familiar às vossas trompas de Eustáquio, é quasi desconhecido por aqui. Por estas paragens mui civis, os guerreiros chamam-se policiais, grilos, guardas-cívicas, boxistas legalistas, mazorqueiros etc.; sendo que alguns desses termos são neologismos absurdos – bagaço nefando com que os desleixados e petimetres conspurcam o bom falar lusitano. [...]

- Copie no caderno as alternativas que estão relacionadas à “Carta pras icaiabas”:
a) Dialoga com a carta de Pero Vaz de Caminha, com textos dos cronistas viajantes e com Os Lusíadas, de Camões, de forma parodística.

b) Critica a idealização do indígena brasileiro.

c) Critica o uso da cultura clássica para explicar a cultura nativa.

d) Critica a falsa erudição e o purismo dos gramáticos, as estéticas parnasiana e pré-modernista.

e) Critica do uso de neologismos criados por influência das línguas estrangeiras.
5) Em Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, o narrador relata algumas situações vividas pela personagem central, Entre elas:


  • Macunaíma tentou partir numa embarcação para a Europa, e só não fez porque não o aceitaram a bordo;

  • Macunaíma quis namorar uma portuguesa;

  • A indígena tapanhumas pariu Macunaíma “preto retinto”. Contudo, ao mergulhar, mais tarde, em águas mágicas, ele tornou-se branco e herói.

- Essas situações vividas pela personagem criticam qual aspecto da cultura brasileira da época?

6) Como você explica o uso de palavras e expressões de origem indígena e africana na obra modernista Macunaíma, herói sem nenhum caráter? Cite exemplos.

7) O subtítulo do livro é “o herói sem nenhum caráter”. Não se deve entender a expressão “sem nenhum caráter” como “mau caráter”. Considerando essa afirmação, registre no caderno a única expressão que não poderia substituir esse subtítulo.




  1. O primitivo.

  2. O infantil.

  3. O amorfo.

  4. O desonesto.

  5. O instintivo.

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